Clubeinvest.com — Arquivo Histórico (1997-2011)
Esta é uma cápsula do tempo da comunidade financeira portuguesa. Login activo para membros.
Clubeinvest.com
Home Privado Fórum Acções Índices Metastock Portfolio Managers Publicações Blogs Contacto
 

Editar as notícias:

As mensagens escritas no Phorum (1997-2002) estão guardadas aqui: /phorum3/

Menu principal

Eleições americanas e a bolsa

Iniciado por vitorrslopes, Outubro 26, 2008, 13:21

Tópico anterior - Tópico seguinte

vitorrslopes

O legado de Bush

Política económica dos últimos oito anos foi "medíocre"
O primeiro impulso dos economistas portugueses é "chumbar" as políticas seguidas, mas a consciência de que teve a conjuntura agravada pelos ataques terroristas de que o país foi alvo sob o seu comando, em 2001, sobem um pouco a classificação final dos especialistas, que acabam, em termos gerais, por conceder um "medíocre" no balanço dos oito anos de mandato.
Os EUA estão no centro daquela que já é classificada como, provavelmente, a maior crise do último século, um legado que George W. Bush carrega e que justifica, em parte, a avaliação negativa que os economistas portugueses.

"É fácil criticar as políticas à 'posteriori' sabendo todos os factos. Bush governou numa época complicada, no seguimento dos ataques às Twin Towers, uma crise internacional e com choques petrolíferos adversos", afirma Ricardo Nunes, da Reserva Federal de Washington.

Feito o reparo, acaba por pegar nas palavras de um dos maiores críticos da actual Administração, o prémio Nobel da Economia deste ano, Paul Krugman, para afirmar que "a política de guerra de Bush deixou os EUA mais frágeis perante os inimigos e menos admirados pelos amigos. A desregulamentação dos mercados financeiros conduziu a uma crise.

O défice piorou, a dívida pública aumentou, a dívida externa cresceu, a economia e o dólar estão numa posição pouco confortável".

É também o desequilíbrio das contas públicas que leva Luís Cabral, da Universidade de Nova Iorque, a vaticinar que o balanço económico é "negativo, em muitos milhões".

O economista Ricardo Reis lembra que a reforma da Segurança Social foi uma das grandes bandeiras de Bush na campanha eleitoral de 2004. Contas feitas, "não conseguiu alterar absolutamente nada (nem para bem, nem para mal)", afirma o docente da Universidade de Columbia.

No âmbito das contas públicas, onde defendeu em tempo de campanha "a responsabilidade fiscal", o resultado também foi desastroso: acumulou "os maiores défices e crescimento na dívida pública na história dos EUA". Face às promessas, o balanço para Ricardo Reis "é forçosamente negativo".

João Gomes, docente da Universidade da Pensilvânia, considera positivo o facto da carga fiscal ter diminuído - na sequência dos pacotes de estímulo à economia efectuados pelo actual governo em 2001, 2003 e 2008 -, "mas perdeu-se uma óptima oportunidade para fazer uma reforma do sistema fiscal e dos sistemas de saúde e segurança social", denuncia.

O especialista critica o aumento excessivo das despesas públicas ao longo dos mandatos de Bush, mas recorda que os famosos défices gémeos históricos (das contas correntes e orçamental) registaram melhorias nos últimos anos.

vitorrslopes

Não é pelo programa económico que Obama é melhor que McCain

A confirmar-se a vitória de Barack Obama nas eleições de amanhã, ela acontecerá provavelmente mais por circunstâncias do momento do que pela maior segurança das promessas eleitorais do candidato democrata para o futuro da América.

Na opinião dos economistas portugueses a trabalhar nos Estados Unidos, as propostas económicas dos dois candidatos à Casa Branca equivalem-se nas virtudes, mas a excepcionalidade da conjuntura, a urgência do combate à crise e até o (contra-) efeito Sarah Palin favorecem o democrata, ainda que ligeiramente, nas preferências. Apesar de alguns até considerarem que as propostas de McCain são melhores, nenhum dos quatro economistas ouvidos pelo Negócios admite que votaria no candidato republicano.

A visão dos especialistas portugueses do outro lado do Atlântico acaba por replicar o sentimento dos eleitores norte-americanos quando a crise agudizou no final do Verão, fazendo Obama descolar nas sondagens. "Em relação aos problemas no sistema financeiro e à previsível recessão no próximo ano, Obama parece ter a melhor equipa e conjunto de propostas, enquanto que os discursos de McCain [sobre a crise] têm sido quase incoerentes", analisa Ricardo Reis, da Universidade de Columbia.

Luís Cabral, da Universidade de Nova Iorque, diz que está em causa o "balanço entre crescimento e equidade" através da política de tributação e, em resumo, diz que Obama beneficia a distribuição de riqueza, piorando os incentivos à criação de emprego e ao investimento, estando McCain melhor nestes dois últimos pontos, mas à custa de menor equidade. Daí que considere que o democrata dá a resposta com maior impacto económico e social imediato, com uma crise financeira para resolver no curto prazo.

João Gomes, professor da Universidade da Pensilvânia, vê os dois candidatos a oferecer "possibilidades interessantes", mas à pergunta sobre qual dos candidatos apresenta melhores propostas para garantir a sustentabilidade económica no longo prazo, responde: "Provavelmente John McCain".

Mais do que argumentação ideológica, ninguém duvida de que estes são dois projectos com diferentes concepções para a política económica. "McCain aposta no crescimento da produtividade através do sector privado, com um estado pequeno e pouco intervencionista, enquanto Obama conceptualiza o estado como promotor de investimento, educação e regulamentação", resume Ricardo Nunes, quadro da Reserva Federal norte-americana em Washington.

