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Fed alimenta ''bolha de ativos'', afirma Roubini

Iniciado por zimermann, Novembro 06, 2009, 23:30

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zimermann

Fed alimenta ''bolha de ativos'', afirma Roubini
Para economista, banco central americano está desestabilizando os mercados ao manter juro baixo

Dow Jones Newswires, NOVA YORK

O consumo, especialmente nos Estados Unidos, tem se mantido anêmico e o retorno ao crescimento visto no terceiro trimestre foi principalmente por causa das medidas de estímulo do governo, disse Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York. "Aquelas medidas podem continuar a impulsionar o crescimento até o início do próximo ano. Mas, a menos que o consumo seja revivido para assumir o lugar do governo nos gastos, os mercados estão enfrentando um crescente risco centrado na remoção das políticas monetárias de acomodação nos EUA e ao redor do mundo."

Uma retirada muito rápida dos estímulos provoca o risco de uma recessão de duplo mergulho, "como vimos no Japão ou nos Estados Unidos em 1937", disse Roubini. "Se levar muito tempo (para retirá-los), provoca o risco de criar um desastre fiscal e elevar a inflação."

Ao mesmo tempo, o Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos) está desestabilizando os mercados financeiros globais ao alimentar outra gigantesca bolha de ativos com a manutenção de sua taxa de juro próxima de zero. Ontem o BC americano manteve o juro entre zero e 0,25% (ler ao lado) e manteve a indicação de que o juro permanecerá em níveis baixos por um "período prolongado".

Ao longo deste ano, o dólar se moveu cada vez mais para o centro das operações de "carry trade". Com as taxas de juro em zero nos EUA, os investidores globais que buscam risco e altos retornos estão cada vez mais tomando empréstimos em dólar - moeda considerada de baixo risco - para investir em moedas com retorno mais alto e ativos, como ações, commodities e mercados emergentes. Essas transações pressionam o dólar, à medida que investidores vendem a moeda para investir em outros lugares.

A grande alta nas ações, commodities e outros ativos de risco é resultado da mesma transação, disse Roubini. E isso tem sido exacerbado não apenas pelo fato de o Fed manter seu juro próximo de zero, mas também pelas compras de títulos do Tesouro pelo banco central, para manter baixos não apenas os juros na parte curta da curva, mas também na longa, portanto, reduzindo a volatilidade. "Quando isso se desenrolar, vai ficar feio", disse Roubini. "Todos que estão vendidos em dólares vão tentar sair daquelas posições ao mesmo tempo e teremos uma debandada."

O dólar terá de se recuperar no final, disse o economista. O Fed, no final, vai parar de comprar a dívida do Tesouro e a possibilidade de taxas de juro mais altas vai aumentar tanto a volatilidade quanto o dólar.

FESTA

Roubini, que ficou famoso ao prever o colapso do mercado de moradia nos Estados Unidos e a crise de crédito, disse que a atual "festa" pode continuar por mais seis meses. Mas ela vai terminar mal, alertou, já que a alta nos preços dos ativos desde março é outra bolha criada por uma imensa liquidez global.

"A forte alta foi demais, muito rápida", disse Roubini na conferência Inside Commodities, na Bolsa de Nova York. "Se tivermos uma recuperação em V, então é justificada e os ativos podem subir mais. Mas acredito que teremos uma recuperação na forma de U, na qual aqueles ativos podem se mover de lado ou sofrer correção".

Quando o petróleo caiu de US$ 145 para US$ 30 por barril, os mercados estavam precificando uma depressão econômica. "Esse risco foi agora significativamente reduzido pelos gigantescos estímulos fiscais e políticas monetárias frouxas." Mesmo quando a crise de crédito começou a se revelar, foi o petróleo a US$ 145 no ano passado o ponto de virada que empurrou a economia global para recessão, disse Roubini.

Se os preços do petróleo continuarem a ser alimentados por um excesso de liquidez e especulação, o petróleo em US$ 100 pode ser "uma martelada na cabeça" da nascente recuperação global, alertou o economista.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091105/not_imp461370,0.php

zimermann

Geithner defende manutenção de estímulo econômico

REUTERS

ST ANDREWS, ESCÓCIA - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, afirmou que altas taxas de desemprego mostram que a recuperação econômica ainda está sob risco e que os governos precisam manter o programas de estímulo o quanto for necessário para assegurar o crescimento sustentado.

