Faço desde já um parêntesis para indicar que o que a seguir vou escrever se baseia exclusivamente no meu feeling e visão pessoal já que para além de não ser Economista nem sequer sou grande acompanhante das grandes notícias que fazem manchete no mundo dos negócios, limito-me a procurar estar razoavelmente informado acerca do que se vai passando um pouco por esse mundo fora.

Que cenários futuros para as commodities de energia e metais?
Esta subida em flecha destas mercadorias inevitavelmente poderá atingir um ponto que fará estalar os factores de crescimento dos actuais motores da economia mundial: países desenvolvidos e do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Não sendo um especialista nesta matéria macro económica mas apenas um simples cidadão (e especulador!) interessado em acompanhar a evolução das consequências desta escalada de preços, o que tenho constatado até agora tem sido uma reacção aparentemente benevolente face ao aumento de preços:
- No petróleo não se tem visto as pessoas a andar menos de automóvel e os governos em geral fazem saber que estão preocupados mas não alarmados. As receitas dos impostos crescem ao mesmo ritmo do aumento de preços pelo que internamente até esfregam as mãos de contentes, embora não o possam dizer em público por ser politicamente “incorrecto”. Lá chegará um ponto a partir do qual a generalidade dos utentes de automóveis atingirá um ponto em que necessariamente se terão de arranjar alternativas de transporte: será aos 90 ou 100 dólares o barril que se irá notar uma diminuição sensível nas deslocações automóveis? Até agora não se notou grande diferença nos hábitos dos condutores, quer quando o barril estava a 30 dólares quer a 75 dólares! Na compra de veículos híbridos e movidos a fontes de energia alternativas poderia estar uma solução possível mas este tipo de investimento ainda não está ao alcance de todas as bolsas, até se pode dizer que o desenvolvimento destas fontes de energia só agora começou a dar uns passos ainda débeis que deixam o consumidor meio desconfiado, os preços alternativos também ainda não são de todo em todo convidativos e seguros para o futuro, vai levar muitos anos a concretizar este cenário e os preços do barril de petróleo estarão provavelmente perto do final do ano a rondar os 3 dígitos! Ainda por cima o petróleo é um produto perecível, perto do limite máximo da sua capacidade extractiva actual e com stocks de jazidas limitadas a cerca de 60 a 100 anos no nosso planeta, dependendo da evolução do consumo e do binómio de novas técnicas e preços de custo de extracção a grandes profundidades. O seu aumento dos preços futuros apresenta-se agora como quase exponencial se lhe acrescentarmos as crises políticas que determinados países produtores parecem ter descoberto em seu grande benefício, sem que da parte das potências consumidoras pareça haver uma resposta aceitável que possa travar ou até a arriscar ainda uma espiral contínua de preços ainda mais elevados. Os consumidores não têm grande alternativa, estão de pés e mãos atados.
- O ouro é um caso à parte, tem a ver com refúgios alternativos de investimento, a desvalorização do dólar, a procura desenfreada que continua a existir na Ásia proporcionalmente ao aumento de riqueza que a Índia e China vão acumulando, tem a ver com a incerteza face às tensões de guerra no ar, com a própria indústria da joalharia e maior poder de compra da população mundial em geral, a algum alarme do Cartel dos Bancos centrais face aos prejuízos das posições curtas. Tem também a ver com a própria alteração de estratégia quase abrupta dos próprios comerciais (empresas mineiras de extracção) que passaram da sua posição primária de hedgers, com posições curtas iniciais para assegurarem preços de venda garantidos para o escoamento da sua produção a meses de distância, para especuladores quando se aperceberam de que a primeira postura era uma estratégia insensata presente face à tendência geral de subida dos preços…
- A prata e o cobre têm uma grande correlação no aspecto extractivo e dependem em grande medida da solidez da economia mundial em geral; enquanto esta prosperar irá continuar a incidir uma grande pressão na procura, em especial na China, que só pode empurrar os preços das respectivas matérias-primas cada vez mais no sentido inevitável da alta dos preços respectivos.

