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Vamos manter a serenidade

Iniciado por rjc, Outubro 06, 2008, 20:08

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rjc

Boa Tarde,

Vamos manter a serenidade e a calma, por favor!!!

A crise é séria , mas, a pergunta que faço é:
Será que  o sr. mercado não está entrando em períodos de insanidade e depressão extremamente "exagerados" mais uma vez? A resposta poderá ser difícil, mas, tudo indica que mais uma vez o sr. Mercado está numa crise de profunda depressão muito mais injustificada do realmente parece....
"Não me entendam mal,  eu neste fórum sempre procurei escrever sobre o humor bipolar do SR. Mercado , também, mensurei esta crise financeira como muito "  séria " desde agosto do ano passado, então alguém aqui poderá achar que estou mudando de posições"..., já que antes falei que a crise era séria e poderia  provocar muitas baixas no mercado e continuo ainda a dizer, que ela é MUITO SÉRIA, mas, isto é uma coisa , a outra é o SR Mercado entrar em parafuso de tal forma que tudo o mais que os Bancos Centrais fizeram de nada "valeram"...e que o mundo  acabará amanhã.....
Ora , meus amigos do fórum, os Bancos Centrais agiram com a rapidez devida SIM e toda esta liquidez que foi colocada no sistema deve dar uma pouso razoavelmente suave ao avião....aliviando desta forma a recessão.  Agora esta histeria toda que tomou conta de todos os mercados financeiros, para mim metade disto tudo é puro medo ( e especulação?) excessivo de uma recessão muito profunda ou outra coisa pior... Tem economista que não tem mais o que falar e é só teórico de faculdade " viajando na maionese" e falando que esta crise se compara à de 1929... Faça-me o favor... .As condições de 1929 em relação às condições atuais são muito diferentes...Quem" realmente estudou economia" e opera e não é apenas teórico sabe disto... Os mercados financeiros da época não eram tão desenvolvidos e regulados quanto os de agora.... e etc . Nos mercados mais ricos nem se falavam em mercados consumidores emergentes, que estão indo muito bem obrigado em relação a esta crise e podem ajudar a aliviar a recessão que se avizinha, e etc etc. O mundo mudou, apesar de que algumas coisas continuam as mesmas, como por exemplo, a bipolaridade excessiva do SR. Mercado. Novos instrumentos financeiros foram criados . Por isso digo, vamos manter a serenidade e a calma neste momento mais uma vez, porque como diz o ditado: "Isto também passará".
E o Sr. Mercado mais uma vez  nos mostrará o quanto é bipolar....
Fiquem a vontade para falarem o que quiserem....

Abraços,
RJC


mvlameiro

Concordo contigo. E embora ainda só tenha 6meses de andanças na Bolsa já me apercebi pq é fácil esta precessão, os mercados só têm conhecido 2 sentimentos: euforia e depressão.
Controlem a vossa calma, joguem com cabeça e força que este estado de sítio não é para sempre.

zimermann

Calma... calma, salvem primeiro o dinheiro das mulheres e das crianças...

O IBovespa aqui no Brasil atingiu seu topo de 74.000 pontos em 29/05/08 e hoje chegamos aos 37.000 pontos . Desde então venho ouvindo estas propostas de calma por parte dos  analistas e corretores ( QUE NÃO QUEREM FICAR DESEMPREGADOS). 

Vendi tudo em Agosto e estou vendo a queda do DOW JONES rumo a 7.200 pontos . Momento magnífico para quem está fora e tétrico para quem está dentro...
Meu pensamento é :Saiam e deixem cair ...para comprar lá na "bacia das almas" como dizemos por aqui...
No Brasil os grandes investidores estrangeiros diariamente dão imensas ordens de venda para os melhores papéis...Morgan , Deutsche e outros vendem ótimos papéis as toneladas no preço do momento...
Parece que quem fala calma são as pessoas que estão fora do mercado...
Esta crise é diferente ...
O problema não é apenas a queda ,mas sim,  quanto tempo será necessário para que os preços atinjam os preços de quem comprou na alta...2 anos??? ...5 anos...?? nunca mais ...?
Tal desespero está aparecendo devido a desaceleração mundial da economia. Retração geral.E assim, para uma possível reação, não há dinheiro de fora e o daqui migrou para o fundo de poupança e não volta mais para a Bolsa....

