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Commodities da energia e metais: as raízes de uma futura crise mundial?

Iniciado por Mr. Turn, Abril 26, 2006, 12:38

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Mr. Turn

Faço desde já um parêntesis para indicar que o que a seguir vou escrever se baseia exclusivamente no meu feeling e visão pessoal já que para além de não ser Economista nem sequer sou grande acompanhante das grandes notícias que fazem manchete no mundo dos negócios, limito-me a procurar estar razoavelmente informado acerca do que se vai passando um pouco por esse mundo fora.

Que cenários futuros para as commodities de energia e metais?
Esta subida em flecha destas mercadorias inevitavelmente poderá atingir um ponto que fará estalar os factores de crescimento dos actuais motores da economia mundial: países desenvolvidos e do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Não sendo um especialista nesta matéria macro económica mas apenas um simples cidadão (e especulador!) interessado em acompanhar a evolução das consequências desta escalada de preços, o que tenho constatado até agora tem sido uma reacção aparentemente benevolente face ao aumento de preços:
- No petróleo não se tem visto as pessoas a andar menos de automóvel e os governos em geral fazem saber que estão preocupados mas não alarmados. As receitas dos impostos crescem ao mesmo ritmo do aumento de preços pelo que internamente até esfregam as mãos de contentes, embora não o possam dizer em público por ser politicamente "incorrecto". Lá chegará um dia a partir do qual a generalidade dos utentes de automóveis atingirá um ponto em que necessariamente se terão de arranjar alternativas de transporte: será aos 90 ou 100 dólares o barril que se irá notar uma diminuição sensível nas deslocações automóveis? Até agora não se notou grande diferença nos hábitos dos condutores, quer quando o barril estava a 30 dólares quer a 75 dólares! Na compra de veículos híbridos e movidos a fontes de energia alternativas poderia estar uma solução possível mas este tipo de investimento ainda não está ao alcance de todas as bolsas, até se pode dizer que o desenvolvimento destas fontes de energia só agora começou a dar uns passos ainda débeis que deixam o consumidor meio desconfiado, os preços alternativos também ainda não são de todo em todo convidativos e seguros para o futuro, vai levar muitos anos a concretizar este cenário e os preços do barril de petróleo estarão provavelmente perto do final do ano a rondar os 3 dígitos! Ainda por cima o petróleo é um produto perecível, perto do limite máximo da sua capacidade extractiva actual e com stocks de jazidas limitadas a cerca de 60 a 100 anos no nosso planeta, dependendo da evolução do consumo e do binómio de novas técnicas e preços de custo de extracção a grandes profundidades. O seu aumento dos preços futuros apresenta-se agora como quase exponencial se lhe acrescentarmos as crises políticas que determinados países produtores parecem ter descoberto em seu grande benefício, sem que da parte das potências consumidoras pareça haver uma resposta aceitável que possa travar ou até a arriscar uma espiral contínua de preços ainda mais elevados. Os consumidores não têm grande alternativa, estão de pés e mãos atados.
- O ouro é um caso à parte, tem a ver com refúgios alternativos de investimento, a desvalorização do dólar, a procura desenfreada que continua a existir na Ásia proporcionalmente ao aumento de riqueza que a Índia e China vão acumulando, tem a ver com a incerteza face às tensões de guerra no ar, com a própria indústria da joalharia e maior poder de compra da população mundial em geral, a algum alarme do Cartel dos Bancos centrais face aos prejuízos das posições curtas. Tem também a ver com a própria alteração de estratégia quase abrupta dos próprios comerciais (empresas mineiras de extracção) que passaram da sua posição primária de hedgers, com posições curtas iniciais para assegurarem preços de venda garantidos para o escoamento da sua produção a meses de distância, para especuladores quando se aperceberam de que a primeira postura era uma estratégia insensata presente face à tendência geral de subida dos preços...
- A prata e o cobre têm uma grande correlação no aspecto extractivo e dependem em grande medida da solidez da economia mundial em geral; enquanto esta prosperar irá continuar a incidir uma grande pressão na procura, em especial na China, que só pode empurrar os preços das respectivas matérias-primas cada vez mais no sentido inevitável da alta dos preços respectivos.