O crescimento da última década baseou-se no liberalismo, no entanto, "a recente crise pôs esse modelo em dúvida", acrescenta. Na sua opinião, a opção intervencionista de Obama pode mesmo resultar num maior desperdício de recursos, caso o investimento estatal não seja "o adequado".

E se há no programa eleitoral de ambos os candidatos propostas que merecem o elogio [ver ao lado], também entre os economistas portugueses há um efeito que vem do Alaska, é ultra-conservador e tem vindo a assumir importância nas intenções de voto. Aqui, Ricardo Reis não poderia ser mais claro. "Se votasse nos EUA era em Obama. Porquê? Duas palavras: Sarah Palin". Segundo uma sondagem do New York Times, 59% dos americanos considera que a vice-presidente de McCain não está preparada para o cargo.

Mas seja quem for o vencedor do escrutínio, ele terá dificuldade em implementar o seu programa eleitoral. Segundo Luís Cabral, "os planos para a solução da crise estão a absorver muitos recursos estatais que poderiam ser utilizados de outra forma", uma visão partilhada por Ricardo Nunes e João Gomes. Por seu lado, Ricardo Reis considera que a reforma da saúde não ficará em causa, já que não se trata de gastar mais, mas, sim, de gastar melhor.

vitorrslopes

Wall Street Journal alerta que eleição de Obama é um tiro no escuro

O "Wall Street Journal" (WST) assumiu hoje no seu editorial que a escolha de Barack Obama para próximo presidente dos Estados Unidos é "uma grande aposta no desconhecido". E isso, acrescenta o jornal, "uma vezes corre bem, outras nem por isso".

Numa altura em que se assiste a uma onda de apoios dos principais jornais norte-americanos a Barack Obama, o WSJ opta por não assumir uma posição clara sobre as suas preferências, mas sublinha que o candidato democratas apresenta-se como "um peculiar salto de esperança", ironizando "a sua falta de experiência e as contradições entre o discurso e o programa".

"Parece claro que os americanos querem mesmo um novo rumo, e isso é típico em momentos de crise económica: as pessoas optam por propostas novas que ainda não foram testadas", escreve o WSJ antes de acrescentar que "umas vezes corre bem, outras nem por isso".

Segundo o jornal, a possível escolha de Barack Obama apenas traduz a ideia de que os norte-americanos "estão cansados dos republicanos". Ainda assim, fica num elogio ao candidato democrata. Ele, segundo o WSJ, "compreendeu melhor este momento político do que qualquer candidato dos dois partidos"

vitorrslopes

Obama à frente em seis dos oito Estados decisivos
Pensilvânia, Ohio, Florida, Virgínia, Nevada e Missouri. A confirmarem-se as vitórias de Barack Obama nestes seis Estados, conforme antecipam hoje várias sondagens da Reuters, o candidato Democrata conquistará uma das maiores vitórias de sempre numa corrida à Casa Branca

vitorrslopes

Num dia de eleições presidenciais
Wall Street regista maior ganho dos últimos 24 anos

Há 24 anos que Wall Street não ganhava tanto num dia de eleições presidenciais. Ou seja, desde que o republicano Ronald Reagan venceu as eleições para a Casa Branca.

O índice Standard & Poor's está a subir perto de 4%, enquanto do Dow Jones e o Nasdaq valorizam perto de 3%. As acções da Master Card sobem mais de 12%, as da General Electric avançam 8,3% e as da CIT Group já dispararam mais de 30%.

No dia em que os norte-americano escolhem o próximo presidente, Wall Street vive um dia bastante animado. Desde 1984 que o dia das eleições não era tão entusiasmante nas bolsas norte-americanos. Os ganhos de hoje são os maiores desde a eleição de Reagan.

Eleições decorrem com a economia à beira da recessão Em 1984, Ronald Reagan, que venceu em 49 dos 50 Estados ao democrata Walter Mondale, "recebeu" uma economia em forte recuperação da recessão de 1981-1982.

Actualmente a situação é bem diferente. O próximo presidente dos Estados Unidos vai "receber" uma economia à beira da recessão.

As eleições decorrem numa altura em que os mercados bolsista e de obrigações estão a beira da pior queda dos últimos trinta anos.

O índice S&P 500 registou a maior queda desde a Administração de Gerald Ford, perdendo cerca de 38% desde o máximo histórico registado no ano passado. As obrigações registaram, no mês passado, a maior queda em 32 anos devido aos prejuízos do sector bancário: cerca de 680 mil milhões de dólares.

A confiança dos consumidores está no nível mais baixo de sempre e a taxa de desemprego no valor mais alto dos últimos cinco anos. Em Setembro passado, a taxa de desemprego nos Estados Unidos atingiu os 6,1%, o nível mais elevado desde Setembro de 2003.

lindaapastora

Citação de: vitorrslopes em Novembro 04, 2008, 22:06
Num dia de eleições presidenciais
Wall Street regista maior ganho dos últimos 24 anos

Bom dia

Ontem dava para analisar desta forma, ainda havia incertezas com o resultado.

Hoje com os o conhecimento, aí vão os mercados.

Parece que na Europa não queriam o homem, grandes expectativas,tudo gorado.

Afinal o maior BULL MARKET era só miragem


Melhoras para o mercado

lindaapastora
(terra linda)
bons negócios a todos

lindaapastora

www.malukosnabolsa.blogspot.com


-Os pontos aqui referidos representam apenas e neste momento a forma como vejo o mercado, poderei estar equivocado.  Em situação alguma deverão ser tidos como orientação de investimento

vitorrslopes

Citação de: lindaapastora em Novembro 05, 2008, 10:37
Citação de: vitorrslopes em Novembro 04, 2008, 22:06
Num dia de eleições presidenciais
Wall Street regista maior ganho dos últimos 24 anos

Bom dia

Ontem dava para analisar desta forma, ainda havia incertezas com o resultado.

