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The Snowball - Biografia de Warren Buffett

Iniciado por Paff, Janeiro 26, 2009, 19:53

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Paff

Este tópico ir-se-á dedicar, ao longo das próximas semanas, em resumir a recentemente (2008) publicada biografia de Warren Buffett.

Escrito por Alice Schroeder, "The Snowball - Warren Buffett and the business of life", é a verdadeira e autorizada biografia do lendário investidor.



A minha intenção é que à medida que eu próprio for lendo cada um dos capítulos, sendo que são 62 ao todo, todos os dias vá publicando um resumo pessoal dos mesmos. Julgo que assim mais fácilmente conseguirei ler toda a obra, uma vez que tem perto de 1000 páginas. De igual forma, os membros do fórum poderão continuar a sua tarefa diária de actualização de outros conhecimentos e informações, sem terem de dispender tanto tempo diário na leitura desta biografia.
O tópico ficará para já trancado, sendo que possibilitarei comentários apenas no final de cada uma das partes do livro. Este divide-se em 6.

Espero que possa ser uma experiência interessante para todos nós.

Paff

Paff

#1
PARTE 1 - THE BUBBLE

Capítulo 1 - The Less Flattering Version

Este é apenas um muito breve capítulo introdutório, onde a autora descreve o interior do escritório de Buffett. Ele encontra-se sentado, mãos atrás da cabeça, ao fundo, a televisão, sem som, ligada na CNBC e, em todo o lado, documentos, ícones, fotografias da família e garrafas de Coca-Cola.

Alice conheceu Buffett há mais de 6 anos, desde o tempo em que era uma analista que cobria a Berkshire Hathaway e, ao longo de centenas de horas nos próximos meses, iria perguntar todas as perguntas que nunca como antes nenhum jornalista tinha tido oportunidade... pelo menos com esta magnitude de abrangência e tempo.

Fixei uma frase desta introdução: "Whenever my version is different from somebody else's, Alice, use the less flattering version."

O próximo capítulo retracta, segunda a autora, uma das poucas vezes em que tal aconteceu.

Paff

#2
CAPÍTULO 2 – Sun Valley

Sun Valley é um local situado no estado do Idaho, na zona Noroeste dos EUA. Todos os anos, desde 1983, realiza-se aí uma conferência, no mês de Julho. As principais figuras empresariais norte-americanas deslocam-se aqui para discutirem as tendências da indústria. Buffett é um deles. Neste capítulo, está retratada uma das conferências realizadas em 1999, no zénite da bolha tecnológica.

Buffett, a convite do seu amigo e ex-CEO da Coca-Cola, foi um dos oradores que falou, naquela que foi a sua primeira intervenção, em cerca 30 anos, a efectuar uma previsão. Regra geral, Buffett prefere valorizar, e não prever. – "In the short run the market is a voting machine. In the long run, it's a weighting machine. Weight counts eventually."

Durante a sua intervenção, perante uma plateia dos principais e inchados CEO's das dotcoms, Warren profere um discurso altamente crítico, que apesar de arrancar alguns aplausos e sorrisos, não deixa de ser ouvido com notório constrangimento. Refere dois exemplos.

O primeiro, como que comparando o mar de dotcoms, com a industria automóvel do início do século XX. Nessa altura, quando essa indústria era um caso notável de inovação e crescimento, existiam perto de 2000 empresas. Hoje restam 3 (ou menos em 2009!), sendo que as mesmas cotavam-se frequentemente abaixo do book value. Ainda que o impacto da indústria automóvel tenha sido imenso para os EUA, do mesmo não se podem gabar os investidores. O powerpoint que a seguir apresentou soltou sorrisos por toda a sala.

População de cavalos em 1900 – 17 milhões
População de cavalos em 1998 – 5 milhões.
"Francamente acho uma pena que a família Buffett não tenha «shortado» cavalos ao longo de todo este período."

O exemplo seguinte foi o da indústria aérea, com resultados igualmente decepcionantes.

Sem nunca se ter referido a uma empresa em particular, mas sempre mencionando as indústrias, Buffett proferiu um discurso, que no final, apesar dos aplausos da praxe, deixou grande parte dos que assistiam, que estavam perante alguém que tinha perdido a oportunidade de investimento da década. O velho Warren estava a racionalizar, segundo alguns disseram.

