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Iniciado por vitorrslopes, Dezembro 23, 2008, 16:19

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vitorrslopes

Por motivos profissionais tenho andado ausente. No entanto, não tenho deixado de reparar no conjunto de notícias "  X diz que a crise já passou, Y diz que a retoma só vai iniciar em 2011 e por aí em diante". Assim proponho uma síntese para mais tarde recordar.

1-Membro do BCE diz que economia vai contrair em 2009

O membro do Banco Central Europeu (BCE), John Hurley, afirmou que a economia vai contrair em 2009 levando a taxa de inflação a diminuir.

"A economia da Zona Euro está a contrair e vai contrair no próximo ano" afirmou Hurley numa entrevista à RTE em Dublin citada pela Bloomberg, acrescentando que "também vamos ver a inflação a reduzir e espera-se que caia ainda mais."

A Zona Euro já se encontra em recessão económica depois de ter contraído no segundo e terceiros trimestres deste ano, o que tem levado o BCE a reduzir a taxa de juro de referência para os actuais 2%.

Os economistas acreditam que a autoridade monetária vai ter de continuar a reduzir os juros para estimular a economia da região ao longo de 2009. O Commerzbank já avançou que espera que o BCE desça a taxa de referência até 1%.

Os responsáveis do BCE têm transmitido ao mercado uma ideia de que só voltaram a cortar os juros depois da economia reflectir as reduções que têm sido efectuados desde Outubro.




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2- 10 Surpresas para 2009 by UBS

Petróleo pode afundar até aos 20 dólares

Se há um ano lhe dissessem que o petróleo iria cair em 2008, acreditava? Ficaria, no mínimo, surpreendido, especialmente considerando que este foi o ano em que o preço do "ouro negro" bateu todos os recordes.

Agora, o banco de investimento suíço está confiante numa manutenção dos actuais valores da matéria-prima no próximo ano, mas não descarta a possibilidade do petróleo afundar ainda mais.

A possibilidade de o petróleo cair abaixo da fasquia dos 20 dólares é das dez surpresas que, segundo o UBS, podem acontecer em 2009. As surpresas consistem em cenários plausíveis que contrariam a perspectiva dos investidores e mesmo os cenários base dos próprios analistas do banco de investimento suíço. No final de 2007, o UBS já tinha elaborado um conjunto de dez surpresas, sendo que seis acabaram por se confirmar.


Aconteceu com o petróleo. Na análise para 2008, o UBS questionava se "os 50 dólares seriam os novos 20 dólares?", apontando como cenário provável a descida dos preços da matéria-prima, numa altura em que todos os indicadores apontavam para uma subida das cotações. O petróleo até valorizou. Mas corrigiu, e está hoje substancialmente mais barato do que há um ano.

Depois dos recordes fixados em Julho, altura em que tanto o barril de Brent, transaccionado em Londres, como o West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, superaram a fasquia dos 147 dólares, as cotações iniciaram um movimento de descida acentuado. Face aos máximos históricos, desceram já mais de 100 dólares. O Brent custava, no final da sessão de ontem, 39,80 dólares, já o WTI negociava nos 38 dólares.

O UBS acredita na manutenção dos actuais níveis do preço da matéria-prima, antecipando uma recuperação das cotações no final de 2009 para valores próximos dos 70 dólares, suportada pela inversão do cenário macroeconómico. A surpresa seria o petróleo cair e negociar abaixo da fasquia dos 20 dólares, ou seja, registar uma desvalorização de mais 49%. Como pode isso acontecer? É simples, segundo o UBS. Basta que os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que têm estado muito activos na tentativa de impulsionar os preços da matéria-prima, não cumpram com as quotas de produção estabelecidas. Na última reunião anunciaram um corte de produção e preparam-se para efectuar um novo em Janeiro.

Segundo o banco de investimento, quando os preços do petróleo estão em queda, é mais difícil para a OPEP forçar o cumprimento das quotas de produção. A justificação é que muitos dos países membros da organização sofrem enormes constrangimentos nas suas economias se, num período de queda do petróleo, reduzirem a produção, o que implica menores receitas.

Assim, e caso o não cumprimento das quotas se verifique e coincida com a manutenção da quebra na procura por petróleo (em resultado do menor crescimento da economia global), os preços do petróleo têm margem para descer "até mesmo abaixo dos 20 dólares por barril", recuando para o nível mais baixo desde 2002.

Fed compra dívida das empresas

A compra de obrigações das empresas por parte da Reserva Federal dos EUA é outra das surpresas do UBS para 2009. O banco não acredita que tal aconteça, ainda que considere que teria efeitos positivos, nomeadamente na redução dos "spreads" pagos pelas empresas aos compradores da dívida emitida.