Hoje com os o conhecimento, aí vão os mercados.

Parece que na Europa não queriam o homem, grandes expectativas,tudo gorado.

Afinal o maior BULL MARKET era só miragem


Melhoras para o mercado

lindaapastora
(terra linda)

Mesmo em bull market há correcções..
e se fores ver o CAC, dow jones, DAX bateram o anterior máximo relativo

lindaapastora

Citação de: vitorrslopes em Novembro 05, 2008, 11:00

Mesmo em bull market há correcções..
e se fores ver o CAC, dow jones, DAX bateram o anterior máximo relativo

Com os mercados asiáticos, não se passou o mesmo,por aí não fizeram as correcções como na Europa.
Por isso disse.....  "Parece que na Europa não queriam o homem"

Não disse que era esse o motivo.

lindaapastora
(terra linda)
bons negócios a todos

lindaapastora

www.malukosnabolsa.blogspot.com


-Os pontos aqui referidos representam apenas e neste momento a forma como vejo o mercado, poderei estar equivocado.  Em situação alguma deverão ser tidos como orientação de investimento

vitorrslopes

Wall Street teve o pior desempenho no mandato de Bush desde presidência de Nixon

Durante os oito anos de mandato e Bush o Dow Jones registou uma perda de 12,3%. Pior prestação para Wall Street só entre 1969 e 1974, quando Richard Nixon esteve na Casa Branca. Já o PIB cresceu a uma média anual de 2,3%.

De acordo com as contas da agência Bloomberg, o Dow Jones desvalorizou 12,3% desde 20 de Janeiro de 2001, quando Bush foi nomeado presidente dos EUA.

Esta performance de Wall Street contrasta com a subida do índice no mandato de Bill Clinton, quando o Dow Jones apreciou 225,2%.

No mandato de George H.W. Bush, pai do actual presidente, o Dow apreciou 44,8% e no mandato anterior, de Ronald Reagan, o índice subiu 130,2%.

Jimmy Carter foi o anterior presidente cujo mandato foi marcado por uma performance negativa em Wall Street, com o Dow Jones a cair 1,9%. Pior que Bush, só Richard Nixon, entre 1969 e 1974. Neste período o Dow Jones caiu 16,9%.

No plano económico, o PIB cresceu a uma taxa média anual de 2,3% durante o mandato de Bush. Abaixo dos 2,6% de Clinton, mas acima dos 2,2% de George H.W. Bush.

vitorrslopes

Depois de uma semana, voltámos ao ponto de partida...
A euforia inicial passou..Obama a receber algumas "negas" aos seus convites para a Administração

tiagodandre

:::O impacto de Obama para os investidores

«Yes We Can»
("Sim Podemos " – expressão frequentemente utilizada pelo Presidente eleito dos EUA durante a campanha, e por sete vezes no discurso de aceitação no dia 4 de Novembro de 2008)

O senador Barrack Obama foi eleito na passada semana como o 44º Presidente dos Estados Unidos da América (EUA). Obama é o primeiro afro-americano eleito para o cargo, sendo igualmente um dos Presidentes mais jovens de sempre, tendo beneficiado de uma das campanhas mais mediáticas e mobilizadoras das últimas décadas.

Obama era igualmente o candidato preferido em todo o mundo, por uma larga margem. De acordo com o Colégio Eleitoral Global organizado pela prestigiada revista britânica The Economist, no qual participaram 52.000 dos seus leitores, Obama reunia a preferência de 85% destes "eleitores" globais.

O Presidente eleito herda a mais grave crise financeira das últimas décadas e a mais elevada taxa de desemprego dos últimos 14 anos nos EUA. Os seus desafios na frente económica são muito significativos.

Como se deverão os investidores preparar para a presidência de Obama, que toma posse no próximo dia 20 de Janeiro?


A agenda económica

Neste momento, parece consensual que os países desenvolvidos terão um crescimento quase nulo este ano e negativo em 2009. Os EUA terão sido o primeiro país a entrar em recessão, e serão porventura um dos primeiros a sair dela, tendo presente a pro-actividade das autoridades norte-americanas no estímulo à economia, por via da política monetária (redução das taxas de juro de 5,25% para 1% e sucessivas injecções de liquidez), da política orçamental (cheque fiscal a todas as famílias em Maio) ou por via do ambicioso programa de compra de activos "tóxicos" do sistema financeiro (Emergency Economic Stabilization Act, também conhecido por "plano Paulson", no valor de 700 mil milhões de dólares).

O primeiro e principal desafio de Obama na primeira fase da sua presidência será, desta forma, minimizar a duração e intensidade da recessão económica nos EUA.


Eis alguns dos principais tópicos que tenderão a constar da sua agenda económica

1. Aumento do défice orçamental
Estando o estímulo monetário praticamente esgotado, a via orçamental deverá ser a principal alternativa utilizada pela nova presidência para dinamizar a economia, apoiando os 10 milhões de desempregados, as famílias que estão em risco de perderem as suas casas e as fragilizadas pequenas e médias empresas.

O facto do Congresso (em particular a Câmara dos Representantes) ser da mesma cor política, poderá facilitar a aprovação das medidas, ainda que não tenha sido conseguida a maioria de 60 lugares no Senado que tornaria as decisões mais céleres.

O previsto estímulo fiscal deverá elevar o défice orçamental para um valor superior a 1 trilião de dólares em 2009.

