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Uma oportunidade chamada FMI

Iniciado por Paff, Setembro 27, 2010, 21:50

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J.Bond

Paff,

inteiramente de acordo, mas diz-me o que consideras o modelo económico do novo-rico?

Eu não voto para qualquer eleição, presidêncial, legislativa, autárquica, há seguramente 20 anos, por me ter apercebido que aquilo era tudo interesses pessoais e compadrio.
Os fundos comunitários acabaram, as empresas tradicionais e de baixos salários fecharam, as pessoas não querem trabalhar por 450 € (salário mínimo), logo isto é evidente que não vai longe.
Razão tinha o Barroso que já naquela altura disse que Portugal estava de Tanga, agora reconheço isso, apesar de na altura não dar grande atenção ao facto.
Em termos económicos vamos regredir para aí 25 anos.


fernando.listas

Citação de: J.Bond em Novembro 14, 2010, 17:20
Eu não voto para qualquer eleição, presidêncial, legislativa, autárquica, há seguramente 20 anos,...

Bem podes dormir descansado, tu não tens culpa nenhuma disto.

Paff

Caro J.Bond,

O modelo económico novo-rico consistiu em gastar dinheiro em obras que na verdade só se tornariam necessárias numa economia pujante. É mais do que notória que toda a conversa, que agora se ouve em torno da produção de bens transacionáveis, mostra que nas últimas décadas boa parte, por exemplo das verbas comunitárias, foi mal utilizada, tornando-nos num país de Sol e serviços.

A culpa sem dúvidas que não morre solteira, ela é repartida por todos, ainda que em proporções bem diferentes. Compete a quem nos governa criar os incentivos certos e direcionar-nos no caminho do crescimento. Infelizmente tal nunca sucedeu, culpa nossa na condição de cordeiros, culpa deles na condição, não de lobos, mas de incompetentes.

Deixo a pergunta: será que não é preferível vir um FMI ou um qualquer programa comunitário tentar resolver o assunto e expor aos cordeiros a incompetência deste sistema partidário, ou será que preferem que nos desenrasquemos entre nós, mantendo debaixo de um véu e inépcia dos que nos governaram?

Paff

J.Bond

Paff,

Apesar de imediato se ficar a ganhar menos e nos cortarem o subsídio de Natal (espero que não o deste ano), entre outras coisas, a entrada do FMI é a saída para isto e é também um chamamento de incompetentes à classe dirigente e política, já que não consegue resolver isto.


Paff

Boa noite,

E exatamente 6 meses depois estamos... na mesma. Com as mesmas (senão bem maiores) debilidades económicas, um sistema político a realmente demonstrar o quão pouco vale e a perder-se tempo na discussão do valor da face e da honra, ao invés de se conquistar tempo com pragmatismo.

FMI, ainda demoras muito?

Paff

areis1

Boa noite
Pois até o mau parece ser melhor que o incerto e a mentira contínua.
Venha o FMI pelo menos para sabermos qual o saldo da coisa.
Do resto, nem a alma se lhes recomenda.
AR

vanek

Mais vale cortar logo a perna q deixar gangrenar o corpo todo. Que venha logo o FMI. Mais vale um médico honesto que nos andarem a enganar com falsas esperanças.

fernando.listas

Citação de: vanek em Março 31, 2011, 21:17
Mais vale cortar logo a perna q deixar gangrenar o corpo todo. Que venha logo o FMI. Mais vale um médico honesto que nos andarem a enganar com falsas esperanças.

No FMI é só gente honesta. Tudo bons rapazes.

camafeu

#23
Citação de: Paff em Março 28, 2011, 00:13
Boa noite,

E exatamente 6 meses depois estamos... na mesma. Com as mesmas (senão bem maiores) debilidades económicas, um sistema político a realmente demonstrar o quão pouco vale e a perder-se tempo na discussão do valor da face e da honra, ao invés de se conquistar tempo com pragmatismo.

FMI, ainda demoras muito?

Paff


Se os políticos tivessem interpretado correctamente os sinais do mercado, se tivessem mão naquelas contas, se tivessem o sentido de Estado de esquecerem os seus objectivos políticos e se tivessem a coragem de tomar uma atitude atempadamente, a negociação das condições do empréstimo seriam bem mais favoráveis para Portugal.

Agora todos nós iremos pagar pela medíocre previdência dos nossos políticos.


Citação de: fernando.listas em Abril 01, 2011, 11:02
Citação de: vanek em Março 31, 2011, 21:17
Mais vale cortar logo a perna q deixar gangrenar o corpo todo. Que venha logo o FMI. Mais vale um médico honesto que nos andarem a enganar com falsas esperanças.

No FMI é só gente honesta. Tudo bons rapazes.