Esta foi a versão menos lisonjeira.(1)


(1) Este capítulo contem uma anedota que não vou referir, para não estragar a surpresa a quem quiser ler.

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Capitulo 3 – Creatures of habit

Charlie Munger nasceu a 1 de Janeiro de 1924 e desde 1959 que é talvez o melhor amigo de Warren. As pessoas dizem que são gémeos, até porque a partir do momento em que se conheceram, não mais deixaram a mesma e interminável conversa.

Este 3º capítulo mostra-nos um dia no quotidiano de cada uma destas duas figuras, os exactos, repetidos e, na minha opinião, muito normais hábitos de cada um. Ainda assim são, na sua essência, pessoas diferentes e que se parecem completar. Munger, o didacta, é o tipo de pessoa mais recatada, homem de família, que prefere ser respeitado e francamente não se podia importar menos com o que demais pensam dele. Warren é mais expansivo, envolvido em inúmeras actividades ao mesmo tempo. Ao longo do capítulo fica visível o paralelismo da vida de ambos, a avidez pela informação, os pequenos hábitos e os horários repetitivos. Buffett refere que Charlie é a verdadeira criatura de hábitos, quando na verdade, talvez seja o hábito, a disciplina e a curiosidade constantes que mais os aproxima. (1)

(1) O hábito chega a tal ponto que desde 1978 a 2004, Astrid Menks, Susie Buffett e Warren formam um relacionamento triangular absolutamente público e inclusivamente incentivado por Susie. Após a sua morte em 2004, Astrid e Warren acabaram por se casar.


Nota do autor: Para quem quiser conhecer um pouco, ou bastante melhor, o pensamento destes dois homens ao longo das últimas décadas, poderá consultar as cartas anuais que ambos escrevem aos accionistas da Berkshire Hathaway, aqui.


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Capítulo 4 – Warren, whats wrong?

Este capítulo vem na sequência da reunião de Sun Valley. Buffett tinha discursado em terreno hostil, dando a impressão de ser um profeta da desgraça ou um pregador no deserto. Na realidade esse ano de 1999 correu-lhe bastante mal, bem, se quando comparado com o resto. O Nasdaq disparou neste ano, superando a barreira dos 4000 pontos, ao passo que a sua querida Berkshire tinha sofrido uma desvalorização acentuada em bolsa. Tal como a autora indica, os ganhos dos 5 anos anteriores haviam sido dizimados naquele fatídico ano.

Crítico após crítico, analistas e jornalistas apressavam-se a apontar o dedo a uma forma de investir ultrapassada, que obviamente havia perdido o barco tecnológico. "Warren, what's wrong" foi um dos artigos da revista Barron's que se perguntava porque havia Buffett perdido o toque de Midas.

Impassível, Buffett continuou de fora da corrida dotcom, repetindo que as coisas iriam virar, embora não soubesse exactamente quando. Tal como o seu pai lhe tinha ensinado, o mais importante não é o que o mundo pensa de nós, se somos os melhores quando na verdade sabemos que não.

Inner Scorecard, talvez traduzido neste caso em ideais e formas de actuar internas, vindas de dentro, é o que realmente faz a diferença. Podemos ser considerados medíocres, mas no final do dia, o que interessa é sabermos que conseguimos os melhores resultados.

Para Buffett, a bolha que se enchia era um caso notório do inverso da cartilha que ele sempre seguiu... o Outer Scorecard

FIM DA PARTE 1


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PARTE 2 - THE INNER SCORECARD

Capítulo 5 - The Urge to Preach

A segunda parte do livro começa precisamente com o lado mais biográfico de Buffett. O Inner Scorecard anteriormente abordado, é agora contextualizado através da história dos Buffett's, desde a sua chegada aos Estados Unidos.

De forma bastante breve é-nos mostrada a evolução genealógica da família, inicialmente constituida por camponeses, mais tarde por comerciantes, sendo que ao longo das várias gerações até aos pais de Warren, sempre se manteve o carácter de austeridade e de não complacência em relação ao dinheiro. "Save your credit, for that is better than money...", parece ser quase o mote condutor da família.

Um ponto comum a muitos dos seus familiares é a ligação religiosa e a necessidade de passar a palavra. Buffett julga que a sua natureza expansiva advém um pouco destes traços.

