Um bom jogador de xadrez não se precipita!

Normalmente tenta aproveitar pequenas vantagens, até sacrifica por vezes algum material para conseguir em troca posicionar as suas peças com o intuito de colocar do seu lado o potencial necessário para atacar com sucesso o rei oponente. Torcendo o adversário aos bocados, seguindo um plano estratégico de colocação cada vez mais ameaçadora das suas peças nos lugares-chave...

Corre riscos probabilísticos e o resultado depende da sua frieza e disciplina em não errar na agressividade controlada de cada um dos seus lances.
Vem isto a propósito de muitos artigos que lemos acerca dos mercados não seguirem o sentido previsto por cada um de nós. Consequências nefastas: exaspero, precipitação, falta de paciência, desistência, desespero, capitulação...
Um bom trader ( jogador de xadrez) não tem de se preocupar em que o mercado durante vários dias não siga a sua previsão (não se deve preocupar em sacrificar algum material que resulte em menos peças que o adversário em dada fase da partida), deve seguir o plano traçado inicialmente e manter a sua disciplina, esperando que as consequências resultantes do resultado da sua análise se concretizem, nem que seja várias semanas depois ( em muitos lances depois).

Quando o adversário é coreáceo e se sabe defender bem ( o mercado não segue a previsibilidade da nossa análise) só há uma coisa a fazer: insistir e procurar esgotar o arsenal possível de manobras de envolvimento até detectar que não é possível prosseguir mais com o potencial do ataque. Dali para a frente a vantagem material do adversário pode fazer inverter o rumo da partida, o resultado final, e o melhor será sair airosamente da contenda oferecendo um empate. Se o adversário não aceitar, nada a fazer a não ser passarmos a ser nós a lutar por salvar a situação e lutar pelo empate (leia-se, perder pouco face à perda potencial em jogo).
Tudo depende do diagnóstico que fazemos em qualquer fase da partida, é como no trading!

Se achamos que estamos na mó de cima, mantemos a posição.
Se por outro lado chegarmos à conclusão que a nossa trade perdeu o potencial de atingirmos o lucro, mais vale fechar a perder com uma minimização dos prejuízos ( lutar pelo empate), saindo com perdas pouco significativas.
A teimosia de pensar que, mesmo estando a perder, vamos acabar por ganhar porque o outro é nabo, há-de acabar por cometer um erro, é onde reside o grande busílis, ou melhor ainda, o problema! É equivalente ao adversário propôr-nos o empate e nós recusarmos, com consequências catastróficas. Não soubemos aproveitar a oportunidade que nos foi oferecida em determinado momento do jogo e acabámos por perder! A derrota nestes casos tem sempre um sabor bem amargo, por ficarmos a matutar porque razão quisemos ser mais espertos que o adversário ( mercado).

Portanto, meus amigos, o melhor a fazer quando as coisas se complicam é empenharem-se agressivamente no jogo tentando controlar a sua sequência através de um plano de risco ( manter a posição avaliando probabilisticamente o potencial de sucesso). Enquanto a análise ditar que o potencial de ganho ou empate ainda está de pé, mesmo que a trade ainda se revele momentaneamente negativa, a solução é prosseguir em frente, a insistência monitorizada face às hipóteses de derrocada da posição contrária justificam a nossa pressão e insistência. Mas se insistirem por mera teimosia em continuar a partida apenas por birra ou por amor-próprio, mesmo estando à vista as consequências desastrosas de tal decisão, façam um favor: deixem de jogar xadrez!

No trading há também uma regra simples: existe sempre um timing próprio, não o deixem fugir...

Bons negócios ou bons lances,

Cem