Como estou fora também recomendo:
"Calma , calma estamos em queda rápida mas  ainda não se vê o fundo deste abismo"...rsrsrs...
Abraços

Zimermann

Mr.Smith

#3
Caro Zimmerman, também concordo com os seus comentários:

De facto esta crise é diferente. Falta liquidez!  Os americanos que há uns anos pediam crédito para comprar acções, hoje perderam ou arriscam-se a perder a casa onde vivem, por não terem capacidade para pagar as mensalidades do crédito que pediram. 

Isso leva-nos a questionar quanto tempo será necessário esperarmos para que a população em geral tenha dinheiro disponível para investir nos mercados financeiros?  Os próximos anos serão como objectivo tentar diminuir os empréstimos. Os anos seguintes, para começar a adquirir objectivos de poupança em aplicações sem risco. E por fim, virão os objectivos de tentativa de rentabilização dessas economias através dos mercados de risco.

Talvez esteja a ser pessimista. Mas sem dinheiro, não pode haver compras que façam subir o mercado. O dinheiro é o oxigénio do sistema! Com oxigénio limitado  não se pode esperar muita vitalidade do Sr. Mercado.


Cumprimentos

Mr. Smith



Broker_Invest

Calma é que é precisso neste momento, mas por vezes o ser Humano torna-se irracional quando olha para os Index's "tanto seja a subir como a descer" é um facto que muitos de nós temos quer ter muita calma, eu falo por mim, mas as vezes apetece-me vender ou comprar tudo ao melhor... mas depois eu penso: "posso reforçar ainda mais a minhas posições, baixo o preço medio" , isto por muitos é um acto de enterrar mais dinheiro na bolsa, é verdade! mas no longo prazo "3-5 anos" acho que posso tirar bons frutos destes investimentos  ;)  agora no curto prazo, isto tem sido uma agonia constante para os investidores longos "como eu" estamos a espera que o fundo apareca o mais rapidamente possível para voltar a entrar.
Os curtos ou "day-traders" andam aqui a ganhar ou perder dinheiro diariamente, e muitas vezes gostam de mandar os mercados abaixo para poderem comprar ainda mais barato, todos os dias muitos investidores Ganham Milhões em long-selleres ou Curtos "short-sellers" então o dia de ondem foi mais um dia de Euromilhões para esses Senhores, esse dinheiro vai ter que aparecer no mercado mais tarde ou mais cedo, o mercado precissa de dinheiro para se sustentar é como o nosso oxigênio que é vital para nós.
Cada dia, semanas ou meses que passam é triste ver o mercado cair sem dó nem piedade, mas é assim que o mercado vive.

Abraços e bons trades.
Não há mal que perdure e bem que dure sempre

rjc

Citação de: zimermann em Outubro 07, 2008, 00:06
Calma... calma, salvem primeiro o dinheiro das mulheres e das crianças...

O IBovespa aqui no Brasil atingiu seu topo de 74.000 pontos em 29/05/08 e hoje chegamos aos 37.000 pontos . Desde então venho ouvindo estas propostas de calma por parte dos  analistas e corretores ( QUE NÃO QUEREM FICAR DESEMPREGADOS). 

Vendi tudo em Agosto e estou vendo a queda do DOW JONES rumo a 7.200 pontos . Momento magnífico para quem está fora e tétrico para quem está dentro...
Meu pensamento é :Saiam e deixem cair ...para comprar lá na "bacia das almas" como dizemos por aqui...
No Brasil os grandes investidores estrangeiros diariamente dão imensas ordens de venda para os melhores papéis...Morgan , Deutsche e outros vendem ótimos papéis as toneladas no preço do momento...
Parece que quem fala calma são as pessoas que estão fora do mercado...
Esta crise é diferente ...
O problema não é apenas a queda ,mas sim,  quanto tempo será necessário para que os preços atinjam os preços de quem comprou na alta...2 anos??? ...5 anos...?? nunca mais ...?
Tal desespero está aparecendo devido a desaceleração mundial da economia. Retração geral.E assim, para uma possível reação, não há dinheiro de fora e o daqui migrou para o fundo de poupança e não volta mais para a Bolsa....

