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Sector de Consumo Não-Cíclico - Análise Técnica
Sector de Consumo Não-Cíclico
O sector de consumo não-cíclico comporta as empresas que se dedicam à venda de bens alimentares, bebidas, tabaco e produtos de casa. Tido como o sector mais “aborrecido” de todos quantos compõem o S&P, é no entanto o mais defensivo. Mas, porquê?
Este sector caracteriza-se pela sua menor correlação com a evolução da economia. Em épocas de menor crescimento económico, ou mesmo de recessão, o consumo de produtos deste sector tende a não ser particularmente afectado. Os bens essenciais de consumo, aqueles que podemos encontrar nas nossas despensas, têm uma menor elasticidade preço do que quaisquer outros produtos e serviços. Significa isto que quando os preços aumentam a procura destes produtos não se ressente tanto quanto a procura de outro género de produtos, como por exemplo os tecnológicos.
Do ponto de vista do ciclo dos mercados, o sector de consumo não-cíclico enquadra-se nos momentos finais do bull market. Assim, enquanto que no início de um bull market, o mercado se vira para os sectores mais pró-cíclicos e paras as growth stocks, deixando esquecido este sector, nos momentos finais do mesmo, quando as perspectivas escurecem, os títulos deste sector surgem como ilhas de valor seguro, o mesmo valor seguro que antes fora encarado como valor aborrecido.
Para se ter uma ideia, o Beta histórico deste sector ronda os 0.80, ou seja, por cada subida do S&P de 1% o sector sobe apenas 0.80% (reparem nos dois gráficos seguintes e na forma como este valor se mantêm para o último período comparado).


O mesmo é contudo válido nos momentos de descida. Este sector é muitas vezes colocado nos portfolios no contexto de diversificação, junto das obrigações, do petróleo, do ouro e outras commodities. As empresas caracterizam-se pela estrutura sólida, por negócios de baixa volatilidade de receitas e, não raras vezes, por políticas de dividendos estabelecidas ao longo de anos ou mesmo décadas.
Alguns exemplos de empresas deste sector são a Procter&Gamble, a Coca-Cola e Wal-mart. Como curiosidade, vejam-se as principais participações no portfólio de investimento da Berkshire Hathaway de Warren Buffett, e o número de empresas deste sector que dele fazem parte:

Para quem pretenda uma exposição generalizada a este sector, recomendo a análise detalhada do ETF Consumer Staples Select Sector SPDR (NYSE:XLP), composto pelas seguintes 25 empresas (principais participações):

No actual contexto do ciclo económico, não avanço com nenhuma empresa deste sector enquanto possível stock-pick, e isto porquê? Com a perspectiva de crescimento económico nos EUA, e é de acordo com essa perspectiva que falo, não me parece que qualquer empresa deste sector possa ser considerada uma aposta mais certeira do que escolhas de títulos em sectores claramente mais pró-cíclicos, como o tecnológico, o farmacêutico ou o financeiro.
Ainda assim, ressalvo que no contexto de um portfólio equilibrado, a presença de títulos deste sector não deva ser descurada, podendo mesmo ser o contra-balanço de valor e solidez necessário em momentos mais recessivos ou de fim de ciclo. Considero que o ciclo ainda agora começou.
Paff
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Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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