Buffett considera que muito do seu sucesso deriva da sorte, de ter nascido no momento certo no sitio certo, de ter ganho "a lotaria dos ovários" e de, acima de tudo, ter crescido contextualizado por um forte inner scorecard familiar.

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Capítulo 6 - The Bathtub Steeplechase

Os primeiros anos da década de 20 foram caracterizados por mercados financeiros vigorosos. Boa parte das pessoas estavam a virar-se para a bolsa e Howard Buffett, pai de Warren, era um deles. Em 1927 tornou-se um corretor no Union State Bank. Contudo, menos de 2 anos depois, a 29 de Outubro de 1929 o mercado resolveu cair 14 mil milhões de dólares em um dia apenas. A Grande Depressão tinha-se iniciado.

Foi neste cenário que em 30 de Agosto de 1930 nasceu Warren Edward Buffett.

Milhões e milhões foram para o desemprego. As filas à porta dos Bancos apenas cresciam e, um após o outro, ou fechava, ou simplesmente ignorava as suplicas de tantos que pretendiam reaver o que haviam poupado ao longo da vida. COmo é natural, Howard, agora desempregado, viu-se a braços com uma família de mulher e dois filhos, e teve de recorrer ao pai, merceeiro, por forma a sobreviver. Embora  beneficiando da sua ajuda, acabou por não voltar à loja, sendo que alguns meses depois, por incrível que possa parecer, fundou uma corretora com mais dois sócios.

Os anos que se seguiram ficaram caracterizados por um Howard com sucesso relativo, modesto (se bem que francamente acima do normal dado as condições paupérrimas da economia) e por Leila (mãe de Warren) num estado de raiva e angústia que impediram que Warren considere que teve uma mãe que lhe tenha dado amor. Assim, talvez tenha sido isto que acabou por lhe moldar o carácter, tornando introvertido e muito mais atento a objectos, que lhe davam a atenção que lhe faltou.

As invenções de brincadeiras e um relógio cronómetro que uma tia lhe ofereceu acabaram por dar origem ao incrementado gosto, primeiro pelo segundos e pelo tempo, depois pelos números. The Bathtub Steeplechase foi um dos jogos que Warren jogava insistente e repetitivamente, uma espécie de corrida, cronometrada, de berlindes ao longo de uma banheira cheia de água.

Segundo ele, talvez seja o momento mais antigo da sua vida em que se recorda de começar a prestar atenção ao números e às apostas, embora em algo tão simples como um berlinde.

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Capítulo 7 - Armistice Day


O sétimo capítulo retrata os primeiros anos da vida escolar de Buffett. O sua curiosidade pelos números tinha agora um campo onde melhor se podia desenvolver. Desde concursos de contas na escola, até ao fascínio que tinha por contar matriculas e coleccionar selos e tampas de garrafa, Warren procurava satisfazer constantemente esta paixão.

Por outro lado, a escola permitia-lhe estar longe de casa, onde a sua relação com a mãe era por vezes penosa. Como curiosidade, devido à sua precocidade matemática, conseguiu passar de ano, ou de matéria, mais cedo que a restante classe, apenas sendo acompanhado pelo seu amigo Bob Russell.

A música era outra das suas paixões, nomeadamente o trompete. À medida que foi aprendendo, acabou por ser tão razoável que foi convidado a tocar na cerimónia anual de celebração do Armistício que se realizava na sua escola. Embora não tocasse o solo, mas fizesse apenas parte do coro, ou eco, de trompete, Warren estava excitado e ansioso pelo grande momento. Contudo, quando no momento anterior à sua parte, o outro trompetista cometeu um erro na nota, deixando Warren paralisado. Deveria ele copiar o erro do primeiro trompetista ou tocar bem, e embaraçá-lo? Segundo ele conta, já não se lembra ao certo qual decisão tomou, ou sequer se alguém reparou nisso, contudo aprendeu, ainda que indirectamente, uma lição.

"It might seem easier to go trought life as the echo - but only until the other guy plays the wrong note."(1)

(1) Julgo que se trata de uma referência adaptável, ainda que muitos anos depois, ao mercado financeiro, e ao contentar-mo-nos em seguir índices em vez de estratégias pessoais bem delineadas.