Inevitavelmente toda a espiral de subida de preços destas mercadorias acabará por estalar na altura em que o ponto de equilíbrio da procura real dos mercados nos países motores da economia mundial for atingido.
O início de uma nova recessão será inevitável e a queda brusca destas matérias-primas é apenas uma questão de tempo.
O problema é que ninguém sabe quando tal cenário acontecerá, pode ser daqui a vários anos, mas quando?! Certamente dependerá em grande medida da velocidade da escalada de preços e da capacidade do actual tecido industrial macro-económico poder continuar a absorver este impacte desde que os mercados continuem a revelar uma relação estável na relação da oferta e procura.
O patamar de preços das matérias-primas que poderá provocar essa eventual rotura no lado da procura parece ser assim uma questão de testes de níveis sucessivos até se atingir o ponto de não absorção do respectivo impacte nas grandes economias em geral. Aí começa a crise, ajudada entretanto pelas pressões inflacionistas que continuarão a provocar o inevitável arrefecimento da economia através da continuada política de aumento das taxas de juro por parte dos Bancos centrais que aí terão necessariamente de inverter a estratégia seguida e baixar as taxas de forma muito agressiva, receita "a la Greenspan".

A grande questão é saber em que nível de preços das commodities se poderá atingir esta rotura nos mercados.
Pelo andar da carruagem e face à relativa complacência que tenho vindo a assistir por parte da procura mundial atrever-me-ia a dizer que poderemos ainda vir a assistir por uns bons tempos a um cenário em que os preços das citadas matérias-primas poderão cotar de uma forma confortável acima dos 100 dólares o barril no caso do petróleo, acima dos 1000 dólares por contrato no ouro, acima dos 20 dólares na prata por contrato e dos 500 dólares similares no cobre!!! É de loucos, mas será também o toque de finados deste incrível bull market destas mercadorias...

Será mesmo, onde iremos parar antes disto tudo rebentar?
E se nada deste cenário plausível se vier a verificar? O que podemos esperar em alternativa? Haverá porventura algum factor marcante que possa impedir a continuada escalada de preços destas commodities sem que as grandes economias motoras sejam entretanto afectadas? Sinceramente não consigo vislumbrar nenhum nesta altura do campeonato, pelo contrário, a febre da especulação atinge não só os produtores como também os próprios consumidores.
Afinal não é nos Estados Unidos da América que se concentram os grandes mercados especulativos das matérias-primas e estão concentradas as sedes das maiores empresas extractivas mundiais de petróleo e metais? O interesse imediato do lucro rápido e a qualquer preço não se sobrepõe de forma clara à capacidade interventiva dos governos centrais para criar incentivos urgentes na pesquisa de novas fontes de energia baratas e produtos industriais alternativos do tipo reciclável ou outros? Parece não haver mesmo saída para a inevitabilidade do cenário recessivo inevitável que um dia nos irá bater à porta.

Até lá, como cidadão, não me parece que possa continuar a assistir a esta inevitabilidade toda de forma passiva, se não os consegues vencer junta-te a eles.
Pois é, a melhor solução é mesmo arrecadar umas boas massas para os tempos depressivos que um dia nos irão bater à porta, bem sei que a opção pode não parecer muito simpática para o cidadão médio que sofre e vai continuar a sofrer mais com a subida dos preços dos produtos derivados da energia e metais, mas é a única racional: comprar contratos de futuros nestas mercadorias, há que acumular numa perspectiva de longo prazo nestes grupos de commodities e fazer parte do grupo dos grandes especuladores mundiais onde se encontram certamente concentrados todos os grandes players, profissionais e representantes dos grandes capitais mundiais.
Os grandes agentes económicos vão dar um tiro no pé e ajudar a criar as condições de uma grande crise recessiva? Vão com toda a certeza, e de uma forma sub-consciente contribuir para a rotura e cenário de crise inevitável que há-de vir! Mais tarde dirão: era a única forma de um dia deitar abaixo aqueles preços mirabolantes...mas entretanto enriqueceram!
A estratégia do lucro de curto prazo do poderoso grupo do grande capital vai contribuir para a crise de longo prazo que o irá afectar em grande medida? Who cares? Os governos estão lá para tomar as medidas correctivas futuras, até lá deixa cá para já ver o meu dinherinho a entrar nos bolsos.
Só quem está divorciado do grande mundo real das empresas e grandes grupos económicos desconhece que estas preferem arrecadar já qualquer coisa segura agora do que uma promessa de bons lucros no futuro distante...