Como estou fora também recomendo:
"Calma , calma estamos em queda rápida mas  ainda não se vê o fundo deste abismo"...rsrsrs...
Abraços

Zimermann

Bom dia,

Caro amigo Zimermann,

Sei muito bem, do problema da nossa querida bolsa...., acho que todos os que aqui estão neste clube ,operam nos mercados de verdade....,não são meros expectadores , ou  pessoas que gostam de dar opiniões, como as que ando vendo na Globonews, mas, que no fundo estão de fora. O pessoal do clube realmente está mais do que nunca sentindo o verdadeiro desvairiu do Sr. Mercado. Foi colocado muito dinheiro para salvar o sistema. Claro que,como disse o nosso amigo Berrio, isto vai ter um custo também, aumentos de déficits públicos, a maquininha de rodar dolares extras não vai parar tão cedo, futuros aumentos de impostos para "cobrir" o déficit etc etc... e, claro que como tudo na vida existe um preço e uma consequência.Os mercados e as pessoas andam "pagando" a conta sim.....e no caso da Bovespa em que você se referiu, já caiu muito da maior alta para a maior baixa....
Mas, apesar de todo este desvairiu e possivelmente contagio na economia real (este que será problema sim ), o problema da perda que você falou : "salvar o dinheiro das mulheres e filhos", também, vai muito do como se opera  e o quanto alavancado se está.... Conheço várias pessoas de um outro forum e até alguns dentistas (nada contra) que colocaram mais de 80% de todas as suas poupanças só na bolsa e não teêm nenhuma reserva mais, e pior , compraram no fim da festa ou seja, próximos dos "73000 pts".... sem olhar para os conceitos fundamentais e de " valor" (Valuation) de longo prazo, e se os lucros reais das companhias sustentariam no curto prazo estes ganhos....no que tanto dá o tom neste mercado.. Neste caso tem que se salvar mesmo o dinheiro que resta das crianças...
Por isso, digo até por experiênica de vida (pode acreditar) : " ISTO TAMBÉM PASSARÁ', mas, antes de tudo ,um pouco de calma para sobreviver é fundamental não é mesmo....

Abraços,
RJC

jccgold

#6
O problema da bolsa é que é um vicio igual ao dos casinos para alguns (muitos). Senao já teriam percebido que as cotacoes em bolsa nao sao mais do que virtuais e pouco têm a ver com o real valor das empresas.
Ainda nao foi ha muitos meses que vi alguem neste forum a escrever a teoria dos 30% como ficar rico aumentando o seu dinheiro a 30% ao ano jogando na bolsa, e como tinha compreendido perfeitamente este conceito de Warren Buffet. O vício a falar  ::)

Broker_Invest

Acho que isto tiram muitas dúvidas a muita gente indecisa, devemos estar perto da fase final do bear, vamos manter a calma.

::: O ciclo do sentimento nos mercados accionistas


Depois de mais um dia dramático nos mercados internacionais, em que algumas bolsas (incluindo a portuguesa) registaram a maior desvalorização diária de sempre, o comportamento dos investidores parece cada vez mais determinado por factores emocionais e menos por factores racionais. O mercado recuou para valores idênticos aos de Fevereiro de 1998.

A intervenção dos diversos Governos no sistema financeiro internacional, seja através do plano norte-americano de compra de activos "tóxicos" dos bancos, seja pela nacionalização parcial de alguns bancos europeus, ou mesmo através da subida dos montantes máximos de depósitos bancários garantidos pelo Estado, não tem contribuído para acalmar os ânimos.

Neste cenário difícil, parece-nos útil recordar o papel que as emoções desempenham na evolução dos mercados accionistas, tanto em alturas de subida como de descida, podendo mesmo ser desenhado um "ciclo do sentimento", como veremos.

A psicologia dos investimentos

A teoria económica tradicional defende que os investidores são agentes racionais que, confrontados com um conjunto de alternativas de investimento, tomam as suas decisões no sentido de maximizarem o seu bem-estar, ou seja, o seu lucro. A teoria clássica defende igualmente que os mercados são eficientes, incorporando de forma instantânea, completa e correcta toda a informação disponível sobre as empresas cotadas, sem que as emoções desempenhem qualquer papel no processo de formação de preços.

No entanto, diversos estudos na área das neurociências (na qual o português António Damásio é um dos mais destacados especialistas) têm confirmado que o raciocínio intuitivo é sempre uma parte integrante do processo de tomada de decisão, complementando o raciocínio analítico, sendo decisivo para o seu sucesso ou insucesso.

O processamento intuitivo de informação é rápido e ocorre sem a necessidade de pensamento consciente, enquanto o processamento analítico é lento e necessita de confirmação através da lógica e de evidência concreta.