O secretário também manifestou ser contrário à proposta britânica de criação de um imposto sobre transações financeiras direcionado a criar um fundo de apoio para futuros períodos de estresse no sistema financeiro.

"Um imposto diário sobre transações financeiras não é algo que estamos preparados para apoiar", afirmou Geithner em entrevista a uma emissora de TV após reunião de líderes do G20.

Sobre os programas de estímulo, Geithner afirmou que "se colocarmos o pé no freio muito rapidamente vamos enfraquecer a economia e o sistema financeiro. O desemprego vai subir, mais empresas vão quebrar, o déficit orçamentário vai crescer e o custo final da crise será maior", disse ele em comunicado após o fim do encontro.

"Com o crescimento agora surgindo e as chamas no sistema financeiro apagando, o desafio está mudando. O primeiro estágio foi o resgate de emergência", disse Geithner.

"A próxima fase é catalizar a demanda privada e o investimento privado. Isso vai exigir continuação das políticas de apoio."


http://www.estadao.com.br/noticias/economia,geithner-defende-manutencao-de-estimulo-economico,462760,0.htm

zimermann

PPT
A Plunge Protection Team (PPT) ou "equipa de prevenção de quedas" é uma teoria que sustenta que instituições governamentais interferem com o comportamento dos mercados nos EUA, de forma a prevenirem e evitarem quedas violentas nos mercados de capitais, nomeadamente nos mercados accionistas.
Esta teoria costuma referir o Working Group on Financial Markets como sendo a entidade que funciona como PPT. O "Working Group" foi criado pela Ordem executiva 12631, assinada em 18 de Março de 1988 pelo Presidente Ronald Reagan. O "Working Group" foi criado como resposta ao acontecido no mercado em 19 de Outubro de 1987 ("Black Monday", Segunda-Feira negra).

O objectivo do "Working Group" é fornecer recomendações para soluções que permitam ao poder legislativo e ao sector privado "reforçar a integridade, eficiência, ordem, e competitividade dos mercados financeiros e manter a confiança dos investidores".

Existe o rumor, não confirmado, de que no passado o governo terá via este "Working Group", manipulado e estabilizado os mercados accionistas através de compras de futuros sobre índices.

É de notar que intervenções coordenadas por parte de entidades privadas (Crash de 1929) ou públicas (Japão na década de 90) possuem precedentes históricos conhecidos.


http://www.thinkfn.com/wikibolsa/PPT


egas

Citação de: zimermann em Novembro 19, 2009, 06:49
PPT
A Plunge Protection Team (PPT) ou "equipa de prevenção de quedas" é uma teoria que sustenta que instituições governamentais interferem com o comportamento dos mercados nos EUA, de forma a prevenirem e evitarem quedas violentas nos mercados de capitais, nomeadamente nos mercados accionistas.
Esta teoria costuma referir o Working Group on Financial Markets como sendo a entidade que funciona como PPT. O "Working Group" foi criado pela Ordem executiva 12631, assinada em 18 de Março de 1988 pelo Presidente Ronald Reagan. O "Working Group" foi criado como resposta ao acontecido no mercado em 19 de Outubro de 1987 ("Black Monday", Segunda-Feira negra).

O objectivo do "Working Group" é fornecer recomendações para soluções que permitam ao poder legislativo e ao sector privado "reforçar a integridade, eficiência, ordem, e competitividade dos mercados financeiros e manter a confiança dos investidores".

Existe o rumor, não confirmado, de que no passado o governo terá via este "Working Group", manipulado e estabilizado os mercados accionistas através de compras de futuros sobre índices.

É de notar que intervenções coordenadas por parte de entidades privadas (Crash de 1929) ou públicas (Japão na década de 90) possuem precedentes históricos conhecidos.


http://www.thinkfn.com/wikibolsa/PPT


tambem concordo que tem que haver um grupo ou instituiccao que controla varios aspectos da economia e quando alguma coisa esta mal eles dao o alerta, ai da-se o sinal de sair do mercado e inicio de uma crise com o massacrar de informaccao negativa ;D

zimermann



Como funciona a emissão de dolares e como é controlada?


