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Money Management e umas perguntas esquisitas

Iniciado por Mr. Turn, Maio 27, 2009, 11:28

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Mr. Turn

Se calhar este título do tópico é mais apelativo do que se eu pusesse o original que estava a pensar meter e que acabei por apagar porque senti que poucos iriam ler:

"Money Management e estabilização de resultados de performance"


Aplicar dinheiro nos mercados em maior ou menor quantidade não deveria depender do perfil de risco do investidor, como os Bancos gostam de abordar os seus clientes, mas exclusivamente do histórico de resultados de um sistema de trading ou conjunto de regras disciplinadas estabelecidas destinadas a comprar e vender, desde que se integrem num campo de fiabilidade de garantia de rentabilidades positivas comprovadas a prazo.

O Money Management deveria então procurar encontrar a relação mais optimizada em que por um lado impeça situações de catástrofe ou ruína da carteira, minimizando os grandes drawdowns e cortando a sua possibilidade de ocorrência restringida ao mínimo possível e maximizando os lucros que o sistema pode gerar a longo prazo, através da maior alavancagem introduzida possível.

O problema é que os resultados não seguem um padrão sequencial com uma equity line estável, isto é, a curva de capital de qualquer sistema normalmente segue um padrão de linhas quebradas que se afastam do ideal que seria uma semi-recta mais ou menos direccionada ascendente e poucas vezes interrompida.

Isto significa que a estabilidade dum sistema de trading nem sempre responde da melhor maneira aos solavancos que os mercados imprimem nas suas deambulações quase sempre imprevisíveis, respondendo umas vezes melhor e outras pior consoante os padrões de adaptação a que o sistema se encontra preparado para reagir.

Assim sendo, para aqueles que aplicam sistemas de trading nas suas decisões de compra e venda nos mercados, gostaria de saber como resolve cada um de vocês este paradigma da estabilidade dos resultados?!

Concretizando:
- Conformam-se com o que aparecer pela frente, usando sempre as mesmas regras? Sendo este o caso, quando vos aparece uma perda substancial pela frente reduzem o risco através da redução da alavancagem posterior?
- Usam indicadores diferentes para tipos de mercados diferenciados, por exemplo com volatilidades diferenciadas?
- Ou com identificações claras de tendências e lateralizações dominantes?
- Ou têm rotinas diferentes para responder com menos ou mais cautela respectivamente a escalas temporais em consonância e dissonância?
- Ou tudo isso vos é indiferente e toca a comprar o que quer que seja por feeling com o que estiver disponível e depois logo se vê consoante a disposição?!

Fica aqui a minha curiosidade para a forma como abordam os mercados, para quem gostar ou tiver pachorra de responder a um tema que normalmente poucos gostam de se pronunciar!



Turn



sergio2089

Citação de: Mr. Turn em Maio 27, 2009, 11:28
Se calhar este título do tópico é mais apelativo do que se eu pusesse o original que estava a pensar meter e que acabei por apagar porque senti que poucos iriam ler:

"Money Management e estabilização de resultados de performance"


Aplicar dinheiro nos mercados em maior ou menor quantidade não deveria depender do perfil de risco do investidor, como os Bancos gostam de abordar os seus clientes, mas exclusivamente do histórico de resultados de um sistema de trading ou conjunto de regras disciplinadas estabelecidas destinadas a comprar e vender, desde que se integrem num campo de fiabilidade de garantia de rentabilidades positivas comprovadas a prazo.

O Money Management deveria então procurar encontrar a relação mais optimizada em que por um lado impeça situações de catástrofe ou ruína da carteira, minimizando os grandes drawdowns e cortando a sua possibilidade de ocorrência restringida ao mínimo possível e maximizando os lucros que o sistema pode gerar a longo prazo, através da maior alavancagem introduzida possível.

O problema é que os resultados não seguem um padrão sequencial com uma equity line estável, isto é, a curva de capital de qualquer sistema normalmente segue um padrão de linhas quebradas que se afastam do ideal que seria uma semi-recta mais ou menos direccionada ascendente e poucas vezes interrompida.

Isto significa que a estabilidade dum sistema de trading nem sempre responde da melhor maneira aos solavancos que os mercados imprimem nas suas deambulações quase sempre imprevisíveis, respondendo umas vezes melhor e outras pior consoante os padrões de adaptação a que o sistema se encontra preparado para reagir.

Assim sendo, para aqueles que aplicam sistemas de trading nas suas decisões de compra e venda nos mercados, gostaria de saber como resolve cada um de vocês este paradigma da estabilidade dos resultados?!