Nos mercados financeiros, onde somos levados a tomar decisões complexas com base em informação incompleta, por vezes ambígua e em mutação constante, o nosso raciocínio intuitivo tende a sobrepor-se ao raciocínio analítico, levando muitas vezes a decisões erradas.

Note-se que, conforme afirma o Professor Robert Shiller*, «estes padrões de comportamento humano não são resultado de ignorância extrema, mas sim das características da inteligência humana, tanto reflectindo as suas limitações como os seus pontos fortes».

O ciclo do sentimento nos mercados accionistas

O sentimento dos investidores tende a condicionar e ser condicionado pelos "altos e baixos" do mercado, formando um ciclo completo como o que é representado no gráfico seguinte.


Adaptado de Fidelity; Fonte original: Westcore Funds / Denver Investment Advisers LLC, 1998


Um dos padrões de comportamento mais notórios da generalidade dos investidores é a extrema similitude de decisões em pontos de inversão de mercado, sendo partilhados sentimentos de Euforia em pontos máximos e de Pânico e Capitulação perto de pontos mínimos do mercado, em ambos os casos gerando uma reacção excessiva face à que poderia ser justificada por um raciocínio analítico.

1. O bull market: da Depressão à Euforia

O bull market começa quando a esmagadora maioria dos investidores estão pessimistas. O pessimismo extremo levou a que as cotações chegassem a um nível muito inferior ao seu valor justo. Geralmente são os investidores mais experientes que aproveitam os preços mais deprimidos.

Quando o mercado accionista está no seu ciclo ascendente, e as boas notícias se sucedem (ou pelo menos cessam as más notícias do ciclo anterior), e a Esperança dá lugar a Alívio, um número crescente de investidores começa a prestar atenção, mas ainda não sente a confiança suficiente para voltar a entrar.

À medida que o Optimismo se instala, a confiança tende a dar lugar a excesso de confiança, e um volume crescente de recursos começa a afluir ao mercado, acentuando a subida de preços, para níveis próximos ou mesmo superiores aos valores justos.

É quando o Entusiasmo se transforma em Euforia, que os investidores menos experientes sentem uma tentação irresistível de não ficar de fora do sucesso alcançado por familiares ou amigos. O facto de não terem participado até aí nos ganhos substanciais traduz-se numa sensação mista de falhanço, pena e inveja, o que se torna num factor de motivação quase incontrolável. Valorizações extremas de "temas da moda" são justificadas com a noção de que "desta vez é diferente". É neste ponto que os investidores mais experientes tendem a reduzir as suas posições.

2. O bear market: da Ansiedade à Apatia

O excesso de confiança que resulta dos ganhos avultados durante o bull market não desaparece no início do bear market. Na fase da Negação, os investidores assumem que o início da descida de preços é uma correcção saudável, e não a emergência de um novo padrão. Muitos investidores aproveitam para reforçar as suas posições, atendendo às suas expectativas optimistas.

Na primeira fase do bear market, é mais relevante a progressiva ausência de compradores do que uma forte pressão de venda. O orgulho e a necessidade de evitar o sentimento de "estar errado" inibem muitos investidores de assumirem perdas.

À medida que se vão avolumando as perdas, o sentimento de Medo e depois de Desespero começa a invadir os investidores, e a pressão psicológica para vender "a qualquer preço" intensifica-se, dando lugar a uma fase de Pânico, em que as decisões são cada vez mais intuitivas, resultando mais da própria quebra das cotações do que de nova informação relevante.

A fase de Capitulação, aquela em que mais investidores desistem e acabam por "atirar a toalha", é aquela que tradicionalmente é acompanhada por maior volatilidade e correcções mais acentuadas das cotações, antecedendo o ponto mínimo do ciclo de mercado.

A perda de confiança tende a ser duradoura, reflectindo o sentimento de que "não fui feito para isto", entre juras de "nunca mais comprar acções". A tendência é para que se regresse ao mercado já numa fase de Entusiasmo generalizado ou mesmo de Euforia, depois de "curadas as feridas". O renovado excesso de confiança tenderá a perpetuar um ciclo vicioso em que se compra caro e vende barato.

Onde estamos agora?

Apesar do padrão de comportamento dos investidores ser muito consistente ao longo dos séculos, nem sempre é fácil identificar em que fase estamos do ciclo. Nem sempre a intensidade dos sentimentos é a mesma, sendo mesmo possível "saltar" uma ou mais fases, ou até retroceder pontualmente no ciclo, para retomar o sentido normal mais tarde.