2. Impostos
Uma das mais significativas promessas eleitoriais de Obama foi a redução dos impostos das classes mais desfavorecidas e um aumento dos impostos dos cidadãos com maiores rendimentos. Refira-se que esta medida só deverá ser concretizada a partir de 2010 (ano em que cessam as reduções fiscais implementadas em 2003), atendendo à actual conjuntura recessionária.

Deverá aumentar igualmente a tributação sobre os dividendos e sobre as mais-valias obtidas em bolsa, o que poderá vir a diminuir a atractividade do mercado accionista para alguns investidores.

3. Comércio
Obama mostrou-se favorável a renegociação do acordo de livre comércio da América do Norte (NAFTA), no sentido de proteger as indústrias norte-americanas.

De uma forma geral, qualquer política proteccionista é negativa para os mercados accionistas a longo prazo, na medida em que constitui um travão ao crescimento económico global e causa pressões inflacionistas por via salarial. Ainda assim, tende a ter um efeito positivo, a curto prazo, para as pequenas e médias empresas (small caps).

4. Trabalho
Obama é favorável à implementação do Employee Free Choice Act, legislação que reforça o poder sindical. Actualmente só 7,3% dos trabalhadores norte-americanos são sindicalizados, percentagem que tenderá a aumentar. Na medida em que pode implicar o aumento dos custos salariais das empresas, esta intervenção poderá igualmente ter um impacto negativo no mercado accionista.


Quais os sectores que mais poderão beneficiar e perder?

Como acontece em qualquer presidência, a política económica de Obama tenderá a originar vencedores e perdedores nos mercados financeiros (embora relações directas e causais sejam sempre difíceis de estabelecer, uma vez que os mercados são condicionados por múltiplos factores).

1. Energia
Um dos objectivos de Obama é o de garantir a independência energética dos EUA no prazo de 10 anos, introduzindo empréstimos bonificados e benefícios fiscais para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Para este efeito, prevê-se o investimento de 150 mil milhões de dólares na próxima década em energias renováveis, com destaque para a energia solar. A probabilidade da vitória de Obama levou a uma valorização média de 78% das empresas especializadas no sector solar nas 5 sessões de bolsa até ao dia da eleição.

A maior preocupação com as alterações climáticas e o aquecimento global deverá beneficiar as empresas de reciclagem, tratamento de águas, consultoria ambiental e tecnologia para reduzir emissões de carbono.

As empresas petrolíferas deverão perder com a presidência Obama, em especial através de um tratamento fiscal mais desfavorável.

2. Cuidados de saúde
Obama pretende alargar os seguros de saúde aos 46 milhões de cidadãos que não beneficiam actualmente de qualquer cobertura, oferecendo subsídios para este efeito. Esta poderá ser uma oportunidade para algumas seguradoras.

Outro dos objectivos passará por reduzir os custos com cuidados de saúde, o que poderá reduzir as margens comerciais das maiores farmacêuticas, ainda que seja positivo para a indústria de genéricos. Também as empresas de biotecnologia poderão beneficiar do aumento do investimento em actividades científicas defendido por Obama.

3. Infraestruturas
Outra das prioridades de Obama é a criação de empregos (estima-se um número de 2 milhões) na reconstrução de estradas, pontes, portos e aeroportos. A entidade equivalente à nossa Ordem dos Engenheiros nos EUA é de opinião que será necessário o investimento de 1,6 triliões de dólares nos próximos 5 anos para melhorar a qualidade das infraestruturas, o que deverá beneficiar empresas de construção, engenharia e consultoria.

4. Defesa
A opinião pública tende a associar gastos militares com presidências republicanas, mas a verdade é que, nos últimos 30 anos, o orçamento anual da defesa aumentou mais nas presidências democratas (5,9%) do que nas republicanas (5,4%).

Depois de um crescimento de 72% em termos reais do orçamento de defesa nos últimos 8 anos, para suportar as intervenções militares no Afeganistão e Iraque, será de prever um abrandamento nas taxas de crescimento da despesa militar, mas serão pouco prováveis cortes substanciais no orçamento, atendendo à actual incerteza geopolítica. Obama defende uma proposta no sentido de alargar os efectivos do exército e da marinha em 92.000 militares.

5. Comércio a retalho
As acções do sector retalhista poderão ser negativamente afectadas com a subida defendida por Obama para o salário mínimo federal para 9,50 dólares por hora, um incremento de 45% em relação ao valor actual, e com o aumento da sindicalização. Ainda assim, alguns retalhistas poderão beneficiar do previsível aumento do poder de compra das classes mais desfavorecidas.

6. Obrigações municipais
Num contexto de subida de impostos sobre os rendimentos obtidos no mercado de capitais, poderá aumentar a atractividade das obrigações municipais, uma vez que estão isentas de impostos.


Os mercados preferem os presidentes democratas ou republicanos?

As presidências republicanas tendem a ser vistas como mais benéficas para os mercados accionistas, por defenderem políticas económicas mais favoráveis às empresas, como impostos mais baixos.

No entanto, os resultados históricos desde 1926 revelam precisamente o contrário. De acordo com dados da empresa de research Ibbotson Associates, as presidências democratas geraram um retorno médio anual superior à inflação em 9,2%, claramente superior aos 4,6% das presidências republicanas.



Fonte: Ibbotson Associates
Nota: rendibilidades líquidas de inflação

Esta diferença é claramente agravada pelo facto das mais graves crises financeiras terem ocorrido em presidências republicanas: a Grande Depressão com o Presidente Hoover (1929-33), o choque petrolífero nas presidências de Nixon e Ford (1969-77) e o fim da bolha tecnológica em 2000-02 e a crise financeira de 2007-08 na presidência de George W. Bush.