Turn

rmachado

Olá

Já imprimi para ler e modestamente tentar discutir estas questões consigo e com os demais foristas.

Mas desde já um coisa resalta do seu post.

Realmente o que se passa com o Petróleo?
O preço aumenta num ritmo infernal, passamos se não me engano o preço das mais sérias crises do Petróleo, mas contudo parece que toda a gente está alerta mas não preocupada.

Temos a OPEP a dizer que a lei procura-oferta está perfeitamente equilibrada e que não vale a pena produzir mais, pois a refinação é que está entupida.
Temos uma capacidade de refinação elevada e têm sido a área onde o aumento de lucros é brutal, não só pelo valor do produto em si mas pelas melhorias tecnológicas da refinação propriamente dita que permitiu baixar o gasto por litro...
Agora temos o Bush a fazer perguntas... curioso...

Mas contudo não abranda o consumo, não existem alternativas e não parece existir força para energia alternativa..

Logo a pergunta é.. quem está a ganhar com isto?

Mais depois de ler o resto do seu post...


Francisco Monjardino

Bom dia Mr.Turn,


Mais uma excelente reflexão que tomei a liberdade de destacar na HOMEPAGE do Clubeinvest.com.

Um abraço,
Francisco Monjardino

Mr. Turn

Obrigado pelos comentários e ao Mr. Francis pelo destaque que mais uma vez me resolveu distinguir, acho que não mereço por se tratarem de simples reflexões especulativas provavelmente sem grande valor futuro.
Já agora, porque me esqueci de acrescentar, creio que os mercados accionistas costumam antecipar estes cenários de crise com alguma antecedência e até agora parece que ainda não estão muito preocupados com os cenários de rotura.
Talvez porque procurem interiorizar que o actual cenário não passa de uma pequena bolha especulativa passageira alimentada por factores geo-políticos, no caso particular do petróleo, que terá de ser corrigida pela verdadeira relação de mercado que faça convergir os preços para um patamar mais baixo que o actual e onde o verdadeiro equilíbrio entre a oferta e procura se estabilize, na óptica dos grandes bancos centrais que monitorizam este acompanhamento dos preços das mercadorias.
Pessoalmente  creio que esta escalada veio para ficar e só irá parar quando se instalar uma rotura por ameaça de falta de poder de compra dos consumidores, só aí irão acender todas as campaínhas de alerta de crise iminente porque não antevejo como a curto ou médio prazo possam aparecer alternativas concorrenciais ao petróleo e ao cobre nas indústrias respectivas...mas repito, este cenário pode durar uns bons anos a materializar-se e os primeiros sinais poderão vir dos próprios mercados accionistas quando interiorizarem este panorama!
Abraço amigo,
Turn

ppbogos

Caro Mr.Turn

Depois de ler as suas dissertações sobra as matérias-primas, fique aqui a pensar com os meus botonitos, o que se está a passar neste mundo terreno.
Creio que esta é uma etapa decisiva na viragem mundial que ocorrerá a breve prazo no nosso planetazito. No caso os EUA, motor do desenvolvimento desde o sec. XVIII, não vai querer perder a dianteira avançada do conhecimento e da técnica.
Eu não vejo energias alternativas ao pitrol, é certo, mas também convém que ninguém ande por aí a propagandear o segredo dos deuses.
A China "o chamado gigante adormecido" estava adormecido e acordou de uma hora para a outra devido a que factor? Porque acordar de um sono profundo de 60 anos?
Quando acordo, normalmente sou acordado. Ora com isto quero dizer que o motor mundial acordou o gigante. Na minha teoria conspirativa, os EUA estão muito à frente nas energias alternativas. Veja-se o que se passou na corrida do espaço.... Os Russos chegaram lá primeiro, mas isso não inviabilizou o domínio posterior dos EUA (por reacção ou acção? Por ambas penso eu.
Aqui vai ser também um factor decisivo. O Japão detém já alguma tecnologia alternativa nas energias. A América desenvolveu o seu crescimento no petróleo. A China está a desenvolver a sua economia à custa do petróleo.... E quando eles investirem na capacidade produtiva máxima petrolífera (os Chineses, indianos, etc), já os Americanos vivem de energia alternativa e conquistaram muito do espaço celeste. E não vai ser preciso tempo para isso. "Ainda daqui a 50 anos estarás comigo em ..... Marte, com o meu foguete-jet a hidrogénio".