Para a generalidade dos investidores de longo prazo, será preferível uma estratégia de ficar investido ao longo de todos os ciclos de mercado, do que outra em que se tenta adivinhar o sentido do mercado a cada momento, correndo o risco de perder as melhores fases do ciclo.

O exemplo mais extremado de Euforia no último século foi a subida do mercado accionista nos 5 anos terminados em Março de 2000, "a reboque" das novas tecnologias. A título de exemplo, índice S&P 500 valorizou 205% naquele período, cerca de 3 vezes mais que a subida dos resultados das empresas no mesmo período. Segundo dados do Professor Shiller*, o mês de Março de 2000 marcou o maior desfasamento em mais de 100 anos entre o nível das cotações e os resultados das empresas, ofuscando o valor atingido em Setembro de 1929, na véspera da Grande Depressão. A desvalorização de 49% até Novembro de 2002 foi natural à luz da anterior valorização extrema.

Já no mais recente ciclo de mercado, cujo máximo foi atingido em Outubro de 2007, a valorização de cerca de 100% do índice S&P nos 5 anos anteriores foi praticamente idêntica à subida dos resultados das empresas no mesmo período. Neste caso, dificilmente podemos dizer que foi atingido um estado de Euforia, o qual apenas aconteceu em países emergentes como a China, em que a valorização das cotações ultrapassou largamente a subida dos resultados.

Em contraste, a fase de Pânico na subsequente correcção, numa crise financeira sem precedentes desde a Grande Depressão, parece muito mais vincada. A correcção de cerca de 16% nos mercados accionistas globais nas últimas 2 semanas, acompanhada por níveis históricos de volatilidade e níveis extremos de valorização, poderá ser mesmo considerada como o início de uma fase de Capitulação, ainda que as características extraordinárias da presente crise financeira recomendem alguma prudência nesta conclusão. Os mais pessimistas dirão que estamos ainda numa fase de Negação, em que os investidores se recusam a aceitar que o pior está para vir. Os mais optimistas dirão que a Esperança está próxima, confiantes de que a actuação governamental não tardará a dar os seus frutos.

Voltaremos à análise de períodos extremos nos mercados accionistas na próxima newsletter.

O que se espera para o futuro próximo

Num contexto de quebra sem precedentes do preço das matérias-primas e de forte contracção do crédito a particulares e empresas, as pressões inflacionistas que limitavam até há pouco tempo a actuação dos principais Bancos Centrais, passaram a dar lugar à ameaça de um cenário de recessão económica com quebra generalizada de preços (deflação), semelhante ao que ocorreu no Japão na década de 90, e do qual este país ainda não recuperou totalmente.

Num eventual cenário de significativa recessão económica, torna-se mais difícil que as empresas consigam subir os seus preços, podendo agravar um ciclo vicioso em que o preço da generalidade dos activos tende a desvalorizar.

Neste sentido, começam a ganhar expressão as previsões de uma acção concertada dos principais Bancos Centrais, no sentido de reduzirem as taxas de juro para um nível que estimule a procura de crédito, e que contribua também para aumentar a margem financeira dos bancos (na medida em que o negócio bancário se baseia em pedir emprestado em prazos curtos e conceder empréstimos em prazos longos), melhorando as perspectivas para o sector.

Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), é um dos maiores especialistas académicos a nível mundial em crises económicas, e sabe quais os erros evitar ao lidar com a actual crise: a Grande Depressão foi agravada pela falência de bancos e pela falta generalizada de liquidez no sistema bancário, enquanto a crise japonesa dos anos 90 foi agravada pela falta de actuação atempada das autoridades (as medidas para recuperar o sistema financeiro só chegaram em 1999, com 10 anos de atraso).

Em conclusão ...

Nas últimas semanas, as emoções parecem ser o principal determinante dos preços de mercado. Tudo indica estarmos a entrar numa fase de Capitulação, ainda que a natureza atípica da actual crise financeira não torne claro quando poderá começar o novo bull market.

O mercado de acções é provavelmente o único mercado do mundo em que as pessoas estão predispostas a comprar quando os preços estão altos e a vender quando os preços estão baixos. Faz parte da natureza humana. Ainda que o nosso lado intuitivo nos possa compelir a "fugir enquanto é tempo" quando parece já não haver esperança, o nosso lado analítico poderá recordar-nos que as acções estarão ao seu preço mais barato quando ninguém as quiser.

