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Análise Fundamental - procura pela agulha no palheiro

Iniciado por salvadorveiga, Março 25, 2010, 22:34

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salvadorveiga

Penso que falta no fórum, uma zona exclusivamente de AF por onde possamos concentrar aquelas empresas que duma perspectiva fundamental estejam atractivas.

Tomei por liberdade criar então o tópico, se entretanto houver por ai outro tópico já para estes efeitos, a moderação que faça o favor de o mudar de lugar por favor.

Depois da ERII das quais fiz análise já algum tempo, eis que me deparei com uma que me abriu algum apetite:

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Five Star Quality Inc. - FVE

Perfil:

A empresa opera no sector de cuidados a individuos de 3a idade em 30 estados norte-americanos. Foi fundada em 2000 pela SNH (Senior Housing Properties Trust REIT) para gerir 56 das várias propriedades que o fundo detinha, por repossessão de inquilinos, a qual foi feito o spin-off da empresa em 2001.

Hoje em dia, a FVE opera em cerca de 210 comunidades, com cerca de 22 265 unidades espalhadas pelo solo americano, incluindo divisões de reabilitação ou departamento de farmácia institucional.

As comunidades da população de 3a idade inserem-se em 3 categorias gerais como independentes (individuos que se encontram na comunidade mas nao requerem serviços ou cuidados médicos, etc), instalação assistida (os individuos são seguidos com alguns dos serviços de cuidados médicos, etc) e assistência de enfermagem (da qual os indivíduos tem todo um arsenal de cuidado médico 24/7), portanto o modelo de negócio é um pouco como o que anda a proliferar nos anos mais recentes em Portugal, como as undiades Mello tanto na Parede como no Parque Nações, etc.

Negócio e expectativas

Se pensamos que este sector de mercado é desinteressante, tiremeos o cavalinho da chuva, uma vez que este sector poderá vir a ser um dos mais proliferantes. Os baby boomers iniciais já estão a atingir a idade da reforma, e com o aumento da esperança media de vida, um baby boomer ainda será consumidor por muitos mais anos, garantindo pelo menos que o mercado nestas comunidades de 3a idade seja bastante atractivo nos anos vindouros.

O US Census Bureau, espera que a população nos EUA aumente em cerca de 50% no inteervalo de 2000-2050. Ao mesmo tempo, a mesma instituição projecta que o escalão de 65+ idade suba 150%, cerca de 87 milhoes de indivíduos o que a verificar-se terão um peso de 21% da população total.

Com taxas de ocupação já bem moderadas na maior parte destas comunidades sénior, é claro que uma expansão agressiva será necessária no futuro para se conseguir manter a par com a forte procura. A empresa é pouco alavancada (tem um equity multiplier bastante baixo) e estando inserida num sector de negócio que podoerá beneficiar e bastante de uma politica expansionista, a FVE é das melhores posicionadas neste sector em termos de expansão.

De momento, a maioria das comunidades que a FVE possui são através de leasing da antiga casa-mãe, a Senior Housing, e detém as hipotecas nos restantes 15% das comunidades "independentes" e hospedagem assistida e cerca de 4.5% das de assistencia de enfermagem. Esta mistura, permite a FVE ter em posse parte das suas instalações ao mesmo tempo, libertando o balanço da empresa para possíveis futuras aquisições.

A relativa facilidade que a FVE consegue arranjar novos leases e os fortes laços empresariais que detém com a SNH (a FVE tem um peso de 65% nas receitas de arrendamento na SNH) são excelentes factores a considerar ao mesmo tempo que a empresa se concentra em crescer neste ambiente.

Factores esses que influenciam de forma positiva o income statement. Ao passo que a maioria dos competidores, tendem a escolher a passar os custos de construção e aquisição das suas instalações ao vender unidades aos "pacientes", a FVE arrenda essas unidades aos hóspedes, o que a meu ver foi benéfico para a empresa e um dos factores que a levou a não ser bastante afectada com o rebentamento da bolha imobliária. As receitas de arrendamento assim como as taxas de ocupação, na sua generalidade não foram afectadas na maioria dos mercados onde a FVE está inserida.