E estas ameaças públicas de corte no rating, a concretização dos mesmos, a difamação nos media internacionais, e os ataques especulativos nas taxas de juro, tinham como objectivo obrigar Portugal a ter que pedir ajuda externa nesta altura. São tácticas de extorsão que visam beneficiar a usura do grande capital internacional à custa dos povos dos "PIGS".

Extorsão

1 — Quem, com intenção de conseguir para si ou para terceiro enriquecimento ilegítimo, constranger outra pessoa, por meio de violência ou de ameaça com mal importante, a uma disposição patrimonial que acarrete, para ela ou para outrem, prejuízo é punido com pena de prisão até cinco anos.

2 — Se a ameaça consistir na revelação, por meio da comunicação social, de factos que possam lesar gravemente a reputação da vítima ou de outra pessoa, o agente é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos.

Usura

1 — Quem, com intenção de alcançar um benefício patrimonial, para si ou para outra pessoa, explorando situação de necessidade, anomalia psíquica, incapacidade, inépcia, inexperiência ou fraqueza de carácter do devedor, ou relação de dependência deste, fizer com que ele se obrigue a conceder ou prometa, sob qualquer forma, a seu favor ou a favor de outra pessoa, vantagem pecuniária que for, segundo as circunstâncias do caso, manifestamente desproporcionada com a contraprestação é punido com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias.

joaoftd

Citação de: camafeu em Abril 02, 2011, 03:29

E estas ameaças públicas de corte no rating, a concretização dos mesmos, a difamação nos media internacionais, e os ataques especulativos nas taxas de juro, tinham como objectivo obrigar Portugal a ter que pedir ajuda externa nesta altura. São tácticas de extorsão que visam beneficiar a usura do grande capital internacional à custa dos povos dos "PIGS".

Extorsão

1 — Quem, com intenção de conseguir para si ou para terceiro enriquecimento ilegítimo, constranger outra pessoa, por meio de violência ou de ameaça com mal importante, a uma disposição patrimonial que acarrete, para ela ou para outrem, prejuízo é punido com pena de prisão até cinco anos.

2 — Se a ameaça consistir na revelação, por meio da comunicação social, de factos que possam lesar gravemente a reputação da vítima ou de outra pessoa, o agente é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos.

Usura

1 — Quem, com intenção de alcançar um benefício patrimonial, para si ou para outra pessoa, explorando situação de necessidade, anomalia psíquica, incapacidade, inépcia, inexperiência ou fraqueza de carácter do devedor, ou relação de dependência deste, fizer com que ele se obrigue a conceder ou prometa, sob qualquer forma, a seu favor ou a favor de outra pessoa, vantagem pecuniária que for, segundo as circunstâncias do caso, manifestamente desproporcionada com a contraprestação é punido com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias.

Aqui está uma grande verdade!
"(Os especuladores) se se enganam, perdem e muito; se acertam, ganham e muito. A grande diferença nestes jogos que metem governos, no que respeita  ao acerto e desacerto, é que os especuladores empenham o deles, enquanto  os governos avançam com o dos contribuintes.", Fernando Braga de Matos

camafeu

Economistas portugueses apresentam queixa-crime contra agências de rating

CitaçãoUm grupo de economistas portugueses quer a abertura de um inquérito contra a Moody's, a Fitch e a Standard & Poor's por crime de manipulação do mercado.
Moody s, Fitch e Standard & Poor's são as agências visadas pela acção, que dará entrada na Procuradoria-Geral da República durante a próxima semana.

O documento é subscrito por quatro economistas: José Reis e José Manuel Pureza, da universidade de Coimbra, e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

Em declarações à Lusa, José Reis realça que as agências que «intervêm no mercado português», as três referidas na denúncia, «dominam mais de 90 por cento do mercado» internacional, pelo que «é preciso saber se as leis da concorrência são respeitadas».

Duas dessas agências - Moody s e Standard & Poor's - têm inclusive um «mesmo fundo de investimento como proprietário», adverte o economista, e as decisões que as entidades tomam, «que influenciam as taxa de juro», têm um impacto significativo nos endividamento dos países, «podendo afectar a sua estabilidade» financeira e económica.

No documento a entregar na segunda-feira na Procuradoria-Geral da República, a que a Lusa teve acesso, é dito que «quanto maior for o risco inerente a uma emissão de dívida, maior será o retorno exigido pelos investidores, ou seja, maiores serão os juros» impostos pelos mesmos.

«Compreende-se assim a grande importância que revestem as classificações feitas por estas agências: elas servem de referência aos investidores, emissores e administradores públicos para as suas decisões de investimento e financiamento», diz a nota.

Sendo este o papel que tem sido atribuído no mercado a estas três agências, «não pode permitir-se que ajam de forma a alterar o preço dos juros, direcionando o mercado para situações em que elas próprias ou os seus clientes tenham interesse e retirem benefícios», declara o grupo de economistas.