As diferenças são ainda mais notórias no desempenho das small caps: a rendibilidade real anualizada média das empresas de pequena e média capitalização foi de 16,5% nas presidências democratas, e de apenas 2,2% nas presidências republicanas.

Já as Obrigações do Tesouro registaram um desempenho real (acima da inflação) muito mais favorável nas presidências republicanas : +4,8% contra –0,4%.

Como se explicam estas diferenças? Um estudo da UCLA* conclui que a diferença não é atribuível a uma compensação por um risco acrescido, já que a volatilidade accionista nas presidências republicanas foi até superior.

Uma das explicações poderá centrar-se no facto dos republicanos estarem normalmente mais enfocados no combate à inflação (o que se traduz em taxas de juro reais cerca de 4% mais altas do que nas presidências democratas, entre 1927 e 1998) e de as presidências democratas serem tradicionalmente mais expansionistas, com grande ênfase na criação de emprego.

Segundo um artigo recente de Paul Krugman (Prémio Nobel da Economia de 2008) no New York Times, as taxas de crescimento do emprego nos EUA foram sempre mais elevadas nas 4 presidências democratas do pós-Guerra (Kennedy, Johnson, Carter e Clinton) do que nas presidências republicanas do mesmo período.


Em conclusão ...

O Presidente eleito Barrack Obama tem inúmeros desafios pela frente. Dentro de portas, irá confrontar-se com a deterioração da economia, o aumento do desemprego, a confiança dos consumidores em mínimos históricos. No exterior, espera-se que reafirme o papel da América como superpotência mundial e que seja um líder respeitado globalmente.

Não são de esperar alterações profundas na política económica dos EUA na primeira fase do mandato de Obama, atendendo à conjuntura adversa. Progressivamente, será de esperar a subida de impostos, o aumento do défice orçamental e da dívida externa, o que colocará a médio prazo algumas pressões sobre a inflação e o dólar.

Ao contrário do que seria de esperar, as presidências democratas tendem a ser favoráveis para os mercados accionistas, num contexto histórico em que são privilegiadas medidas de estímulo à criação de emprego e à redução de taxas de juro. Contudo, devemos ter presente que a evolução dos mercados accionistas resultará sempre mais de factores fundamentais (resultados das empresas, nível de valorizações) e de sentimento (aversão ao risco) do que de decisões políticas.

As expectativas do mundo são altas. É preciso restaurar a confiança. Será que Obama conseguirá implementar a sua agenda de mudança?

* Pedro Santa-Clara e Rossen I. Valkanov, University of California Los Angeles (UCLA), «The Presidential Puzzle: Political Cycles and the Stock Market». Journal of Finance, Vol. 58, pp. 1841-1872, October 2003.

ActivoBank7
"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

vitorrslopes

Permitam-me que sublinhe este bom artigo do negócios:


Os planos de Barack Obama para melhorar a economia dos EUA
A avaliar pelas propostas e discursos da campanha, o perfil económico do futuro presidente traça-se com a linha apontada a maior equidade, a nível fiscal, na saúde ou nas contribuições para a Segurança Social. Com o agravar da crise, no emprego e no comércio internacional, Obama faz regressar políticas mais proteccionistas e tradicionais dos democratas. A maior aposta nas energias "verdes" e na investigação tecnológica simbolizam o início de uma nova era na Casa Branca.


A avaliar pelas propostas e discursos da campanha, o perfil económico do futuro presidente traça-se com a linha apontada a maior equidade, a nível fiscal, na saúde ou nas contribuições para a Segurança Social. Com o agravar da crise, no emprego e no comércio internacional, Obama faz regressar políticas mais proteccionistas e tradicionais dos democratas. A maior aposta nas energias "verdes" e na investigação tecnológica simbolizam o início de uma nova era na Casa Branca.


Serv. financeiros

Não estamos a fazer nenhum favor aos negócios e ao povo americano quando não olhamos para os riscos e a alavancagem excessiva no mercado.

Propostas
Subsídio de $500 para ajudar no crédito à habitação
Limitar a prestação da casa a 36% do rendimento
Maior controlo das condições de cartões de crédito
Uniformizar o cálculo das despesas com empréstimos

Com os mercados financeiros a atravessar a pior crise desde 1929, Obama listou as quatro áreas prioritárias para a indústria dos serviços financeiros: atacar a fraude no mercado hipotecário, cujas práticas "irresponsáveis" estiveram na base da actual crise; controlar as práticas "predatórias" das emissoras de cartões de crédito; reformar a legislação das falências, cortando nos prémios a gestores; e restringir os empréstimos de curto prazo com altas taxas de juro. Na campanha, Obama acusou McCain de "acomodar-se e esperar". Agora, com o plano de regulação dos mercados ainda em fase embrionária, pode pôr em prática algumas das suas Propostas, como a de atribuir um subsídio médio de 500 euros para amortização do crédito à habitação para 10 milhões de proprietários que ganham menos de 50 mil dólares/ano e que não chegam a beneficiar das deduções fiscais. O democrata quer criar um órgão de regulação de risco de todas as instituições (pode envolver a fusão dos já existentes) e vai exigir às entidades que concedem crédito que forneçam "informação clara e simplificada" sobre taxas cobradas, pagamentos e penalizações aos clientes, compilando-a depois num quadro para comparação mais fácil – e uma escolha mais racional – entre os diversos produtos. Para "afastar financiadores sem escrúpulos", a nova administração quer acordar com os bancos condições para operações de crédito de valor reduzido e a curto prazo. Uma outra medida importante é a de limitar a 36% o esforço financeiro dos americanos com o pagamento do crédito à habitação, o que significa que os bancos, para darem crédito, têm que assegurar que o cliente vai pagar menos de 36% do seu rendimento na prestação.

