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Lehman Brothers declara falência

Iniciado por camafeu, Setembro 15, 2008, 13:21

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camafeu

Banco perdeu cerca de 2,7 mil milhões.

O banco de negócios norte-americano Lehman Brothers anunciou esta segunda-feira que se iria declarar em falência para proteger os seus activos e maximizar o seu valor.

Em comunicado divulgado, o banco acrescentou que a declaração de falência, aprovada pela direcção, iria ser apresentada hoje na Câmara de Falências para o distrito sul de Nova Iorque.

«Os clientes do Lehman Brothers, incluindo os clientes da sua filial Neuberger Berman Holdings, poderão continuar a negociar os seus títulos e a tomar as decisões que acharem por bem relativamente às suas contas», afirma-se na nota.

O banco perdeu cerca de 3,9 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) no terceiro trimestre do ano, depois de ter sido obrigado a importantes depreciações nos seus activos devido à crise no mercado imobiliário.

A declaração de falência segue-se às tentativas falhadas do Lehman Brothers de encontrar um comprador, depois do Barclays, o último banco interessado, se ter retirado da corrida no domingo.

O banco britânico considerou que seria impossível adquirir o Lehman Brothers sem uma ajuda federal norte-americana semelhante à concedida em Março ao JPMorgan Chase, quando este adquiriu outro banco em dificuldades, o Bear Sterns, de acordo com o New York Times e o Wall Street Journal.

Neste momento, as bolsas europeias seguem em forte queda.

manuelbelinha

Exmos Sr.,

Esta falência na minha terra chama-se...bancarrota.

O furacão dos States chegou à Europa.

Cumprimentos

Manuel Belinha

Beagle

Boa tarde,

Há notícias que vêm mesmo a calhar... e esta é uma delas... levando os preços dos títulos para níveis que muitos consideravam impensáveis...

É disto que os especuladores gostam... comprar quando todos entram no panic selling... e amanhã vêm dizer nas notícias que afinal as coisas não estavam tão mal quanto se pensava...

Enquanto isso, vou às "rebajas"!

Saudações.

P.S. - O PSI-20 "aguentou-se" aos 8000 (e picos)...

egas

#3
so gostava de saber como e que estas casas chegaram a esta situaccao ??? tem que haver muita mentira e aldrabisse, o que me custa a aceitar e as autoridades nao estarem em cima destas situaccoes quando dao precos para isto e aquilo a torto e a direito sem qualquer fundamento ??? deles nao tenho pena nenhuma e ate e bem feito ;D impressionante o numero de casas em dificuldades so para falar nas maiores, BSC, FNM, LEH, FRE, ABK, MER, AIG, WM, RHD.

camafeu

O "Financial Times" fechou a sua edição quando ainda não era certo que a Lehman Brothers pedisse falência. O fim-de-semana decorreu na expectativa de que o banco pudesse ser salvo (como aconteceu à Merrill Lynch"), embora ontem à noite já poucas esperanças restassem.

Em causa estava não uma intervenção directa do Estado mas uma aquisição da Lehman. Mas os potenciais compradores só o fariam se houvesse cobertura ou garantias governamentais do risco da operação, garantias essas que não aconteceram. A Lehman caiu.

"A certeza de que o Governo norte-americano já não estava preparado para suportar instituições com problemas aumentaria a pressão em bancos como o Washington Mutual e seguradoras como a AIG, que já estão na mira dos mercados", escreve o FT. "Talvez ainda mais preocupante é contemplar as inevitáveis surpresas a partir das consequências imprevisíveis da queda da Lehman".

O pedido de falência da Lehman Brothers, que hoje pôs fim a 158 anos de história da instituição financeira norte-americana, colocou 25 mil pessoas na incógnita do que será o seu futuro. Destes, seis mil trabalhadores integram os escritórios da Lehman na Europa.


O Fundo Monetário Internacional (FMI) não ficou surpreendido com o impacto que a crise do crédito de alto risco está a ter nos EUA, adiantando que a crise não terminou e ainda vão surgir mais perdas associadas ao "subprime".