O inquérito que os assinantes do documento querem que seja aberto deve apurar a «prática dos actos abusivos que são imputados» às três agências, a «existência de graves prejuízos produzidos nos interesses do Estado e do povo português» e a «identificação dos quadros directivos das ditas agências e os autores dos actos» da denúncia.

Os economistas querem também saber se os «benefícios obtidos pelas agências» e os seus clientes «foram de notória importância», para além de quererem ter acesso a «todas as comunicações internas das agências de notação respeitantes às classificações referentes a Portugal» desde o ano de 2010.

http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=16198


Artigo do New York Times fala em 'pressão injusta e arbitrária' sobre Portugal

CitaçãoPortugal foi vítima da «pressão injusta e arbitrária» dos mercados financeiros internacionais, que ameaça Espanha, Itália e Bélgica e outras democracias em todo o mundo, defende o sociólogo norte-americano Robert Fishman.
Em artigo no New York Times de hoje, intitulado «O Resgate Desnecessário de Portugal», Fishman diz que o pedido de ajuda português, depois do irlandês e do grego, «deve ser um aviso a democracias em todo o lado», porque «não é realmente sobre dívida».

«Portugal teve um forte desempenho económico nos anos 1990 e estava a gerir a sua recuperação da recessão global melhor que vários outros países na Europa, mas foi sujeito a uma pressão injusta e arbitrária dos negociadores de obrigações, especuladores e agências de rating », afirma o professor de sociologia da Universidade de Notre-Dame.

Estes agentes dos mercados financeiros conseguiram, por «razões míopes ou ideológicas» levar à demissão de um Governo democraticamente eleito e potencialmente «atar as mãos do que se lhe segue», adianta Fishman, autor de um livro sobre o euro.

«Se forem deixadas desreguladas, estas forças de mercado ameaçam eclipsar a capacidade dos governos democráticos - talvez mesmo dos Estados Unidos - para fazer as suas próprias escolhas sobre impostos e gastos», sublinha Fishman.

O sociólogo estabelece semelhanças entre Portugal e a Grécia e Irlanda, mas ressalva que enquanto estes dois países apresentavam «problemas económicos claros e identificáveis», Portugal «não tinha subjacente uma crise genuína» e foi sim «sujeito a ondas sucessivas de ataques por negociadores de obrigações».

O contágio no mercado e os downgrades de ratings tornaram-se numa «profecia que se realiza a ela mesma», uma vez que as agências «forçaram o país a pedir ajuda elevando os seus custos de financiamento para níveis insustentáveis».

«Distorcendo as percepções de mercado da estabilidade de Portugal, as agências de rating - cujo papel de favorecimento da crise do subprime nos Estados Unidos foi amplamente documentado - minaram quer a sua recuperação económica, quer a liberdade política».

Agora, Portugal enfrenta políticas de austeridade impopulares, que vão afetar empréstimos a estudantes, pensões de reforma, alívio da pobreza e salários da função pública.

Fishman sugere que as descidas de rating e pressão sobre a economia resultaram ou de «ceticismo ideológico em relação ao modelo de economia mista em Portugal», ou de «falta de perspectiva histórica» relativamente a um país onde o nível de vida subiu rapidamente nos últimos 25 anos, tal como a produtividade, enquanto o desemprego desceu.

Embora o optimismo dos anos 1990 tenha resultado em «desequilíbrios económicos resultado de gastos excessivos», Fishman defende o desempenho recente do país pós, e mesmo que a queda do governo é «política normal» e «não incompetência, como alguns críticos de Portugal têm retratado».

O sociólogo levanta também a questão de o BCE não ter comprado obrigações portuguesas de forma «agressiva» para afastar a última onda de «pânico» nos mercados, e a necessidade de regular as agências de rating na Europa e Estados Unidos.

«A revolução portuguesa de 1974 inaugurou uma onda de democratização que varreu o globo. É bem possível que 2011 marque o início duma onda de usurpação da democracia por mercados desregulados, com a Itália, Espanha e Bélgica como próximas vítimas potenciais», afirma.

http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=16729

areis1

Boa noite
Pois... prognósticos depois do fim do jogo.
Diria apenas, "se não queres perder dinheiro na mesa de póquer, não te sentes na mesa" ou "pois é uma injustiça, eles sempre me disseram, mas eu acho que não".
Só existem duas classes neste mundo: os predadores e as presas.
Se não és predador, faz por correr mais do que o teu parceiro. Talvez te safes desta.
Creio que fui claro. Não que eu acredite ou professe a selvajaria que muitas vezes vejo. Mas ela existe. E ganha, mais vezes do eu quero. Mas como não tenho 16 anos e já não acredito que ainda consiga mudar o mundo todo, aprendi a observar e a sobreviver. Desculpem, ainda pertenço à classe das presas.
Ou comes ou és comido. Simples, não é?
Corram, por favor, corram. Haverá sempre um coxo.
Parece que o coxo do momento é Portugal.
Pois.
AR