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Orçamento 2012 EUA

Iniciado por fornat, Março 04, 2011, 21:13

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fornat

 Mais um excelente artigo de Paul Craig Roberts um dos fundadores da  Reaganomics:

http://resistir.info/eua/roberts_18fev11.html

Wall Street contra os pobres e a classe média:
O orçamento 2012 de Obama é uma ferramenta da guerra de classe

por Paul Craig Roberts

Ex-editor do Wall Street Journal e ex-secretário assistente do Tesouro dos EUA.   Seu livro mais recente, HOW THE ECONOMY WAS LOST , acaba de ser publicado pela CounterPunch/AK Press.   [email protected]

O novo orçamento de Obama é uma continuação da guerra de classe da Wall Street contra os pobres e as camadas médias.

A Wall Street não acabou connosco quando os banksters venderam os seus derivativos fraudulentos aos nossos fundos de pensão, arruinaram as perspectivas de empregos e planos de aposentação dos americanos, asseguraram um salvamento de US$700 mil milhões a expensas dos contribuintes enquanto arrestavam os lares de milhões de americanos e sobrecarregavam o balanço da Reserva Federal com vários milhões de milhões de dólares papel financeiro lixo em troca de dinheiro recem criado para escorar os balanços dos bancos.

O efeito da "facilidade quantitativa" da Reserva Federal sobre a inflação, as taxas de juro e o valor cambial do dólar ainda está para nos atingir. Quando o fizer, os americanos obterão uma lição do que é a pobreza.

As oligarquias dominantes atacaram novamente, desta vez através do orçamento federal. O governo dos EUA tem um enorme orçamento militar e de segurança. Ele é tão grande quanto os orçamentos do resto do mundo somados. Os orçamentos do Pentágono, da CIA e da Segurança Interna representam US$1,1 milhão de milhões do défice federal que a administração Obama prevê para o ano fiscal de 2012. Este gasto deficitário maciço serve apenas a um único propósito – o enriquecimento de companhias privadas que servem o complexo militar/securitário. Estas companhias, juntamente com aquelas da Wall Street, são quem elege o governo dos EUA.

Os EUA não têm inimigos excepto aqueles que os próprios EUA criam ao bombardearem e invadirem outros países e pelo derrube de líderes estrangeiros e instalação de fantoches americanos no seu lugar.

A China não efectua exercícios navais ao largo da costa da Califórnia, mas os EUA efectuam jogos de guerra junto às suas costas no Mar da China. A Rússia não concentra tropas nas fronteiras da Europa, os EUA instalam mísseis nas fronteiras da Rússia. Os EUA estão determinados a criar tantos inimigos quanto possível a fim de continuar a sangrar a população americana para alimentar o voraz complexo militar/securitário.

O governo dos EUA gasta realmente US$56 mil milhões por ano a fim de que os americanos que viajam de avião possam ser porno-rastreados e sexualmente tacteados de modo a que firmas representadas pelo antigo secretário da Segurança Interna Michael Chertoff possam ganhar grandes lucros vendendo o equipamento de rastreamento (scanning).

Com um défice orçamental perpétuo conduzido pelo desejo de lucros do complexo militar/securitário, a causa real do enorme défice do orçamento dos EUA está fora dos limites para discussão.

O secretário belicista da Guerra, Robert Gates, declarou: "Se evitarmos as nossas responsabilidades da segurança global é sob o nosso risco". As altas patentes militares advertem contra o corte de qualquer dos milhares de milhões de ajuda a Israel e ao Egipto, dois dos funcionários da sua "política" para o Médio Oriente.

Mas o que são as "nossas" responsabilidades globais de segurança? De onde vieram? Por que a América ficaria em perigo se cessasse de bombardear e invadir outros países e de interferir nos seus assuntos internos? Os riscos que a América enfrenta são criados por ela própria.

A resposta a esta pergunta costumava ser que do contrário seríamos assassinados nas nossas camas pela "conspiração comunista mundial". Hoje a resposta é que seremos assassinados nos nossos aviões, estações de comboios e centros comerciais por "terroristas muçulmanos" e por uma recem criada ameaça imaginária – "extremistas internos", isto é, manifestantes contra a guerra e ambientalistas.

O complexo militar/securitário dos EUA é capaz de criar qualquer número de invencionices (false flag) a fim de fazer com que estas ameaças pareçam reais para um público cuja inteligência é limitada à TV, experiências em centros comerciais e jogos de futebol.

Assim os americanos estão fincados em enormes défices orçamentais que a Reserva Federal deve financiar imprimindo dinheiro novo, dinheiro que mais cedo ou mais tarde destruirá o poder de compra do dólar e o seu papel como divisa de reserva mundial. Quando o dólar se for, o poder americano também irá.

Para as oligarquias dominantes, a questão é: como salvar o seu poder.

A sua resposta é: fazer o povo pagar.

E isso é o que o seu mais recente fantoche, o presidente Obama, está a fazer.

Com os EUA na pior recessão desde a Grande Depressão, uma grande recessão que John Williams e Gerald Celente, assim como eu próprio, afirmaram estar a aprofundar-se, o "orçamento Obama" tem como objectivo programas de apoio para os pobres e os desempregados. As elites americanas estão a transformar-se em idiotas quando procuram replicar na América as condições que levaram aos derrubes de elites analogamente corruptas na Tunísia e no Egipto e a desafios crescentes aos demais governos fantoches.

Tudo o que precisamos é de uns poucos milhões mais de americanos sem nada a perder a fim de trazer as perturbações no Médio Oriente para dentro da América.

Com os militares estado-unidenses atolados em guerras lá fora, uma revolução americana teria óptima oportunidade de êxito.

Políticos americanos têm de financiar Israel pois o dinheiro retorna em contribuições de campanha.