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Capítulo 8 - A Thousand Ways

Aos seis anos de idade começou a saga do Buffett "máquina de fazer dinheiro".
Primeiro vendendo pastilhas elásticas, que comprava na mercearia do seu avô e depois revendia porta a porta; depois vendendo amendoins e pipocas nos estádios da cidade, Warren começou desde cedo a tentar alguma independência. Vivia-se uma época pós-depressiva, onde o medo de arriscar era a norma. Roosevelt (para mal dos pecados da família Buffett) ia-se recandidatar ao um terceiro mandato, e, ao contrário do seu pai, para o qual a política era tema numero um acima do dinheiro, para Warren o inverso era mais preemente.

"One Thousand ways to make 1000$" foi o primeiro livro que o fascinou. Com uma reluzente capa prateada, este livro demonstrava um conjunto de formas empreendedoras de se ganhar 1000 dólares. De entre maneiras mais curriqueiras, a que na altura despertou mais interesse a Warren foram as balanças. Ele achava que se tivesse uma se pesaria 50 vezes por dia, daí que os outros talvez pensassem igual. E se ele comprasse uma e colocasse uma a prestar este serviço. E se fossem 10! Segundo se recorda, terá sido das primeiras vezes que se apercebeu do poder da capitalização.

Além do livro, as idas constantes ao escritório de corretagem do pai, acrescidas de uma ida ao New York Stock Exchange, onde conheceu Sidney Weinberg, uma das altas figuras do Goldman Sachs, ajudaram a incrementar o seu entusiasmo pelos mercados.

Sendo assim, na Primavera de 1942 fez a sua primeira transacção nos mercados. Conjuntamente com a sua irmã, comprou 3 acções, por 114,75$ (38,25$ cada) do Cities Service Preferred (1). Por sinal uma acção famosa lá por casa, uma vez que tinha ouvido o seu pai falar dela repetidamente aos seus clientes. Em Junho as acções caíram até 27$. A sua irmã diáriamente o relembrava do dinheiro que estava a perder. Warren sentia-se responsável por isso. Assim, quando as accções subiram até 40$ ele apressou-se a vender conseguindo um lucro de 5$ para os dois. Pouco tempo depois as acções estavam a cotar a 202$!

3 importantes lições retirou desta primeira transacção:

1) Não prestar excessiva importância ao preço que tinha pago;

2) Não se apressar, sem a devida reflexão, em obter um pequeno lucro. Se tivesse esperado poderia ter ganho quase 500$. Quantas pipocas teria de vender agora!?

3) Cuidado quando se investe o dinheiro dos outros. Se perdemos, ficamos com alguém à perna. Talvez fosse preferível não ter essa responsabilidade enquanto ele não tivesse a certeza que poderia ter sucesso.

(1) Podem encontrar mais informação sobre esta empresa aqui.


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Capítulo 9 - Inky Fingers

Este capítulo, embora mais longo, pode ser retratado de forma bastante sumária.

Como já havia dito anteriormente, Howard, pai de Warren, era um ávido seguidor dos ideais republicanos, assim, quando a dada altura foi necessário alguém concorrer para o cargo de congressista, e ninguém queria desafiar o imcumbente democrata, Howard acabou por avançar. Como não é raro nestes casos, contra todas as expectativas, a começar pelas da sua própria família, o underdog acabou por ganhar.

Resumindo, Warren acabou por ter de mudar para Washington, e embora não se tenha adaptado numa primeira fase (acabando inclusive por retornar a Omaha, onde trabalhou para o seu avô), após esse período voltou a Washington, já mais determinado.

Aqui, e de acordo com o título do capítulo, trabalhou como paper boy nas ruas da capital, conquistando a pulso cada dólar até à meta a que se tinha proposto - algo que vinha também no título do livro que referi no capítulo anterior.

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Capítulo 10 -True Crime Stories

Quem diria que em 1943, com apenas 13 anos, Warren podia ser legitimamente considerado um deliquente. Notas escolares paupérrimas (mesmo a matemática), apoiadas em companhias duvidosas a redundarem em furtos. Embora sem intuitos de venda, Buffett dedicava-se frequentemente ao furto de bolas e tacos de golfe numa loja de desporto local, que acabavam empacotadas no armário do seu quarto.

