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Revisão da matéria (para ignorantes)

Iniciado por alpino, Junho 27, 2008, 15:53

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alpino

Em Janeiro deste ano publiquei aqui uma complilação de alguns posts dedicados a jogadores pouco experientes em casinos bolsistas.

Como as coisas estão a tomar o rumo certo e previsto e se avizinham aí novos tempos e novos tipos de jogadas, deixo-vos aqui o texto que então publiquei. Para não cairem facilmente em esparrelas.

Conselho aos que jogam a prazo e ainda não atingiram o limite de idade: sejam prudentes, não se precipitem, porque a crise ainda vai no meio e os casinos têm corredores insondáveis e leva anos a percorrê-los.
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AS MINHAS FERRAMENTAS

1.Quando os casinos estão quentes e cheios de jogadores(bull no calão anglosaxónico), há empresas cotadas que aproveitam esse clima para fazerem aumentos de capital.

Então uma miríade de jogadores aproxima-se da mesa, isto é, dos balcões que vendem essas acções. E então dá-se o inacreditável, pede-se 1000 acções e obtem-se cem ou dez, porque a procura foi tal que a papelada (chamados títulos ou acções) não chegou para todos os pedidos.

Não raro pouco depois as novas acções entram na bolsa e até se dá o caso frequente de aparecerem a preços superiores aos da venda dessas acções, mas os pequenos jogadores que compraram essa papelada ainda não estão nessa altura em condições de venderem essas acções, por várias razões, de ordem legal e ou administrativa. Vêem por isso os navios ao longe...lol e durante o tempo conveniente a brokers (sobretudo bancos) e empresa.

Quando estiverem nessas condições alguns começarão a vender ao melhor preço, influenciados pelos preços de véspera. E as cotações começarão a afundar-se... por excesso de oferta e até porque, tendo havido a procura anormal que houve, isso já denunciaria que a borrasca da descida definitiva da bolsa estaria próxima...

É assim que muitas empresas enchem o bandulho com milhões, a preços exorbitantes..., muito acima dos valores nominais das acções,  ainda que pseudo-fundamentados com papelada de marketing muito bem feita, fornecida nos balcões de bancos e corretores.

Conselho: quando virdes uma procura de acções de uma empresa que excede em muito a oferta, virai a cara para o outro lado e ide dar um passeio pelo jardim mais próximo...lol
Comprai apenas quando se dá o contrário, quando a procura é menor do que a oferta, isto é, em períodos frios do casino e quando o preço oferecido não anda muito longe do valor nominal.

Acho que esta minha ferramenta vos pode ser útil, em especial aos menos experientes em jogos accionistas.

P.S. Não falo da Martifer, que poderia servir de exemplo. O caso actual da Galp é excepcional, tem razões para andar nos píncaros como anda (o negócio do petróleo também é um casino...), mas lá virá o tempo da aterragem.
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2.Se jogais no casino bolsista a curto prazo, para garantirdes uma taxa anual razoável, não alta mas que bata a dos depósitos a prazo dos bancos, digamos a prazo de três ou quatro meses, aconselho-vos dois períodos para comprar, o mês de Agosto (férias, em que muita malta está fora ou longe dos seus brokers) e fins de Dezembro, inícios de Janeiro, em que andam todos entretidos a fazer compras de Natal e ou a fazer a passagem de ano fora ou no folguedo. Quer dizer, nessas alturas a procura de acções é menor e as cotações andam mais frias...

Depois, se comprastes em Agosto esperai por Outubro-Novembro e vendei ou então, se comprastes em fins de Dezembro ou Janeiro vendei em fins de Abril, princípios de Maio, antes da distribuição de dividendos das acções que comprastes. E tanto faz ser esta ou aquela empresa, porque a maioria delas comporta-se assim, sobem em Setembro, Outubro e Novembro, descem em fins de Dezembro e Janeiro e voltam a subir em Abril e Maio, à espera dos dividendos e quando o maralhal comprador anda bem disposto com a Primavera e já sente no bolso os aumentos do salário e eventuais promoções no emprego que geralmente se dão nos primeiros meses do ano... lol

Mais um software útil para irdes ganhando algum ao longo dos anos frios... enquanto o hot e o bull não chegam...lol
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3.Se decidirdes comprar fundos num banco onde sois cliente habitual ou não, notai bem o que vos digo.

