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Estudo Fundamental da Sonae - Artigo de Opinião
SONAE SGPS - ANÁLISE FUNDAMENTAL
O estudo que fiz para a Sonae SPGPS terá vir acompanhado de constantes comparações com aquela que podemos considerar como a sua principal rival cotada, a Jerónimo Martins (JMT).
Assim, a Sonae apresenta um rácio de endividamento de 3.4, isto é, cerca de 30% mais elevado do que a JMT. Embora a exposição internacional seja bem diferente, sendo que a Sonae para já apenas estende a sua actividade à vizinha Espanha, e mesmo o tipo de negócio difira em alguns componentes, julgo perfeitamente razoável que se faça esta comparação.

Em termos comparativos com a análise feita à JMT, ao nível dos vários pontos de análise fácilmente depreendemos que este se equivalem, podendo destacar-se os resultados líquidos mais elevados no caso da JMT (graças à consolidada presença na Polónia), sendo que por outro lado a Sonae consegue margens brutas (ponto 8 ) mais interessantes. Na minha opinião tal deve-se a dois factores: por um lado, a JMT actua com margens mais baixas num mercado mais competitivo como o polaco, o que acaba por fazer baixar a suas margens brutas globais; por outro lado, a Sonae beneficia no mercado nacional da sua posição de liderança, que em margens, quer em quota de mercado, ao passo que a JMT apenas consegue a 3ª posição.
Nota final relativa ao rácio de liquidez, que embora melhor que o da JMT, mantem a tendência por ela evidenciada, e que tive oportunidade de explicar na análise que dela fiz.
Contudo, o(s) ponto(s) que parece diferenciar as duas empresas é precisamente ao nível da sua dívida, e à posição bem mais confortável que a JMT tem neste campo. A Sonae apresenta aqui (pontos 10 e 11) resultados bem menos interessantes, chegando ao ponto de inclusivé ter uma pontuação negativa no rácio que compara o passivo total com os resultados EBITDA, cerca de 8.7x.
A Sonae consegue uma pontuação de 7 valores neste teste global de solidez financeira.
PERSPECTIVAS
Evolução das vendas nos últimos 6 anos:

Para elaborar as previsões relativas a 2010, parti de um PER de 15.5 e de uma margem líquida de 1.30%. Quanto à taxa m+edia de crescimento das vendas, tive de tomar uma opção de apenas considerar os 3 últimos anos. Tal se deve ao facto de ter existido uma cisão de actividades na empresa, nomeadamente em 2005 com a Sonae Indústria, o que explica a quebra acentuada das vendas no ano de 2006 (31.42%). Assim, considerei uma taxa de crescimento de 5.5%, que julgo ser sensata, quer face ao histórico mais recente, que face ao actual contexto macroeconómico.

Constata-se que a Sonae, que do ponto de vista histórico, quer em especial segundo a opinião dos analistas, se encontra a cotar abaixo dos valores que os seus fundamentais parecem sustentar. Analisando os dois cenários, julgo mais previsível uma subida das margens, do que propriamente um crescimento tão elevado das vendas, como o cenário dos analistas prevê.
Uma das diferenças substanciais entre a Sonae e a JMT relaciona-se com a sua exposição internacional. Julgo ser este mesmo o factor fundamental que faz com que as perspectivas de ambas as empresas divirjam tanto, bem como a sua cotação. Segundo consegui ler no Relatório e Contas de 2009 o peso do mercado Espanhol nas contas da Sonae é já de 13% do total de volume de negócios da Sonae SR (divisão de retalho especializado - Specialized Retail). Tal se deve a uma política de expansão de pontos de venda (lojas SportZone, Zippy e Worten), que a empresa prevê conseguir atingir um EBITDA positivo em 2012. Ainda segundo o mesmo relatório, outras possibilidade de expansão internacional estão em estudo, nomeadamente através da possibilidade de franchise, algo que tem a vantagem de envolver uma estrutura de investimento e custos mais leve e eficiente.
Estamos assim perante uma empresa que sabe que o mercado nacional está completamente amadurecido e com perspectivas de crescimento muito limitadas, mas que parece querer enveredar por uma expansão internacional cuidada e, de certa forma, inovadora (franchise) no caso de empresas portuguesas. Ficaremos a aguardar que avanços e confirmarão nesta frente, até porque parece ser essa a chave do sucesso, quer da empresa, quer da evolução da cotação do título.
Paff www.mundocromatico.com

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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