Valorimetria:


O ROE da empresa - 35% TTM - são mais uma evidência que a empresa continua a gerar valor para os seus accionistas. Com um preço por acção na casa dos $3.10, a empresa neste momento insere-se essencialmente numa óptica de value investing. A empresa neste momento está a negociar ao valor em caixa e investimentos de curto prazo, o que significa que após considerarmos outros activos como imobilizado, etc a empresa está neste momento a negociar com um desconto de 25% face ao seu book value, e com um prémio de apenas 15% face ao valor em caixa (neste momento o mercado está a pagar 1.15 dolares por cada dólar em cash).

Uma das razões para esta forte posição financeira, deve-se sobretudo à forte redução da dívida que a empresa teme vindo a fazer durante este ultimo ano. No último ano, a empresa lançou uma oferta de cerca de 127 M em obrigações para aumentar a liquidez do seu balanço face a um periodo bastante dificil nos mercados de crédito, e desde então que a empresa já liquidou 53 M dessa divida dando um forte sinal de solidez aos seus credores.

Com um PE neste momento na casa dos 2.9, a FVE está descontada 3x's mais face ao seu nivel de rendimento que o resto das suas congéneres na industria.


Riscos:

Se bem que a FVE ofereça crescimento elevado a um bom desconto (melhor dos dois mundos - "value growth play" como dizem os yankees) existem alguns factores de risco que poderão vir a teer impacto na acção no futuro.

Uma dessas foi a decisão da empresa em investir em 66 M em ARS's de emprestimos estudantis, vendidas pela UBS. ARS's andaram muito no foco da ribalta durante 2008 à medida que os mercados onde a maioria destes activos eram transaccionados falharam.

Como resultado, a UBS está obrigada a comprar estes ARS's ao valor par, que representam um ganho sobre o valor no balanço na FVE. Apesar da presença destes ARS's afugentar alguns investidores, por ora, a decisão da FVE de ter comprado estes activos parecem-me sólidos para aqueles que se atrevem a entrar na empresa por estes valores. Desde que a UBS, se mantenha no mercado tempo suficiente para  redempção desses ARS's ( e estamos a falar de uma das maiores instituições financeiras mundial, se bem que isso não seja impedimento de alguma coisa), o negócio deverá resultar num ganho não recorrente para a FVE, e por tal um ganho no Income Statement no futuro da empresa.

Como qualquer small cap, a FVE neste momento enfrenta os riscos de uma economia dificil e de um merrcado de crédito bastante nervoso. Isto é um pouco mitigado por um filing de Novembro, em que a empresa está autorizada a vender até $1 B em acções ou obrigações no "open market" no futuro caso a empresa ache necessário satisfazer as suas despesas operacionais.


Com a reforma da saúde a por Washington neste momento em alvoroço, os accionistas dar-se-ão por contentes que uma pequena percentagem dass receitas são provenientes de entidades com fundos governamentais, como por exemplo a Medicare.

A FVE tem de facto algumas receitas provenientes de fundos governamentais na sua divisão de farmácias assim como alguns payouts de seguradores de saude privadas. No momento, a divisão de farmácia da FVE tem um peso pouco menos de 10% nas receitas totais, portanto um peso largo o suficiente mas também não tão grande para se ficar demasiado preocupado com o impacto da reforma na acção.

Conclusão:

A FVE está inserida num mercado em forte expansão da qual poderá vir a ser bastante beneficiada. Os baby boomers não pparam realmente de envelhecer e as comunidades que a FVE possui em 30 estados, poem-na na linha da frente. Um mercado de cerca de 90 milhoes de pessoas é esperado por volta do ano 2050, contrastanto com os actuais 30 milhoes.

Se bem que a FVE não tem sido historicamente lucrativa, a empresa está hoje bastante mais solida e forte daquilo que era há apenas um par de anos. Almejar lucro sustentável no meio de uma das piores condições económicas da história, podem mostrar aos investidores que realmente a FVE está agora posicionada para manter as suas margens de lucro.

Pobres decisões de investimento como alocar capital em ARS's afugentaram investidores durante 2009, mas há medida que a incerteza desvanece, parece que a empresa está numa forte posição de ganhar o negócio de 66M. A maioria das "value-plays" têm sempre algum tipo de catalizador negativo para depreciar o preço. Há é que à procura dessas value plays, avaliar se por ventura essas preocupaçoes nao poderao ser exageradas. Na minha opinião, são-no.

aleixon

Viva salvadorveiga,
Concordo que o forum precisa de tópicos com mais substrato, tal como revela a mensagem que colocou.