Irão mostrar-vos vários papeis, com nomes de fundos, números, gráficos, e tudo o mais que a balela do marketing bancário é capaz. Consultarão o computador e farão sair da impressora a cores uma molhada de papeis com esses grafismos todos, para ser mais bonito o negócio (e mais rendoso para o banco...).
Mas se decidistes comprar unidades de participação de um ou mais fundos há que escolher. Quais fundos?

O empregado mostrar-vos-há um que tem apresentado nos números e gráficos taxas de rentabilidade superior, ou então algum outro mais escondido, mas que instruções internas do banco querem impingir, dando prémio ou comissão ao empregado... lol

Por mim costumo jogar nos mais conhecidos e estáveis, ainda que mostrem menores taxas de rentabilidade. Ora, os que mais cresceram serão muito provavelmente os que já não terão muita mais margem para crescer...

Mas cuidado, depende da altura do ano em que comprais e da altura do ciclo bolsista, tal como nas acções.

Fiz um pequeno estudo de vários fundos do meu banco durante fins de 2006 e todo o ano de 2007, até agora. Todos subiam quando todas as acções subiam nas bolsas e todos desciam quando todas as acções desciam, e praticamente nas mesmas proporções. Isto mostra que tanto faz um fundo como outro, o que interessa é o preço a que comprais (altura do ano e altura do ciclo bolsista). Depois é deixar andar... e não deixar as árvores chegarem ao céu... lol

Tomai lá nota de mais este software.... lol
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4. Se quereis ganhar algum em poucos dias, tomai nota deste software.lol

Escolhei três ou quatro boas empresas cotadas no PSI-20, daquelas que gostam de fazer aumentos de capital, seja por incorporações de reservas, seja para obterem fundos.
Andai a par dos aumentos de capital anunciados e das datas em que os direitos de subscrição acabam ou em que a incorporação de rescervas se faz. Sabeis com certeza que no dia seguinte a essas datas, as cotações na bolsa reflectem isso, com uma baixa da cotação. Se a nova cotação for racional, isto é, se vier para preços condizentes com o preço de subscrição ou com a incorporação de reservas, nesse dia ou no dia seguinte dai ordens de compra ao melhor preço de algumas dessas acções. E uma semana ou duas depois vendei essas acções se virdes que a cotação subiu aos níveis próximos da cotação anterior ao aumento do capital. Não espereis mais, porque muito provavelmente a cotação ficará por aí.

Porque acontece isto? Como é possível que alguém compre acções a preços que já não correspondem aos seus reais valores de mercado? Digo de mercado, o que pode não ter nada a ver com o real valor da empresa. Mas isso pouco importa para este caso.

Pois bem, como em tudo na vida, há gente distraída por tudo quanto é sítio, ou ignorante do funcionamento dos aumentos de capital. Gente que, mesmo atenta, pode na altura dessa mudança do capital da empresa, estar fora, doente, etc. isto é, não estar a par do que se passou.
Então com os aumentos de capital por incorporação de reservas a anedota chega a ser ruidosa...

Em 1987, no período quente da bolsa de Lisboa e de outras,  a empresa Celulose de Caima fez uma incorporação de reservas, dando a cada accionista 14 acções por cada uma detida. Antes dessa incorporação a cotação andava em mais de duzentos contos cada, e depois da incorporação, vieram para cerca de sessenta contos, mas duas semanas depois já estavam outra vez muito acima dos cem contos e não longe dos duzentos... Ora, mesmo que a cotação anterior fosse de 200 contos e reflectisse o valor real da empresa (que não era de modo nenhum o caso), é evidente que após a incorporação a cotação devia vir para 200:14, isto é, para cerca de 14-15 contos cada. Mas não, a cotação era bem superior e subiu desalmadamente nos dias seguintes. Conheci um jogador, de formação superior, que enfiou este barrete, comprou-as após a incorporação a mais de cem contos cada, mas só o vi depois de ele enfiar o barrete e já não lhe pude valer.... Não sabia dessa incorporação de reservas e julgava que as acções tinham descido naturalmente...

Se assim fizerdes podeis ganhar algum à custa dos distraídos, não muito mas algum, tudo depende da temperatura da bolsa no momento.