Tudo isto pode parecer patético. Poderá ser a conspiração mais ignóbil possível. Mas tudo é luta de poder. Ninguém quer ficar em segundo.
O Facto é que até hoje todos foram segundos. E desta vez? Haverá um novo primeiro? A meu ver não me parece.

Por isso é como diz. Temos de estar do lado do smart-money e pelos vistos ele aí está.... Nas commodities.

Cumps
ppbogos

James32C

Mais uma vez uma chamada de atenção a algo extremamente preocupante ao mesmo tempo interessante.
O que escreves-te é algo que o mero comum do cidadão se pergunta todos os dias, " onde isto irá parar"?, mas lá vai vivendo como pode e esperando que algo mude, mas ao mesmo tempo não acreditando numa cride enrome ou algo assim, embora quando acontecer e irá acontecer, todos dirão " com o crude assim já se sabia disto"....mas ninguem se preparou!!
Mas porque de tudo isto? Crude em maximos historicos, metais em maximos de muitos anos, bolsas a subirem dezenas de %..que raio se passa, o dinheiro custuma saltar de um lado para outro!!!

Não neste caso. O mundo esta a viver a maior injecção de liquidez alguma vez vista na historia da economica "moderna", o dinheiro barato chegou há 3 anos de uma forma nunca vista, foi tão grande que deve de ser diversificada por todos os mercados e valores possiveis. ESTAMOS A VIVER A MAIOR BOLHA ESPECULATIVA DE EXESSO DE LIQUIDEZ QUE HÁ MEMORIA!

O problema é que acabou!! O dinheiro nos EUA já não esta barato e na Europa vai ficar mais caro até ao final do ano, no entanto os mercados sobem e acho que vão subir até perto ou até ao anuncio do ULTIMO aumento de taxas, levando a posições contrarian.

O mundo esta a viver um momento de extrema liquidez, onde o dinheiro teve de ir para diversos mercados tal era o tamanho.

O que fará tudo isto parar? Será o Crude? Talvez, mas acho que existe algo escondido que irá fazer com que esta liquidez fuja apenas para 2 sitios. Metais e taxa fixa ( depositos a prazo).

Cenario:

1º Bush prepara ataque ao Irão até final do ano e quando começar a preparação já não volta atras.

2º Em outubro com a chegada do Frio entra em forte algo que tem sido preparado mas escondido ( tenho conhecimento de causa), novos casos de gripe das aves em humanos.

Resultado: Guerra= crude a 100 ou sei lá.

Pandemia: faltas ao trabalho na ordem dos 50% =  colapso economico.

Resumindo, acho que o que vai criar uma queda mundial ao nivel bolsista e economico será o menos falado mas mais perigoso, virus H5N1!! e não o crude.

Muito catastrofico? Talvez e espero que não estjemaos a ler isto daqui a um ano fechados em casa!

De qualquer forma, a crise chegará muito forte, porque a liquidez esta a terminar, as economias se retirarmos a guerra estão "mortas" ( tirando alguns casos), o preço do crude insustentavel ao nivel empresarial porque o consumidor esta a chegar a ruptura e não vai poder pagar os aumentos, apesar da forte liquidez não existe criação de novos empregos em geral.

Até lá e como o Mr. Turn diz e muito bem, ninguem sabe quanto vai durar este Bull, mais 1 mês, 1 ano?? Até lá é aproveitar e depois guardem reservas porque vão necessitar, mas não guardem no banco.

Um abraço

James33C

PS: Eu sei que este texto é muito pessimista, mas não é que eu seja nem estou a dizer que os mercados vão cair, apenas uma opnião do que acho que vai acontecer a esta bolha mundial sem correlação economica.


Paciente

Bom post, Mr. Turn.

Acho o destaque mais que merecido.

Existem alguns aspectos com os quais não concordo, mas que têm a ver com targets apontados (na minha opinião a PRATA e o OURO estão muito subvalorizados face a todas as outras commodities, excepto as alimentares).

Mas talvez o aspecto mais importante que não foi referido é a razão pela qual estamos a assistir a este boom nas commodities e ninguém está preocupado. A razão é simples: uma injecção desmedida de liquidez (criação de dinheiro papel sem precedentes na história financeira mais recente) no sistema financeiro mundial. E essa é a razão primordial para o preço do OURO subir para valores bem mais altos do que os actuais.

