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Mercados disfuncionais

Iniciado por berrio, Março 10, 2008, 17:50

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berrio

Ora bem, depois de algum periodo sem escrever cá estou de volta para vos dar a minha visão dos mercados actuais.

Com todo o devido respeito aos forenses mais bull, há alguns mitos a pairar hoje no mercado.

Mito:
Ao fim de tantas más noticias, as coisas só tem uma direcção. Para cima é o caminho. O mercado já descontou as más noticias todas.
Peço desculpa mas isto é falso! O mercado descontou as más noticias relacionadas com o Subprime e o housing market. Mas não descontou as "bolhinhas" no Consumer credit (900Bln USD) ou outras bombas de derivados num valor total de 450 Biliões (são 12 zeros... o Trillion americano se preferirem) de USD.

O Bluexip, forense que muito respeito – que já mostrou várias vezes que sabe o que faz – tem dito várias vezes que estamos perante um fundo, porque o preço assim o indica. Está tudo no preço. Ora eu concordo com ele, na presença de mercados funcionais, o que não é o caso presente.

Veja-se os mercados obrigacionistas europeus: os spreads entre uma Obrigação a 10 anos do tesouro italiano e a homologa alemã estão a aumentar, mostrando que os investidores estão a fugir para fixed income alemão. O mesmo para outros spreads como Portugal e Espanha.

Mas isto nem é o mais preocupante. O mais preocupante, e demonstrativo da "disfuncionalidade" actual dos mercados de crédito é as yields das tresuries americanas e as Default Swaps.

As yields americanas estão a ser enterradas no chão, sendo que uma OT a 2 anos paga 1,54%, ou seja, em termos reais um investidor perde dinheiro. Todas as maturidades estão abaixo da fed funds rate (e da CPI). Ora, num mercado tão pressionado isto seria uma fuga para a segurança, e estas yields só se justificariam num cenário de depressão profunda. O mesmo para as Credit Default Swaps, sobre as quais se calculam os premiums de crédito, ou mais simplesmente, o custo que as empresas enfrentam. O itraxx europe está a uns nada saudaveis 150 pontos base, e é composto por 125 empresas europeias "investment grade". O indice homologo americano já vai em 188 pontos base. Ora este valor é o valor apartir do qual começa a liquidação de vários hedge funds. E aqui reside o problema: estas yields, que basicamente prevêm o fim do mundo, são efeitos tecnicos de desalavancagem de hedge funds. Um trade muito comum era comprar corporate bonds e shortar tresuries com a mesma maturidade. Ao fazer o unwind, eu compro as tresuries que shortei e vendo as corporate bonds. Outra questão é que os bancos fizeram a protecção das senior notes de mortgage backed securities com os indices Itraxx (europe e america) puxando ainda mais os spreads para cima. O ciclo é vicioso...o BNP já diz que poderemos estar perante um perigoso ponto onde varios fundos simplesmente despejam tudo o que têm no mercado. O BoA diz que se os spreads chegaram aos 200 bp (vão em 188) dai aos 220 é instantaneo...

Ora isto está a pressionar até mesmo o "bom papel", como Mortgage backed securities da Fannie Mae e Freddie Mac – que honestamente não são mais que empresas publicas. O spread das suas obrigações face às 10 year notes está em máximos. Estas disfuncionalidades estão a levar fundos que investiram em papel tido como seguro, a terem margin calls – ver Carlyle Capital que vai despejar 16 Bln USD de activos de crédito no mercado, ou o Peloton, afamado por ter feito quase 100% a shortar subprime.

Isto quer dizer que a pressão descendente destes activos é enorme, e é contagioso, dado os niveis elevados de alavancagem existente – o rumor é que o Carlyle Capital tinha um ratio de alavancagem perto dos 32x. Ou seja, mais write-downs. Dos iniciais 200 Bln USD de write-downs passamos para o dobro.

O sovereign wealth fund (SWF) do Dubai já diz que não já não mete mais dinheiro no Citi e o SWF chinês suspendeu todos os investimentos em financeiras. Ora, supostamente os SWFs eram os salvadores do dia, que vinham trazer o bailout aos bancos...

Ora a solução é... baixar as taxas de juro...

Ou talvez não. Aqui reside o segundo mito: o senhor Ben pode inverter isto. A Fed pode baixar o preço do dinheiro, mas não pode forçar os bancos a emprestar. E a verdade é que eles não o estão a fazer! Estão a desalavancar os balanços, passando duma altura em que se dava dinheiro a tudo o que mexia a um ponto onde não se empresta nem a um cliente "AAA". A Term Auction Facility foi duplicada (agora 100Bln USD/ mês) e alargada por mais 6 meses. Relembre-se que a TAF era "temporária" e a "solução para a crise de liquidez"... claramente estamos a começar a trilhar o perigoso caminho de uma crise de solvencia - facto curioso: a autoridade que segura os depositos bancarios tem andado numa espiral de contratações, temendo um aumento de falencias bancárias.