Deixo-vos mais esta ferramenta. É um software fácil de aprender lol mas requer leitura e acompanhamento de algumas empresas. Aqui sim alguns jornais podem ser úteis, mas prefiram o jornal oficial da Bolsa. Engana menos. lol
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5. Se tendes acções de uma empresa e essa empresa é atingida por um processo de OPA, o melhor é venderdes essas acções na melhor oportunidade, antes da própria OPA. Correis o risco de a OPA não se efectivar e não mais terdes essas acções(porque as vendestes), mas em princípio não perdereis dinheiro ou pedereis muito pouco, já que o preço oferecido pelo oferente não andará longe da cotação do mercado e supondo que as comprastes antes a preço inferior, igual ou ligeiramente superior. Portanto é um negócio praticamente neutro para a vossa carteira, nem sim nem sopas e ides para outra.... lol

Explico porque deveis vender.

Se a OPA for avante e não tiverdes vendido ao preço oferecido, sereis uma minoria resistente. O oferente, depois da OPA, irá preparar tudo para mais tarde, provavelmente anos depois, vos comprar as acções a preço muito inferior ao da OPA. E fá-lo-ão ao abrigo da lei, quando tiverem certa percentagem do capital social. E oferecer-vos-á um preço inferior porque antes tratará de desvalorizar a empresa. Depois, com a concordância das autoridades (é obrigatório), estabelecerá um preço condizente com os fundamentais da empresa, antes propositadamente desvalorizada (de várias formas e por vários meios).  E sereis legalmente obrigados a vender as vossas acções, a preço da uva mijona... lol


Já fui apanhado assim com uma manigância destas com umas acções que tinha de um boa empresa e vi amigos serem autenticamente confiscados. A seguir ao boom bolsista de 1987 houve várias destas operações, sobre empresas muito boas (por exemplo, quase todas as Leasings financeiras na altura cotadas em bolsa foram opadas). Por isso sei do que falo.

Fugi como o diabo da cruz das empresas sujeitas a OPAS.

Esta mais uma boa ferramenta para os tubarões não vos enfiarem o barrete.
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6.No casino, na altura de entrarem, não olhem para o lado e não copiem ou vão nas conversas do jogador do lado. Há muita ratoeira atrás disso.

Vi alguns jogadores seguirem os conselhos do primeiro que aparece. Lembro-me de um artista que fazia isso e lixou-se nas primeiras investidas.
Ora, esse primeiro que aparece poderá dizer-vos por exemplo que ouviu dizer que a empresa A é boa e que por isso tenciona comprar acções dessa empresa, e até vos pergunta a vossa opinião...
Na verdade esse desconhecido já tem acções dessa empresa e quer despachá-las a bom preço, por isso anda nessa propaganda pelos cantos do casino... lol

Não ligueis à  propaganda avulsa, casual, de um desconhecido num balcão de um broker, sobretudo quando o casino está cheio e quente (em alta). Até podeis ter sorte se seguirdes a ideia desse desconhecido, mas tereis mais probabilidade de enfiar barrete, porque nessa altura os espertalhões abundam.... malta da vossa dimensão ou mandada por outros, mais gordos.

Andem sempre com este software no vosso PC. lol
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7.Alguns jogadores mais letrados olham muito para certos indicadores das empresas que os relacionam com as cotações bolsistas. Um deles é o PER (price earning ratio), coisa do bê-á-bá de qualquer jogador do casino minimamente apetrechado de ferramentas. Como sabeis, relaciona os resultados líquidos de uma empresa num dado período com a sua cotação na bolsa num dado momento.

Assim, se um PER de uma empresa for baixo (algo da ordem de 5, 8 ou pouco mais...), aparentemente a cotação dessa empresa está baixa, logo o jogador é tentado a comprar títulos dessa empresa porque pensa que os outros jogadores andam distraídos e que por isso fará uma boa compra, quiçá a preços de saldo...... lol

Ora, a minha experiência diz-me que nem sempre e em geral quase nunca é bom negócio comprar acções dessa empresa que tem um PER baixo relativamente à média do mercado. E isto explica-se pelo simples facto de que, se há jogadores distraídos (e há), há outros, sobretudo tubarões, que não andam nada distraídos. Logo, se o PER dessa empresa permanece baixo durante bastante tempo (meses), então isso quer dizer que algo se passa com essa empresa que não bate certo com o seu PER. As razões podem ser várias, escrita enganadora, lucros à base de resultados extraordinários, pouca liquidez, cash flow futuro pouco interessante, etc. etc., os tubarões lá sabem porquê, já que têm batalhões de informadores a trabalharem para eles, desde os bancos com quem trabalham até altos funcionários dessas empresas e aos brokers.

