Victor Constâncio admitiu ontem que "a economia mundial pode enfrentar uma recessão, já que uma guerra prolongada terá efeitos negativos sobre a confiança dos consumudores e empresários em todo o mundo" .

Todos nós sabemos que os governantes ( neste caso o do Banco de Portugal), não "podem" apresentar um sentimento negativo da economia sem o risco de acelerar esses efeitos através de uma desmotivação, desmoralização e retracção dos consumos e investimentos, a levar a efeito pelos vários agentes do mercado.

Isso mesmo aconteceu com a actuação inicial do actual governo ao fazer passar para o exterior um sentimento tão negativo. Os governantes "não podem" dizer toda a verdade, impunemente.

Victor Constâncio disse agora o que está farto de saber há muito tempo e o que todo o mundo informado já o sabia.

Eu próprio, variadíssimas vezes neste Forum, já o opinei muito enfaticamente, acrescentando até , que não é esta guerra a causa dessa mais que provável recessão mundial, pois que ela se iria verificar, com guerra ou sem ela.

O facto é que os E.U. estavam antes da guerra e agora ainda em maior grau, envolvidos numa situação económica desastrosa.

Curiosamente e ao contrário do que acima se diz, os americanos parece continuarem a viver e a reagir como se nada de mal para a economia se passasse. É sintomático, que quase nada se lê sobre a situação explosiva reinante e suas terrìveis consequências.

Bush tentou e conseguiu, distrair a atenção dos americanos com uma guerra, de motivos muito duvidosos.

Sendo certo o aforismo popular que diz " quando a america está constipada o mundo apanha uma pneumonia" , será certo o contágio dessa mesma situação económica a todo o mundo.

Tal como o Japão, que ainda hoje paga o preço da deflacção e da sua anestesiada economia, mais de uma década após a euforia bolsista, tal como aconteceu na década de 90 com os E.U. , estes enfrentarão muito provavelmente uma situação idêntica .

Porém na minha humilde opinião já não se tratará de uma simples recessão mas de uma muito provável depressão.

O débito dos E.U. apresenta um crescimento de cerca de 800 % em cerca de 22 anos passando de 4 triliões de dólares no início de 1980 para cerca de 31 triliões no terceiro trimestre de 2002;

O "credit -market debt" apresenta agora um valor de 295% do produto interno bruto ou seja 3 vezes mais que em 1980, com cerca de 160%.

A regularização destas situações terá forçosamente reflexos muito nefastos na bolsa americana.

A situação geral a prever em termos de mercados, é a de que, após uma situação "bull" de 26 anos, de 1974 a 2000, se seguirá uma outra, "bear" que não será de todo passageira, mas se prolongará por muitos anos.

Holly

Nota: Brevemente voltarei a este assunto com o tópico "Recessão... II.

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