Neste tempo de crise,no qual se fala muito sobre os pacotes econômicos americanos,é preciso entender um pouco melhor o controle de emissão de notas nos EUA..
Alguem sabe como funciona o controle de emissão de notas ?
Se existe um orgão Internacional que fiscaliza isso e como funciona ?
http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/fed.htm

O dólar não é lastreado (e não rastreado, hehe) desde 1970 (ou 1971), quando Nixon deu fim ao padrão-ouro. A garantia do valor do dólar americano é a credibilidade do governo dos EUA.

A chance de haver uma hiperinflação é pequena, já que estamos numa situação anômala, onde um mero aumento da base monetária não implica um aumento na oferta de moeda.

Quem emite as notas nos EUA é um banco privado chamado Federal Reserve ( FED ), ele emite e empresta aos EUA os dolares com juros, assim a inflação fica controlada.
ps: Nao estou maluco, é sim um grupo privado que é dono do FED que emite as notas, os donos são pessoas tradicionais e muito poderosas como a familia Rockefeller...

Pelo que eu sei o controle da circulação normal do dinheiro é do FED, com ele respeitando os numeros da inflação, funcionando como o Banco Central mesmo....mas em casos especiais o governo americano vai no FED pedir emprestimos, como fez nas grandes guerras...tem varios relatos inclusive que mostram que os EUA se jogaram nas duas guerras porque vontade dos donos do FED...longa historia..recomendo que veja o filme Zeitgeist , http://video.google.com/videoplay?docid=-2996112039116116532#  só procurar o site no google , no site oficial tem link pro google video já com legendas em portugues, a terceira parte do filme mostra como funciona o sistema financeiro americano, como o Fed foi criado, e o que eles já fizeram de bem e de mal para o mundo...

Está certo que o documentario deve ser filtrado porém, atualmente os fatos do passado se repetem,tais como:
Familia Bush personagem principal desde o Avô no FED
A crise de hoje é semelhante com os OBJETIVOS da crise de 29(varias instituições falindo e sendo compradas a preço de banana).
Guerras.
Quando vejo estes documentario sinto-me um idiota, porque ao que parece isso nunca vai mudar.

Enquanto escrevia o post fui ler a definição de FED na Wiki (  http://pt.wikipedia.org/wiki/Federal_reserve  ), acho que ela esclarece um pouco essa dúvida. Eles falam que  ele foi criado por uma visão privada, mas hoje ele tenta equilibrar a função pública-privada.

Convido os amigos do Clubeinvest a postarem seus conhecimentos a respeito do assunto que comanda o Jogo das Bolsas.
Grato.
Zimermann

Gekko

#5
Gostei de ler, parece ser esse um dos motivos para a subida acentuada das bolsas em tão pouco tempo.

Acho que a partir de agora as coisas vão ser mais complicadas, os mercados já recuperaram 50% da desvalorização, não estou a referir o mercado brasileiro, esse recuperou muito mais.

Em 1930 recuperaram 54% da queda de 1929 e depois desceram mais dois anos e demoraram 25 anos a voltar a máximos.

Seria bom para todos que isso não sucedesse mas como disse  Jesse Livermore:

«Não há nada de novo em Wall Street ou no mercado de especulação. O que  aconteceu no passado irá acontecer novamente, e novamente, e novamente. Isto porque a natureza humana não muda, e é humano a emoção que sempre fica no caminho da inteligência humana. Disso tenho a certeza.»

Para já, o comportamento do mercado tem sido semelhante com a crise 1929, mas tudo pode acontecer.
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Gekko

Tenho recebido alguns cartoons engraçados, vou deixar mais alguns.
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

zimermann

28/11/2009 - 18h01
Auditoria no Fed prejudicaria perspectivas de retomada, diz Bernanke
da Reuters, em Washington

O presidente do Federal Reserve (o BC dos EUA), Ben Bernanke, afirmou na sexta-feira que as propostas do Congresso para auditar o Fed e retirar do banco central norte-americano poderes regulatórios como parte das reformas pós-crise poderiam prejudicar as perspectivas para a recuperação econômica e a estabilidade financeira.

