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Estatização e formato da crise

Iniciado por zimermann, Março 08, 2009, 00:41

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zimermann

Estatização e formato da crise                            02/03/2009

A virtual estatização do Citigroup na semana passada marcou um novo divisor de águas na atual crise internacional. Um dos maiores bancos do mundo e símbolo do capitalismo norte-americano passou a receber ordens do Estado sobre o que pode ou não fazer.

Os EUA detêm agora 36% do Citi. O governo já fez o banco recuar da compra de um avião de US$ 50 milhões, limitou os salários e bônus da cúpula e agora exige a troca da diretoria. Se isso não é estatização, será preciso inventar um neologismo para explicar o que é então.

O Citigroup já recebeu US$ 45 bilhões em dinheiro público, e os 36% de participação estatal equivalem a apenas US$ 25 bilhões desse total. As injeções foram feitas via "preferred stocks" (ações preferenciais). Ao serem convertidas em ações comuns, elas dão direito a voto no banco. Ou seja, se precisar, o governo por aumentar ainda mais o controle com os US$ 20 bilhões restantes.

Estão na mesma situação os três outros maiores bancos dos EUA: Bank of America (que recebeu US$ 45 bilhões), JPMorganChase (US$ 25 bilhões) e Wells Fargo (US$ 25 bilhões), além de quase 200 outras pequenas e médias instituições.

Em todos esses casos, está aberta a opção de converter esses recursos, injetados via "preferred stocks", em ações ordinárias, com o Estado assumindo grande parte do controle.

Nesta semana será conhecido um dos números mais horrorosos dessa crise: o prejuízo, no último trimestre de 2008, da American International Group (AIG), a maior seguradora do mundo. A expectativa é de algo na ordem de US$ 60 bilhões (em um trimestre!), o dobro do que a combalida General Motors perdeu em 2008 inteiro.

Embora se fale muito em bancos e na falta de crédito, o caso da seguradora AIG é dramático e exemplar de como esta crise foi gestada. A empresa foi estatizada pelos EUA em setembro. De lá para cá, já recebeu US$ 150 bilhões e há mais US$ 30 bilhões a caminho.

Por trás da AIG, existem milhões de perdas potenciais armazenadas nas carteiras de centenas de bancos ao redor do mundo. Se ela quebrar, a situação atual, dramática, ficará muito pior.

No "boom" do mercado imobiliário nos EUA, a AIG se engajou em operações heterodoxas, como "emprestar", em troca de comissões, sua chancela "triple A" ("AAA") para papéis emitidos por bancos e lastreados em dívidas imobiliárias --que estão na raiz da atual crise e são a gênese dos ativos "tóxicos" que hoje entopem os bancos.

A classificação "AAA" facilitou a negociação de vários desses papéis no mercado, mas a AIG acabou se tornando responsável direta por grande parte das perdas que vieram depois.

A AIG também entrou fundo no mercado de "credit-default swaps" (CDS), instrumento financeiro exótico que funciona como uma espécie de seguro para perdas em investimentos que dão errado. Como os CDS não eram regulados pelas autoridades, a AIG não fez o que costuma fazer com os seguros contra incêndio ou roubo, por exemplo: provisões para eventuais perdas.

A empresa simplesmente vendia pesado CDS sem fazer as provisões que poderiam cobrir as perdas. Quando milhões de investidores em vários países do mundo perderam apostas e foram cobrar o seguro para suas aplicações da AIG, a empresa não tinha caixa suficiente para bancar os prejuízos.

Os socorros bilionários já repassados à AIG são vistos como a provável convicção, por parte do Tesouro dos EUA, de que a AIG simplesmente não pode quebrar.

Se não honrar os "credit-default swaps" de milhões de investidores em dezenas de países, o sistema financeiro global poderá sofrer um novo e mais devastador colapso.

*

A pergunta de 1 milhão de dólares agora é saber qual será o formato desta crise. A verdade é que ninguém sabe.

As opções: em V, com uma forte queda seguida de recuperação.
Em U, com queda e recessão prolongada antes da volta ao crescimento.
Ou em L, queda e crescimento medíocre por um longo tempo.

Essas são as três letras geralmente usadas para exemplificar graficamente os vários tipos de recessão.

Tomara que um Y não acabe ingressando nesse sinistro alfabeto.

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Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.Escreve às segundas-feiras.

E-mail: [email protected]

zimermann

O banco de investimentos americano Merrill Lynch suspendeu um operador em Londres por acumular nos últimos meses mais de US$ 400 milhões de perdas não reveladas, informa hoje o "Financial Times".