Ouro vai para os 300 dólares

O preço do ouro tem sido suportado pela conjugação do aumento da procura, a queda do dólar, os fortes investimentos nas matérias-primas, bem como os receios de inflação e a aversão dos investidores ao risco. Estes factores levaram o metal precioso a negociar acima dos 800 dólares este ano. Mas, poderá o preço do ouro cair? Uma das surpresas para 2009, do UBS, seria a cotação baixar a fasquia dos 300 dólares. Como? Essencialmente em resultado da venda agressiva de reservas por parte dos bancos centrais e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Avaliações dos emergentes na paridade As acções dos mercados emergentes continuam a negociar a desconto face às dos países desenvolvidos. Em 2009, a surpresa seria que reconquistassem a paridade, algo que o UBS não considera provável, mas que poderá acontecer dada a esperada desalavancagem e desinflação, que levará os investidores em busca de rentabilidades mais elevadas.

Anjos caídos disparam em bolsa As empresas com maiores necessidades de financiamento foram das mais penalizadas este ano. Para o UBS, surpresa seria se em 2009 registassem fortes ganhos, cenário plausível caso coincida com uma recuperação no crédito existente e nos novos financiamentos.

Um "feriado fiscal" de Barack Obama O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, prepara-se para apresentar o seu plano de estimulo à economia, que se espera que tenha impacto directo nos contribuintes. Surpresa seria se ocorresse um "feriado fiscal". O UBS não acredita que isso aconteça, por um simples motivo: política.






Taxa de falências não sobe muito Será difícil que as taxas de "default" da dívida das empresas não suba. O desafio é que o aumento não seja muito elevado. E poderá verificar-se essa situação, caso haja uma "onda" de renegociações das dívidas, o que poderia ser um importante suporte para a confiança e a liquidez nos mercados de crédito.

Crescimento económico negativo O UBS prevê que a economia global cresça apenas 1% em 2009, "o que já é classificado de recessão". Mas, e se o resultado for ainda pior? Um crescimento negativo já não é visto desde a Grande Depressão, mas é plausível, defende o banco suíço. O cenário central do UBS é o de que a economia global atinja o fundo em meados de 2009, voltando depois a recuperar, para apresentar um crescimento mínimo no acumulado do ano.

No entanto, "quanto mais tempo durar o mal-estar da economia dos EUA, menor probabilidade haverá de se assistir a um crescimento positivo", o que fará "vítimas". "Se o crescimento global for negativo e os receios de inflação se apoderarem dos investidores, poderemos assistir a um novo ano de queda dos índice bolsistas mundiais". Também os mercados de crédito deverão ser afectados.

Taxas de inflação próximas do zero O próximo ano poderá trazer um cenário de deflação, ainda que não de forma persistente e generalizada. Este é o cenário base do UBS. Para o banco de investimento, a surpresa seria que os preços se mantivessem praticamente inalterados, com uma taxa próxima de zero no próximo ano.

Dólar cai para novos mínimos históricos


A moeda norte-americana chegou a negociar no valor mais baixo de sempre face ao euro, em meados de 2008. Nas últimas semanas tem vindo a recuperar e apresenta já um "saldo" positivo, no acumulado do ano. Assim, novos mínimos históricos do dólar não parecem distantes, constituindo, no entanto, uma surpresa para o UBS que tal venha a acontecer. A queda da divisa dos EUA será, contudo, preocupante. O banco de investimento suíço alerta que a desvalorização do dólar, em especial contra o euro e o iene, "poderá aumentar os receios de que os investidores estão a perder confiança nas políticas dos EUA". Além disso, um fortalecimento do euro e do iene poderá exacerbar o abrandamento da economia do Japão e dos países da Europa Ocidental, além de penalizar os mercados de capitais destas duas regiões.

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A BlackRock, sociedade que detém a gestão de activos da Merrill Lynch, acredita num "rally" (forte subida) dos mercados accionista no próximo ano, suportado pela manutenção da política de baixas taxas de juros.

A gestora norte-americana defende, numa nota de investimento, que o processo de recuperação dos mercados desde os mínimos de 10 de Outubro deverá manter-se em 2009, apesar dos desafios impostos pelo cenário macroeconómico e das pressões deflacionistas constituírem um risco para as acções.

No entanto, argumenta a BlackRock, "temos de ter em conta que a queda aproximada de 50% dos preços das acções representa um desconto significativo em relação a esses riscos". O que leva a gestora a concluir que o "sentimento entre os investimentos de que as coisas já não podem agravar-se deverá ser suficiente para despoletar um movimento de 'rally'".

"Acreditamos que estamos a chegar a esse sentimento e deveremos ver esse 'rally' desenvolver-se em 2009", acrescenta.

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Analistas apontam para valorização de 17% nas acções americanas em 2009

Os analistas estão optimistas com a evolução dos mercados accionistas norte-americanos em 2009, antevendo uma subida de 17% no índice S&P500 até final deste ano. Contudo, o sentimento no início do ano passado também era positivo e os mercados registaram o pior ano desde 1937.

Uma sondagem da agência Bloomberg a 11 casas de investimento (UBS, Deutsche Bank, JPMorgan e outras) aponta para uma subida de 17% no índice que engloba as 500 maiores empresas norte-americanas.