Resumindo, desconfiai de PERs baixos de uma empresa. Olhai bem para o movimento bolsista dessa empresa, se há ou não liquidez, que volumes se transaccionam diariamente, etc.
Em maré altista acontece mesmo que são as empresas com PERs elevados que mais se transaccionam e que maiores subidas apresentam. É certamente um tanto ilógico, mas algum casino tem jogadas lógicas? lol

Jogar neste casino é uma permanete irracionalidade para pequenos jogadores, mas não assim tanto para os tubarões. Esses andam mais bem informados, já que não querem correr o risco de terem de esperar muitos anos pelo retorno do que jogaram.

Analisar empresas pelos números publicados em jornais, mesmo oficiais, é um risco, já que muitos desses números mascaram a realidade. Para isso é que muitas empresas pagam a contabilistas e directores financeiros... lol
Em maré altista, jogai aleatoriamente em vários títulos, como já vos tenho dito. Arriscais menos.
Em maré baixista, arrumai os papeis e ponde o dinheiro a prazo com taxa garantida. Até ao início de outra maré altista, daí a uns anos.

Espero que esta ferramenta vos ajude a evitar de enfiar barretes baseados em aritmética virtual. lol
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8.Já falei aqui nas minhas ferramentas do perigo das OPAS para quem tem acções da empresa opada ou objecto de promessa de OPA.
Mas há outros perigos, também para quem tem acções da empresa opante. Explico porquê.

Se um tubarão, dono ou principal accionista de uma empresa bem conhecida do casino, promete opar uma outra, tida como de boa qualidade e de dimensão igual ou superior à sua, aparece no casino a dizer que vai ou quer opar essa outra  (a tal de boa qualidade), é evidente que, em maré altista (essas coisas só acontecem no casino em maré altista), as acções da sua empresa vão trepar bem até bem perto do céu. 

Nessa altura, logo após esse anúncio, muitos jogadores vão correr a comprar essas acções da empresa opante, na mira de uma valorização certa e segura, para todo o sempre.... 

Mas esses jogadores podem desconhecer a estratégia do dono da empresa opante, que apenas quer com essa jogada fazer subir fortemente a cotação das sua acções para vender acções próprias, dos filhos ou dos parentes, depois de anos antes ter andado a encher a pança de acções da sua empresa a preços de saldo... 

Provavelmente o dono dessa empresa já suspeitava ou sabia que a OPA não iria avante, mas, fazendo a OPA ou não, ficaria sempre a ganhar.
E depois de vender as suas acções no pico do casino (e eles e outros é que fazem o pico...), volta para casa para hibernar e continuar o seu core business, até à jogada seguinte, porventura anos depois...

Concluindo, cuidado com as OPAS, agora do lado dos detentores de acções da empresa opante. Se as comprastes a bom preço ou imediatamente a seguir ao anúncio da OPA, não espereis muito para as venderdes, porque podeis ser instrumento de estratégia desenhada num bunker qualquer, fora do vosso alcance e da vossa vista... 

Guardai este software porque vos pode vir a ser útil quando andardes lá pelas hot machines do casino...   

P.S. Qualquer semelhança entre esta ferramenta e o que se passou no casino de Lisboa em 2007 é pura coincidência.   
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9.Durante o semiciclo baixista do casino, tal como aquele que se iniciou em  meados de 2007 e que em minha opinião vai durar uma meia dúzia de anos, o que fazer se o vício for invencível e quisermos continuar a passear pelo casino a apanhar os ossos e desperdícios?

Não haja ilusões mas também não haja desânimo. Como já tenho dito, não há mar sem fundo.

Para os viciados recomendo que estejam atentos, agora sim, a um elemento fundamental de uma empresa, que é o dividendo distribuído ou a distribuir pelos accionistas. O que vai requerer acompanhamento da empresa, se possível por dentro e se possível imaginar o comportamento dos trabalhadores dessa empresa detentores de acções, pois esses andam mais informados do que nós. E eles também se passeiam pelo casino, vendem ou compram conforme o conhecimento que têm do andamento da empresa e dos seus futuros lucros, logo dos possíveis dividendos.