Para efeitos do americano comum, a descida das taxas de juro só têm dado um resultado:
Ou está a pagar mais na hipoteca, porque as taxas a 30 anos aplicadas pelos bancos teimam em não descer - em parte porque o mercado não quer tresuries a 30 anos, aos quais as taxas são indexadas, com o perigo da inflação e noutra parte porque os bancos não estão a injectar a liquidez fornecida pela Fed no sistema - e pagam mais pela comida e pelo combustivel...

Enquanto tudo isto se vai passando, o mercado accionistas entretem-se a comentar rumores de cortes de taxas de juro ou a subir 3 x seguidas com base no mesmo rumor dito pela mesma pessoa na CNBC!!!

Mas ninguem reparou que enquanto os ratings das insurers não eram descidos - a S&P dizia que havia indicios de esforços no bom sentido, o equivalente a eu dar 20 a um aluno burro por "esforço" - o rating da pfizer era descido para AA-. Ou seja, para S&P uma empresa que tem em caixa e equivalentes dinheiro suficiente para pagar TODA a sua divida tem mais risco de crédito que uma MBIA/AMBAC e afins.

E como o post já vai longo por aqui me fico, como o aviso: cuidado com a "price action" em mercados disfuncionais. Ainda há muito para descontar, muito lixo tóxico escondido por debaixo do tapete sob a forma de derivados que ninguem compreende.
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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egas

disseste tudo nessa ultima frase BERRIO........ a uns meses atras tinha lido num comentario que os mercados iam entrar em crise seria derivado a esses FUNDOS e HEDGE FUNDS e DERIVADOS que cresceram sem control das entidades responsaveis.

bluexip


muito bem exposto, como sempre Bérrio.

de facto, olhando para os fundamentais, parece não haver volta a dar.

mas eu nunca neguei que os fundamentais fossem maus... "apenas" que o movimento do preço não está de acordo com esses fundamentais e nem com a evolução do sentimento de mercado que tem estado de acordo com uma fase correctiva e não com uma situação à lá 1929 que é o que estes fundamentais indicam.

eu estava por cá em 2000 a 2003. e por mais put/call ratios e vixs que tentem impingir a situação é um bocadito diferente. para isso é preciso falar com as pessoas e ouvi-las.

há, no entanto, eventos na bolsa que saem fora dos modelos e fora da experiência normal de um investidor/trader. e estes eventos ocorrem com uma frequência muito maior do que é teoricamente espectável. podemos estar num deles.

mas se estamos num deles admira-me como ainda não ocorreu um crash (tendo em conta que é o desfecho habitual destes eventos). se a situação é tão má, se o sentimento é tão bullish então como ainda estamos a manter os níveis de 2006 e ainda mantemos uma estrutura correctiva que deixa em aberto uma correcção em 3 movimentos? é a PPT (plunge protection team) em funcionamento? caramba, que ela está poderosa! já aguentou 2 situações claras de crash potencial! :o

vamos deixar de lado as teorias da conspiração e as entidades poderosas que conseguem manobrar o(s) mercado(s) a seu belo prazer. vamos pelo caminho mais simples que é justificar que os mercados ainda não crasharam pois as pessoas estão mesmo muito bullish e estão sempre a comprar. sendo assim é uma questão de tempo certo? a coisa não mata mas vai moendo e o dinheiro vai acabar por se esgotar. é uma teoria, válida como muitas outras.

eu prefiro olhar para o mercado com mais calma. e quando olho vejo acções a preços muito atractivos. não é o mercado todo. nunca o disse. nem disse que é qualquer mercado.

faz-me é uma "impressão" tremenda ver que o habitual é falar-se no longo prazo, na compra quando está barato, e perante uma situação de forte correcção em janeiro e uma segunda hipótese este mês se vê precisamente a conversa contrária. derrepente, já toda a gente é trader e prudente  ::)

se a situação for tão má como parece, meus caros, nem no banco o dinheiro está seguro. portanto, que medo tenho eu de arriscar uma parte do capital nesta altura? por causa do tal evento, que apesar de acontecer com mais frequência do que é suposto, não deixa de ser a hipótese mais remota?

finalmente, quero esclarecer, antes que venha aí a malta da cosmética, que as minhas opiniões têm sido dadas numa óptima de médio-longo prazo (até 2 anos). quando se fala de daytrading ou swing trading a história é outra.

portanto, que essa malta não se cance tanto, LOL. é que por vezes é hilariante ver tanta pressa em alimentar os EGOs e mostrar que se tem razão. sinal de que ainda há muito para aprender... o mercado cá estará para ensinar, não tenham tanta pressa :)

voltando e concluíndo o assunto Bérrio, se os mercados mais uma vez sobreviverem a estas vendas pré-earnings sem crash então poderemos aceitar que, se calhar, talvez, por um milagre, os mercados poderão ter uma surpresa nos próximos meses ? claro que se estiver errado então teremos crash e não haverá nada a fazer para quem tiver comprado (embora com a satisfação - e diminuição de risco - de se ter comprado longe dos máximos)... ossos do ofício...