Passando de imediato para a empresa em análise, inicialmente fiquei um tanto ou quanto renitente dado que as análises fundamentais que tem sido apresentadas são um tanto ou quanto débeis por não incluírem uma gama mais alargada de parâmetros bem como os critérios de aceitação serem pouco conservadores. Mas mesmo assim fui recolher os valores de balanço e de resultados e de um modo geral satisfazem os meus critérios de selecção e por isso mereceu todo o tempo que despendi na análise e que ainda tenho de despender para aprofundar o modelo de negócio.

Algumas ressalvas que tenho de colocar e que me preocupam:
- descida sistemática do EBITDA (2007 a 2009);
- Autonomia financeira relativamente baixa (34%, mas que precisa de ser comparado com restante sector) com grande incremento relativamente a 2008 que era 21%. Tenho ainda de apurar como ocorreu este incremento num ano de prejuízo e descida de EBITDA;
- Contrariamente ao que referiu, a empresa deu prejuízo em 2008 se bem que isso não seja propriamente um factor que por si só seja preocupante.

Concordo plenamente que a empresa se encontra a negociar com grande desconto e por isso pode justificar a abertura de uma posição, por enquanto com pouca representatividade pois apenas depois de uma análise ao modelo de negócio é que poderei consolidar a minha decisão de investimento.

Agradeço mais uma vez a sugestão apresentada e incito os restantes participantes para esta vertente de análise.
BN
NA

salvadorveiga

Não sei onde diz que não teve income nos ultimos anos... o EBITDA nos ultimos 3 anos é positivo, sendo que 2009 foi de 44 M, com um lucro liquido de 38 M.

Em 2008 o EBITDA foi de 12M sendo que nao houve lucro liquido, mas sim prejuizo de 4.5 M, a diferença deriva da amortização do lançamento de dívida de que referi.

Pdemos ver que no ultimo ano houve uma tranche de pagamento referente a esse mesmo item de cerca de 15 M.

A meu ver o maior factor de risco será mesmo os ARS's que possuem em balanço... também nao gosto de empresas que nao se financiem com o seu proprio cash flow. Gosto de ver empresas a financiarem operaçoes atraves do free cash flow, mas não se pode pedir tudo  ;D

aleixon

Citação de: salvadorveiga em Março 26, 2010, 17:01
Não sei onde diz que não teve income nos ultimos anos... o EBITDA nos ultimos 3 anos é positivo, sendo que 2009 foi de 44 M, com um lucro liquido de 38 M.

não sei se percebi bem ou se me expliquei mal: O EBITDA, apesar de positivo, é decrescente e isso pode ser preocupante, se bem que ainda continua em valores atractivos.

tenho de verificar melhor a situação desses ARS´s e o ano 2008 pois a amortização de uma dívida não deveria interferir com o resultado da empresa mas sim na situação liquida. Deve ser o meu trabalhinho para o fim de semana.
BN
NA

rjc

Citação de: aleixon em Março 26, 2010, 10:53
Passando de imediato para a empresa em análise, inicialmente fiquei um tanto ou quanto renitente dado que as análises fundamentais que tem sido apresentadas são um tanto ou quanto débeis por não incluírem uma gama mais alargada de parâmetros bem como os critérios de aceitação serem pouco conservadores.
BN
NA

Boa tarde,
Muito interessante abrir um tópico só para a AF...
Aleixon,

É que  para realmente se fazer uma análise fundamental digna do nome se leva vários dias de pesquisa, muitas horas úteis de trabalho, não anda dando tempo..

Abraços,
RJC



salvadorveiga

Relembro esta minha análise de Agosto do ano passado:

CitaçãoHASBRO : HAS

Porque gosto da Hasbro:

A Hasbro detem uma colectânea "intemporal" de brinquedos e marcas de jogos bastante sólidas.

Sob gestão do novo CEO Brian Goldner, a companhia parece começar a alavancar e a fazer uso do poder da sua marca e expandir-se para novas formas de media.

Desta acção não é para esperar rendibilidades galopantes, mas sim ser uma boa componente, estável para um portfolio equilibrado.