Fiscalidade

Quem acumula grandes fortunas com ganhos de capital na bolsa está a pagar menos impostos
do que as suas secretárias, e isso não é justo.

Propostas
Corte fiscal para 95% dos contribuintes
Fim imposto mais-valias mobiliárias para "start ups"
Controlar abusos em paraísos fiscais e "offshores"
Condicionar cortes fiscais a aumentos de receita

Durante a campanha, Obama distanciou-se dos republicanos, ao prometer um corte de impostos para 95% dos norte-americanos e ao rever as políticas fiscais de Bush que beneficiaram os mais ricos nos últimos oito anos com um custo para o Estado de mais de 2,3 biliões de dólares. Porém, mesmo a minoria com rendimentos acima de 250 mil dólares pagará, garante o novo presidente, o mesmo ou menos do que pagava nos anos 90. Mas no plano de Obama estão também medidas de interesse para as empresas [ver nestas páginas as promessas fiscais na área laboral, energia e tecnologias], sendo os benefícios para protecção dos trabalhadores nacionais prioridade do novo presidente (em 2007 legislou no Senado o pacto patriótico para o emprego). Obama vai deixar de taxar mais-valias mobiliárias para investimentos em pequenas empresas e "start ups", conceder crédito fiscal aos pequenos empregadores que assegurem seguro médico aos trabalhadores, e quer tornar o código tributário mais eficiente e justo, com incidência na responsabilidade fiscal. Neste âmbito tem Propostas para simplificar procedimentos administrativos que farão com que 40 milhões de americanos da classe média possam cumprir as suas obrigações fiscais em cinco minutos e sem precisar de um contabilista; vai responsabilizar o Tesouro para acabar com "abusos" dos paraísos fiscais e dos "offshores"; tapar o buraco de 350 mil milhões entre os impostos devidos e efectivamente pagos; e eliminar deduções e esquemas especiais que beneficiam grandes empresas da área do gás e petróleo. Relevante é também a reintrodução de regras orçamentais que obriguem a que novas despesas ou mudanças fiscais sejam compensadas por poupanças noutros programas ou na realização de novas receitas.

Comércio

Queremos acordos justos para os trabalhadores dos EUA. Acredito no mercado livre, mas não em simplesmente dar a loja toda.

Propostas
Pressionar a OMC para pôr fim a subsídios públicos
Reservar contratos públicos para empresas que empreguem trabalhadores norte-americanos
Benefícios fiscais para empresas com sede nos EUA

As ideias de Obama para o comércio internacional são distantes das de McCain, defensor do comércio livre e dos acordos em vigor. Apesar de ter declarado por diversas vezes defender, por princípio, o comércio livre, o presidente eleito quer promover nos tratados com países estrangeiros cláusulas que obriguem ao cumprimento do "comércio justo": parâmetros iguais ao nível ambiental, segurança e condições de trabalho. A futura administração está contra o acordo de comércio da América Central e quer renegociar a NAFTA (México e Canadá). Obama é particularmente crítico em relação à China, no que se refere à manipulação da cotação do yuan (mantido artificialmente baixo, prejudica a competitividade dos produtos norte-americanos) e à violação dos direitos de propriedade intelectual, propondo uma lei que classifique a sub-avaliação da moeda chinesa como um subsídio. As ajudas governamentais às exportadoras são, a par com as barreiras alfandegárias, uma das razões da pressão que os EUA pretendem fazer na Organização Mundial do Comércio. O plano de acção inclui reservar concursos públicos para as empresas que beneficiem os trabalhadores americanos e alargar o já existente "plano de assistência para o reajuste económico" ao ramo dos serviços e dar formação a trabalhadores que operam em sectores vulneráveis à deslocalização. No plano fiscal, Obama quer acabar com benefícios para as empresas que saem para o estrangeiro e dar crédito fiscal às que mantenham ou aumentem o número de trabalhadores a tempo inteiro nos EUA, mantenham o "headquarter" nos EUA, paguem salários justos, preparem os trabalhadores para a reforma, disponibilizem seguros de saúde e apoiem os trabalhadores militares.

Energia

Em 10 anos poderemos reduzir a nossa dependência para não importar mais petróleo do Médio Oriente e da Venezuela. Creio que este é um calendário realista.

Propostas
Criar cinco milhões de "empregos verdes"
Um milhão de carros eléctricos em 2015
Ter 10% da electricidade consumida proveniente de fontes renováveis em 2012

O eixo da política energética da próxima administração será libertar a nação da dependência dos combustíveis fósseis através da promoção de fontes alternativas de energia, pelo que o resto do mundo pode esperar um interlocutor mais aberto nos fóruns internacionais da especialidade (deixando para trás o estigma de Quioto), assim como novas oportunidades empresariais neste sector. Obama, que assumiu incluir o nuclear no "mix energético" do país, prometeu gastar 15 mil milhões de dólares para criar cinco milhões de "empregos verdes" na próxima década; quer assegurar que 10% (em 2012) e 25% (em 2025) da electricidade tenha como fonte as energias renováveis; ter em circulação um milhão de carros eléctricos, de preferência "made in USA", em 2015; dar um crédito fiscal de 7.000 dólares na comprar de veículos de energia alternativa. Aponta ainda como meta reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 80% até 2050. Apesar de reconhecer a necessidade de expandir a perfuração petrolífera doméstica, o novo presidente referiu que o problema não se resolve desta forma, até porque o objectivo é acabar com a dependência do petróleo de estados árabes ou da Venezuela. Com objectivos tão ambiciosos, é previsível um impacto grande na energia mas também nas infra-estruturas de transporte, o que pode abrir portas a novas e rentáveis oportunidades de negócio. No entanto, os novos investimentos no sector passarão a ser mais escrutinados, agora não só devido à segurança energética do país, mas também no que toca ao efeito no emprego, em especial nos negócios que envolvam a aquisição de empresas locais. A investigação em tecnologias limpas e energeticamente eficientes será também uma mina de ouro concorrencial, se bem que o novo proteccionismo pode favorecer, em casos de igualdade, os centros de investigação norte-americanos.