cumprimentos,
bluexip
Ever wonder why fund managers can't beat the S&P 500? 'Cause they're sheep, and sheep get slaughtered.
- Gordon Gekko in Wall Street

buypsi

boas noites :

Concordo com o bluexip , a analise do berrio parece-me boa e no entanto apesar
de concordar também e apoiando a sua tese pareçe-me que tudo isto não irá passar de grande correcção / oportunidade e dps lá para 2011/2012 aí sim tudo
irá pagar os excessos do que se está agora a viver ... é a vida ...  ;)

tiagodandre

berrio e bluexip, numa palavra: Excelente!...tal como sempre os vossos comentários são sínteses muito completas e objectivas...

Pois é, derivados e alavancagem...duas palavras chave numa estratégia mal gerida...quando as coisas correm mal, a realidade pode ser bem pior por causa destas duas palavrinhas...


No entanto mantenho a minha opinião, considero que o BULL Market ainda poderá ter continuação...e porquê?...

1) Mercados disfuncionais sempre existiram...numas fases mais outras menos, o que se pode assumir neste momento é uma grave crise num sistema financeiro, que daqui para a frente terá de modificar e muito a sua maneira de operar, no entanto o crescimento económico global continua a verificar-se, e o que é uma ameaça para certos players do sistema, para outros transformou-se numa oportunidade para crescer...pois, nem todos estavam no mesmo barco...  ;)

2) A bolha no Consumer credit, já existe há muito tempo...poderá o seu peso ter atingido o ponto de ruptura?...não acredito, e porquê?...Os bancos não têm nada a ganhar com uma onda de incumprimento nos pagamentos, pois nesta altura os maiores valores patrimoniais que os seus clientes possuem, encontram-se a preço de saldo, logo, existe menos capital recuperável, e a procura é neste momento muito reduzida...soluções, à vista?....alargamento de prazos de pagamentos, renegociação de taxas, outros benefícios fiscais,...é só puxar pela imaginação!...

3) Bomba dos derivados...esta bem mais complexa...(se isto não tivesse consequências directas para o mercado)...eu dizia: deixem-os ir ao fundo!  8)
Ganância & Arrogância...quando se pensa que se domina o mercado, este tira-nos o chão debaixo dos pés!....Relativamente aos valores...não penso que sejam assim tão astronómicos...nem mesmo que fossem não iriam cair todos ao mesmo tempo...

Resumindo e concluindo, apesar de admirar e respeitar muito a tua opinião berrio, concordo com o bluexip...já escrevi muita coisa pelo fórum a dar argumentos nesse sentido...não quero com isto dizer que os factos que mencionaste estejam errados...os fundamentais da economia americana nomeadamente, já há muito tempo que precisam de um reset...mas considero que ainda não seja por estes tempos!... ;)


Cump.
"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

tiagodandre

#5
Deixo um texto do AB7...para partilhar com o forum...


:::Estaremos em estagflação?

Uma palavra difícil de pronunciar reentrou recentemente no léxico dos investidores. Em poucos meses, passámos de um cenário benigno de elevado crescimento global e baixa inflação para outro, exactamente oposto, de forte abrandamento económico (pelo menos, nos mercados desenvolvidos) e aumento da inflação: este cenário designa-se habitualmente por "estagflação", expressão que resulta da contracção das palavras "estagnação" com "inflação", e terá sido utilizada pela 1ª vez pelo político britânico Iain Macleod em 1965, sendo habitualmente associada ao "choque petrolífero" de 1973.

O cenário de abrandamento económico é já antecipado pelos investidores há mais de um ano, mas a subida da inflação é um fenómeno mais recente. Na Zona Euro, por exemplo, a inflação atingiu em Janeiro e Fevereiro de 2008 o nível mais alto dos últimos 14 anos (3,2%), ficando pelo 5º mês consecutivo acima do objectivo do Banco Central Europeu, que é de 2%.

A subida da inflação resulta em especial do aumento do preço das matérias-primas, em particular do petróleo (que atingiu na passada semana um novo máximo histórico, tendo subido perto de 100% no último ano) e das commodities agrícolas, que valorizaram cerca de 50% no último ano, com destaque para alguns cereais (como o trigo) que subiram mais de 100% no mesmo período.


O cenário de estagflação constitui um significativo dilema para os Bancos Centrais, na medida em que: 

• limita a sua capacidade de resposta no combate ao abrandamento económico, nomeadamente por via de uma política monetária mais expansionista. Com efeito, a redução de taxas de juro numa conjuntura de inflação elevada é o equivalente de "apagar um incêndio com gasolina". Ou seja, tem um efeito positivo sobre o consumo, mas contribui para agravar ainda mais a subida de preços;

• limita a sua capacidade de resposta no combate à subida da inflação, nomeadamente por via de uma política monetária restritiva. Com efeito, a subida de taxas de juro tenderá a agravar a tendência de abrandamento económico, por via de menor consumo e investimento.