Inevitavelmente toda a espiral de subida de preços destas mercadorias acabará por estalar na altura em que o ponto de equilíbrio da procura real dos mercados nos países motores da economia mundial for atingido.
O início de uma nova recessão será inevitável e a queda brusca destas matérias-primas é apenas uma questão de tempo.
O problema é que ninguém sabe quando tal cenário acontecerá, pode ser daqui a vários anos, mas quando?! Certamente dependerá em grande medida da velocidade da escalada de preços e da capacidade do actual tecido industrial macro-económico poder continuar a absorver este impacte desde que os mercados continuem a revelar uma relação estável na relação da oferta e procura.
O patamar de preços das matérias-primas que poderá provocar essa eventual rotura no lado da procura parece ser assim uma questão de testes de níveis sucessivos até se atingir o ponto de não absorção do respectivo impacte nas grandes economias em geral. Aí começa a crise, ajudada entretanto pelas pressões inflacionistas que continuarão a provocar o inevitável arrefecimento da economia através da continuada política de aumento das taxas de juro por parte dos Bancos centrais que aí terão necessariamente de inverter a estratégia seguida e baixar as taxas de forma muito agressiva, receita “a la Greenspan”.

A grande questão é saber em que nível de preços das commodities se poderá atingir esta rotura nos mercados.
Pelo andar da carruagem e face à relativa complacência que tenho vindo a assistir por parte da procura mundial atrever-me-ia a dizer que poderemos ainda vir a assistir por uns bons tempos a um cenário em que os preços das citadas matérias-primas poderão cotar de uma forma confortável acima dos 100 dólares o barril no caso do petróleo, acima dos 1000 dólares por contrato no ouro, acima dos 20 dólares na prata por contrato e dos 500 dólares similares no cobre!!! É de loucos, mas será também o toque de finados deste incrível bull market destas mercadorias…

Será mesmo, onde iremos parar antes disto tudo rebentar?
E se nada deste cenário plausível se vier a verificar? O que podemos esperar em alternativa? Haverá porventura algum factor marcante que possa impedir a continuada escalada de preços destas commodities sem que as grandes economias motoras sejam entretanto afectadas? Sinceramente não consigo vislumbrar nenhum nesta altura do campeonato, pelo contrário, a febre da especulação atinge não só os produtores como também os próprios consumidores.
Afinal não é nos Estados Unidos da América que se concentram os grandes mercados especulativos das matérias-primas e estão concentradas as sedes das maiores empresas extractivas mundiais de petróleo e metais? O interesse imediato do lucro rápido e a qualquer preço não se sobrepõe de forma clara à capacidade interventiva dos governos centrais para criar incentivos urgentes na pesquisa de novas fontes de energia baratas e produtos industriais alternativos do tipo reciclável ou outros? Parece não haver mesmo saída para a inevitabilidade do cenário recessivo inevitável que um dia nos irá bater à porta.

Até lá, como cidadão, não me parece que possa continuar a assistir a esta inevitabilidade toda de forma passiva, se não os consegues vencer junta-te a eles.
Pois é, a melhor solução é mesmo arrecadar umas boas massas para os tempos depressivos que um dia nos irão bater à porta, bem sei que a opção pode não parecer muito simpática para o cidadão médio que sofre e vai continuar a sofrer mais com a subida dos preços dos produtos derivados da energia e metais, mas é a única racional: comprar contratos de futuros nestas mercadorias, há que acumular numa perspectiva de longo prazo nestes grupos de commodities e fazer parte do grupo dos grandes especuladores mundiais onde se encontram certamente concentrados todos os grandes players, profissionais e representantes dos grandes capitais mundiais.
Os grandes agentes económicos vão dar um tiro no pé e ajudar a criar as condições de uma grande crise recessiva? Vão com toda a certeza, e de uma forma sub-consciente contribuir para a rotura e cenário de crise inevitável que há-de vir! Mais tarde dirão: era a única forma de um dia deitar abaixo aqueles preços mirabolantes…mas entretanto enriqueceram!
A estratégia do lucro de curto prazo do poderoso grupo do grande capital vai contribuir para a crise de longo prazo que o irá afectar em grande medida? Who cares? Os governos estão lá para tomar as medidas correctivas futuras, até lá deixa cá para já ver o meu dinherinho a entrar nos bolsos.
Só quem está divorciado do grande mundo real das empresas e grandes grupos económicos desconhece que estas preferem arrecadar já qualquer coisa segura agora do que uma promessa de bons lucros no futuro distante…

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