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Como Investir no Brasil?

Iniciado por Diogo Castro, Agosto 20, 2010, 03:32

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Diogo Castro

Como Investir no Brasil?

Nos últimos tempos já tenho recebido algumas mensagens de membros a perguntar como podem investir no mercado Brasileiro, mas ontem depois de ter dado destaque a um video da CNBC com um comentário Bullish sobre o Brasil recebi 8 emails com a mesma pergunta, pelo que para facilitar resolvi publicar este pequeno artigo.

Não irei abordar os Fundamentais do Mercado Brasileiro, trata-se de uma economia que tem vindo a crescer bastante nos últimos anos, que continua com muito potencial e catalizadores «in-play», e sobre a qual continuo a ter um feedback bastante positivo de médio-longo prazo independentemente do que se possa passar no curto prazo.

No curto prazo vê-mos quase sempre o mercado Brasileiro a acompanhar os principais movimentos dos mercados Globais, por exemplo caiu bastante entre 2000 e 2002, subiu bastante entre 2003 e 2007, caiu bastante em 2008 e subiu bastante em 2009, aliás como quase todos os mercados mundiais. No entanto, filtrando o que chamo «ruído de curto prazo», o seu comportamento tem vindo a ser muito diferente em termos de longo prazo, e neste contexto acho interessante fazer-se esta comparação:

Bovespa, S&P500 e PSI20, Gráficos desde 2000 (candlesticks mensais)

Gráfico produzido com MetaStock™, software de Análise Técnica Profissional.

Um investidor que tivesse investido 100.000€ no Brasil em Janeiro de 2000 teria-os transformado em  490.000€, ao mesmo tempo que se tivesse investido a mesma quantia no mercado Americano a sua carteira valeria agora só 77.000€ e no mercado Nacional apenas 61.000€. Estas contas dão que pensar e pelo menos no mundo Ocidental nos últimos 10 anos a velha frase de que «a bolsa é sempre rentável no longo prazo» terá sido talvez menos citada do que na década de anterior (sobre esta temática recomendo a leitura de um artigo escrito no ano 2000 pelo Pedro Miranda e exactamente sobre esse tema: «Será que a Bolsa é tão rentável no longo prazo como se pensa?»).

Mas deixando as introduções e indo directamente ao que interessa:

- Como Investir no Mercado Brasileiro?

Obviamente que este artigo se destina a leitores Portugueses e não residentes no Brasil, já que os leitores Brasileiros podem facilmente abrir uma conta num Banco ou Corretora do Brasil onde terão a possibilidade de negociação no seu mercado e acesso a centenas de empresas cotadas no Brasil.

Já para os Portugueses é diferente, a maior parte das corretoras Brasileiras, pelo menos online, pedem sempre o CPF (o equivalente ao nosso número de contribuinte) no acto de registo assim como uma morada no Brasil, inviabilizando o processo de abertura de conta. Face a esta situação é para já inviável à maior parte dos investidores Portugueses investir directamente na Bolsa de São Paulo, no entanto existem algumas alternativas:

1 ) Fundos de Investimento.
2 ) ETFs sobre o mercado Brasileiro cotados nos Estados Unidos.
3 ) Acções ADR de empresas Brasileiras cotadas nos Estados Unidos.

1 ) Fundos de Investimento.

Apesar de serem provavelmente a forma mais popular de um investidor Português estar exposto ao Brasil, eu pessoalmente risco desde já esta alternativa, os Fundos de Investimento tem genericamente comissões altas de gestão, subscrição e resgate, para não falar na sua performance que na maior parte das vezes fica abaixo do índice de referência (Bovespa).

2 ) ETFs sobre o mercado Brasileiro cotados nos Estados Unidos.