Tecnologia

Encorajar novos negócios significa melhorar a ciência, a investigação e a tecnologia.

Propostas
Levar banda larga às zonas rurais
Tornar permanentes as vantagens fiscais para I&D
Reformar o sistema de patentes
Proteger direitos de propriedade intelectual

Obama quer acabar com a "hostilidade à ciência" de Bush, temendo que os EUA percam a liderança na ciência e tecnologia. Vai criar a inédita figura da autoridade para a Tecnologia para assegurar inovação e segurança de rede a todas as agências do governo e usar tecnologia de ponta para dinamizar a participação dos cidadãos na política, aumentando a transparência e a responsabilização. Obama promete vantagens fiscais permanentes para investigação e desenvolvimento (I&D), proteger direitos de propriedade intelectual (é muito crítico da contrafacção chinesa) e dar "clareza e previsibilidade" ao sistema de patentes, aumentando a qualidade e abrindo o processo à revisão dos cidadãos. Tal como na educação, Obama vai duplicar os fundos para apoiar investigadores em início de carreira. Mas enquanto os nativos não tiverem competências para trabalhos tecnológicos, Obama promete ajudar os imigrantes mais qualificados, aumentando temporariamente a concessão de vistos H-1B. Em perspectiva está o lançamento de uma base de dados "online" com informação sobre oportunidades de financiamento (público ou privado) para projectos nas áreas da ciência e tecnologia. Obama quer ainda expandir a banda larga e o "wireless" nas zonas mais rurais da América, o que abrirá novas oportunidades para as empresas.

Obras públicas

Demasiadas estradas, pontes e aeroportos estão em decadência lenta, devido à falta de investimento e de planeamento estratégico a longo prazo.

Propostas
Criar 2 milhões de empregos/ano
Criar Banco de Reinvestimento em infra-estruturas e financiá-lo com 60 mil milhões na próxima década

Obama promete criar dois milhões de empregos/ano com investimento na construção e renovação de infra-estruturas (estradas, pontes, túneis, portos, aeroportos e caminhos-de-ferro), por uma questão de segurança e por acreditar que aumenta a competitividade da economia. "Vamos libertar o potencial de todas as regiões, ligando-as com infra-estruturas do século XXI", prometeu. Para financiar estes projectos, cria uma entidade independente (Banco Nacional de Reinvestimento em Infra-estruturas), que decidirá os projectos a avançar e investirá 60 mil milhões de dólares nos primeiros dez anos. Considerando as obras públicas como pilar da política económica da nova Administração (e onde as oportunidades de trabalho e negócios serão mais abundantes), a "Time" escreve que Obama vai gastar mais do que planeia. Prometida está também a criação de uma parceria entre governo e lideranças locais (empresariais, políticas e cívicas) para planear melhor as necessidades específicas de cada região, avaliando o aumento populacional, estrutura económica e desafios energéticos. A lei que determinou em 2005 gastos de 286 mil milhões em transportes expira em Setembro de 2009, mas especialistas dizem que reautorizar um montante igual pode agora não ser suficiente, dada a degradação das infra-estruturas, podendo ser canalizados fundos poupados com a retirada do Iraque.

Trabalho

Todos os trabalhadores devem poder unir-se. Precisamos de fortalecer os sindicatos, deixando-os fazer o que fazem melhor: organizar os trabalhadores.

Propostas
Aumentar o salário mínimo
Maior liberdade para sindicalização
Proteger trabalhadores grevistas
Alargar a lei de licença médica

Obama quer indexar o aumento do salário mínimo ao valor da inflação para garantir que aquele sobe todos os anos. Quer igualdade salarial para homens e mulheres com o mesmo emprego e apoia o direito dos trabalhadores à negociação colectiva e à greve. A futura administração pretende evitar que, como acontece com frequência, as empresas procedam sistematicamente à substituição dos grevistas, garantindo aos trabalhadores a reivindicação sem receio de perderem o seu meio de subsistência. Com a maioria democrata no Senado, Obama pretende transformar em lei uma proposta que confere maior liberdade de sindicalização aos trabalhadores, mudança que tem tido a oposição de algumas das maiores associações empresariais do país, como a Câmara de Comércio dos EUA, e que obrigaria as empresas a comunicarem melhor com os empregados. Ainda nesta área, o futuro presidente quer expandir a aplicação da lei da licença médica familiar a empresas com um mínimo de 25 trabalhadores (actualmente é aplicável apenas às que empregam 50 ou mais pessoas) e alargá-la a casos de apoio aos mais velhos e participação em actividades académicas dos filhos. A lei original (1993) foi das primeiras a serem assinadas por Bill Clinton e permite aos trabalhadores tirar uma licença sem vencimento, até ao máximo de 12 semanas por ano, aquando do nascimento de um filho ou para apoiar familiares doentes.

Saúde

Cada americano tem o direito a aceder a cuidados de saúde. Vou assegurar que temos um sistema que concede a todos uma cobertura básica.

