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Porquê?

Iniciado por areis1, Março 28, 2011, 01:11

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areis1

Boa noite
Sem querer ser mestre em arte alheia, digo que a pergunta de retórica mais simples que existe é aplicar "porquê" ao que o ilustre palestrante acabou de dizer.
Utilizo esta praxis para introduzir algo que li, e pordoe-me o autor original por não o poder citar, para perguntar:
"Porque é que os economistas estão tão coerente e continuadamente ERRADOS nas suas análises e resultados?"
Imaginem como seria a ida à Lua se o programa tivesse que se basear em solucões proferidas por economistas.
Ou, pergunto eu, entrariam num avião rumo às vossas férias se soubessem que a probabilidade de chegarem ao destino estava abaixo de 50%?......
Se não, porque ouvimos pessoas assumidamente responsáveis a dizer alarvidades e ainda a terem tempo de antena? Se é óbvio que não sabem ou que sabem com uma certeza de quem promete acertar no Totoloto com uns números mágicos, porque é que os ouvimos?
E se acham que sabem, porque não se calam quando estão continuadamente e repetidamente errados?
Sabem, riqueza não é uma questão de dinheiro, é uma questão de cultura ( filósofo francês, circa 1950).
Pois é, sucesso é 25% de génio e 75 % de suor. Quer se goste ou não.
O Chico-esperto tem que morrer. Ou morremos todos, de fome ou de tédio.
AR

rjc

"Porque é que os economistas estão tão coerente e continuadamente ERRADOS nas suas análises e resultados?"

Boa tarde,
Areis1, como ninguém respondeu a esta ótima pergunta, permito-me tentar ok!

Esta pergunta, se não me engano já foi feita de uma outra forma em tempos passados aqui no fórum, mas, acho eu, porque a verdade seja que lá no fundo estes economistas são sim GRANDES TEÓRICOS e muito pouco práticos do mundo real... Sabem tudo da teoria em seus bancos de faculdade, fazem grandes trabalhos de doutorados, enfim... Mas, na hora de aplicar isto no mundo real, bem, aí é outro problema. O mercado financeiro, a economia de um modo geral, desde o camelô (conhece a expressão) numa banquinha, até grandes organizações empresariais, que fazem parte do bolo, é o mundo real, a música às vezes toca de um modo diferente e nós do mundo real, "dançamos" conforme o tipo da música... E eles, estes grandes teóricos em suas torres de marfins, às vezes não se dão muito em conta disso na hora de fazer e elaborar estas suas teorias e trabalhos de doutorado.

Muitos deles são funcionários públicos, nada contra, mas,... Tem empregos garantidos, não estão no comércio seja ele qual for, com seus contracheques garantidos, e que, portanto, NÃO estão acostumados ao risco, à maioria NÃO OPERA de verdade, como nós aqui... , falam ,falam sobre o mercado, expõem teorias mas tem o dinheiro aplicado numa renda fixa.... Percebe...
Agora, se você tiver a oportunidade, veja a diferença de foco, de conhecimento, de mentalidade, de um super economista que opera e que está no mercado além de sua faculdade, e de outros que só estão na torre de marfim...

Só para terminar há vários por aí, dê uma estudada e analisada em Keynes, que além de ser um dos maiores economistas de todos os tempos, OPERAVA no mercado, conseguindo ótimas performances em sua carreira como investidor... Dá uma lida nele e depois compare...

Abraços,
RJC

scarface

Talvez o documentário inside job nos possa a ajudar a perceber alguma coisa de tudo o que se passa e que nem nos apercebemos....

areis1

Boa noite
De facto a citação que usei foi lida quase ao mesmo tempo em dois meios diferentes: "The Wall Street Journal" e um diário em português que não quero referenciar.
Obrigado ao rjc (odeio nicknames mas é a maneira oficial de não dizermos o "cão" que somos, segundo Dilbert ou Dogbert) pela resposta.
Concordo plenamente. Presumo que seja brasileiro. O problema que temos neste lado do lago é que somos geridos frequentemente por pessoas bem-falantes, bem-parecidas e com alguns bons estudos. Raramente somos geridos porque quem fez algo. Existe um ditado em português que diz. "Aceito conselhos de quem fez mais, não de quem sabe mais" ou ainda "é fácil ser engenheiro de obra feita".
Pois é isso o centro do problema. Engenheiros de obra feita e conversa fácil.
O outro lado do problema é o que o Scarface (maravilhoso filme e esplêndida performance, se bem que muito sanguinária para o meu gosto, mas brilhante) chama à coacção. Temos demasiados "boys" independentemente da cor da camisola.
Será que com a redução do Estado pelo menos reduzimos os "boys" e aumentamos a responsabilização?
Espero que sim. Apesar de não ser adepto do "outsourcing" no que toca a Estado, porque existe capacidade instalada, mesmo que pouco ineficiente, arrisco a seguir essa linha mesmo que haja aumento de custos directos. Aumenta a responsabilidade. A não ser que se meta o factor "corrupção", "primo", "cunha" ou "favor". Ainda sou um pouco romântico. Mas está-se a ir.
Começo a seguir a máxima do " pessimista é um optimista com muita experiência".
Começo a ter alguma experiência. E capacidade de crítica.
Obrigado pelas respostas. Considero que estes aspectos aparentemente filosóficos são de facto a essência do problema.
O resto é simples: "25% de inspiração e 75% de suor" (Benjamin Franklin).
Se calhar é tempo de haver mais transpiração.....
Bons negócios, porque o lucro honesto não é pecado (e não sou judeu, respeito a eles e a outras convicções).
AR