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Estudo Fundamental da Altri - Artigo de Opinião
ALTRI - ANÁLISE FUNDAMENTAL
Como estarão recordados, a Altri apresenta o pior rácio de endividamento das 17 cotadas não financeiras que aqui analisarei. Se existe portanto uma empresa que justifica este método de análise, é mesmo esta.

A análise relativo ao LUCRO mostra uma empresa com um ano deficitário, com resultados líquidos negativos, o que afectou negativamente os pontos 1 e 3 da análise. De salientar contudo a capacidade que manteve em gerar cash-flows operacionais positivos, demonstrativos da habilidade que manteve em gerar fluxos de caixa.
Uma das motivações que encontrei para tão fracos resultados líquidos parece advir da quebra dos preços da pasta de papel. Tal como a empresa salienta no seu relatório e contas, o ano de 2009 registou preços médios da BEKP de cerca de €402,4, uma quebra de 25% face á media do ano anterior. Esta situação, aliada a uma quebra da procura mundial de pasta de eucalipto, levou a meu ver à queda dos resultados.

No item da DÍVIDA/CAPITAL merece-me particular atenção a continuação da tendência de crescimento do passivo face ao activo o que, face aos já muito elevados níveis de dívida da Altri, continua a revelar uma situação complicada e a piorar. O valor negativo do ponto 5 assim o demonstra. Saliento ainda que a liquidez, embora tenha registado uma (ínfima) melhoria, apresenta um rácio inferior a 1, o que não é nada tranquilizador para a tesouraria da empresa.
Quanto à EFICIÊNCIA OPERACIONAL, embora as vendas tenham crescido a um ritmo superior aos activos, o que evidencia uma diminuição dos inventários (tal como o balanço o mostra), tal aumento foi feito à custa de uma queda das margens (ponto 8). Embora não tenha dados concretos sobre o que a seguir vou dizer, não me espantaria que a quota de mercado da Altri tenha sofrido em 2009.
Por fim, particular atenção aos testes DOMASH. Este âmbito da análise mostra o que de mais preocupante a Altri tem - o seu nível de dívida. O passivo está a níveis absolutamente preocupantes face aos resultados EBITDA. Quando algo superior a 8 é tido como francamente negativo, imagine-se então uma valor superior a 20, como é o caso! Além disso, o ponto 11 revela que a empresa está a gerar cash-flows operacionais positivos, mas ainda assim muito aquem do que seria desejável por forma a recuperar terreno face ao gigantesco passivo que tem. Esta questão parece-me primordial e muito me engano ou caso tal persista não será de admirar futuras diluições de capital, com as consequências que tais movimentações têm para os accionistas.
Um mau ano de 2009, aliado a uma situação financeira (dívida) complicada, levam a Altri a ter uma pontuação de 4 valores.
PERSPECTIVAS
Analisando os últimos 5 anos (a Altri só iniciou a laboração enquanto tal em 2005):

A taxa média anual de crescimento da vendas foi de 17,54%.
A partir desse valor, e com base numa margem líquida de 7%, um valor próximo da média histórica, e num PER estimado de 8.37, elaborei as seguintes projecções para 2010.

No que concerne ao cenário possível para 2010, considerando um EPS de 0.51, algo comum a muitos dos analistas que seguem a Altri, pode-se inferir que para tal acontecer, e partindo do principio que as margens se mantem aos níveis históricos, as vendas terão de crescer em torno dos 174%. Isso, por si só e apenas do ponto de vista fundamental, justica o preço ao qual a Altri actualmente transaciona.
Resta então saber se o ano de 2010 poderá justificar estes valores, e, à primeira vista, assim me parece. Digo isto baseando-me em dois pontos:
- por um lado, o carácter cíclico da Altri parece adpatar-se muito bem às actuais condições de mercado. Ainda hoje a economia portuguesa apresentou um crescimento surpreendente, que mesmo que não se mantenha a este ritmo, indiciará um clima económico mais favorável, com o impacto que isso na procura;
- mais revelador desta possibilidade, parece ser a recuperação dos preços da BEKP. Deixo o gráfico com a evolução dos preços.

Cumprimentos,
Paff

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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