Cada vez mais anti-social, em especial na escola, chegou ao ponto de ter aulas/lições ao estilo Hannibal Lecter, com papeis a serem-lhe distribuidos por baixo da porta de uma sala de aula vazia. Tinha-se chegado à conclusão que conseguia melhores resultados na proporção inversa do seu relacionamento com os professores. Aquando da sua graduação fincou pé, recusando-se a vestir o uniforme de gala. Naturalmente a comissão executiva da escola ameaçou-o de não aceitação da formatura. Foi então que o seu pai, de forma muito serena e perspicaz, interviu. Ou se começava a comportar de acordo com o seu potencial, ou, a sua principal fonte de receitas poderia secar instantaneamente, isto é, impediria o seu trabalho enquanto distribuidor de jornais e revistas.

Warren compreendeu a mensagem

Paff

Capítulo 11 - Pudgy She Was Not

Enquanto Warren prosseguia no seu duplo trabalho, entrega de jornais e de desestabilização familiar, o seu pai, Howard, lutava diáriamente contra os estigmas do Congresso.

Por si só já não era fácil ser um devoto republicano num mar de democratas, a começar no odiado FDR, como a sua própria personalidade independente o impedia de subir os degraus que a sua esposa tanto ambicionava. De facto, palmadinhas nas costas não eram o seu forte e a sua carreira estava a ressentir-se. Os EUA viviam um clima económico complicado, consequência do esforço de guerra e de um orçamento altamente deficitário. Howard sonhava com o regresso ao gold standard e receava que em breve a imagem do carrinho de mão cheio de notas se tornasse corriqueira. Já o havia sido na Alemanha dos anos 30 e veja-se no que tinha desembocado. A morte de Roosevelt (celebrada pela família Buffett) lançava alguma esperança, até porque para eles dificilmente Truman, ou já agora, qualquer outro, poderia ser pior que FDR.

Por seu turno, Warren tinha um novo hobbie/vício... a musculação. Incentivado pelos cartoons que mostravam que apenas os mais fortes e musculados conseguiam as raparigas mais atraentes, iniciou um programa de treinos rigoroso. As medições constantes apelavam ao seu gosto pelos números e aquilo não era para si muito entidiante, pelo contrário. Abbye "Pudgy" Stockton era a mais famosa culturista do mundo e, ao contrário das outras, de "pudgy"(1) nada tinha, deixando atrás de si um rasto de fãs babados. Warren era apenas mais um.

Infelizmente, tal como ele próprio disse "The Big Arms books didn't do me much good".

(1) Pudgy significa gorda e atarracada; grossa; cheia.





Paff

Capítulo 12 - Silent Sales

Aos 15 anos Warren já tinha acumulado uma pequena fortuna, cerca de $2000. Os vários negócios em que se metia, principalmente a distribuição de jornais tinham permitido que agora se desse ao luxo de comprar um pequena quinta de 6 hectares, a qual explorava à sociedade. Ele entrava com o dinheiro, o seu sócio entrava com o trabalho. O tipo de negócio que ele sempre gostou.

Contudo, uma parte da sua vida continuava a falhar... os relacionamentos. E por relacionamentos entenda-se não apenas o sexo oposto, mas grande parte dos seus colegas. Já com os adultos sentia-se mais confortável, com a excepção dos seus professores. Para os assustar, ao saber que muitos deles tinham investido as sua poupanças em acções da AT&T, chegou a "shortar" as mesmas e a apresentar os extractos aos professores. Warren não era fácil!

No entanto, no fundo, ele sempre quis que gostassem dele, e com a ajuda do livro "How to win friends and Influence people", de Dale Carnegie, começou a encetar um processo de mudança. Rule number one: Don't criticize, condemn or complain. E embora muito do que o livro apregoava não era de directa aplicação, e a não crítica ou a assunção do erro não fosse muitas vezes nada fácil, Buffett foi constatando que, face à anterior táctica de alienação geral, estes novos processos estavam a resultar. Com o passar do tempo tornou-se mais sociável, não propriamente popular, mas mais acessível. As qualidades de vendedor começaram a vir ao de cima.

Nos tempos de liceu já ganhava qualquer coisa como $175 por mês, mais do que os seus professores. A acumulação continuou, não só de dinheiro, mas sobretudo da sua aplicação. Novos negócios surgiram, desde a venda de bolas de golfe até à venda de selos de colecção. Mas, o seu melhor negócio estava para vir... a exploração de máquinas de pinball.