Segundo o jornal econômico, que cita como fonte pessoas "familiarizadas" ao caso, o banco está examinando meticulosamente os livros contábeis de Alexis Stenfors, um operador de mercados de divisas que trabalhava na capital britânica.

Stenfors foi suspenso por várias operações com moeda norueguesa e sueca que não foram bem, e após o Merrill Lynch entrar em contato com os reguladores financeiros do Reino Unido para chegar ao fundo do assunto, de acordo com o jornal.

Na sexta-feira, a entidade, que evitou a quebra no ano passado ao ser adquirida pelo Bank of America, disse ter descoberto certa "irregularidade" ao rever suas operações.
Em comunicado emitido em Londres, o banco explicou que já há executivos com experiência tratando do assunto e acrescentou que "os riscos de possíveis perdas estão controlados".

Também na sexta-feira, o jornal "The New York Times" informou que o Merrill Lynch poderia haver tido muitas perdas no comércio de divisas e de derivados creditícios em 2008.
As perdas não chamaram, no entanto, a atenção até depois que os investidores do Bank of America aprovaram a compra do Merrill Lynch por US$ 33 bilhões e este último pagou US$ 3,6 bilhões a seus executivos, afirmou o jornal nova-iorquino.

Segundo o "New York Times", que citava um executivo do Bank of America, há três semanas foi descoberto que um comerciante de divisas radicado em Londres tinha informado de lucro de US$ 120 milhões em suas operações, quando, na realidade, essas resultaram em perdas.

O jornal citava pelo nome Alexis Stenfors, de 38 anos, que disse ao "New York Times" que tudo tinha sido um mal-entendido.

MikeC

Não tenho nada contra à entrada do estado nos bancos, a grande questão é o facto de estarem a acontecer em camãra lenta, com o mercado a observar nacionalizações parciais quase todos os dias. A verdade é que poucos são os privados que se atrevem a investir em bancos nos dias de hoje, pelo que as acções dos bancos vão continuar a cair em queda até que a nacionalização tenha que ser total. Para grandes males grande remédios, enquanto não se mentalizarem que o sistema bancário faliu, nada poderá andar para a frente.
Atenção, não quer dizer com isto que eu acredite que todos os bancos devem ser nacionalizados devido a:
1. Há bancos que, com ou sem ajudas do estado, tem que falir por serem inviáveis no futuro;
2. Ainda existem bancos que não necessitam nem vão necessitar de ajuda, sendo esses aqueles que verdadeiramente devemos aplaudir.
Outro ponto a ter em conta é: até que ponto um país irresponsável como o nosso aguentará medidas como essas. Não desejo ver Portugal a criar mais tachos para os "boys", nem muito menos uma futura re-privatização corrupta dos bancos, género Rússia ou até mesmo Portugal á uns anos atrás.


Abraço,
Miguel Costa

zimermann

 


EUA deveriam deixar bancos e GM falirem, diz McCain


Os senadores republicanos John McCain e Richard Shelby disseram neste domingo que o governo do presidente Barack Obama deveria permitir que alguns dos grandes bancos americanos e a montadora General Motors (GM) declarassem falência.

Shelby, que faz parte da Comissão Bancária do Senado, afirmou à rede de televisão ABC que o governo deveria deixar os bancos fecharem.

"Permitam que parem de fazer negócios", ressaltou o republicano. "Se estão mortos, é preciso enterrá-los", acrescentou.

O senador pelo Alabama não disse quais bancos deveriam fechar, mas sugeriu que o Citigroup fosse incluído na lista, ao dizer que sempre tinha sido "problemático".

McCain, que perdeu as eleições presidenciais para Obama em novembro do ano passado, também defendeu o fechamento de bancos ineficientes em declarações ao canal de televisão Fox News.
O senador acusou o Departamento do Tesouro de evitar a "difícil decisão" de permitir que "esses bancos fracassem", mas não citou nomes concretos.

Sobre a GM, McCain disse que a falência seria a melhor coisa que poderia acontecer com a montadora, que poderia, dessa forma, emergir "mais forte, melhor e em uma versão mais reduzida".

Já Shelby afirmou que o governo deveria deixar de injetar fundos na empresa. "Os subsídios durante muito tempo nunca funcionam", criticou.

"Chrysler, Ford e GM estão em sérios problemas. Sugiro que recorram às leis de proteção por falência, é o que lhes cabe", destacou.