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=331220

Alan Greenspan, antigo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, afirmou ontem, ainda antes de ser conhecido o pedido de falência da Lehman Brothers, a maior falência de sempre nos Estados Unidos, que a actual crise financeira é provavelmente um evento de "uma vez num século" e que levará à falência de mais instituições.

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=331156



rjc

Boa tarde,
Isto mostra mais uma vez, que a subprime ainda não acabou....
Temos que nos preparar, pois, prevejo mais falências ainda .Setor da construção civil e imobiliário de um modo geral, sempre foi e sempre será extremamente forte fundamentalmente, capaz, de se tornar um furacão e arrastar outros setores junto...A crise já faz 1 ano de aniversário... mas, com certeza ,depois deste furacão dias melhores virão com certeza...
RJC

vidinha

Boa noite!

So por curiosidade a quem souber responder...

Quem tiver contraído um empréstimo junto desta instituição o que lhe vai acontecer? por exemplo um empréstimo a a habitação?

Se isto se verificasse no caso português o que aconteceria?

Bons negocios.

fernandex

Boa noite!

Um empréstimo concedido a um cliente é um activo do banco. Por isso, imagino que esse activo, como qualquer outro activo que o banco tenha, será alienado para saldar dívidas do banco, se a sociedade for efectivamente liquidada. Ou seja, quem pediu um empréstimo continua a dever, só que em vez de ser ao banco que originalmente lhe concedeu o crédito, será à "massa falida" ou a um terceiro que compre o crédito.
"Natura non facit saltum" (máxima romana).

vidinha

Obrigado pelo esclarecimento.
Dada a crise a nivel de credito haverá alguém interessado em comprar estes activos do banco, uma vez que foram em parte eles que levaram o banco a falência??

jccgold

#9
Acho muito bem. Esta coisa de pedir independencia dos acionistas qdo é pros lucros, mas intervencao do Estado (contribuintes) qdo a coisa corre pro torto é um sistema imoral.
Sao as teorias que o mercado tudo resolve a cair por terra

MikeC

O grande problema na falência da lehman reside no facto do intervencionismo do FED ter acabado precocemente. Ou seja, o dinheiro acabou, principalmente quando falamos de uma instituição que consiste num buraco negro de engenharia financeira, falando-se em dívidas de 673 mil milhões de dólares. A única explicação possível é que o dinheiro não chegou para salvar uma instuição de vital importância. Uma grande questão se coloca agora: a AIG vai se aguentar sozinha? É necessário ressalvar que a sua importância e impacto é muito maior.
Como conclusão, estamos numa altura em que era bom que o efeito dominó desta falência se repercutisse MUITO rapidamente, isto é, o que existe para falir tem que falir rapidamente para o mercado absorver estas "falhas" e o ciclo bear acabar. O problema é que as instuições financeiras estão a esconder os seus reais problemas, não sendo por acaso que pediram 90 mil milhões de euros ao BCE que, ironia das ironias, já só tem 30 mil milhões de euros.
Assim sendo, o mercado está SOZINHO. O intervencionismo esgotou a sua capacidade monetária.

Abraços bolsistas

fernandex

Bom dia!

A minha opinião é de que o Estado não deve nunca nacionalizar uma empresa (julgo que foi o que aconteceu nos EUA com Fannie Mae e Freddie Mac, embora neste caso, julgo que a intervenção que o Estado fez no passado nestas instituições também contribuiu para a situação), é preferível deixá-la falir. Aos bancos centrais é normalmente atribuída, entre outras, a função de prestamista em última instância (lender in last resort), no sentido de garantir a liquidez do sistema financeiro. Na minha opinião essa função de prestamista deverá ter um limite. Quando um banco que está em dificuldades pede emprestado ao banco central, este só deverá emprestar se houver um plano de recuperação credível. Caso o banco não tenha viabilidade económico-financeira, o banco central e o Estado devem deixar falir.
Se assim não for o sistema cai no problema do risco moral (moral hazard), ou seja, os agentes económicos não são devidamente incentivados a ser racionais e eficientes, pois sabem que se "as coisas derem para o torto" há-de aparecer alguém para os salvar...
As falências são parte do capitalismo. As empresas ineficientes devem sofrer as consequências. Se não houvessem falências, não havia risco... não faria sentido falar em empresas e empresários...
Uma falência é um acontecimento normal numa economia de mercado! O mercado tende a seleccionar os melhores. E isso deve acontecer em todos os sectores de actividade, incluindo o financeiro.

