Uma opinião de "louco", para juntar ao debate:

A economia americana teve o crescimento do último ano, ano e meio, assente em dois factores principais (julgo não estar a cometer nenhuma incorrecção, mas cá estará o JHenriques para emendar), os gastos do Estado - defesa principalmente - e os refinanciamentos (a níveis record, pela baixa dos juros para níveis record também) que mantiveram o consumo.

Partindo destes dois pressupostos (aceito discutir o primeiro, o segundo, nem por isso...;-)), podemos, na minha opinião, esperar o ciclo normal do mercado imobiliário - enquanto "pilar" no evitar de males maiores depois do rebentar de uma bolha - O período "dourado" de 93-95 no Japão, com crescimentos na ordem dos 5% (coitados, não tinham guerras onde o estado gastar mais e subir este nº para valores mais próximos de alguns trimestres americanos), sustentado nesses refinanciamentos (nem vou repetir a cópia feita com as "devoluções fiscais"), tiveram vida curta, porque TODAS as bolhas têm um fim, e a do imobiliário acaba normalmente 5 a 6 anos depois da bollha nos mercados financeiros, o que é o mesmo que dizer que acaba, quando acaba o ciclo de cortes nas taxas de juro (Sim, meus caros, é agora que as casas vão começar a cair, não caem porque alguém fala em bolhas ou excesso de oferta, caem quando a expectativa é de que a sua compra seja cada vez mais difícil).

Não me querendo alongar e tornar-me repetitivo, temos então:

1 - BOLHA (Excesso de endividamento e excesso de capacidade produtiva - principalmente no sector "empolado")
2 - Rebenta a bolha, começam os problemas de crédito e de falências
3 - Os preços caem e começam a ser baixadas as taxas
4 - Torna-se mais fácil pagar um crédito imobiliário e a sua renegociação
5 - Este último factor faz subir os preços (não necessariamente a procura) das casas
6 - Não havendo as reformas estruturais, ou sendo erradas, os pontos 3 a 5 repetem-se durante algum tempo - ter em atenção que é sabido que o dinheiro "libertado" pelo refinanciamento a juros baixos é "consumido" e não poupado...
7 - A liquidez injectada no mercado (nalguns ciclos raros é certo, mas estamos num deles), não aumenta o $ que de facto circula, mas vai antes empolar os preços de obrigações (as "tais" que garantem os juros baixos, e não o FED) e do imobiliário.
8 - Finalmente, porque embora o excesso de capacidade esteja lá quase todo, estes refinanciamentos e este libertar de capital, contribuem para um período de "fictícia" prosperidade que faz aumentar os preços...
9 - Sobem-se taxas

Começam as dúvidas: Faliram empresas suficientes (as más) para que as fortes tenham viabilidade?
Vai ser necessário investir para que se faça face à procura?
Ou, por outro lado (voltamos aos pressupostos iniciais), a subida de taxas "apenas" vai tornar mais difícil a compra de habitação? Vai tornar (praticamente) impossível os refinanciamentos que mantiveram o consumo?
Juntamos a isto a deslocação de produção que o próprio A.G. defende e que sabemos ter debelado mais de 2000000 de postos de trabalho só nos states, e ficamos com o quê?

Com a maior dívida do Mundo, que começa a ser cada vez mais difícil de pagar todos os dias.

Para terminar, será, na mho, e como fez o Governo Japonês, o próprio FED a comprar obrigações, "para obrigar" a que o preço do dinheiro (e da sua própria - gigantesca - dívida) não suba, ajudado pela natural quebra de procura (recordo :-(, acabaram os refinanciamentos e o emprego não cresce).

Os preço dos activos nesta altura já não sobem (podemos encontrar algumas excessões nalgumas matérias primas indispensáveis ou procuradas em alturas difíceis;-)) e a super-dívida começa a ser liquidada...

É aqui que começa o ciclo deflaccionário. Sempre, mho, da mesma forma: Rebentar de bolha=>baixa de taxas=> aumentam refinanciamentos e o preço do imobiliário=>não há poupança=mantém-se o consumo=>criação fictícia de riqueza=>sobem as taxas=>rebenta a maior bolha de todas, o imobiliário (que é normalmente mais de 90% do equity das famílias) - Atenção ao "Sistemic Risk" defendido pelo Alan G. desde 1990 [i]e picos e ao "Main Risk", tantas vezes mencionado ultimamente pelo Banco de Inglaterra.

Mas atenção, posso garantir-lhe que poucos, mas muito poucos, partilham desta opinião, embora alguns sejam sumidades no seio da macro-economia mundial...O que não é, evidentemente (basta ler este texto:-(), o meu caso, "nem de perto, nem de muito, muito longe"!

Eheheheheh, "ele há cada um!"

Para "rematar a maluqueira", baseio esta opinião nalguns factores importantes:

- O exemplo da história (há bolhas "catalogadas" desde o século 18)
- O facto de neste ciclo voltar a haver uma correlação negativa entre a injecção de liquidez e a massa monetária a circular, bem como a correlação negativa entre os refinanciamentos e a poupança.
- O ainda excesso de capacidade produtiva existente, volto a repetir, principalmente no sector "da bolha".


Um abraço
Waterman

Ver ainda:
- Uma pequena contribuição, João Henriques;
- Opinião - Inflação, Money Maker