Esta absurda criação de dinheiro papel que tem alimentado as diversas bolhas especulativas: primeiro a dos mercados de capitais (com a bolha especulativas das "tech stocks" que culminou em 2000), depois o mercado imobiliário (que já começou a caír). E agora assiste-se a uma transferência de parte dessa mesma liquidez para o mercado das commodities.

Nunca o dinheiro foi tão "fácil" de obter. As facilidades de crédito são enormes. Poupança é um conceito antiquado. Infelizmente, isto não pode acabar bem.

Gostaria apenas de referir, para terminar, que segundo o Jim Rogers (considerado um dos maiores especialistas em commodities) este bull market das commodities só deverá acabar lá para 2018 - 2022 (por mim, até 2010-2012 acho que vai durar). Segundo ele tivemos um bear market de mais de 20 anos e agora deveremos ter igualmente um longo ciclo de valorização. Mas como em tudo o que é mercado, o caminho não vai ser sempre o da subida. Iremos assistir a importantes correcções ao longo deste super ciclo ascendente das commodities.


Abraço
"In the absence of the gold standard, there is no way to protect savings from confiscation through inflation."

Mr. Turn

Meus caros amigos:
Desde já ficam aqui expressos os meus agradecimentos aos comentários que muito bem decidiram expressar.
Provavelmente o que escrevi terá sido mais uma angústia do que uma reflexão, espero bem estar enganado quanto às consequências do que pode estar para vir, mas a dúvida é sempre uma eterna presença no espírito crítico humano que nos põe sempre por vezes a dizer coisas que muitas vezes até nem farão grande sentido...
Acho que foi muito bem lembrada a questão do excesso de liquidez que necessariamente é libertado para aplicações na generalidade dos mercados especulativos disponíveis, em especial pelos países com grandes superavits, vulgo nomeadamente os motores asiáticos.
Sem dúvida que esta questão faz muito sentido mas por outro lado, caso houvesse de facto liquidez uniformemente distribuída por todo o mercado global mundial idêntica à pressão de procura que existe no conjunto dos mercados accionista, obrigacionista e de mercadorias (não falo no cambial porque aqui a resultante acaba por ser sempre neutra) provavelmente as pressões inflaccionitas nos países mais desenvolvidos teriam tido proporções gigantescas e até agora essa questão tem estado relativamente bem controlada! Alguma coisa não bate certo ou há algo da equação que me está a escapar.
A questão que me coloco é simplesmente esta: será que o Japão e China deixaram de lado o investimento maciço em bonds americanas de longo prazo e viraram os seus excessos de liquidez para especular com as matérias-primas? Mas se eles são dos principais compradores dessas matérias-primas não estarão eles próprios a criar o seu próprio caixão para se enterrarem?
Um grande abraço a todos e mais uma vez o meu obrigado.
Turn

rounders

Citação de: Mr. Turn em Abril 26, 2006, 12:38
Faço desde já um parêntesis para indicar que o que a seguir vou escrever se baseia exclusivamente no meu feeling e visão pessoal já que para além de não ser Economista nem sequer sou grande acompanhante das grandes notícias que fazem manchete no mundo dos negócios, limito-me a procurar estar razoavelmente informado acerca do que se vai passando um pouco por esse mundo fora.