O Negócio:

Fazendo uso da nostalgia, todos nós já detivemos qualquer tipo de jogo ou brinquedo produzido pela Hasbro. O Homem-Elastico, o jogo Risco, Cluedo, e o meu preferido My Little Poney (ahhammm).

Todos estes brinquedos têm uma coisa em comum... são brinquedos de macho, sobretudo o My Little Poney lol

~Bem passando a coisas sérias, a Hasbro foi fundada em 1923 e é a 2a maior companhia de jogos e brinquedos (ultrapassada pela congénere produtora da Barbie, Fisher Price, Hot Wheels, etc que é a Mattel).

A Hasbro possui uma colectânea de brinquedos populares nos miudos como Transformers, GI Joe, Playskool, Tonka, Nerf, Little Poney, Little Pet Shop, entre outros.

Mas olhando a numeros, com os dados providenciados nas próximas linhas verificamos que o ganha-pão da empresa é a divisão dos jogos de tabuleiro que incluem mega-clássicos como Monopólio, Scrabble, Risco, Candy Land, Cluedo e Trivial Pursuit.

Dados (REVENUE) em milhoes:

2004 2005 2006 2007 2008

Jogos/Puzzles $1,316 $1,246 $1,294 $1,324 $1,315

Brinquedos
Rapazes $592 $722 $576 $1,024 $1,083

Brinquedos
Raparigas $368 $447 $540 $697 $791


Brinquedos
Preschool $381 $335 $407 $435 $481


Brinquedos
"Tweens" $287 $270 $267 $252 $270


Outros
Licenciamentos $54 $68 $68 $106 $81


TOTAIS $2,998 $3,088 $ 3,151 $3,838 $4,022


(Fonte Relatórios de Contas da Empresa)

Primeiro que tudo, o que se denota destes valores é que a Hasbro gera o tipo de rendimento estável e previsivel, de que uma pessoa gosta de ver neste tipo de empresas, blue-chips.

Mais que nunca, no seio de uma crise destas, e que eu penso que irá piorar e muito a' medida que caminhamos para o final do rally, e se o cenário de uma profunda depressão se concretizar, as pessoas necessitarão de distracções, coisas como Pictionary, etc... e não existem substitutos nesse campo na Hasbro.

Agora o que e' promissor, e antevê um excelente futuro para a Hasbro é aquela pequena rubrica de Outros Licenciamentos, minima mas com muito potencial.

Oportunidade de Ouro:

Sob os comandos do novo CEO Brian Goldner, a Hasbro tem vindo a focar-se em alavancar as suas core brands em novas e potenciais oportunidades, em particular sob acordos de licenciamento pela sua propriedade intelectual.

Por exemplo para o blockbuster de 2007 Transformers, a companhia "emprestou" a sua famosa marca de brinquedos aos estudios da DreamWorks e Paramount Pictures. Ao mesmo tempo que o sucesso do filme, aumentou as vendas dos brinquedos na rubrica dos rapazes, também aterraram uns belos 38 milhoes USD em licenças de margens altas, à medida que parceiros pagavam uma nota preta para estampar o logótipo dos transformers em tudo o que era produto de merchandising.

Espero ver o mesmo tipo de oportunidades e cash flow provenientes da sequela deste Verão: Transformers Revenge of the Fallen, e também do muito esperado GI JOE.

As ambiçoes do CEO, põem as expectativas bem altas, e parece que os planos que tem para a empresa estão apenas a começar.

Alimentado pelo sucesso de Transformers, a Universal acordou produzir uma série de filmes baseados em propriedades da Hasbro, como por exemplo os jogos Ouija, Monopolio, Candy Land, Armostrong Elástico e também Cluedo. A Hasbro está tambem a produzir um TV Show temático do Trivial Pursuit, e ainda uma diversão num parque temático dos Transformers.

Com menos de um ano como CEO da empresa, é demasiado cedo para avaliar a perfomance do CEO. Mas há que admirar a paixão que demonstra e a visão futura que tem da companhia.

Se há coisa que dou enfase, é à equipa de gestão. Gosto de os ver fazer uma expressão em ingles que é "Put the money where the mouth is..."