Se o dividendo previsto de uma empresa justificar a cotação da empresa, de tal modo que esse dividendo (após impostos) remunere melhor o capital do que os depósitos a prazo na banca, então podeis comprar essas acções com segurança, porque a cotação terá um suporte seguro e muito, muito dificilmente essa cotação descerá abaixo desse patamar.
Ora, se aplicardes esse critério ao casino actual de Lisboa, é evidente que a escadaria descendente ainda tem muitos degraus para descer...

A treta dos economistas e CEOs das empresas que andam sempre a prometer aos accionistas a criação de valor (para efeitos especulativos), e raramente bons dividendos, é uma treta e nada mais do que isso, na mira de seduzirem os principais accionistas e por via disso garantirem os tachos nessas empresas.

Mas há jogadores (neste caso verdadeiros investidores) que não se interessam por isso, porque são jogadores que não querem vender nem especular, querem apenas que a empresa renda bons dividendos, para que eles (jogadores, agora sim chamados com propriedade "investidores") poderem pagar aos seus clientes juros do capital aplicado. É o caso dos fundos e obrigações com taxa garantida, que têm compromissos regulares com os seus clientes. Eles não se interessam em vender em altas especulativas, porque têm prazos e obrigações para com os seus clientes ou associados e porque se venderem perdem a oportunidade de terem rendimentos regulares e porque depois ficam com as mãos a abanar sem saberem o que devem comprar de melhor, nesse momento ou pouco depois (comprar na alta?, em que os dividendos a receber no ano seguinte não justificam nem de perto nem de longe a cotação?).

Portanto, em período de baixa no casino, não ides em conversas fiadas de fundamentais das empresas, em gráficos bonitos e cálculos miríficos, com análises infinitesimais e cálculos de integrais e ou trigonométricos complicados, etc., porque só há um fundamental que interessa, que é o dividendo a receber, porque esse é tocável com as vossas mãos, e vê-se na vossa conta de jogador quando os dividendos forem distribuídos. O resto é treta para o casino não ficar às moscas. 

Ficai lá com esta ferramenta para a aplicardes nestes anos próximos. É como vedes um software fácil, até um menino da primária sabe fazer a conta de dividir. 
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10.O semiciclo do comprimento de onda das ondulações bolsistas de médio-longo prazo já começou há meses atrás, quando todos desataram a falar da crise do sub-prime americano (ainda que houvesse prenúncios bem antes, em meados e fins de 2006...). Reparem que em 25 de Fevereiro de 2007 a bolsa chinesa teve uma forte queda, a qual se repercutiu nas outras bolsas mundiais, Europa incluída. Já havia jogadores de cá do ocidente (americanos à cabeça), que aplicam lá na China, que davam sinais de levar a sério as notícias sobre o sub-prime americano... e fugiram.

Agora não há volta a dar. Em minha modesta opinião, as cotações de acções e fundos vão ter uma longa caminhada em escadaria descendente, como no Sameiro. Hoje sobem um metro, amanhã descem dois.

De vez em quando alguns jogadores profissionais (chamados Researcher's nalguns casos, corretores ou brokers noutros casos) lançarão alguns boatos nos media, que esta e aquela empresa vai ter lucros interessantes e acima das previsões, que o casino (chamado bolsa) vai reanimar, que as taxas de juro vão ajudar à recuperação da economia, etc., etc., a boataria costumeira, para quem quer salvar o seu ou perder o menos possível. Como estes profissionais já terão vendido tudo quanto é seu na alta (os figurões sabem-na toda....), trata-se agora de salvar alguns bons clientes  da ruina e sobretudo o emprego deles, pois sabem que nos próximos oito a dez anos os balcões dos Research's e dos brokers vão estar às moscas...
Shareholders e stockholders, pequenos e grandes, vão dormir um longo sono... provavelmente até 20016-18, altura em que acordarão lentamente.... para voltarem à mesa do casino e tocarem de novo as trombetas mediáticas das sereias, as quais tocarão suavemente no início e bem alto no paroxismo orgásmico bolsista para atrair novos e ingénuos navegantes.... dispostos a sacrifícios e altos riscos só para alcançarem a miragem da sereia...