Concretizando:
- Conformam-se com o que aparecer pela frente, usando sempre as mesmas regras? Sendo este o caso, quando vos aparece uma perda substancial pela frente reduzem o risco através da redução da alavancagem posterior?
- Usam indicadores diferentes para tipos de mercados diferenciados, por exemplo com volatilidades diferenciadas?
- Ou com identificações claras de tendências e lateralizações dominantes?
- Ou têm rotinas diferentes para responder com menos ou mais cautela respectivamente a escalas temporais em consonância e dissonância?
- Ou tudo isso vos é indiferente e toca a comprar o que quer que seja por feeling com o que estiver disponível e depois logo se vê consoante a disposição?!

Fica aqui a minha curiosidade para a forma como abordam os mercados, para quem gostar ou tiver pachorra de responder a um tema que normalmente poucos gostam de se pronunciar!



Turn



curioso este topico. apenas posso falar por mim. sei quanto entra sei quanto sai, o resto posso investir, tento encontrar potenciais mais valias o RSI em oversold, as vezes resulta as vezes entalo-me. mas nao estou sozinho.acho que acontece a todos... tento com que o resultado seja positivo. nao e facil e quanto maior a carteira maior as responsabilidades. tenho como norma ja a alguns anos utilizar cash que nao preciso ou seja e so para investimento. nao sei se isto vai ajudar alguem mas como desafiaste.... :D

Carrajola

No meu caso acabo por fazer uma "especie" de adaptação inconsciente ao risco, consoante acabei de sair de perdas "não dezejaveis" e avultadas ou estou no fim de um periodo bem sucedido. No fundo reduzo o risco nos extremos. Mas reconheço que este não é o modelo que teoricamente deveria usar, racionalmente falando deveria manter sempre o mesmo risco/alavancagem, o mesmo capital, stop mais ou menos identico, etc, isto para que as condições fossem sempre idênticas. Em tempos usei um sistema em que alterava as variaveis em cada entrada, ao ponto de ir reforçando e , entrando com mais ou menos capital à 2ª vez, etc. Conclui que recuperava muitas vezes mais depressa de perdas, mas invariavelmente o sistema acabava por terminar em perdas colossais e paralisantes.
:)

sergio2089

Citação de: Carrajola em Maio 28, 2009, 00:08
No meu caso acabo por fazer uma "especie" de adaptação inconsciente ao risco, consoante acabei de sair de perdas "não dezejaveis" e avultadas ou estou no fim de um periodo bem sucedido. No fundo reduzo o risco nos extremos. Mas reconheço que este não é o modelo que teoricamente deveria usar, racionalmente falando deveria manter sempre o mesmo risco/alavancagem, o mesmo capital, stop mais ou menos identico, etc, isto para que as condições fossem sempre idênticas. Em tempos usei um sistema em que alterava as variaveis em cada entrada, ao ponto de ir reforçando e , entrando com mais ou menos capital à 2ª vez, etc. Conclui que recuperava muitas vezes mais depressa de perdas, mas invariavelmente o sistema acabava por terminar em perdas colossais e paralisantes.
:)
tocaste num ponto que acho importante para todos, ALAVANCAGEM, sempre que uma pessoa se alavanca fa-lo a ganhar e a PERDER   . tentem nao fazer nada disto. os maiores tombos que dei foram alavancados. se trabalharem com 5 ou 10 mil euros devera ser o suficiente para nao apanhar ataques cardiacos. os 100 mil vem a seguir, ai a coisa muda bastante. mas isso e outro topico.. bons negocios, e nao se esquecam que a bolsa nao se vai embora, se falharam um bom negocio hoje, havera muitos outros pela frente.

fisher

Caro Turn

Bem vindo à liça.

Acho o tema  muito interessante de verdade, mas como sabemos não é do agrado da malta . 

Valia a pena ser bem debatido porque é a chave do sucesso.

Pode parecer muito simples mas na realidade  e na prática não é , porque estamos constantemente a violar as regras  e a fazer o inverso do que deve ser feito.

Vou só referir os aspectos mais importantes:

1-É de grande importância não investir mais de
10% do capital , como todos sabemos , mas na pratica não o fazemos.

2-Depois é de extrema importância estabelecer  o máximo a perder , ou o máximo a aguentar uma posição perdedora.  Se isto não for bem determinado conseguem-se grandes prejuízos.

Acho estas duas regras o suficiente para se ter grande sucesso. Parecem muito simples mas na prática não  são, como todos sabemos, pois todos os dias as violamos e perdemos. Vale a pena perder algum tempo a  compreendê-las.

Não sei se será boa ajuda ,mas para mim tenho que são a base do sucesso.

Cumprimentos e bons negócios
fisher

AJ

Alguém me recomenda um bom livro, ou outra fonte de informação, sobre boas práticas na gestão de poupanças e investimentos (money management) ?

O meu obrigado antecipado pelas vossas dicas
AJ

vset

 ;) Monsieur Reviravolta,

o problema é que a malta não usa (por várias razões) um sistema de trading.

Não usando, MM é por intuíção, normalmente errada.