Cumprimentos, BN,

Fernandex.
"Natura non facit saltum" (máxima romana).

egas

#12
ontem perdi a cabeca e ainda la fui comprar para um short de poucos dias 3000 aqueles miseros precos 0.21 ;D ;D

Broker_Invest

Citação de: egas em Setembro 16, 2008, 12:29
ontem perdi a cabeca e ainda la fui comprar para um short de poucos dias 3000 aqueles miseros precos 0.21 ;D ;D

Alguem acha que a Lehmen tem força para chegar ao $1  ???  Sabem quando é que ela sai definitivo da bolsa NYSE?

Acho que é uma aposta arriscada, mas .... quem não arrisca não petisca.

Abraço
Não há mal que perdure e bem que dure sempre

Broker_Invest

#14
Acho que isto pode ajudar a preceber 8)

Está ao abrigo do Chapter 11, ou seja ainda n deixou de existir mas 99% que deixe de existir. Se fosse directamente para o Chapter 7 acabava logo de imediato.
Acho que a Lehnem pode estar a ganhar folgo/organizar a casa, não acredito que um banco com 158 anos de historia quase tanto como EUA, vá pelo cano, mas ... tudo é possível. Agradecia vossos comentarios.

Citação:
When Companies Go Bankrupt
By Bill Mann
September 15, 2008
Comment (2)
Recommend (18)


In the first half-hour of trading today, Lehman Brothers (NYSE: LEH), which filed for Chapter 11 this morning, saw its shares drop 94% to somewhere in the neighborhood of $0.20. A year ago, shares traded for around $58.

And there are investors who are wondering right now if it would be worth throwing a few dollars at Lehman "just to see." After all, it's not to zero yet.

Stop right there
We've been here before: Enron, Kmart (which later merged with Sears Holdings (Nasdaq: SHLD)), Delta Air Lines (NYSE: DAL) -- all massive companies that filed for bankruptcy protection against creditors.

When they filed, their shares sold for only pennies apiece. And while Kmart and Delta were ultimately able to rise again in different forms, that didn't mean the original shareholders got anything. In fact, shares in both companies were canceled in the resulting deals.

Sure, Lehman's shares are exceedingly cheap right now, but you'd have to buy a bunch of shares for it to make a difference, and the chance of loss is still nearly 100%.

Look at it this way: Would you rather have more than 20,000 shares of Lehman for $4,000 or one share of Berkshire Hathaway (NYSE: BRK-B) for the same amount? The chance of Berkshire going to zero is next to nil; the chance of Lehman being anything but zero is just as remote. In the end, $4,000 is $4,000.

Buying shares of companies in bankruptcy is a bad idea, a monumentally bad idea. You're probably going to lose it all -- and here's why.

A rough bankruptcy primer
When companies file bankruptcy, what they're saying is that their assets are insufficient to cover their debt obligations -- and they'll go through every financial strategy possible before filing for Chapter 11. What can be confusing is that Chapter 11 is the vehicle companies use when they hope to reorganize and continue operations, to "emerge from bankruptcy." If the company can't generate enough capital to pay off its creditors, then it will slide down the scale to Chapter 7, complete liquidation.