* Robert J. Shiller - «Irrational Exuberance, Second Edition» (2005), Princeton University Press

E-mail que recebi esta semana do meu banco e que varios colegas tambem devem ter recebido.
Não há mal que perdure e bem que dure sempre

rjc

Citação de: Broker_Invest em Outubro 08, 2008, 12:37
Acho que isto tiram muitas dúvidas a muita gente indecisa, devemos estar perto da fase final do bear, vamos manter a calma.

::: O ciclo do sentimento nos mercados accionistas


Depois de mais um dia dramático nos mercados internacionais, em que algumas bolsas (incluindo a portuguesa) registaram a maior desvalorização diária de sempre, o comportamento dos investidores parece cada vez mais determinado por factores emocionais e menos por factores racionais. O mercado recuou para valores idênticos aos de Fevereiro de 1998.

A intervenção dos diversos Governos no sistema financeiro internacional, seja através do plano norte-americano de compra de activos "tóxicos" dos bancos, seja pela nacionalização parcial de alguns bancos europeus, ou mesmo através da subida dos montantes máximos de depósitos bancários garantidos pelo Estado, não tem contribuído para acalmar os ânimos.

Neste cenário difícil, parece-nos útil recordar o papel que as emoções desempenham na evolução dos mercados accionistas, tanto em alturas de subida como de descida, podendo mesmo ser desenhado um "ciclo do sentimento", como veremos.

A psicologia dos investimentos

A teoria económica tradicional defende que os investidores são agentes racionais que, confrontados com um conjunto de alternativas de investimento, tomam as suas decisões no sentido de maximizarem o seu bem-estar, ou seja, o seu lucro. A teoria clássica defende igualmente que os mercados são eficientes, incorporando de forma instantânea, completa e correcta toda a informação disponível sobre as empresas cotadas, sem que as emoções desempenhem qualquer papel no processo de formação de preços.

No entanto, diversos estudos na área das neurociências (na qual o português António Damásio é um dos mais destacados especialistas) têm confirmado que o raciocínio intuitivo é sempre uma parte integrante do processo de tomada de decisão, complementando o raciocínio analítico, sendo decisivo para o seu sucesso ou insucesso.

O processamento intuitivo de informação é rápido e ocorre sem a necessidade de pensamento consciente, enquanto o processamento analítico é lento e necessita de confirmação através da lógica e de evidência concreta.

Nos mercados financeiros, onde somos levados a tomar decisões complexas com base em informação incompleta, por vezes ambígua e em mutação constante, o nosso raciocínio intuitivo tende a sobrepor-se ao raciocínio analítico, levando muitas vezes a decisões erradas.

Note-se que, conforme afirma o Professor Robert Shiller*, «estes padrões de comportamento humano não são resultado de ignorância extrema, mas sim das características da inteligência humana, tanto reflectindo as suas limitações como os seus pontos fortes».

O ciclo do sentimento nos mercados accionistas

O sentimento dos investidores tende a condicionar e ser condicionado pelos "altos e baixos" do mercado, formando um ciclo completo como o que é representado no gráfico seguinte.


Adaptado de Fidelity; Fonte original: Westcore Funds / Denver Investment Advisers LLC, 1998


Um dos padrões de comportamento mais notórios da generalidade dos investidores é a extrema similitude de decisões em pontos de inversão de mercado, sendo partilhados sentimentos de Euforia em pontos máximos e de Pânico e Capitulação perto de pontos mínimos do mercado, em ambos os casos gerando uma reacção excessiva face à que poderia ser justificada por um raciocínio analítico.

1. O bull market: da Depressão à Euforia

O bull market começa quando a esmagadora maioria dos investidores estão pessimistas. O pessimismo extremo levou a que as cotações chegassem a um nível muito inferior ao seu valor justo. Geralmente são os investidores mais experientes que aproveitam os preços mais deprimidos.

Quando o mercado accionista está no seu ciclo ascendente, e as boas notícias se sucedem (ou pelo menos cessam as más notícias do ciclo anterior), e a Esperança dá lugar a Alívio, um número crescente de investidores começa a prestar atenção, mas ainda não sente a confiança suficiente para voltar a entrar.