Esta é para mim a forma mais fácil de expor uma carteira ao mercado Brasileiro e é uma melhor alternativa a quem equaciona subscrever um fundo de investimento tradicional.
Um ETF (Exchange-Traded Fund) é uma espécie de fundo de investimento só que tem características diferentes, é cotado em bolsa e pode ser facilmente negociado como uma acção, tem custos associados muito mais baixos do que os fundos de investimento e genericamente fazem o tracking do activo subjacente sem discrepâncias. A vantagem é que através de qualquer corretora ou banco nacional que dê acesso ao mercado Americano é possível ao investidor posicionar-se nestes activos, basta apenas saber o «ticker», embora seja mais vantajoso sempre usar uma corretora Americana (mas isso é outro assunto que poderei desenvolver noutro artigo).

Embora não exista um ETF que replique o Bovespa, existem já alguns ETFs sobre o mercado Brasileiro, dos quais destaco estes 6:

Ticker: EWZ (iShares MSCI Brazil Index) (info)
Este é o ETF Brasileiro mais liquido e popular entre os investidores internacionais, é gerido pela iShares que é líder em ETFs e replica o índice MSCI Brazil com bastante precisão. Este ETF é maioritariamente composto pelas principais blue chips do mercado brasileiro sendo uma alternativa um pouco mais conservadora do que os ETFs seguintes.

Ticker: BRF (Market Vectors Brazil Small-Cap ETF) (info)
Este ETF tem uma liquidez razoável, é gerido pela Van Eck Global e replica o índice Market Vectors Brazil Small-Cap Index, que como o nome indica é composto por small-caps Brasileiras.

Ticker: BRXX (EGS INDXX Brazil Infrastructure) (info)
O BRXX é um ETF gerido pela EGShares lançado em Março de 2010 e ainda com pouca liquidez. Este é um ETF temático e está exposto em empresas Brasileiras ligadas às infraestruturas do País, desde empresas de transportes, telecomunicações, eléctricas, mineiras, etc. Tipicamente este ETF foi feito para investidores que acreditam no crescimento das infraestruturas brasileiras e que querem estar expostos especificamente em empresas ligadas à rede infraestrutural do Brasil.

BRAQ, BRAF e BRAZ:
Estes 3 seguintes foram todos lançados no mês passado pela Global X Funds e tem ainda pouca liquidez, embora isso seja irrelevante numa óptica de trading de médio prazo:

Ticker: BRAQ (Global X Brazil Consumer ETF) (info)
Um ETF focado no sector do consumo no Brasil e que replica o índice Solactive Brazil Consumer Index, composto por uma carteira que pode ir de 20 a 40 empresas do sector.

Ticker: BRAF (Global X Brazil Financials ETF) (info)
Um ETF focado no sector Financeiro do Brasil e que replica o índice Solactive Brazil Financials Index, composto por uma carteira que pode ir de 20 a 40 empresas do sector.

Ticker: BRAZ (Global X Brazil Mid Cap ETF) (info)
Um ETF parecido com o BRF e que é também focado em small-caps brasileiras, embora com uma aproximação diferente, neste caso replica o índice Solactive Brazil Mid Cap Total Return Index que é composto por 40 small caps brasileiras.

Pessoalmente, tenho vindo a optar no passado pelo EWZ sempre que queria expor a minha carteira ao mercado Brasileiro, mas esta escolha era apenas porque até há algum tempo atrás não haviam muitas outras alternativas em termos de ETFs, neste momento a minha posição de médio-longo prazo no Brasil resume-se a uma posição em BRF.

3 ) Acções ADR de empresas Brasileiras cotadas nos Estados Unidos.

Acções ADR (American Depositary Receipt) são uma forma de empresas não Americanas estarem também cotadas nos Estados Unidos, em termos práticos ter uma acção ADR Brasileira no mercado Americano é a mesma coisa que ter a acção "original" na Bolsa de São Paulo, só que estará cotada em USD. A vantagem é que através de qualquer corretora ou banco nacional que permita acesso ao mercado Americano se pode facilmente adquirir estas acções.

Existem já algumas dezenas de ADRs Brasileiras a cotar nos Estados Unidos, embora sejam mesma assim apenas uma pequena fracção das centenas de empresas cotadas em São Paulo. De qualquer forma pelo menos algumas das mais "conhecidas" estão nesta lista.