Respostas diferentes dos principais Bancos Centrais

1. Reserva Federal norte-americana (Fed)
O presidente da Fed, Ben Bernanke, é um dos maiores especialistas mundiais no estudo da Grande Depressão dos anos 1930 nos EUA, em particular da ineficiência da política económica das autoridades dessa época. É igualmente co-autor de um estudo¹ de 1997, na qual conclui que as principais recessões económicas nos EUA desde 1971 resultaram de uma combinação de subida dos preços do petróleo com um aumento das taxas de juro de referência da Fed.

Desta forma, e face aos indícios cada vez mais fortes de recessão económica nos EUA, acompanhados de uma subida dos preços das matérias-primas, não surpreende que a Fed, sob a sua liderança, esteja a actuar de forma muito decidida, reduzindo agressivamente a sua taxa de juro de referência (Fed Funds), em 1,25% no passado mês de Janeiro, esperando-se novo corte de 0,75% (para 2,25%) na reunião do Comité de Política Monetária do próximo dia 18 de Março. Alguns operadores de mercado antecipam mesmo que a taxa Fed Funds possa chegar a 1% nos próximos meses, embora por um curto período de tempo. 

2. Banco Central Europeu (BCE)
O BCE é herdeiro da tradição de combate à inflação do Deutsche Bundesbank, o Banco Central da Alemanha. O Bundesbank foi o primeiro Banco Central totalmente independente do Governo, sendo muito respeitado pela sua capacidade de controlo de inflação durante a 2ª metade do século XX, tornando o Marco alemão uma das moedas de referência a nível mundial, até à sua substituição pelo Euro. Recorde-se que, em grande parte devido às reparações de guerra impostas pelos Aliados, a Alemanha foi vítima de hiper-inflação em 1923, ano em os preços duplicaram a cada 49 horas, causando uma desestruturação social que é frequentemente apontada como tendo facilitado a emergência do Partido Nazi.
Na passada semana, o presidente do BCE, Jean Claude Trichet, não só comunicou a manutenção da taxa de referência da Zona Euro em 4%, como deixou bem claro que «o BCE só tem uma agulha na bússola: a estabilidade dos preços», não subscrevendo a expectativa do mercado que apontava para uma progressiva redução de taxas de juro já no 1º semestre de 2008, para estimular a economia.


Dólar em níveis mínimos desde 1973

Estando a taxa de juro do dólar norte-americano cada vez menos atractiva face à taxa de juro do euro, para além da manutenção dos problemas estruturais de défice externo dos EUA, não surpreende que a moeda do "Uncle Sam" tenha atingido na passada semana um mínimo histórico face ao euro (nos $1,5459 por euro), além de ter também atingido um mínimo de 35 anos face a um cabaz de divisas representativas das suas trocas comerciais.

Esta evolução é positiva para os exportadores norte-americanos (que se tornam mais competitivos e aumentam o valor em dólares dos seus lucros obtidos no resto do mundo) e, inversamente, penaliza os exportadores da Zona Euro (que vêem os seus produtos mais caros em dólares nos mercados internacionais).

Em compensação, o depreciação do dólar ajuda a combater a inflação na Zona Euro, nomeadamente porque os produtos importados em dólares (nomeadamente o petróleo e outras matérias-primas) ficam mais baratos em euros. Recorde-se que o euro se apreciou em 17% face ao dólar no último ano.

Espera-se que o dólar possa recuperar terreno ainda este ano, nomeadamente a partir do momento em que o BCE inicie o ciclo de descida de taxas de juro.


Como têm reagido os mercados accionistas?

As perspectivas de estagflação, associadas à incerteza quanto ao valor final das perdas do sector financeiro com a crise sub-prime (a "factura" vai em 181 mil milhões de dólares, havendo já previsões que apontam para 400 mil ou mesmo 600 mil milhões de dólares), têm condicionado de forma significativa a confiança dos investidores, tendo o mercado registado em 2008 o pior início de ano de que há memória recente, estando a desvalorização acumulada nos -13,06%.


Em termos geográficos, os mercados emergentes continuam a destacar-se pela positiva face aos mercados desenvolvidos, em resultado da manutenção de elevados níveis de crescimento do consumo interno (aumento real dos salários e acesso mais fácil a crédito), investimento em infra-estruturas, com uma situação macro-económica estável (apesar do recente aumento da inflação).