Propostas
Reduzir custo com seguro de saúde em $2.500/ano
Criar Bolsa com planos de saúde públicos e privados
Crédito fiscal para PME que assegurem plano saúde
Baixar preço dos medicamentos e incentivar genéricos

A Saúde foi um dos "cavalos de batalha" de Obama durante a campanha, em que criticou um sistema em que 45 milhões não têm seguro de saúde no país mais rico do mundo. O novo governo vai subsidiar custos de cobertura, que baixam 2.500 dólares/ano para a classe média e famílias de rendimentos mais baixos e têm como meta baixar o número de não-segurados em 18 milhões no primeiro ano de operação deste Plano, que tem um custo estimado de 1,6 biliões de dólares para dez anos. O governo criará uma bolsa, sujeita a regras mais apertadas, em que estarão disponíveis o novo plano público (com os mesmos benefícios concedidos aos membros do Congresso) e também os privados (cujos custos serão escrutinados e alvo de maior concorrência), e vai obrigar as empresas que ainda não o fazem a estabelecer planos de saúde para os seus empregados – aumenta os custos operacionais do negócio –, concedendo crédito fiscal às empresas mais pequenas para fazerem o mesmo. Na área farmacêutica, Obama quer baixar os preços de comercialização, ao permitir a importação de medicamentos de outros países desenvolvidos, ao incentivar os genéricos nos programas públicos e ao impedir as indústrias de concertar preços.

Educação

Vou assegurar que cada criança deste país tenha uma educação de nível mundial desde o dia em que nasça até ao dia em que acabe a licenciatura.

Propostas
Reforçar o investimento na educação pré-primária
Recrutar mais e pagar melhor aos professores
Crédito de quatro mil dólares nas propinas para
os estudantes que fizerem voluntariado

Na agenda educativa destaca-se a reforma de programas como o "No Child Left Behind", criado por Bush para haver critérios de avaliação mensuráveis em todas as escolas e que os democratas criticam por obrigar os estados a terem uma avaliação uniforme para todos os alunos (baixa exigência), sob pena de ficarem sem financiamento. Para Obama, os professores não devem passar o ano a preparar os alunos para testes estandardizados, tendo prometido melhorar os critérios de acesso à universidade. Promete duplicar o financiamento federal para as escolas "charter" (um tipo de escola pública com independência nos regulamentos) e financiar com milhares de milhões de dólares a educação pré-primária (plano "Zero aos Cinco"). De maior visibilidade é a aposta no reforço de verbas para manter, contratar e preparar professores de excelência, sobretudo nas áreas da Matemática e das Ciências. Finalmente, com objectivo de tornar a universidade acessível a todos os norte-americanos, a dupla Obama-Biden vai criar um crédito de quatro mil dólares para pagamento de propinas a troco de cem horas de serviço comunitário, uma ajuda que os democratas dizem que cobre dois terços do custo médio de frequência numa universidade pública.

Segurança social

Vamos ter que captar alguma receita para estabilizar o sistema de Segurança Social. Não se pode ter alguma coisa a troca de nada.

Propostas
Aumentar descontos em rendimentos > $ 250 mil
Eliminar tributação de reformas < $ 50 mil anuais
Comparticipar metade dos primeiros $1.000 de poupança para famílias que ganhem < $75 mil

Obama quer assegurar uma Segurança Social solvente e viável, num país em que a poupança está em mínimos históricos e 75 milhões de trabalhadores não têm plano de reforma. "Opõe-se fortemente" à privatização do sistema e não considera "necessário, nem justo" aumentar a idade da reforma. Nesta área seguirá a política fiscal: aumenta os descontos para quem ganha mais de 250 mil dólares/ano e elimina a tributação das reformas mais baixas (menos de 50 mil dólares/ano), permitindo um ganho médio de 1.400 dólares para sete milhões de reformados carenciados. Para além de proibir o pagamento de prémios a gestores que cortam nas pensões dos empregados, Obama quer que os trabalhadores com planos de reforma da empresa recebam informação detalhada anual sobre os fundos de investimento das suas pensões. Lançará ainda um plano de incentivo à poupança, dando um "cheque" com 50% dos primeiros mil euros de poupança a famílias com menos rendimento e fazendo com que as empresas que não ofereçam plano de reforma comecem a descontar para uma conta individual do trabalhador (as chamadas IRA). Os analistas dizem que este programa vai aumentar de 15% para 80% a taxa de poupança dos trabalhadores com salários mais baixos.


vitorrslopes

O  índice Dow Jones depreciou 14% desde o dia em que Barack Obama foi eleito, o que representa a pior performance de sempre de Wall Street num período entre eleições e o dia da tomada de posse. Depois do anterior recorde negativo, em 1933, seguiu-se um "rally" de 75%.

Barack Obama toma hoje posse como presidente dos Estados Unidos, numa altura em se assiste à maior crise financeira desde a Grande Depressão. A crise reflecte-se no comportamento dos mercados accionistas.

O índice Dow Jones registou uma queda desde o dia em que Barack Obama foi eleito até hoje. Um registo que é o pior de sempre no período em que decorre entre o dia das eleições e a tomada de posse de um presidente dos Estados Unidos.

A anterior pior performance do índice no mesmo período ocorreu em 1993, antes de Franklin D. Roosevelt assumir a liderança dos EUA. Depois disso o Dow Jones registou uma forte valorização de 75%.

Tal como Roosevelt, Obama também enfrenta uma grava crise financeira e económica e pretende aplicar a mesma receita: criação de empregos e investimento público.

"A situação não é tão grave como nos anos 30, mas é séria o suficiente para esperar que Obama vire uma página ao restaurar a confiança que foi abalada", disse à Bloomberg Leonard Stern, um historiador de economia e finanças.