Tickers de 30 empresas Brasileiras cotadas no NYSE ou Nasdaq:
(Além destas 30 acções existem ainda algumas empresas cotadas em OTC, mas que não tem grande liquidez pelo que não vou incluir nesta lista)

- ABV   (AmBev)
- BAK   (Braskem)
- BBD   (Banco Bradesco)
- BRFS   (BRF - Brasil Foods)
- BSBR   (Banco Santander Brasil)
- BTM   (Brasil Telecom)
- CBD   (Companhia Brasileira de Distribuicao-CBD)
- CIG   (Companhia Energetica de Minas Gerais-CEMIG)
- CPL   (CPFL Energia)
- EBR   (Centrais Eletricas Brasileiras-Eletrobras - Com)
- ELP   (Comp. Paranaense de Energia-COPEL - Pref)
- ERJ   (Embraer)
- FBR   (Fibria Celulose S.A.)
- GFA   (Gafisa)
- GGB   (Gerdau)
- GOL   (Gol Linhas Aereas Inteligentes)
- ITUB   (Itau Unibanco Holding)
- NETC   (Net Servicos de Comunicacao)
- PBR   (Petroleo Brasileiro «Petrobrás»)
- SBS   (Companhia de Saneamento Basico do Estado de Sao Paulo)
- SDA   (Sadia)
- SID   (Companhia Siderurgica Nacional-CSN)
- TAM   (TAM)
- TNE   (Tele Norte Leste Participacoes S.A.)
- TSP   (Telecomunicacoes de Sao Paulo)
- TSU   (TIM Participacoes)
- UGP   (Ultrapar)
- VALE   (Vale)
- VIV   (Vivo)

Quase todas estas 30 acções tem bastante liquidez no mercado Americano, pelo menos comparando com os termos de liquidez do nosso mercado Nacional, e estão por assim dizer a "um click" do investidor Português.

Obviamente que fazer «stock picking» em acções individuais acarreta um risco maior do que investir globalmente num ETF em especial se se desconhecer o mercado e as acções em questão, mas globalmente a maior parte destas 30 acções apresentam padrões Bullish na time-frame de médio-longo prazo em sintonia com o seu índice de referência no Brasil, por outro lado existe muita informação financeira uniformizada disponível gratuitamente sobre todas elas nos sites de acções americanas (Yahoo Finance, Google Finance, MSN, além de inúmeros sites Brasileiros com informação em língua portuguesa).

Este tópico ficará aberto para quem quiser adicionar mais informação, discutir o tema ou partilhar experiências de investimento no Brasil. Fica também o convite aos nossos colegas do clubeinvest no Brasil a participarem se acharem oportuno ;)

bons negócios,

Diogo Castro
www.clubeinvest.com


Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
Diogo Castro
www.clubeinvest.com

dvd

"A vantagem é que através de qualquer corretora ou banco nacional que dê acesso ao mercado Americano é possível ao investidor posicionar-se nestes activos, basta apenas saber o «ticker», embora seja mais vantajoso sempre usar uma corretora Americana (mas isso é outro assunto que poderei desenvolver noutro artigo).
"
seria interessante o tal artigo sobre "mais vantajoso sempre usar uma corretora Americana".

zimermann


Muito bom este artigo do Diogo....

Alguns endereços para consulta:
http://www.bmfbovespa.com.br/home.aspx?idioma=pt-br
http://www.guiainvest.com.br/raiox/hbor3.aspx
http://br.advfn.com/
http://web.infomoney.com.br/

Encontr´se muita informação sobre as ações e sobre o mercado brasileiro,
pesquisando-se no:
www.google.com.br


Boa sorte.
Zimermann

zimermann

Citi inclui diversas brasileiras em carteiras com diferentes estratégias para a AL

Por: Julia Ramos M. Leite
24/08/10 - 07h24
InfoMoney


SÃO PAULO – A equipe de pesquisa do Citigroup, liderada por Javier Guardo, divulgou sua "série top 20" para a América Latina para esta semana, incluindo oito portfólios que usam diferentes critérios para listar as ações mais atraentes da região - que vão de dividend yield a momentum.

