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Ribeiro da Silva: EUA principais culpados por crise do petróleo

Iniciado por notiCIas, Maio 03, 2006, 18:59

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Ribeiro da Silva: EUA principais culpados por crise do petróleo


O ex-secretário de Estado da Energia Nuno Ribeiro da Silva considerou hoje que o mundo está com a «biqueira da bota» num novo choque petrolífero, enquanto Portugal está lá «com um pé» inteiro. Embora sem comparar este com os choques registados nos anos 70, o especialista vê com pessimismo a evolução dos mercados petrolíferos e acusa os EUA de serem os principais responsáveis pela situação.



Independentemente da conjuntura geoestratégica e das crescentes tensões internacionais, nomeadamente da crise em torno do programa nuclear do Irão, que com cada novo desenvolvimento faz «saltar» os preços nos mercados, o especialista defende que são os Estados Unidos a principal causa da crise petrolífera.
«Devia haver uma opção a nível do G-7 (Grupo dos sete países mais desenvolvidos) para dar um sinal político aos Estados Unidos de que são eles a base do problema que se está a atravessar», disse ao Diário Digital Ribeiro da Silva.

O especialista aponta aos EUA um consumo de petróleo elevadíssimo, associado a uma forte ineficácia tecnológica – nomeadamente a nível da indústria automóvel - e a preços baixos. «Bush não dá sinais para evitar o desbaratamento no país», afirmou, acrescentando que, além de todas aquelas variáveis, a Administração ainda decidiu há poucos dias reforçar as respectivas reservas de crude para seis anos.

«Significa que é um ano e meio o mundo a produzir para a América», disse.

Os EUA têm 5% da população mundial e consomem 25% do petróleo, com cada norte-americano a consumir 8 toneladas equivalente de petróleo por ano, duas vezes mais que os europeus. Em contrapartida, a China e a Índia juntos – que têm metade da população do planeta – consomem cerca de 11% do crude, ou seja, meia tonelada equivalente por ano por pessoa, sublinha.

Quanto às repercussões da crise ou do choque petrolífero iminente, Ribeiro da Silva considera que, embora tenha consequências pesadas para a Europa, esta será particularmente sentida em Portugal, onde existe um gravíssimo problema de equilíbrio orçamental, com as empresas pouco capitalizadas e as famílias endividadas.

O especialista aponta, assim, o efeito em cascata de uma alta dos preços do crude, com implicações no disparar da inflação, queda no investimento, subida das taxas de juro, aumento de desemprego e do endividamento, diminuição das receitas fiscais e agravamento do défice comercial, entre outros efeitos.

Dois dias depois de o presidente da Bolívia ter anunciado a nacionalização do sector energético - que inclui o negócio de petróleo e de gás natural -, Ribeiro da Silva considerou que esta é «mais uma acha para a fogueira», embora sem efeitos importantes sobre outros países produtores de petróleo.

«A maior parte dos países produtores têm hoje mecanismos de controlo sobre os seus recursos hidrocarbonetos e nos anos 70 aprenderam que estes actos voluntaristas e eivados de um certo populismo político têm custos grandes», afirmou.

Face à constatação de cada vez mais nos países produtores de crude prevalecerem a instabilidade, a anarquia, caos, corrupção e líderes políticos imprevisíveis, Ribeiro da Silva afirma: «parece que há um fado do petróleo, tipo beijo da mulher-aranha», que onde há petróleo haja aqueles ingredientes todos.

Se a Nigéria, Angola, Gabão, Líbia, Argélia e outros «entrassem na linha» poderia «haver condições de redução dos preços daqui a uns anos, mas não estou a ver condições para um desagravamento», disse.

Para Ribeiro da Silva, as energias renováveis serão cada vez mais a resposta no futuro, mas inexoravelmente «com custos cada vez mais elevados».

03-05-2006 17:06:04

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