À medida que o Optimismo se instala, a confiança tende a dar lugar a excesso de confiança, e um volume crescente de recursos começa a afluir ao mercado, acentuando a subida de preços, para níveis próximos ou mesmo superiores aos valores justos.

É quando o Entusiasmo se transforma em Euforia, que os investidores menos experientes sentem uma tentação irresistível de não ficar de fora do sucesso alcançado por familiares ou amigos. O facto de não terem participado até aí nos ganhos substanciais traduz-se numa sensação mista de falhanço, pena e inveja, o que se torna num factor de motivação quase incontrolável. Valorizações extremas de "temas da moda" são justificadas com a noção de que "desta vez é diferente". É neste ponto que os investidores mais experientes tendem a reduzir as suas posições.

2. O bear market: da Ansiedade à Apatia

O excesso de confiança que resulta dos ganhos avultados durante o bull market não desaparece no início do bear market. Na fase da Negação, os investidores assumem que o início da descida de preços é uma correcção saudável, e não a emergência de um novo padrão. Muitos investidores aproveitam para reforçar as suas posições, atendendo às suas expectativas optimistas.

Na primeira fase do bear market, é mais relevante a progressiva ausência de compradores do que uma forte pressão de venda. O orgulho e a necessidade de evitar o sentimento de "estar errado" inibem muitos investidores de assumirem perdas.

À medida que se vão avolumando as perdas, o sentimento de Medo e depois de Desespero começa a invadir os investidores, e a pressão psicológica para vender "a qualquer preço" intensifica-se, dando lugar a uma fase de Pânico, em que as decisões são cada vez mais intuitivas, resultando mais da própria quebra das cotações do que de nova informação relevante.

A fase de Capitulação, aquela em que mais investidores desistem e acabam por "atirar a toalha", é aquela que tradicionalmente é acompanhada por maior volatilidade e correcções mais acentuadas das cotações, antecedendo o ponto mínimo do ciclo de mercado.

A perda de confiança tende a ser duradoura, reflectindo o sentimento de que "não fui feito para isto", entre juras de "nunca mais comprar acções". A tendência é para que se regresse ao mercado já numa fase de Entusiasmo generalizado ou mesmo de Euforia, depois de "curadas as feridas". O renovado excesso de confiança tenderá a perpetuar um ciclo vicioso em que se compra caro e vende barato.

Onde estamos agora?

Apesar do padrão de comportamento dos investidores ser muito consistente ao longo dos séculos, nem sempre é fácil identificar em que fase estamos do ciclo. Nem sempre a intensidade dos sentimentos é a mesma, sendo mesmo possível "saltar" uma ou mais fases, ou até retroceder pontualmente no ciclo, para retomar o sentido normal mais tarde.

Para a generalidade dos investidores de longo prazo, será preferível uma estratégia de ficar investido ao longo de todos os ciclos de mercado, do que outra em que se tenta adivinhar o sentido do mercado a cada momento, correndo o risco de perder as melhores fases do ciclo.

O exemplo mais extremado de Euforia no último século foi a subida do mercado accionista nos 5 anos terminados em Março de 2000, "a reboque" das novas tecnologias. A título de exemplo, índice S&P 500 valorizou 205% naquele período, cerca de 3 vezes mais que a subida dos resultados das empresas no mesmo período. Segundo dados do Professor Shiller*, o mês de Março de 2000 marcou o maior desfasamento em mais de 100 anos entre o nível das cotações e os resultados das empresas, ofuscando o valor atingido em Setembro de 1929, na véspera da Grande Depressão. A desvalorização de 49% até Novembro de 2002 foi natural à luz da anterior valorização extrema.

Já no mais recente ciclo de mercado, cujo máximo foi atingido em Outubro de 2007, a valorização de cerca de 100% do índice S&P nos 5 anos anteriores foi praticamente idêntica à subida dos resultados das empresas no mesmo período. Neste caso, dificilmente podemos dizer que foi atingido um estado de Euforia, o qual apenas aconteceu em países emergentes como a China, em que a valorização das cotações ultrapassou largamente a subida dos resultados.

Em contraste, a fase de Pânico na subsequente correcção, numa crise financeira sem precedentes desde a Grande Depressão, parece muito mais vincada. A correcção de cerca de 16% nos mercados accionistas globais nas últimas 2 semanas, acompanhada por níveis históricos de volatilidade e níveis extremos de valorização, poderá ser mesmo considerada como o início de uma fase de Capitulação, ainda que as características extraordinárias da presente crise financeira recomendem alguma prudência nesta conclusão. Os mais pessimistas dirão que estamos ainda numa fase de Negação, em que os investidores se recusam a aceitar que o pior está para vir. Os mais optimistas dirão que a Esperança está próxima, confiantes de que a actuação governamental não tardará a dar os seus frutos.