Os analistas acreditam que as baixas taxas de juro na economia americana, a queda dos preços das matérias primas e os planos de estimulo vão contribuir para a recuperação da economia ao longo do ano, o que irá ter um impacto positivo nos resultados das empresas. Se estiverem correctos, o S&P500 terminará 2009 nos 1.056 pontos, ainda assim 28% abaixo do valor que este índice apresentava no início de 2008.

E 35% abaixo do valor a que no início do ano passado os analistas acreditavam que o índice se iria situar no fecho de 2008. Desde o mínimo de 11 anos atingido a 20 de Novembro, o S&P 500 apreciou 24%, uma recuperação que também está a contribuir para a melhoria do sentimento dos investidores neste arranque de ano.

O ano passado, um dos piores de sempre para os mercados accionistas, serviu também para descredibilizar os analistas em 2008, que apontavam para uma subida de 11% no ano passado. O S&P500 desceu 38%.

"Se as políticas adoptadas forem as correctas, devemos encontrar o fundo e começar a recuperar. E se isso acontecer, então é a altura de comprar acções", afirmou à Bloomberg Binky Chadha, estratega do Deutsche Bank para os EUA, que antecipa uma valorização de 26% em 2009.


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Ricardo Salgado estima melhoria no sector financeiro em 2009

O sector financeiro já está a sofrer os efeitos negativos da crise financeira internacional há muito tempo e deverá entrar numa fase melhor em 2009, disse Ricardo Espírito Santo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo (BES), citado pela Reuters.

"O sector financeiro já está a ser impactado há bastante tempo, desde 2007, e acho que foram tomadas as medidas adequadas para os problemas serem resolvidos", disse o responsável, à margem da sessão de abertura do The Lisbon MBA Católica-Nova com MIT.

Ricardo sublinhou que acredita que o sector financeiro "vai passar por uma fase melhor em 2009".

Interrogado sobre se o BES iria usar os fundos públicos disponibilizados, adiantou: "o BES já comunicou em 2008 que o iria fazer, no momento oportuno".

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O JPMorgan acredita que os três maiores bancos nacionais cotados, o BCP, o BES e o BPI, vão necessitar de um máximo de 3,1 mil milhões de euros para fortalecerem os rácios de solvabilidade, sendo a instituição liderada por Carlos Santos Ferreira aquela que suscita maior preocupação ao banco de investimento norte-americano.

"Estamos preocupados com as posições de capital dos bancos portugueses, receando que não seja fortes o suficiente para lidarem com o actual ambiente" económico, referem os analistas Ignacio Cerezo e Andrea Unzueta, do JPMorgan, numa nota de "research" sectorial emitida hoje, a que o Negócios teve acesso.

O BES apresenta um "core tier 1" de 5,5%, o BCP de 6,1% e o BPI de 7%, segundo o banco de investimento. Nesta base, "advogamos uma recapitalização generalizada dos bancos portugueses", salienta.

O JPMorgan estima "as necessidades de capital em 850 milhões a 1,6 mil milhões de euros para o BCP, entre 850 milhões e 1,2 mil milhões para o BES e cerca de 350 milhões para o BPI".

Queda de 26% dos lucros ao ano até 2011

Na mesma nota de investimento, o JPMorgan efectuou um corte de 55% a 70% nas estimativas de resultados do BCP, BES e BPI. Assim, o banco norte-americano prevê uma quebra acentuada dos lucros das três instituições financeiras cotadas nacionais.

Antecipa uma descida média anual de 26% nos resultados líquidos agregados, entre 2008 e 2011, como reflexo do "anémico crescimento na concessão de crédito, queda na margem financeira e do aumento gradual do crédito malparado".

"Targets" descem e BCP com margem para cair

Com base neste cenário, os analistas Ignacio Cerezo e Andrea Unzuet reviram as avaliações atribuídas a cada um dos três bancos. As recomendações mantiveram-se, mas os "targets" caíram, sendo o BCP o único a apresentar potencial de queda face à cotação actual.

O novo preço-alvo para as acções do liderado por Carlos Santos Ferreira é de 0,71 euros, o que compara com os anteriores 1,25 euros, e a cotação actual de 0,81 euros. O BCP tem potencial para cair 12,35%, sendo "o menos preferido" do JPMorgan para quem os títulos "não incluem o provável aumento de capital".

A avaliação do BPI, "a nossa preferência", foi a que sofreu a maior redução, mas o "target" continua a conferir margem de progressão de 7,78% face ao novo preço-alvo de 3,70 euros. O BES, apresenta um potencial de subida de quase 30%, apesar do corte de 37,5% do "target" para 8,00 euros.

Banco "Target" "Target" anterior Var. Cotação Potencial Recomendação
BCP 0,71 € 1,25 € -43,2% 0,81 € -12,35% "Underweight"
BES 8,00 € 12,80 € -37,5% 6,17 € 29,66% Neutral
BPI 1,80 € 3,70 € -51,4% 1,67 € 7,78% Neutral