E porque é que estes ciclos duram cerca de 10-12 anos, e não três ou vinte? Isto está relacionado com aspectos privados e psicológicos dos muitos mas pequenos jogadores perdedores, e por essa via também com os ciclos micro e macroeconómicos, pois as empresas dependem de haver ou não muitos compradores de bens e serviços. Ora, quando uma boa fatia dos consumidores fica entalada com papelada na mão cujas cotações vieram muito abaixo do que custaram, é evidente que a economia ressente-se. Foi assim nas crises anteriores, em 1929, em 1974, em 1987, em 1997 e agora, em 2007. E essa fatia da população perdedora precisa de tempo para esquecer a fatídica sorte  e a má decisão de se meter em jogos que não domina (e até para jurar que nunca mais se meterá noutra...) e precisa também de tempo para amealhar mais uns euros (os perdidos e mais alguns) para a próxima jogada... porque nessa altura, já com mais idade e por isso mais madura, julga já saber como evitar os mesmos barretes que antes lhe enfiaram e sente-se segura e sabedora para enfiar esses barretes aos outros, aos novos entrantes no jogo....

Aos perdedores actuais deste jogo (ciclo iniciado em 1997 e acabado em 2007) apresento as minhas condolências.  Custa perder o que levou tanto trabalhinho a ganhar, se o dinheiro jogado veio de poupanças do trabalho... Mas não desanimem. Se forem jovens ou de meia idade, ainda terão mais um ou dois ciclos pela vossa frente, para recuperarem o perdido em início de viciação. Questão é que aprendam que as árvores não sobem até ao céu e que não há mar sem fundo.

Concluindo:

1º Aos perdedores actuais, sugiro que arrumem os vossos papeis em casa e, se puderem, esperem uns dez anos para recuperarem o perdido. Entretanto, pode ser que alguma das vossas acções se multiplique no milagre da multiplicação dos papeis (chamado também aumento de capital por incorporação de reservas, ou spin off's, etc., os truques do costume de patrões e CEO's experientes nestes jogos). Quando um pobre vai atrás de um rico, há sempre uma ou outra moeda perdida que fica para trás... lol Aproveitem-na, acumulem, tenham paciência e esperem pelo momento adequado da estocada....lol

2º Aos ganhadores, recomendo cautela, um jogador de casino, se quiser ganhar dinheiro ao dono do casino, nunca deve aplicar no casino o dinheiro lá ganho, porque corre grande risco de tudo perder. Passem a depósitos a prazo, taxa garantida, acumulem os juros ao capital e depois, daqui a uns oito anos, comecem a comprar nova papelada (de preferência com liquidez), qualquer serve e se for escolha aleatória, sem olhar aos nomes ou ao que dizem os jornais, melhor, acerta-se mais, porque quando chegar o momento em que a sopeira do vizinho começar a interessar-se pela bolsa, toda essa papelada estará em forte alta, seja de boas empresas ou de empresas falidas ou semifalidas. É que os profissionais das empresas falidas ou semifalidas intoxicarão os media com mais intensidade e profissionalismo do que as boas, já que estas precisam bem menos dessa intoxicação... Portanto até podeis ganhar mais dinheiro com empresas à beira da falência do que com as outras... Mas convém equilibrar o leque e a tiragem à sorte garante isso melhor do que se fordes vós a fazer cálculos complicados e análises complexas de fundamentais, fundadas em dados falsos ou viciados, etc tal... Aliás isto parece que já foi provado matematicamente por intetectuais deste jogo. Mas a minha experiência empírica tem-me mostrado isso...

Desculpem esta minha maneira franca de falar, mas é o que realmente penso. E digo-o de boa fé.
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11.Para um jogador de casino, interessa saber quais as origens dos resultados das tendências e ambientes do casino.
Vejo que neste site há bons analistas de resultados (cotações) do casino, mas pouco ou nada sobre as origens ou causas desses resultados.
Ora, para quem quer jogar no casino, interessa mais compreender as origens da geometria das slot machines do que a geometria das mesmas. 

Em minha opinião, para se prever as futuras geometrias das máquinas do casino, importa ter em atenção as seguintes causas actuais e futuras:

1º Preços da energia, em especial petróleo, já que cerca de metade de todo o investimento mundial se relaciona com exploração de fontes energéticas e produção de energia, com consequências inevitáveis em todos os sectores de actividade, ainda que nuns bem mais do que noutros.