"Essas medidas estão muito fora do consenso global sobre o papel apropriado dos bancos centrais e elas enfraqueceriam seriamente as perspectivas para a estabilidade econômica e financeira nos Estados Unidos", escreveu Bernanke em um artigo publicado no site do "Washington Post".

A publicação incomum de um artigo de um presidente do Fed vem pouco antes de Bernanke passar por uma sabatina em comitê do Senado para confirmar sua indicação para um segundo período de quatro anos à frente do banco central norte-americano e responde a uma série de medidas do Congresso que podem diminuir o papel do banco.

Os parlamentares estão irritados com o Fed devido aos seus pacotes de emergência para instituições financeiras e à sua incapacidade de prevenir o contágio de inadimplências em hipotecas que abalou o sistema financeiro.

Uma proposta de auditoria das deliberações de política monetária do Fed foi aprovada pelo comitê recentemente apesar das objeções do presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados, Barney Frank.

O colega de Senado de Frank, o presidente do Comitê Bancário, Christopher Dodd, é o autor de uma proposta para reduzir o papel do Fed à apenas a decisão de estabelecer as taxas básicas de juros.

Em seu artigo, Bernanke reconheceu que o Fed não percebeu o comportamento de alto risco de instituições financeiras que levou à crise. Mas ele disse que o Fed tinha ajudado a evitar uma depressão econômica ainda mais profunda e aumentou as suas ações sobre o sistema financeiro.

"O Fed teve um grande papel em controlar a crise, e nós deveríamos estar buscando preservar, não degradar, a capacidade da instituição de garantir a estabilidade financeira e de promover a recuperação econômica sem inflação", disse ele.

berrio

Citação de: zimermann em Novembro 22, 2009, 23:14


Como funciona a emissão de dolares e como é controlada?


Neste tempo de crise,no qual se fala muito sobre os pacotes econômicos americanos,é preciso entender um pouco melhor o controle de emissão de notas nos EUA..
Alguem sabe como funciona o controle de emissão de notas ?
Se existe um orgão Internacional que fiscaliza isso e como funciona ?
http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/fed.htm

O dólar não é lastreado (e não rastreado, hehe) desde 1970 (ou 1971), quando Nixon deu fim ao padrão-ouro. A garantia do valor do dólar americano é a credibilidade do governo dos EUA.

A chance de haver uma hiperinflação é pequena, já que estamos numa situação anômala, onde um mero aumento da base monetária não implica um aumento na oferta de moeda.

Quem emite as notas nos EUA é um banco privado chamado Federal Reserve ( FED ), ele emite e empresta aos EUA os dolares com juros, assim a inflação fica controlada.
ps: Nao estou maluco, é sim um grupo privado que é dono do FED que emite as notas, os donos são pessoas tradicionais e muito poderosas como a familia Rockefeller...

Pelo que eu sei o controle da circulação normal do dinheiro é do FED, com ele respeitando os numeros da inflação, funcionando como o Banco Central mesmo....mas em casos especiais o governo americano vai no FED pedir emprestimos, como fez nas grandes guerras...tem varios relatos inclusive que mostram que os EUA se jogaram nas duas guerras porque vontade dos donos do FED...longa historia..recomendo que veja o filme Zeitgeist , http://video.google.com/videoplay?docid=-2996112039116116532#  só procurar o site no google , no site oficial tem link pro google video já com legendas em portugues, a terceira parte do filme mostra como funciona o sistema financeiro americano, como o Fed foi criado, e o que eles já fizeram de bem e de mal para o mundo...

Está certo que o documentario deve ser filtrado porém, atualmente os fatos do passado se repetem,tais como:
Familia Bush personagem principal desde o Avô no FED
A crise de hoje é semelhante com os OBJETIVOS da crise de 29(varias instituições falindo e sendo compradas a preço de banana).
Guerras.
Quando vejo estes documentario sinto-me um idiota, porque ao que parece isso nunca vai mudar.

Enquanto escrevia o post fui ler a definição de FED na Wiki (  http://pt.wikipedia.org/wiki/Federal_reserve  ), acho que ela esclarece um pouco essa dúvida. Eles falam que  ele foi criado por uma visão privada, mas hoje ele tenta equilibrar a função pública-privada.