Complicating matters slightly in this discussion as it pertains to Lehman Brothers is the fact that brokers are treated slightly differently from other operating companies. To protect their clients' assets, brokers are not allowed to declare Chapter 11 -- they go straight to Chapter 7. That's why the Lehman situation is still pretty fluid: It's trying to reorganize at its parent-company level while keeping its brokerage operations out of bankruptcy. Keep watching.

Mortgage company New Century ended up in Chapter 7; so did IndyMac Bank. In some cases the company may emerge, but it's quite rare for the shareholders to come along for the ride. That's because equity shareholders are quite literally the last people in line to receive something from the bankruptcy. They're behind the debt holders, behind the merchant creditors, behind the trustees, behind the employees, behind the tax man, and behind even the preferred shareholders.

Here's how Chapter 11 works: The bankruptcy filing can either be voluntary (filed by the company), or involuntary, in which companies holding credit claims can petition the courts to force the distressed company into bankruptcy. In Chapter 11, unlike Chapter 7, the debtor company remains in possession of its own assets, under the administration of a court-appointed trustee. The bankrupt company must then file a plan of reorganization with the bankruptcy court. If any of the creditors are to receive less than full value for their claims, they have the right to vote on that plan. After the vote, the court can then elect either to accept or reject the plan. In other words, the company has some leeway in designing the plan, but if it requires too steep a haircut for certain creditors, the company has little chance of getting it approved by a committee of creditors, much less the courts.

And this is why equity holders nearly always get reduced to zero. In most cases, the company will have to sell off assets to raise money to pay creditors. In almost all cases, these proceeds are going to be insufficient to pay off all prioritized creditors in full (after all, why else would the debtor have had to file in the first place?), which means that they can take either a reduced amount of money, or they can agree to take some equity in the reorganized company.

In either case, the current equity shareholders would be counting on the priority creditors' sense of charity in order to be included in the recapitalized company. I dare say that there are less sure things that one could count on, but I can't think of any offhand. There is nothing that says the creditors must include the existing shareholders -- even the insiders' stakes are reduced to zero value. That's how priority works: Those higher in the food chain eat until they are satisfied, and then each subsequent group gets its turn until either the carcass is picked dry or all of the groups have been paid to their satisfaction. It goes without saying that it's rare for creditors to leave money on the table.

Book value doesn't help
This is, of course, a highly simplified look at bankruptcy. There are some great resources out there if you'd like to learn more. But the point is: Unless you are convinced that the company can generate enough cash through the sale of its assets to meet the requirements of all its creditors, then there is no reason at all to invest. And please, for the love of God, do not use the book value number.

Book value is a useful proxy for an operating company, but it's a miserable one to approximate liquidation value, because it includes things such as goodwill and other things that cannot easily be sold, such as in-process research and development. Not only that, in a distressed sale, the purchasers are not generally all hot and bothered to overpay for assets. They buy off of liquidations to get the assets on the cheap. This, for example, is how I knew that Bear Stearns was not going to survive. When Bear began selling non-core assets to raise cash to cover its obligations, the bidding companies refused to pay more than 50 cents on the full value of the assets. But Bear was forced to sell, so the purchasers had the upper hand. (In case anyone was living under a rock at the time, Bear was acquired by JPMorgan Chase (NYSE: JPM).) The same goes for companies that are in bankruptcy protection.

Occasionally, a company emerges from bankruptcy with some pre-existing shareholders receiving something. It happened with Ligand Pharmaceuticals (Nasdaq: LGND), where the shareholders were significantly diluted, but did receive something. But this is the exception, not the rule. It's sort of like betting on the slow and lame horse in a race: There is of course a chance it could win, but that's not the way to bet.

So, potential speculators, bottom dwellers, and Dumpster divers, the answer is that as a rule, investing in bankrupt companies (or even soon-to-be bankrupt companies) is a horrible idea. I'm in fact baffled that the SEC and the exchanges even allow companies in Chapter 11 to trade at all -- the implied return on the vast majority of these companies is exactly zero.

So don't do it. Please.
Não há mal que perdure e bem que dure sempre