O primeiro dos portfólios do banco considera os dividend yields na América Latina, enquanto a carteira "top buys ETR (Expected Total Return)" lista 20 ações selecionadas a partir das projeções para a evolução do preço do papel e seus retornos em dividendos nos próximos 12 meses. Nessas duas primeiras carteiras, só estão incluídas ações com recomendação de compra ou manutenção.

A carteira "top sells ETR", por sua vez, só inclui ações com recomendação venda ou manutenção. Confira abaixo as empresas brasileiras que fazem parte das carteiras do Citi de dividend yield, top buy e top sell ETR:

http://web.infomoney.com.br//templates/news/print.asp?codigo=1931661&path=%2Finvestimentos%2F

------------------------------------------------------------------
Momentum
Além dos dividendos e expectativas de retorno, a equipe do banco também montou portfólios ligados ao momentum de preços e de ganhos – incluindo as companhias que atualmente têm o melhor e o pior momentum. Entre as especificações necessárias para compor a carteira, as empresas devem ter um valor de mercado de mais de US$ 500 milhões, e ser cobertas por pelo menos três analistas. As ações ligadas a infraestrutura não fazem parte da lista. Confira as empresas brasileiras que compõem os portfólios de momentum do banco:

http://web.infomoney.com.br//templates/news/print.asp?codigo=1931661&path=%2Finvestimentos%2F
--------------------------------------------------------------------------Fluxo de caixa
Por fim, o banco também compilou as top 20 ações considerando o fluxo de caixa dividido pelo número de ações da companhia - portfólio que inclui somente papéis com recomendação de compra e manutenção. Veja ao lado quais brasileiras fazem parte dessa compilação.

Vale dizer que, para os mercados emergentes, a recomendação de compra significa uma expectativa de retornos totais de 15% ou mais para ações de baixo risco, 20% ou mais para papéis de médio risco, 30% ou mais para ativos de alto risco e 40% ou mais para ações especulativas.
Já a recomendação de manutenção espera, na mesma ordem, retornos entre 5% e 15%, 10% e 20%, 15% e 30% e 20% e 40%.

Os papéis com recomendação de venda, por sua vez, têm expectativas de retorno de 5% ou menos para as ações de baixo risco, 10% ou menos para médio risco, 15% ou menos para ativos de alto risco e 20% ou menos para papéis especulativos.

http://web.infomoney.com.br//templates/news/print.asp?codigo=1931661&path=%2Finvestimentos%2F

aprendiz

Boa noite.

No seguimento do artigo, estive a obter informação sobre o ETF BRF mencionado no artigo.

No entanto, surgiu-me uma dúvida. Estando o mesmo cotado em USD, ao comprar este ETF estou exposto ao risco cambial?

Já agora, no seguimento de outro artigo que li, pensam que será mais vantajoso abrir uma posição através do meu banco actual, Banco Best, ou mais uma vez será mais vantajoso abrir conta numa correctora internacional onde em principio as comissões seráo inferiores?

O meu objetivo não é andar a comprar e vender ETF's, mas sim comprar um que expostos especialmente ao mercado brasileiro e mantê-lo em carteira por um bom periodo de tempo.


Desde já muito obrigado,

Abracos

Castelbranco

sim está exposto ao risco cambial, uma vez que o etf se move conforme as empresas que o compõem que estão cotadas em reais, mas como ele está cotado em dolares tem o cambio real/dolar

neste caso do real/dolar, e se comprar/vender em dolares tem ainda outro risco que é o do euro/dolar


aprendiz

Boa noite.

Obrigado pela sua resposta.

Sendo assim terei que ter em conta esses dois riscos no caso de estar interessado neste ETF.


Abraco