Factores de suporte

Apesar da incerteza que ainda persiste, identificamos 8 factores que poderão suportar os mercados accionistas nos próximos meses:

1. Actuação decidida das autoridades norte-americanas (Fed e Governo) no sentido de minimizar a dimensão e duração de uma eventual recessão económica nos EUA;
2. Nível de valorizações actual (Price Earnings Ratio) desconta já um cenário de recessão, e está cerca de 20% abaixo da média histórica. Desde 2003, as cotações limitaram-se a acompanhar o crescimento dos resultados, evitando que as valorizações atingissem valores excessivos (ao contrário do que aconteceu nas crises de 1987, 1998 e 2000-2002).
3. Segundo o Fed Model, que compara a earnings yield das acções (8,3%) com a yield das obrigações a 10 anos (3,6%), as acções globais estão no nível mais barato dos últimos 30 anos. Mesmo num cenário de crescimento nulo dos resultados, as acções teriam que cair 50% para se tornarem menos atractivas do que as obrigações;
4. Empresas saudáveis: menores níveis de endividamento do que na recessão de 2001-02.
5. Crescimento mercados emergentes: os mercados emergentes representaram em 2007
cerca de 47% do crescimento económico mundial em Paridades de Poder de Compra, beneficiando todas as empresas com exposição a estes países;
6. Importância crescente dos Fundos Soberanos cujo património financeiro totaliza actualmente 3 triliões de dólares, cerca de 6% da capitalização bolsista mundial, prevendo-se que atinjam 13 triliões nos próximos anos.
7. Elevados níveis de insider buying (reflectindo confiança dos quadros directivos nas suas próprias empresas), que historicamente foram seguidos por valorizações médias de
25% nos 12 meses subsequentes.
8. Sentimento negativo extremo dos investidores (que é habitualmente um bom sinal contrário).


Em conclusão ...

A recente subida da inflação parece ser resultado do dinamismo económico verificado no ano transacto, sendo expectável que o abrandamento económico em curso venha a atenuar as pressões inflacionistas nos próximos meses, o que afastaria o temido cenário de estagflação.

Será provável que o mercado accionista venha a encerrar o ano de 2008 a níveis superiores aos que se verificam actualmente, ainda que subsistam alguns factores de incerteza que implicarão níveis de volatilidade superiores aos verificados nos últimos anos.

Para que a recuperação do mercado seja sustentada, é importante que estejam reunidos 4 factores:
•   estabilização dos preços do imobiliário nos EUA (origem do problema);
•   transparência do sector financeiro no sentido de assumir a totalidade das perdas de forma rápida;
•   compromisso de outros Bancos Centrais (em particular do BCE) em reduzir taxas;
•   redução das actuais restrições ao crédito por parte do sector financeiro.
Para investidores que tenham um horizonte temporal alargado e alguma tolerância ao risco, poderá fazer sentido incrementar gradualmente a exposição ao mercado accionista, aproveitando o actual baixo nível de valorizações relativas.

(¹) Ben S. Bernanke/ Mark Gertler/ Mark Waston - «Systematic Monetary Policy and the Effects of Oil Price Shocks», Department of Economics, New York University, 1997.

ActivoBank7
"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

Llub Repus

Isto não tem nada que saber.

Olhando para o preço, é simples:

Vamos partir os 1325 e os 1735 no NDX (valores para os mais "impacientes" e sem cortes de taxas, terão de ir um pouco mais acima se o FED surpreender!) muito rápido, e daí até à retoma da "BULL TREND" são horas, ou minutos!!

É a "oportunidade do ano", ou de uma vida... Partam as resistências, e abram os curros!!

Up, up, and away!!

;D ;D ;D ;D

Ah, é verdade... Espelhos com fartura 8)

Saudações compradoras,

Não esqueçam os espelhos

L R from NL

zfranco

Angel Gurria da OCDE diz que 2008 "vai ser um ano dificil, de baixo crescimento e com surpresas muito pouco agradáveis ", no dia 20 seram divulgadas novas projecções para a economia mundial. Da OCDE fazem parte 30 paises com as economias mais desenvolvidas .Diz ainda que a economia norte-americana esteja na eminência de uma contracção .

berrio

Tiago,
Mesmo assumindo empresas saudaveis, dois terços daquela economia é consumo, e eles estão a consumir menos! Posso ter a minha empresa cheia de dinheiro em caixa, se não me comprarem os produtos não vou a lado nenhum, por muito que o analista ali do lado preveja earnings para o je...

Ora, antes de falarem em estimulos fiscais, o último inquerito aos americanos indica que 33% vai usar o "cheque do IRS" para amortizar dividas e 21% diz que vai guardar o dinheiro. Apenas 35% dizem que o vão utilizar para consumir! Ora, lá se vai a desculpa do "estimulo fiscal". Sem consumo não há o efeito multiplicador da politica orçamental... Overall, cerca de 40% dos americanos afirma: vamos consumir menos. Relembre-se que aquela economia é completamente orientada para o consumo, que representa 2/3 do PIB.