Que cenários futuros para as commodities de energia e metais?
Esta subida em flecha destas mercadorias inevitavelmente poderá atingir um ponto que fará estalar os factores de crescimento dos actuais motores da economia mundial: países desenvolvidos e do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Não sendo um especialista nesta matéria macro económica mas apenas um simples cidadão (e especulador!) interessado em acompanhar a evolução das consequências desta escalada de preços, o que tenho constatado até agora tem sido uma reacção aparentemente benevolente face ao aumento de preços:
- No petróleo não se tem visto as pessoas a andar menos de automóvel e os governos em geral fazem saber que estão preocupados mas não alarmados. As receitas dos impostos crescem ao mesmo ritmo do aumento de preços pelo que internamente até esfregam as mãos de contentes, embora não o possam dizer em público por ser politicamente “incorrecto”. Lá chegará um dia a partir do qual a generalidade dos utentes de automóveis atingirá um ponto em que necessariamente se terão de arranjar alternativas de transporte: será aos 90 ou 100 dólares o barril que se irá notar uma diminuição sensível nas deslocações automóveis? Até agora não se notou grande diferença nos hábitos dos condutores, quer quando o barril estava a 30 dólares quer a 75 dólares! Na compra de veículos híbridos e movidos a fontes de energia alternativas poderia estar uma solução possível mas este tipo de investimento ainda não está ao alcance de todas as bolsas, até se pode dizer que o desenvolvimento destas fontes de energia só agora começou a dar uns passos ainda débeis que deixam o consumidor meio desconfiado, os preços alternativos também ainda não são de todo em todo convidativos e seguros para o futuro, vai levar muitos anos a concretizar este cenário e os preços do barril de petróleo estarão provavelmente perto do final do ano a rondar os 3 dígitos! Ainda por cima o petróleo é um produto perecível, perto do limite máximo da sua capacidade extractiva actual e com stocks de jazidas limitadas a cerca de 60 a 100 anos no nosso planeta, dependendo da evolução do consumo e do binómio de novas técnicas e preços de custo de extracção a grandes profundidades. O seu aumento dos preços futuros apresenta-se agora como quase exponencial se lhe acrescentarmos as crises políticas que determinados países produtores parecem ter descoberto em seu grande benefício, sem que da parte das potências consumidoras pareça haver uma resposta aceitável que possa travar ou até a arriscar uma espiral contínua de preços ainda mais elevados. Os consumidores não têm grande alternativa, estão de pés e mãos atados.
- O ouro é um caso à parte, tem a ver com refúgios alternativos de investimento, a desvalorização do dólar, a procura desenfreada que continua a existir na Ásia proporcionalmente ao aumento de riqueza que a Índia e China vão acumulando, tem a ver com a incerteza face às tensões de guerra no ar, com a própria indústria da joalharia e maior poder de compra da população mundial em geral, a algum alarme do Cartel dos Bancos centrais face aos prejuízos das posições curtas. Tem também a ver com a própria alteração de estratégia quase abrupta dos próprios comerciais (empresas mineiras de extracção) que passaram da sua posição primária de hedgers, com posições curtas iniciais para assegurarem preços de venda garantidos para o escoamento da sua produção a meses de distância, para especuladores quando se aperceberam de que a primeira postura era uma estratégia insensata presente face à tendência geral de subida dos preços…
- A prata e o cobre têm uma grande correlação no aspecto extractivo e dependem em grande medida da solidez da economia mundial em geral; enquanto esta prosperar irá continuar a incidir uma grande pressão na procura, em especial na China, que só pode empurrar os preços das respectivas matérias-primas cada vez mais no sentido inevitável da alta dos preços respectivos.

Inevitavelmente toda a espiral de subida de preços destas mercadorias acabará por estalar na altura em que o ponto de equilíbrio da procura real dos mercados nos países motores da economia mundial for atingido.
O início de uma nova recessão será inevitável e a queda brusca destas matérias-primas é apenas uma questão de tempo.
O problema é que ninguém sabe quando tal cenário acontecerá, pode ser daqui a vários anos, mas quando?! Certamente dependerá em grande medida da velocidade da escalada de preços e da capacidade do actual tecido industrial macro-económico poder continuar a absorver este impacte desde que os mercados continuem a revelar uma relação estável na relação da oferta e procura.
O patamar de preços das matérias-primas que poderá provocar essa eventual rotura no lado da procura parece ser assim uma questão de testes de níveis sucessivos até se atingir o ponto de não absorção do respectivo impacte nas grandes economias em geral. Aí começa a crise, ajudada entretanto pelas pressões inflacionistas que continuarão a provocar o inevitável arrefecimento da economia através da continuada política de aumento das taxas de juro por parte dos Bancos centrais que aí terão necessariamente de inverter a estratégia seguida e baixar as taxas de forma muito agressiva, receita “a la Greenspan”.