Através da sua melhoria de comunicabilidade, Warren ganhou contactos, nomeadamente de um dos barbeiros da cidade. Conseguiu então colocar uma máquina na barbearia, sendo que rápidamente os $25 de custo foram recuperados. O negócio expandiu-se e em breve 7 ou 8 barbearias já prestavam o nobre serviço de divertimento em tempo de espera. Máquinas que se pagavam umas às outras... o milagre do capital a trabalhar para o seu dono.

Estes negócios permitiram-lhe chegar, aos 16 anos de idade, à quantia de $5000 o que corresponde grosso modo, a preços correntes de 2007, a $53000. Nada mau Warren.

Paff

Capítulo 13 - The Rules of the Racetrack

A experiência e aplicação prática das regras de Dale Carnegie estavam a revelar-se uma aposta ganha. Aposta era de facto a palavra certa, nomeadamente apostas em corridas de cavalos.

Quando era pequeno, Warren e um amigo, passavam boa parte do tempo nas pistas de cavalos. Não a apostar, até porque não podiam, mas a arranjar maneira de retirar algum beneficio disso. Anos mais tarde, já em Washington, Buffett levou a experiência a outro nível, lendo dezenas de livros sobre apostas (que havia pedido ao pai, através do acesso privilegiado que este tinha à Biblioteca do Congresso). As apostas aliavam dois coisas que o atraiam particularmente: matemática e a possibilidade de ganhar com isso.

Os livros ensinaram-lhe técnicas e métodos de análise que incrementavam as sua possibilidades de sucesso, mas também continham algo bem menos matemático, e bem mais empírico, nomeadamente duas regras de ouro:

1 - Nobody ever goes home after the first race

2 - You don't have to make it back the way you lost it.

Na primeira vez em que se aventurou sozinho nas apostas, munido da sua técnica e estudo... perdeu. Começou por perder na primeira corrida e, é claro, prosseguiu. Prosseguiu de tal forma que após umas horas já tinha perdido $175. Ora, esta era a quantia que conseguia em média retirar do seu trabalho de distribuição, quantia essa que se tinha esvaído num abrir e fechar de olhos. O pouco que tinha no bolso permitiu-lhe comprar um sundae reforçado e algo mais, a memória de uma experiência que não podia ser repetida.

Um conjunto de regras que tinham sido quebradas, levando à última coisa que um apostador, ou mais tarde um investidor, deveria fazer... tomar decisões emocionais.

Paff

Capítulo 14 - The Elephant

Este capítulo retracta os primeiros anos de Warren na universidade. Com cerca de 16 anos tinha conseguido entrar na Wharton Business School, umas das principais, senão a principal escola de gestão dos E.U.A. Contudo esta foi uma experiência agridoce.

Por um lado, graças à sua memória prodigiosa, Buffett facilmente evoluía do ponto de vista académico. Lia os livros que tinha a ler mesmo antes do semestre começar e bastava-lhe ouvir os professores nas aulas para reter os conceitos. Isto acaba por lhe deixar muito tempo livre, quer para os seus negócios, quer para as partidas que continuava a pregar. Contudo, o ambiente envolvente não era o do liceu, e se aí se sentia desenquadrado, então neste ambiente mais adulto o que dizer!

A vida nocturna, os copos, as miúdas eram parte do dia-a-dia dum universitário prezado, e embora fosse tentando se inserir, o facto é que em nenhum destes campos se sentia completamente à vontade. Além de ser mais jovem do que a maioria, era, para a sua tenra idade de 16, mais imaturo do que os anos contavam.

O seu segundo ano, coincidiu com o periodo eleitoral do Congresso. O seu pai tentava a reeleição para o 4º mandato. O republicano Thomas F. Dewey competia com o fraco incumbente Harry Truman. Em ambos os casos se esperavam fáceis vitórias caseiras. De tal forma era a convicção que Warren resolveu "alugar" um elefante para o dia das eleições, que marcharia pelas ruas em comeoração da vitória de Howard. Seria uma reedição da entrada de Hanibal na Sardenha. Enfim, algo épico.

Épica foi também a derrota em ambas as frentes, e num período de 2 meses, toda a família Buffett estava de malas feitas para a terra natal - Omaha. Aproveitando a mudança, Warren pediu transferência para a Universidade do Nebraska. Estava farto de Philadelphia e esta acabava por ser uma oportunidade de poupar algum dinheiro extra.