A Fed não foi criada com uma visão puramente privada, e muito menos é um Banco Privado. Alias, se formos técnicos, "a Fed", não é um banco central, é um sistema: Sistema de Reserva Federal.

Para entender a Fed, é preciso entender os EUA, sociológica e historicamente. Estamos a falar de um povo profundamente desconfiado de "poderes centrais", sejam eles públicos ou privados. É por isso que nascem e, curiosamente, as acções do Bank of England, no sec. XVIII foram um dos factores para a Guerra da Independência.

Os EUA têm 4 experiências antes da Fed: Bank of North America, First Bank of United States, Second Bank of United States, e o sistema sem Banco Central, que termina com a panico bancário de 1907 (que não chega a ser uma crise bancária devido a um senhor: John Piermont Morgan).

Então o que raio é a Fed? Uma parceria público-privada, e é composta por 3 orgãos: Board of Governors, Federal Open Market Comittee (FMOC) e Regional Federal Banks.

A única parte privada aqui são os Regional Federal Banks, que têm os bancos como accionistas, que podem nomear o Governador Regional. No entanto, os Regional Fed Banks não têm poder regulatório: apenas aplicam o que vem de cima.

O poder de decisão real está no Board of Governors e no FOMC. O Board é nomeado exclusivamente pelo Presidente (são 7 membros, incluindo o Chairman) que têm de ser confirmados pelo Senado, para mandatos que podem ir até aos 14 anos. É o órgão executivo de gestão do Banco Central, supervisão e é independente dos órgãos executivos (Presidência), sendo no entanto obrigado a responder perante o Senado e a Casa dos Representantes (e é sempre giro ver o Congressista Ron Paul a chatear Bernanke ;)).

A FOMC regula as taxas de juro, basicamente. São 12 membros: os 7 membros do Board + 5 membros indicados pelos 12 Regional Banks (logo, a maioria é de nomeação pública). São eles que decidem qual a taxa Fed Funds, entre outras coisas menores.

Portanto, a Fed não é um Banco Privado, é uma parceria público-privada, com o órgão executivo dominado totalmente pelo lado público.

Como funciona a emissão de USD? Sem padrão ouro, o USD é uma moeda fiat, apoiada pela fé e confiança no Governo dos EUA. Ou seja, é uma "moeda elástica", e quem decide isso é o FOMC. Alias, ele decide a taxa de juro, mas manipulando a taxa de juro, manipula indirectamente a base monetária (reservas de bancos, M0) e, por via do multiplicador monetário (H), a moeda em circulação na economia (M1, M2 e M3).

A Fed não empresta dinheiro ao Tesouro dos EUA. Ou melhor, não é assim tão simples ou directo ;)

A Fed controla a massa monetária em circulação. E tem receitas da seguinte forma: Está a emitir um activo (nota) que no limite é dívida de curtíssimo prazo, sem juros. Quanto mais emite, mais inflação tem. Mas, como não paga juros, a inflação age como um "imposto" - a que se dá um nome de senhoriagem. Mas isto não reverte para o Tesouro (esta é uma das razões para a independência dos bancos centrais: os governos tinham incentivos - este era um deles - para correrem inflação).

Quem empresta dinheiro ao Tesouro é o mercado de obrigações: no caso, o mercado de obrigações do tesouro dos EUA é um dos mercados mais líquidos do planeta!

Agora, pode a Fed emprestar dinheiro ao Tesouro? Pode, mas não o faz directamente. Monetiza a dívida: o Tesouro pede emprestado e emite obrigações, a Fed emite moeda e compra as obrigações a quem comprou ao Tesouro. Voilá!

E como o post já vai longo... por aqui me fico...

Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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Antunes

#9
Citação de: berrio em Dezembro 03, 2009, 15:17
...

A Fed controla a massa monetária em circulação. E tem receitas da seguinte forma: Está a emitir um activo (nota) que no limite é dívida de curtíssimo prazo, sem juros. Quanto mais emite, mais inflação tem. Mas, como não paga juros, a inflação age como um "imposto" - a que se dá um nome de senhoriagem. Mas isto não reverte para o Tesouro (esta é uma das razões para a independência dos bancos centrais: os governos tinham incentivos - este era um deles - para correrem inflação).