A grande questão é saber em que nível de preços das commodities se poderá atingir esta rotura nos mercados.
Pelo andar da carruagem e face à relativa complacência que tenho vindo a assistir por parte da procura mundial atrever-me-ia a dizer que poderemos ainda vir a assistir por uns bons tempos a um cenário em que os preços das citadas matérias-primas poderão cotar de uma forma confortável acima dos 100 dólares o barril no caso do petróleo, acima dos 1000 dólares por contrato no ouro, acima dos 20 dólares na prata por contrato e dos 500 dólares similares no cobre!!! É de loucos, mas será também o toque de finados deste incrível bull market destas mercadorias…

Será mesmo, onde iremos parar antes disto tudo rebentar?
E se nada deste cenário plausível se vier a verificar? O que podemos esperar em alternativa? Haverá porventura algum factor marcante que possa impedir a continuada escalada de preços destas commodities sem que as grandes economias motoras sejam entretanto afectadas? Sinceramente não consigo vislumbrar nenhum nesta altura do campeonato, pelo contrário, a febre da especulação atinge não só os produtores como também os próprios consumidores.
Afinal não é nos Estados Unidos da América que se concentram os grandes mercados especulativos das matérias-primas e estão concentradas as sedes das maiores empresas extractivas mundiais de petróleo e metais? O interesse imediato do lucro rápido e a qualquer preço não se sobrepõe de forma clara à capacidade interventiva dos governos centrais para criar incentivos urgentes na pesquisa de novas fontes de energia baratas e produtos industriais alternativos do tipo reciclável ou outros? Parece não haver mesmo saída para a inevitabilidade do cenário recessivo inevitável que um dia nos irá bater à porta.

Até lá, como cidadão, não me parece que possa continuar a assistir a esta inevitabilidade toda de forma passiva, se não os consegues vencer junta-te a eles.
Pois é, a melhor solução é mesmo arrecadar umas boas massas para os tempos depressivos que um dia nos irão bater à porta, bem sei que a opção pode não parecer muito simpática para o cidadão médio que sofre e vai continuar a sofrer mais com a subida dos preços dos produtos derivados da energia e metais, mas é a única racional: comprar contratos de futuros nestas mercadorias, há que acumular numa perspectiva de longo prazo nestes grupos de commodities e fazer parte do grupo dos grandes especuladores mundiais onde se encontram certamente concentrados todos os grandes players, profissionais e representantes dos grandes capitais mundiais.
Os grandes agentes económicos vão dar um tiro no pé e ajudar a criar as condições de uma grande crise recessiva? Vão com toda a certeza, e de uma forma sub-consciente contribuir para a rotura e cenário de crise inevitável que há-de vir! Mais tarde dirão: era a única forma de um dia deitar abaixo aqueles preços mirabolantes…mas entretanto enriqueceram!
A estratégia do lucro de curto prazo do poderoso grupo do grande capital vai contribuir para a crise de longo prazo que o irá afectar em grande medida? Who cares? Os governos estão lá para tomar as medidas correctivas futuras, até lá deixa cá para já ver o meu dinherinho a entrar nos bolsos.
Só quem está divorciado do grande mundo real das empresas e grandes grupos económicos desconhece que estas preferem arrecadar já qualquer coisa segura agora do que uma promessa de bons lucros no futuro distante…

Turn

Onde andas tu amigo turn.
Retirado das cinzas este brilhante post.
Para todos poderem ler.

Não foi por acaso que este topico foi apanhado.
Existe uma supresa que está a ser preparado mas só irá sair para o final do ano.
Digamos que a supresa nmem em 10 anos pagavam o trabalho que ela está a dar
Abraço
Rounders

alpino

mr Turn, gostei de o ler. Mas a catástrofe não está aí á porta. A seguir a picos nos preços do petróleo, que arrastam outros picos (ouro, prata, energia, combustíveis, imobiliário, etc.), vem sempre uma queda de preços. As quedas gerais nas bolsas em finais de 2007, que se irão prolongar por vários anos, já estão a antecipar essa queda nos preços do crude, e por tabela tudo o resto.

chines

Setembro de 2001 ... 3º guerra mundial, percas de 99,99% na bolsa fale^ncias totais, morte, peste, suicidios colectivo, bombas nucleares...morte e mais morte...

Afinal um grande Bull a China a crescer, EUA, europa...etc...

Portugal morte, miséria, bombas...afinal, subidas nas vendas de automóveis...

Isto não passam de correcções ...

Nunca houve tanta paz no mundo, nem tanta estabilidade nem tanto dinheiro...

Catastrofes desta natureza...não acredito, nem vão acontecer...