Ora, no Conselho de Amdinistraçao temos o Chairman Al Verrechhia que está na companhia há mais de 40 anos e passou os ultimos 5 anos como CEO, assim como o Director Alan Hassenfeld que também teve papel como CEO da empresa no passado e detém mais de 12% das acções da empresa.


Riscos e Competitividade:

Tal qual Wall Street, e as dietas da moda, a industria dos brinquedos e jogos é vitima da ultima moda e do último grito das industrias, e a Hasbro não é imune.

Após decadas de crescimento lento, estavel e prolongado, a companhia foi às compras compulsivamente em 1998, estoirando dollars em conceitos que eram o ultimo grito e perderam notoriedade, como Pokemon e Furby (alguem se lembra disto?).

Mas assim que estas tendências se desvanceram, a companhia voltou a focar-se em construir as suas marcas nucleares. As aquisiçoes da empresa ultimamente são agora bastante sensiveis a analise e bastante pequenas, como e´exemplo da compra da Cranium o ano passado por 75 milhoes USD.

Infelizmente a Hasbro enfrenta vários desafios que não consegue controlar. A empresa está a perder controlo no mercado dos "tweens", à medida que este grupo de crianças na casa dos 8-12 anos adoptam cada vez "brinquedos" mais sofisticados, como telemóveis e consolas de videojgoos portateis.

Em vez de combater a tendência actual das crianças ficarem mais velhas mais cedo, a Hasbro decidiu abandonar vários dos seus produtos electrónios de margens bastante baixas que tinham como target esse mesmo grupo.

Apesar da Hasbro ter milhares de clientes no retalho, 47% das vendas provêm de apenas 3 nomes: o gigante Wal Mart, Target e Toys R Us.

Estes parceiros colocam imensa pressão na Hasbro para que providencie produtos rapidamente - muitas vezes sem qualquer tipo de aviso prévio. Isto desloca uma parte significante do risco de inventário e de custos de armazenagem para a Hasbro.

Outra preocupação e' obviamente a recessão.

As vendas da Hasbro sofreram devido aos menores gastos por parte dos consumidores. Durante as epocas festivas em 2008, a companhia foi obrigada a cortar nos preços de maneira a escoar o inventário e mesmo assim, acabou o ano com numeros bastante significativos nas prateleiras.

Enquanto a economia nao recuperar, é de antecipar que esta tendencia no inventário é para continuar.


Valorimetria

Ao contrário da Stretch (companhia de brinquedos mais pequena e em expansão), a Hasbro não é daquelas empresas de franco crescimento e expansão.

Assumindo crescimento do Revenue num intervalo de 2-4% durante a proxima década, chegamos a um preço justo da acção algures nos $37. Com a acção ultimamente a negociar na casa dos $25, isso dá-nos uma margem de segurança, de cerca de 30%. Nada mal...

Não é de esperar que esta acçao faça 100% do dia para a noite, mas é uma empresa estável, e oferece uma bela margem de segurança e ainda um apetecivel dividendo de 3,6%.
Ainda com a equipa de gestão a tomar os passos certos a guiar as marcas já lucrativas para ainda melhores e novas oportunidades, a companhia continuará a ter perfomances solidas por muitos e bons anos..


A empresa cota hoje em dia a um preço justo, pelo que a nivel de rating passaria para uma espécie de HOLD em vez de um BUY. Foi sem dúvida um excelente trajecto por parte da Hasbro.

salvadorveiga

A Berkshire Hathaway também começa a aproximar-se do valor justo anunciado há quase 1 ano.

Na altura, os targets rondavam os 4300-5000 dollars de preço justo o que aos preços ajustados de split, seria um target de 86-100 dollars.

A acção anda lá perto sendo que até chegou a negociar os 85 dollars.

Deixa de estar tão atractiva, se bem que ainda tenha margem de progressão

salvadorveiga

Citação de: salvadorveiga em Março 25, 2010, 22:34
Penso que falta no fórum, uma zona exclusivamente de AF por onde possamos concentrar aquelas empresas que duma perspectiva fundamental estejam atractivas.

Tomei por liberdade criar então o tópico, se entretanto houver por ai outro tópico já para estes efeitos, a moderação que faça o favor de o mudar de lugar por favor.