Voltaremos à análise de períodos extremos nos mercados accionistas na próxima newsletter.

O que se espera para o futuro próximo

Num contexto de quebra sem precedentes do preço das matérias-primas e de forte contracção do crédito a particulares e empresas, as pressões inflacionistas que limitavam até há pouco tempo a actuação dos principais Bancos Centrais, passaram a dar lugar à ameaça de um cenário de recessão económica com quebra generalizada de preços (deflação), semelhante ao que ocorreu no Japão na década de 90, e do qual este país ainda não recuperou totalmente.

Num eventual cenário de significativa recessão económica, torna-se mais difícil que as empresas consigam subir os seus preços, podendo agravar um ciclo vicioso em que o preço da generalidade dos activos tende a desvalorizar.

Neste sentido, começam a ganhar expressão as previsões de uma acção concertada dos principais Bancos Centrais, no sentido de reduzirem as taxas de juro para um nível que estimule a procura de crédito, e que contribua também para aumentar a margem financeira dos bancos (na medida em que o negócio bancário se baseia em pedir emprestado em prazos curtos e conceder empréstimos em prazos longos), melhorando as perspectivas para o sector.

Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), é um dos maiores especialistas académicos a nível mundial em crises económicas, e sabe quais os erros evitar ao lidar com a actual crise: a Grande Depressão foi agravada pela falência de bancos e pela falta generalizada de liquidez no sistema bancário, enquanto a crise japonesa dos anos 90 foi agravada pela falta de actuação atempada das autoridades (as medidas para recuperar o sistema financeiro só chegaram em 1999, com 10 anos de atraso).

Em conclusão ...

Nas últimas semanas, as emoções parecem ser o principal determinante dos preços de mercado. Tudo indica estarmos a entrar numa fase de Capitulação, ainda que a natureza atípica da actual crise financeira não torne claro quando poderá começar o novo bull market.

O mercado de acções é provavelmente o único mercado do mundo em que as pessoas estão predispostas a comprar quando os preços estão altos e a vender quando os preços estão baixos. Faz parte da natureza humana. Ainda que o nosso lado intuitivo nos possa compelir a "fugir enquanto é tempo" quando parece já não haver esperança, o nosso lado analítico poderá recordar-nos que as acções estarão ao seu preço mais barato quando ninguém as quiser.

* Robert J. Shiller - «Irrational Exuberance, Second Edition» (2005), Princeton University Press

E-mail que recebi esta semana do meu banco e que varios colegas tambem devem ter recebido.


Boa tarde,
Broker tudo Bem!

Gostei da sua resposta, muito bem postada. A psicologia  e o ciclo dos sentimentos são muito interessantes e verdadeiros. Tentando trazer o diagrama para o mundo real e unindo numa análise fundamentalista, acho que podemos estar "saindo" da fase do pânico, ainda as coisas não me parecem  bem claras (não estou fazendo futurologia aqui e nem gosto).... Pode ser que esta semana tenha sido o ápice do olho do furacão. Pode ser . A crise já tem 1 ano, vocês lembram, começou mesmo no final de julho do ano passado com os primeiros sinais.... 1ano e  dois meses....mas, mais bancos irão falir, como o secretário  do tesouro  já disse,  isto também já começa a ser precificado pelo mercado.
Aconteceu ontem uma coisa muito boa  na macroeconomia...Os vários Bancos Centrais reduziram a taxa de juros em conjunto numa manobra muito interessante, pois, a pressão inflacionária parece-me que diminuiu . Como esta medida que , certamente poderá ser ainda mais baixa no próximo encontro , junto com as garantias dos depósitos bancários na Alemanha , menos juros , um pouco mais  de consumo e o risco de uma Depressão poderá ser abortada  .Caros membros, a minha maior preocupação nem é com a Bolsa , mas , com o contagio na economia real na forma de uma Depressão , ou seja, muito pior que uma desaceleração em forma de recessão.
Broker,  vamos aguardar novas volatilidades, acho que estamos entrando na fase capitulação/apatia. Quanto tempo vai durar só Deus sabe. É só uma opinião....

RJC