Também é o "consumidor americano" que paga o "desenvolvimento dos mercados emergentes". A teoria do decopling nunca colou muito na minha mente: se o americano medio consome menos, onde vao a China e afins escoar os seus produtos? Se tivessem mercado e procura interna capaz de resistir (não nego que tem tido grandes avanços) os seus bancos centrais estariam a usar o cambio para combater a inflação (8,7% na China e a subir via food & energies - facto que se resolveria via cambial, com a consequencia de menores exportações - algo que poderia ser compensado via procura interna). A verdade é que, e eles sabem-no, são demasiado dependentes (ainda) do consumidor americano.

o Fed Model é baseado na comparação da yield das OT 10 anos versus a earnings yield do S&P500. Ora as treasury yields não estão "saudaveis", dai o titulo deste post, dai que a earnings yield possa estar acima das tresurys - earnings yield 5% vs tresurys yield 3.6%, no entanto 3,6% de yield em tresuries com a CPI a 4,3% não é um preço de "equilibrio" no bond market. A yield da OT 10Y tem de subir para compensar a inflação.

Mas, indo nessa logica, por exemplo:
Average 12 Month Price/Earnings Ratio - 15.7 (dados desde 1936 - S&P)
Actual 12 MO P/E Ratio - 18 (20% above)

Alias, na questão das Yield de tresury que são usadas para modelos de avaliação relativa com o "fed model":
(via bloomberg) o US Tresury dep. vai colocar mais umas centenas de milhar de milhão em bonds no mercado, mas os gestores de activos não querem aceitar OTs com estas yields dados os actuais niveis de inflação. O que leva a 2 problemas:
1. Temos excesso de oferta de OTs -> menor preço nas mesmas -> maiores yields -> prestações mais pesadas para o comum dos americanos & avaliação de acções menos atractiva relativamente às obrigações (e estou a assumir que as earnings não descem...o que me custa a crer)
2. Maiores custos de financiamento para um estado que já corre um deficit monstruoso, e portanto menos espaço para "benificios fiscais" e afins...

Bluexip:
Eu não quero nenhum crash! Nem ter razão... deus queira que esteja errado!
A situação está má mas 1/2 dos efeitos ainda não está divulgado, e a outra 1/2 é de dificil compreensão até para malta com formação! O resultado é a fuga para frente...

Em 2000 demorou ainda algum tempo até a malta se aperceber e digerir que a "festa" tinha acabado! E enquanto isto temos uma "turma" de economistas à espera que o NBER declare recessão - NBER esse que chega sempre atrasado à festa, portanto quando esse vier a publico eu sou o primeiro a ir às compras.

O meu ponto é este:
Ainda temos espaço para cair. Ainda temos espaço para muito whipsaw e volatilidade e as más noticias ainda não acabaram. Quem comprar agora é bom que tenha realmente um grande estomago, porque vamos ser honestos: SÓ estamos a 18% do máximo histórico!! Ainda muita coisa pode "correr mal"...

Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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Jesse

#9
Tecnicamente, um bear market semelhante ao de 2000 é pouco provável, correcto?
Um bear market com uma lateralização de dois anos também é pouco provável, correcto?
Logo temos que subir. Acho que foi mais ou menos isto que o bluexip disse há um tempo, mas um bear market de um ano, não está posto de parte mesmo com um rebound para um novo pull back, entre julho e outubro novos minimos e começo de um bull market.
Este é o meu cenário mais pessimista, pondo de parte o que é pouco provável.

Comprar para longo prazo e esquecer?
É melhor que no ano passado mas isso não quer dizer muita coisa, porque pode descer mais.
É melhor não dar demasiada importância aos fundamentais das empresas em bear market sem que o mercado dê um sinal de compra.
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

bluexip

Citação de: berrio em Março 11, 2008, 13:23
Bluexip:
Eu não quero nenhum crash! Nem ter razão... deus queira que esteja errado!

ninguem disse que querias :)
eu que adoro quedas também não o desejo :P

Citação de: berrio em Março 11, 2008, 13:23
Em 2000 demorou ainda algum tempo até a malta se aperceber e digerir que a "festa" tinha acabado! E enquanto isto temos uma "turma" de economistas à espera que o NBER declare recessão - NBER esse que chega sempre atrasado à festa, portanto quando esse vier a publico eu sou o primeiro a ir às compras.

se estivesse à espera da declaração oficial de recessão nos EUA estava bem tramado... quando for aceite "formalmente" já os mercados estarão a recuperar...

Citação de: berrio em Março 11, 2008, 13:23
O meu ponto é este:
Ainda temos espaço para cair. Ainda temos espaço para muito whipsaw e volatilidade e as más noticias ainda não acabaram. Quem comprar agora é bom que tenha realmente um grande estomago, porque vamos ser honestos: SÓ estamos a 18% do máximo histórico!! Ainda muita coisa pode "correr mal"...

há sempre espaço para cair Bérrio. e os indices ainda estão lá em cima, é um facto. isso não inviabiliza as oportunidades que aí estão, nas condições que tenho descrito.

em índices só agora estou a ficar interessado em comprar no entanto. continúa em aberto uma ida do nasdaq a 2110 este mês e uns whipsaws na zona dos minimos de janeiro no dow e spx. todo este movimento parece ir ser feito em 3 partes sendo esta a fase mais perigosa para se estar short neste movimento.

continuo a não ver nada que anule hipótese que tenho mais forte que é uma ida perto dos máximos em vez de um crash. e isto contra todos os fundamentais e tudo o que parece lógico.