Depois da ERII das quais fiz análise já algum tempo, eis que me deparei com uma que me abriu algum apetite:

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Five Star Quality Inc. - FVE

Perfil:

A empresa opera no sector de cuidados a individuos de 3a idade em 30 estados norte-americanos. Foi fundada em 2000 pela SNH (Senior Housing Properties Trust REIT) para gerir 56 das várias propriedades que o fundo detinha, por repossessão de inquilinos, a qual foi feito o spin-off da empresa em 2001.

Hoje em dia, a FVE opera em cerca de 210 comunidades, com cerca de 22 265 unidades espalhadas pelo solo americano, incluindo divisões de reabilitação ou departamento de farmácia institucional.

As comunidades da população de 3a idade inserem-se em 3 categorias gerais como independentes (individuos que se encontram na comunidade mas nao requerem serviços ou cuidados médicos, etc), instalação assistida (os individuos são seguidos com alguns dos serviços de cuidados médicos, etc) e assistência de enfermagem (da qual os indivíduos tem todo um arsenal de cuidado médico 24/7), portanto o modelo de negócio é um pouco como o que anda a proliferar nos anos mais recentes em Portugal, como as undiades Mello tanto na Parede como no Parque Nações, etc.

Negócio e expectativas

Se pensamos que este sector de mercado é desinteressante, tiremeos o cavalinho da chuva, uma vez que este sector poderá vir a ser um dos mais proliferantes. Os baby boomers iniciais já estão a atingir a idade da reforma, e com o aumento da esperança media de vida, um baby boomer ainda será consumidor por muitos mais anos, garantindo pelo menos que o mercado nestas comunidades de 3a idade seja bastante atractivo nos anos vindouros.

O US Census Bureau, espera que a população nos EUA aumente em cerca de 50% no inteervalo de 2000-2050. Ao mesmo tempo, a mesma instituição projecta que o escalão de 65+ idade suba 150%, cerca de 87 milhoes de indivíduos o que a verificar-se terão um peso de 21% da população total.

Com taxas de ocupação já bem moderadas na maior parte destas comunidades sénior, é claro que uma expansão agressiva será necessária no futuro para se conseguir manter a par com a forte procura. A empresa é pouco alavancada (tem um equity multiplier bastante baixo) e estando inserida num sector de negócio que podoerá beneficiar e bastante de uma politica expansionista, a FVE é das melhores posicionadas neste sector em termos de expansão.

De momento, a maioria das comunidades que a FVE possui são através de leasing da antiga casa-mãe, a Senior Housing, e detém as hipotecas nos restantes 15% das comunidades "independentes" e hospedagem assistida e cerca de 4.5% das de assistencia de enfermagem. Esta mistura, permite a FVE ter em posse parte das suas instalações ao mesmo tempo, libertando o balanço da empresa para possíveis futuras aquisições.

A relativa facilidade que a FVE consegue arranjar novos leases e os fortes laços empresariais que detém com a SNH (a FVE tem um peso de 65% nas receitas de arrendamento na SNH) são excelentes factores a considerar ao mesmo tempo que a empresa se concentra em crescer neste ambiente.

Factores esses que influenciam de forma positiva o income statement. Ao passo que a maioria dos competidores, tendem a escolher a passar os custos de construção e aquisição das suas instalações ao vender unidades aos "pacientes", a FVE arrenda essas unidades aos hóspedes, o que a meu ver foi benéfico para a empresa e um dos factores que a levou a não ser bastante afectada com o rebentamento da bolha imobliária. As receitas de arrendamento assim como as taxas de ocupação, na sua generalidade não foram afectadas na maioria dos mercados onde a FVE está inserida.


Valorimetria:


O ROE da empresa - 35% TTM - são mais uma evidência que a empresa continua a gerar valor para os seus accionistas. Com um preço por acção na casa dos $3.10, a empresa neste momento insere-se essencialmente numa óptica de value investing. A empresa neste momento está a negociar ao valor em caixa e investimentos de curto prazo, o que significa que após considerarmos outros activos como imobilizado, etc a empresa está neste momento a negociar com um desconto de 25% face ao seu book value, e com um prémio de apenas 15% face ao valor em caixa (neste momento o mercado está a pagar 1.15 dolares por cada dólar em cash).