O governo dos EUA deve financiar os militares egípcios para haver alguma esperança de transformar o próximo governo egípcio em outro fantoche americano que servirá Israel pelo bloqueio contínuo dos palestinos arrebanhados no gueto de Gaza.

Estes objectivos são de longe mais importantes para a elite americana do que o Pell Grants que permite a americanos pobres obterem educação, ou água limpa, ou block grants comunitários, ou o programa de assistência em energia aos baixos rendimentos (cortado na mesma quantia em que os contribuintes americanos são forçados a dar a Israel).

Também há US$7.700 milhões de cortes no Medicaid e outros programas de saúde ao longo dos próximos cinco anos.

Dada a magnitude do défice orçamental dos EUA, estas somas são uma ninharia. Os cortes não terão qualquer efeito sobre as necessidades de financiamento do Tesouro. Eles não interromperão a necessidade de imprimir dinheiro do Federal Reserve a fim de manter o governo dos EUA em operação.

Estes cortes servem apenas uma finalidade: reforçar o mito do Partido Republicano de que a América está em perturbação económica por causa dos pobres. Os pobres são preguiçosos. Eles não querem trabalhar. A única razão porque o desemprego é alto é que os pobres preferem confiar no estado previdência.

Um novo acréscimo ao mito do estado previdência é que membros da classe média saídos recentemente de faculdades não querem os empregos que lhes são oferecidos porque os seus pais têm demasiado dinheiro e os rapazes gostam de viver em casa sem terem de fazer nada. Uma geração mimada, eles saem da universidade recusando qualquer emprego que não seja para começar como executivo principal de uma companhia da Fortune 500. A razão porque licenciados em engenharia não conseguem entrevistas de emprego é que não os querem.

Tudo isto leva a um assalto aos "direitos adquiridos", o que significa Segurança Social e Medicare. As elites programaram, através do seu controle dos media, uma grande parte da população, especialmente os que se consideram conservadores, a assimilar o conceito de "direitos adquiridos" ao de estado previdência. A América está a ir para o inferno não por causa de guerras externas que não servem qualquer objectivo americano, mas porque o povo, que durante toda a sua vida pagou 15% das suas remunerações para pensões de velhice e cuidados médicos, quer "dádivas" nos seus anos de aposentação. Por que estas pessoas egocêntricas pensam que trabalhadores americanos deveriam ser forçados através de contribuições sobre remunerações a pagar as pensões e cuidados médicos dos afastados do trabalho? Porque os afastados não consomem menos e preparam a sua própria aposentação?

A linha da elite, e a dos seus porta-vozes contratados em "think tanks" e universidades, é de que a América está perturbada devido aos afastados do trabalho.

Demasiados americanos tiveram os seus cérebros lavados a fim de acreditar que a América está em perturbação por causa dos seus pobres e afastados do trabalho. A América não está perturbada porque coage um número decrescente de contribuintes a suportarem os enormes lucros do complexo militar/securitário, governos fantoche americanos lá fora e Israel.

A solução da elite americana para os problemas da América não é simplesmente arrestar as casas dos americanos cujos empregos foram exportados, mas aumentar o número de americanos aflitos com nada a perder, de doentes, afastados do trabalho e privados de tudo e de licenciados das universidades que não podem encontrar os empregos que foram enviados para a China e a Índia.

De todos os países do mundo, nenhum necessita uma revolução tão urgentemente quanto os Estados Unidos, um país dominado por um punhado de oligarcas egoístas que têm mais rendimento e riqueza do que pode ser gasto durante toda uma vida.
# Ver também: Obama's Budget is a Fantastic Comedy


O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/roberts02182011.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

fornat

É incrível o grau de desconhecimento que os ditos "intelectuais" e "fazedores de opinião" dos mass-media têm do que está realmente a acontecer nos EUA ...

Como disse Jaques Éllul os intelectuais são frequentemente as maiores vítimas da propaganda porque consomem-na em grandes quantidades (CNN, CBS, ABC, NBC, New York Times, Washington Post, The Economist, Time Magazine, etc, etc ,...)

Experimentem ver a Russia Today (RT) e a Aljazeera em vez dos canais "habituais" para ficarem com uma ideia mais aproximada da incrível e assustadora realidade que muitos preferem ignorar ...

Só assim compreenderão as palavras de Paul Craig Roberts:

"De todos os países do mundo, nenhum necessita uma revolução tão urgentemente quanto os Estados Unidos, um país dominado por um punhado de oligarcas egoístas que têm mais rendimento e riqueza do que pode ser gasto durante toda uma vida."

fornat

Existe um movimento amplo de cidadãos honestos e pacíficos nos EUA que quer restaurar o respeito pela Constituição que foi pisada, por exemplo, pelo "Patriot Act" pós 11 de Setembro.

Este movimento popular independente rejeita o falso paradigma esquerda/direita. Os democratas/republicanos são as duas faces da mesma moeda.  Ambos são controlados pelos mesmos interesses financeiros.

O movimento "Tea Party" é em grande parte controlado por esses mesmos interesses e está a ser utilizado para desacreditar os movimentos populares pacíficos independentes de qualquer força política.


Os abusos do Governo americano são evidentes. Desde as perdas dos direitos individuais e o aumento descontrolado da vigilância,da brutalidade policial e da censura mediática.

Basicamente o principal objectivo de todos os movimentos populares importantes é restaurar a primazia da Constituição.

Infelizmente o que passa para os meios de comunicação da Europa e resto do mundo é uma visão redutora e "demonizada"  de uma realidade bastante complexa.

Para compreenderem o que está a ocorrer nos EUA nestes anos de presidência de Obama é fundamental que vejam este documentário:

A Queda da República (Fall of the Republic) 1