Jesse, há muitas formas do mercado trocar as voltas. eu incialmente esperava um periodo correctivo lateral para os primeiros 4-6 meses do ano dado não ter havido crash em agosto07, seguida de recuperação paulatina nos meses seguintes.

mas o movimento está a ser feito todo de uma só vez e com intensidade o que só reforça a ideia de que o medo está realmente alto e a compreensão do risco também. algo totalmente diferente de 2000-2003 porque precisamente 2000-2003 ainda está na memória de muita gente...

assim, e tendo em conta a velocidade desta queda, e não havendo crash, será de esperar um movimento na mesma proporção em "espelho". muito possivelmente a acontecer ficará pelos menos a 5% dos máximos e durará mais tempo que a duração desta queda. só a partir daí se poderá concluir alguma coisa definitiva sobre a desgraça do capitalismo como o conhecemos  ::)

cumprimentos,
bluexip
Ever wonder why fund managers can't beat the S&P 500? 'Cause they're sheep, and sheep get slaughtered.
- Gordon Gekko in Wall Street

berrio

Existe um ditado português que diz "de boas intenções está o inferno cheio".

Acho que o senhor Bernanke tem um lugarzito lá reservado, pelas suas boas intenções.

Passo a explicar:
Esta semana, como todos viram, a Fed anunciou uma nova facility: 200 Bln USD a 28 dias de emprestimo contre MBS. Ou seja, traduzindo para português curto: os bancos podem trocar papel "questionável", incluindo as tranches subprime que ainda estão cotadas a AAA - embora mostrem ratios de falencia nos pagamentos acima de 36% - de modo a não impor mais perdas aos bancos - por boas (e liquidas) tresury notes.

O mercado adorou, os bears foram squezzed out. Agora a parte engraçada - sem piada nenhuma quando se pensa muito no assunto:
A falencia da Carlyle Capital fund. As prime brokers apertaram os requesitos de capital. Dai vieram margin calls, o Carlyle foi um dos atingidos. Ainda tentou negociar mas heis que os bancos se mostram inflexiveis. Estranho, porque liquidar um fundo daquele tamanho não é bom para o "sistema"... mas com a nova facility é bom para os bancos: Eu banco liquido o fundo, tenho 20Bln USD de MBS na mão, vou ali à lavandaria da Fed trocar por Tresury notes, e voilá - não tenho write downs! Por quanto tempo? Citando a Fed, "pelo tempo que for necessário"... :o

Agora parece que vários bancos tiveram esta ideia - tendo em conta o recente (recente entenda-se dias) acelarar nos "blowouts" de hedge funds...

Realmente, de boas intençoes está o inferno cheio  ::)
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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bluexip

interessante...

cumprimentos,
bluexip
Ever wonder why fund managers can't beat the S&P 500? 'Cause they're sheep, and sheep get slaughtered.
- Gordon Gekko in Wall Street

jccgold

#13
Eu gostava de fazer uma pergunta inocente. Porque é que sempre que ha descidas na bolsa, de mes a mes as previsoes de 90% dos analistas, é que ja se desceu o que havia para descer e a longo prazo é bom comprar as accoes A ou B?
E depois verifica-se que no mes seguinte as accoes descem ainda mais. Eu sinceramente nao consigo encontrar grande credibilidade em nenhuma análise nacional ou estrageira, basta ver o historico do que é escrito e de como sistematicamente erram.
Nao ha analises que digam "as accoes vao continuar a descer durante 6 meses" e depois isso verificar-se.
Eu do alto da minha ignorancia apenas posso compreender as coisas a nivel geral, e por ex ainda bem que nao investi na Sonae Industria, apesar dos vulgares comentarios "ja desceu tanto que agora esta barata".
Eu do alto da minha ignorancia parece-me que as subidas quando ocorrem sao relativamente repentinas e neste momento nao ha condicoes para tal coisa acontecer. Ha mta incerteza no ar. E como tal nao me parece que seja bom comprar durante uns bons meses.
Ate pq ha um facto que nunca vejo analizado que é o facto de que com a descida constante do dolar, quem investe na bolsa NY americana perde dinheiro pois as accoes têm o seu valor em dolares, e como tal fogem desse mercado, mercado esse que serve de referencia a todas as outras bolsas.
Qdo o dolar parar de descer la para Outubro, Novembro mta coisa deverá já estar esclarecida, e o preço das materias primas parará de subir, essa altura sim acredito o mercado accoes volte a subir de novo. Mas isto digo eu, que sou ignorante e nao sei mto da coisa  :)

berrio

Continuando na questão da disfuncionalidade dos mercados actuais, heis que temos a crise de liquidez da Bear Stearns na sexta feira.

Ora, quem ache que o episódio acabou desengane-se: o Bailout pode falhar  e ainda a procissão vai no adro.