2º Preços das matérias primas minerais industriais, além das fontes energéticas (ferro, cobre, zinco, etc.), por se tratar de bens escassos mas fundamentais para qualquer economia, designadamente a americana e europeia.

3º Mudanças tecnológicas importantes ou radicais susceptíveis de criar novos sectores e clusters de actividade de alta rendibilidade, com consequências nos sectores ligados a esse ramo industrial, seja afundando sectores tradicionais, seja elevando aos píncaros novas empresas tecnologicamente actualizadas.

4º Fenómenos políticos relevantes (tratados de paz, atentados terroristas, guerras, acordos tecnológicos, etc.).

Qualquer uma destas causas pode alterar substancialente a geometria dos corredores do casino, logo o seu ambiente. E se houver duas ou mais causas simultâneas, então as alterações da geometria podem ser bem maiores, para o bem ou para o mal, conforme o estado actual ou evolução previsível dessas origens.

Os bons analistas de resultados que aqui expressam os seus conhecimentos deviam, a meu ver, dedicar-se mais a relacionar resultados e ambientes do casino com estas causas que acima menciono. E verão que os corredores do casino ficam mais simples de percorrer, evitando tropeções nas esquinas.   
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12.Iniciado um semiciclo baixista do casino, tal como está acontecendo nos vários casinos por esse mundo fora, o de Lisboa incluído, importa dar atenção ao seguinte:

Muitos dos ganhadores e alguns dos perdedores mais viciados têm uma forte tentação de correr pela escadaria e tentar apanhar ossos e cadáveres logo que lhes cheire a carne putrefacta.
Outros, mais racionais e menos precipitados, consultam dossiers e mais dossiers, onde procuram ver nos vários indicadores económico-bolsistas do momento (ou de que dispõem) os fundamentais que justifiquem novas entradas no casino. Devo confessar que fui hoje à minha gaveta buscar alguma papelada para me começar a actualizar...

Ora, quanto a estes fundamentais presentes ou passados das empresas, há que rever primeiro os fundamentais futuros, os previsíveis, e não andar com PERs , PCFs, cashs flows , book values e toda essa tralha  da AF, tudo isso já ultrapassado pelos trambolhões, ferimentos e mortos causados pelo que esteve na origem da descida desenfreada da escadaria.
E depois é preciso imaginar o que esses trambolhões, ferimentos e mortes provocarão na própria causa que os originou.

Dito de outro modo, é preciso prever os futuros desempenhos das empresas para daí retirarmos novos PCFs, novos cash flows, novos PERs, etc. e também o que o conhecimento ou previsibilidade disso por parte dos jogadores provocará nas temperaturas dos casinos de amanhã.

Vou dar um exemplo, para melhor compreensão:

Suponham que uma acção andava no pico de 2007 a 10,0€. E que agora, após os primeiros grandes trambolhões na escadaria do casino já anda a 6,0 €, portanto uma descida de 40%, uma queda superior à queda média do mercado (cerca de 20-25%).
Será agora altura de comprar?
Se fordes em conversas de AT e de AF com base em dados e projecções passados, sereis tentados a comprar, provavelmente para venderdes dias depois.

Mas os que não têm tempo nem jeito para esses perigosos zigzags, devem ter cautela, porque, entre outras razões, os fundamentais futuros da empresa provavelmente mudarão e muito relativamente aos fundamentais projectados para essa mesma empresa em 2005, 2006 e inícios de 2007. E muito provavelmente mudarão para pior, salvo alguma excepção (também há empresas que ganham com a crise geral). Assim, no exemplo dado, a médio prazo a cotação racional da empresa virá para níveis bem inferiores ao da cotação actual, que é de 6,0 €, apesar de esta cotação já reflectir uma forte queda relativamente ao pico de 2007.

Donde se conclui que as iludências aparudem  e que o melhor é manter-se longe do casino para arejar!... Até que o nevoeiro se dissipe e se possa de novo (re)ver ao longe...

Tomai lá nota deste software, que, mesmo que não faça bem, também não faz mal. 


dam

Muito bom mesmo este teu software, 5 estrelas! É que, "mesmo que não faça bem, também não faz mal" certamente.

Comps

parrana

Pois, rapaz, é isso mesmo!
Vamos hibernar com o urso.
Quem sabe, sabe! E el(b)es não sabem...
Muito obrigado.