Abraço!
Alto Trás-os-Montes

Antunes

#7
Citação de: Mr. Turn em Maio 27, 2009, 11:28
...

Concretizando:
- Conformam-se com o que aparecer pela frente, usando sempre as mesmas regras? Sendo este o caso, quando vos aparece uma perda substancial pela frente reduzem o risco através da redução da alavancagem posterior?
- Usam indicadores diferentes para tipos de mercados diferenciados, por exemplo com volatilidades diferenciadas?
- Ou com identificações claras de tendências e lateralizações dominantes?
- Ou têm rotinas diferentes para responder com menos ou mais cautela respectivamente a escalas temporais em consonância e dissonância?
- Ou tudo isso vos é indiferente e toca a comprar o que quer que seja por feeling com o que estiver disponível e depois logo se vê consoante a disposição?!

Fica aqui a minha curiosidade para a forma como abordam os mercados, para quem gostar ou tiver pachorra de responder a um tema que normalmente poucos gostam de se pronunciar!

Turn

Caro Mr. Turn,

É sempre um prazer lê-lo!

Eu não uso nenhum sistema de trading mas parece-me que a coisa (Money Management) deve ser sempre definida, quer se use sistemas ou massa cinzenta, pois caso contrário o perigo de falência é bem real.

Eu tenho a coisa definida de uma forma muito simples:

- Tenho 2 contas de trading: uma apenas para investimentos e outra para especulação pois há muito tempo que percebi serem 2 coisas completamente diferentes;
- Na minha conta de investimentos não existem limites pois o risco de algo correr mal nas empresas em que invisto é muito menor do que no mercado em geral. Assim, opto apenas por uma diversificação mínima de 2 títulos de 2 países diferentes;
- Já na minha conta de especulação o limite máximo é de 10 a 15% do património pois os sustos acontecem mais frequentemente.

Abraço,

Antunes
Cumprimentos,

Antunes

careca

Boas.

Tenho estado recentemente a ler sobre o assunto e as conclusões não são óbvias, muitos usam sistemas baseado no Kelly's Criterion, outros no Optimal F, outros numa percentagem fixa de capital, no entanto todos são unânimes em não ir além dos 10%, há conservadores que recomendam entre os 3% e os 7% do total do capital.

Neste link existe uns vídeos sobre o assunto ( muito pela rama, e o rapaz é um bocado cromito, mas dá para entrada )

http://www.yourtradingcoach.com/Videos-Money-Management/Money-Management-Videos-1.html

Deixo também o link para quem quiser ler o pdf do Sr. Ralph Vince, sobre a matemática do money management, onde explica as fórmulas, etc.

http://www.4shared.com/file/62195213/720e6fa8/MathematicsMoneyManagement.html

O problema das fórmulas é que há tantas variações que não me entendo com a certa e há critérios subjectivos a cada, geralmente associados ao risco, que é diferente para cada um.

Em suma, alguns pontos que retive:

1) Investir apenas entre 3% a 7% do capital
2) O risco que temos no trade terá de ser compensado com o dobro do proveito ( racio lucro / risco 2:1 )
3) Para contas com capital limitado ( sem alavancar ) o melhor é um plano mensal de reforço da conta
4) Num mês nunca perder mais que o reforço, se necessário e houver perda nesse mês, não negociar até repôr o capital ao nível anterior ou superior
5) Cuidado com o overtrading ( mais que 5 a 7 trades por mês, se fores swing trader, se fores intraday será outro o número )
6) PARAR de negociar ( desligar o Pc e ir beber café ) se pensarmos que:
  6.1) Tenho de entrar, tenho de estar dentro;
  6.2) Tenho que recuperar a perda do trade anterior
7) Como alguém já disse, a bolsa não acaba amanhã

O que vos parece? Conversa de vendedor? Há aqui alguma lógica?

Agradeço os vossos comentários

Bons trades.

tojo

Caro Mr Turn, é sempre um gosto ler os teus posts.

Eu uso sempre a regra:
"Ou com identificações claras de tendências e lateralizações dominantes?"

Identifico a tendencia e depois entro. Em mercados laterais não entro.

Saí de posições  longas em Junho 2007 e voltei a entrar curto em fev 2008 e por estupidez agora em Maio curto (foi por feeling, a querer antecipar-me ao mercado, quebrei a disciplina) pq o mercado nos gráficos diários estava bull, embora a tend de longo prazo cont bear (gráf semanal). Cont a achar que só lá para 2011/12 devo entrar longo com alguma segurança.

Qunato ao capital: 50% do patrimonio total, com entradas faseadas consoante a  posição é ganhadora!

Ps. Em Maio foi só 5% do capital que entrei perdendo 5% desses 5%.

Sujeito-me a estar 4 anos sem pescar nada, a deixar o mercado estabilizar.