Passo a explicar:
Nos útlimos 9 dias surgiram rumores junto de vários traders de fixed-income que vários bancos europeus tinham dado ordens aos seus traders para simplesmente pararem de fazer trades com a Bear Stearns. Pouco tempo depois vários hedge funds começaram a retirar o dinheiro, e os rumores alastraram. Na quarta-feira o CEO veio dizer que estava tudo bem mas na sexta feira, depois de continuada sangria, era anunciado um empréstimo da Fed à Bear Stearns via J.P. Morgan.

Porque a voltinha da Fed? Porque a Fed só pode emprestar via "discount window" a bancos comerciais, e perante a regulamentaçao de lá a BSC é um broker, logo não tem direito. Pelo que a Fed vai emprestar o dinheiro à JP Morgan via discount window que por sua vez o vai emprestar à Bear Stearns.

Algumas notas devem ser tidas em conta:
1. O risco de crédito está com a Fed, de acordo com os statments. Se a Bear Stearns falhar o pagamento quem fica a arder com o dinheiro é a Fed e não a JPM;
2. Não existe certeza que resulte pois o valor do empréstimo está dependente das garantias que a BSC possa dar;
3. Não é um bailout puro, é um emprestimo por 28 dias, de modo a dar tempo à BSC de arranjar um comprador.

Dado que a festa não estava bem composta, as agencias de rating decidiram juntar-se: toda a divida da BSC teve um downgrade de A para BBB (um nivel acima de junk). Ora, não vamos esquecer 2 coisas:
1. Estes meninos andaram a dormir durante o episodio das bond insurers, obrigados a manter ratings manhosos;
2. Continuaram a dormir com os Asset Backed Securities com ratings de AAA, mas com default rates de 30%, de modo a não infligir mais perdas aos grandes bancos;
3. Heis que com a BSC, no dia do bailout, decidem acordar para a vida! Pergunto-me o que teram andado a fumar, mas adiante!

Que é que isto tem a ver com mercados disfuncionais? Tudo!

Neste momento ninguem quer a BSC, muito menos quando o seu rating está meramente acima de junk. Um problema é os "colateral triggers" - valor de rating abaixo do qual alguém é obrigado a colocar mais colateral, estilo margin call.

A BSC era um grande "writer" de Credit Default Swaps - valores na ordem nos biliões de dólares de valor notacional - mas com o rating reduzido para pouco acima de junk, o valor destas CDS vai ao ar (Alguém está à espera que a BSC seja capaz de pagar estes seguros?). Ora muitos dos hedge funds e bancos deste mercado fizeram hedging de CDS tomando posiçoes opostas em outras CDS pelo que  o movimento em cadeia de um firesale de CDS da BSC é altamente contagioso.

Outro facto é os cerca de 10 Bln USD de valor notacional de Interest Rate Swaps - mercado onde 2 agentes trocam maturidades e/ou tipos de taxas de juro, de fixo para variavel e vice versa. É um mercado de extrema importancia e é um dos mercados principais para a fixação de taxas de juro. De nada serve baixar a fed funds se este mercado (e o mercado monetário interbancario) não estiveram a funcionar. Ora, de repente uma fatia deste mercado pode ser vendida a preços de saldo, podendo ter efeitos de contagio.

E porque? Porque tecnicamente isto não é um bailout mas sim a ligação da BSC às maquinas de modo a arranjar alguem que a compre. Mas com a alteração dos ratings, o rumor é neste momento que se não for arranjado pelo menos um "memorandum of understading" a BSC não terá opção senão ir para Chapter 11. O "soro" da Fed poderá ter vindo um pouco tarde. E aqui estamos no campo dos rumores: especulasse que a JPM tenha uma grande exposição à BSC. Não se sabe quantos Hedge Funds tinham o dinheiro na BSC.

Por isso muita atenção: na ausencia de rumores, qualquer trader com alguma sanidade mental que tenha estado a brincar com o carry trade do yene vai estar a fazer unwind. É verdade, o Yene parece oversold, mas em épocas de panico esqueçam lá o RSI por um bocadinho...o Yene pode continuar a rumar abaixo dos 100, para os 98/97. Não esquecer também que neste momento o BoJ não tem Governador! O partido da oposição do Japão, que pela primeira vez em 50 anos de democracia controla a camara alta do parlamento, vetou a nomeação do substituto de Fukui, que vai sair na quarta feira.

No entanto tudo pode acontecer, inclusivé uma intervenção cambial de BoJ/BCE/Fed e ai não à stops que valham: passam a ser um spike numa chart.

Outro factor é que nesta semana divulgam-se resultados dos bancos de wall street e já há rumores que até a Goldman Sachs vai ter um writedown de 3Bln USD e descida de 50% nos lucros. Há também apostas em quem é o próximo - visivel pelos premiums das options - e neste momento a Lheman Brothers ganha o concurso, com nomes como o Citibank não muito distantes...

Moral da história: cuidado com as previsões para esta semana que os mercados vão estar bastante disfuncionais e dados a rumores e swings extremos.

Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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