Uma das razões para esta forte posição financeira, deve-se sobretudo à forte redução da dívida que a empresa teme vindo a fazer durante este ultimo ano. No último ano, a empresa lançou uma oferta de cerca de 127 M em obrigações para aumentar a liquidez do seu balanço face a um periodo bastante dificil nos mercados de crédito, e desde então que a empresa já liquidou 53 M dessa divida dando um forte sinal de solidez aos seus credores.

Com um PE neste momento na casa dos 2.9, a FVE está descontada 3x's mais face ao seu nivel de rendimento que o resto das suas congéneres na industria.


Riscos:

Se bem que a FVE ofereça crescimento elevado a um bom desconto (melhor dos dois mundos - "value growth play" como dizem os yankees) existem alguns factores de risco que poderão vir a teer impacto na acção no futuro.

Uma dessas foi a decisão da empresa em investir em 66 M em ARS's de emprestimos estudantis, vendidas pela UBS. ARS's andaram muito no foco da ribalta durante 2008 à medida que os mercados onde a maioria destes activos eram transaccionados falharam.

Como resultado, a UBS está obrigada a comprar estes ARS's ao valor par, que representam um ganho sobre o valor no balanço na FVE. Apesar da presença destes ARS's afugentar alguns investidores, por ora, a decisão da FVE de ter comprado estes activos parecem-me sólidos para aqueles que se atrevem a entrar na empresa por estes valores. Desde que a UBS, se mantenha no mercado tempo suficiente para  redempção desses ARS's ( e estamos a falar de uma das maiores instituições financeiras mundial, se bem que isso não seja impedimento de alguma coisa), o negócio deverá resultar num ganho não recorrente para a FVE, e por tal um ganho no Income Statement no futuro da empresa.

Como qualquer small cap, a FVE neste momento enfrenta os riscos de uma economia dificil e de um merrcado de crédito bastante nervoso. Isto é um pouco mitigado por um filing de Novembro, em que a empresa está autorizada a vender até $1 B em acções ou obrigações no "open market" no futuro caso a empresa ache necessário satisfazer as suas despesas operacionais.


Com a reforma da saúde a por Washington neste momento em alvoroço, os accionistas dar-se-ão por contentes que uma pequena percentagem dass receitas são provenientes de entidades com fundos governamentais, como por exemplo a Medicare.

A FVE tem de facto algumas receitas provenientes de fundos governamentais na sua divisão de farmácias assim como alguns payouts de seguradores de saude privadas. No momento, a divisão de farmácia da FVE tem um peso pouco menos de 10% nas receitas totais, portanto um peso largo o suficiente mas também não tão grande para se ficar demasiado preocupado com o impacto da reforma na acção.

Conclusão:

A FVE está inserida num mercado em forte expansão da qual poderá vir a ser bastante beneficiada. Os baby boomers não pparam realmente de envelhecer e as comunidades que a FVE possui em 30 estados, poem-na na linha da frente. Um mercado de cerca de 90 milhoes de pessoas é esperado por volta do ano 2050, contrastanto com os actuais 30 milhoes.

Se bem que a FVE não tem sido historicamente lucrativa, a empresa está hoje bastante mais solida e forte daquilo que era há apenas um par de anos. Almejar lucro sustentável no meio de uma das piores condições económicas da história, podem mostrar aos investidores que realmente a FVE está agora posicionada para manter as suas margens de lucro.

Pobres decisões de investimento como alocar capital em ARS's afugentaram investidores durante 2009, mas há medida que a incerteza desvanece, parece que a empresa está numa forte posição de ganhar o negócio de 66M. A maioria das "value-plays" têm sempre algum tipo de catalizador negativo para depreciar o preço. Há é que à procura dessas value plays, avaliar se por ventura essas preocupaçoes nao poderao ser exageradas. Na minha opinião, são-no.

Parece que o mercado finalmente abriu os olhos para esta empresa... no último mes e meio sensivelmente a cotação começou a disparar, tendo alcançado até ao momento um resultado de +75% desde a análise.

Neste momento já nao está tão atractiva, visto que era uma value play.

salvadorveiga

Neste momento a FVE já não está atractiva face a uma perspectiva de value.

Foi uma excelente pick a meu ver com mais de 100% de retorno desde a análise.

Foi uma pequena agulha no palheiro, e esperemos q encontremos muitas mais para porem a nossa caixa de costura um pouco mais composta  ;D