...

Caro Berrio,

Isso da inflação aumentar sempre que há um aumento da moeda em circulação nem sempre é verdade pois as coisas não são assim tão lineares nem simples. Não o foram no Japão nos últimos anos e não o estão a ser agora nos EUA (apesar de quase toda a gente pensar que o Ouro sobe por causa disso).

Vamos ao factos. Desde o 2º semestre do ano passado, a FED mais do que duplicou a massa monetária (tiveram de comprar mais impressoras e pô-las a trabalhar 24 horas * 7 dias por semana) mas inflação nem vê-la: o CPI anual (entre Julho 2008 e Julho 2009) está nos -2.1%!?   :o

Isso acontece porque a FED está a lutar contra gigantescas forças deflacionistas, nomeadamente o rebentamento de 2 enormes bolhas e as suas inevitáveis consequências. A brutal desalavancagem do sector privado (institucional e particular) é uma delas.

Estando o sector privado a desalavancar, os bancos têm vindo a diminuir os empréstimos concedidos e a aumentar as suas reservas na FED e isso faz com que tenhamos deflação e não inflação pois essa parte da massa monetária não está em circulação (a massa monetária é dinheiro + reservas dos bancos na FED)...

Antunes  
Cumprimentos,

Antunes

berrio

#10
Eu estava a responder latu sensu, em condições normais.

Mas, já que desafias:
Expansão da massa monetária por um banco central só cria inflação se e só se estivermos perante um "multiplicador monetário" normal e funcional.

Na ausência disso, como é o caso, não tens inflação "monetária".

Para quem não percebeu:
Quando um banco central tenta expandir a massa monetária, ele basicamente credita a conta de reservas (normalmente, por contrapartida de Obrigações do Tesouro que vai comprar aos bancos).

Em condições normais, os bancos pegam neste dinheiro e vão empresta-lo pela economia, aka, colocar as reservas em circulação. Este processo - de reservas para moeda em circulação na posse do "público" - é medido pelo "multiplicador monetário": quanto maior, maior a alavanca de expansão da moeda.

Em condições normais ele é maior ou igual a 1. Neste momento é próximo do nulo. E é por isso que, neste momento, não tens inflação "monetária", pela impressão da Fed: as reservas não saiem dos bancos.

A razão é simples: entre a ameaça de maiores exigências de capital e de perdas escondidas (it's not over, favor olhar para Comercial Real Estate, entre outras coisas), os bancos estão reticentes em deixar aquela almofada oferecida.

Logo, não tens expansão dos agregados monetários até os bancos recuperarem. E como estás numa espiral "divida-deflação de activos", o indice de preços acaba negativo.

Mas quando disse "os governos têm incentivos em correr inflação", estava a falar em condições normais: com um multiplicador monetário operacional e funcional. O que, neste momento, não é o caso. Excessiva simplificação minha, I guess ;)
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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berrio

Citação de: Antunes em Dezembro 04, 2009, 12:38
Não o foram no Japão nos últimos anos e não o estão a ser agora nos EUA (apesar de quase toda a gente pensar que o Ouro sobe por causa disso).


Quanto a isto: voltamos à origem do topic: o maior carry trade neste momento no mundo: short USD, long qualquer activo que transaccione em mercado ;)
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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Antunes

Alias, um "carry trade" que está a ficar muito mas muito perigoso pois quando sabes o que cada vez mais gente sabe (o crescente n.º de especuladores no "carry trade" short USD), não sabes nada...  ;)

Bom fim-de-semana,

Antunes
Cumprimentos,

Antunes

cyborg

boa noite a todos

Só para deixar a minha opinião em relação ao assunto...

Depois de pensar bem na matéria cheguei a uma simples conclusão : A LIQUIDEZ NÃO ADVEM DE MAIOR MASSA MONETÁRIA EM CIRCULAÇÃO , ADVEM DA CONFIANÇA , que adianta os bancos centrais imprimirem notas se depois os bancos a quem emprestam esse dinheiro o vão reter devido a falta de confiança , necessidades próprias , preocupação com futuro e assim não chegando á ecónomia real...

um abraço
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