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Aumento de impostos, petróleo e desemprego explicam baixa nas previsões do PIB

Iniciado por notiCIas, Julho 12, 2005, 16:44

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Aumento de impostos, petróleo e desemprego explicam baixa nas previsões do PIB

O Banco de Portugal explica a forte revisão em baixa das perspectivas de crescimento para a economia portuguesa, com o «desempenho decepcionante» que esta registou nos primeiros meses deste ano, bem como às medidas anunciadas pelo Governo para combater o elevado défice orçamental, como o aumento de impostos, e à escalada do petróleo.

A instituição liderada por Vitor Constâncio aguarda que a economia portuguesa cresça apenas 0,5% este ano, um valor que compara com os 1,6% estimados em Dezembro do ano passado e o crescimento de 1,1% verificado em 2004 (ver quadro em baixo).

No Boletim Económico de Verão, hoje apresentado, o Banco de Portugal diz que a actualização das suas previsões «é fortemente influenciada pelos indicadores entretanto divulgados sobre a evolução decepcionante da economia portuguesa durante os primeiros meses de 2005».

O Banco de Portugal [bdP] cita também o «impacto de um conjunto de medidas de política orçamental incluídas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) com vista à correcção do desequilíbrio das finanças públicas portuguesas».

Entre as medidas anunciadas pelo Governo, para corrigir um défice que seria de 6,83% do PIB sem tomar medidas adicionais, está a subida dos impostos, com o agravamento da taxa máxima do IVA de 19 para 21% e o aumento do imposto sobre os combustíveis e o tabaco.

«Como sempre se tem sublinhado os efeitos de curto prazo da consolidação orçamental são de natureza restritiva, sendo apenas no médio prazo que se verificam os efeitos positivos da redução do défice e da estabilização do rácio da dívida pública», diz o BdP.

As previsões do Banco de Portugal reflectem também a actualização das hipóteses para a variação do preço do petróleo e das taxas de câmbio.


Recuperação no segundo semestre após desempenho «decepcionante»
A previsão do BdP para 2005 assenta numa recuperação da economia na segunda metade do ano, pois o período de abrandamento verificado no segundo semestre de 2004 terá continuado nos primeiros meses deste ano.

«Apesar da diminuição da taxa de crescimento do PIB em termos médios anuais, o actual cenário tem implícito uma recuperação da actividade económica, em termos homólogos, no segundo semestre do ano», refere o Banco de Portugal.

A revisão em baixa da previsão de crescimento da economia portuguesa para 2005 fica a dever-se em parte ao menor crescimento das exportações portuguesas, que este ano deverão crescer apenas 2,7%. Este abrandamento, segundo o BdP, «continua a reflectir, uma significativa perda de quota de mercado das exportações portuguesas em 2005 e um aumento do grau de penetração das importações nos mercados nacionais, a exemplo do que já se tinha registado em 2004».

Para explicar o menor crescimento das vendas das empresas portuguesas no exterior, o BdP refere que «a economia portuguesa tem vindo a revelar dificuldades competitivas a nível internacional relacionadas com a crescente integração na economia mundial de alguns países do Leste da Europa e da Ásia, cuja estrutura das exportações é particularmente concorrencial com a actual especialização da economia portuguesa.».

Para 2006 o BdP está menos pessimista, aguardando alguma recuperação da actividade económica que reflecte, essencialmente, um aumento da taxa de crescimento das exportações e uma aceleração ligeira do investimento empresarial».

Mais desemprego em 2005

Entre os indicadores que cita para explica o desempenho decepcionante da economia portuguesa, o BdP refere «o expressivo aumento da taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2005», que atingiu os 7,5%, num agravamento de mais de um ponto percentual face ao verificado no período homólogo.

O BdP prevê uma redução do emprego deste ano em 0,2%, «reflectindo o abrandamento do ritmo de crescimento da actividade económica iniciado na segunda metade de 2004».

Com a posterior recuperação da economia, «que se iniciará no segundo semestre do corrente ano e que deverá perdurar até final do horizonte da actual projecção», o BdP estima que um crescimento do emprego em 2006, em 0,4%.

«No entanto, esta previsão tem subjacente um perfil mais marcado para a evolução do emprego no sector privado, uma vez que se pressupõe um crescimento nulo do emprego no sector público em 2005 e uma redução em 2006», refere.

Assim, o Bdp aguarda um agravamento da taxa de desemprego em 2005 e uma estabilização no próximo ano. «Esta evolução sustenta-se na evidência histórica de que é constante para a economia portuguesa(8) a taxa de desemprego compatível com a não aceleração da inflação (NAIRU), não estando por isso isenta de riscos, no sentido de se verificar uma evolução mais desfavorável da taxa de desemprego ao longo do horizonte de projecção, tendo em conta o aumento recente do desemprego de longa duração», explica

Brent no último ano

Previsões supõem manutenção dos juros e petróleo nos 52/53 dólares
Para a elaboração das previsões para a economia portuguesa, o Banco de Portugal formulou uma série de hipóteses para a evolução dos juros, taxas de câmbios, petróleo e outras variáveis.

Foi assumido, tendo em conta as perspectivas actuais dos mercados, que a taxa de juro de curto prazo se vai manter nos níveis verificados em Junho até 2006, enquanto a taxa de juro de longo prazo irá descer este ano e aumentar de forma ligeira em 2006.

A taxa de câmbio também deverá ficar estável, com uma subida este ano e uma depreciação em 2006.

Em relação à evolução do petróleo, o BdP assumiu as perspectivas indicadas pelos mercados de futuros, ou seja, o petróleo deverá aumentar nos próximos anos. Em 2005 e 2005 terá uma cotação média anual de 52 e 53 dólares, acima dos 38,3 dólares registados em 2004.

Tal como consta no PEC elaborado pelo Governo, o BdP assumiu também a estabilização do número de funcionários públicos este ano e uma «ligeira diminuição».

«No que respeita ao investimento público excluindo as receitas provenientes da venda de património, a actual projecção considera a quase estabilização em termos reais em 2005», diz o BdP.

Portugal vai continuar afastar-se da Zona Euro até 2006

Tendo por base as projecções efectuadas pelo Banco Central Europeu, o BdP conclui que a economia portuguesa vai voltar a ser incapaz de convergir com a Zona Euro, até 2006.

Em 2004 este diferencial de crescimento económico foi de 0,7 pontos percentuais, e a economia portuguesa está a divergir da Zona Euro desde 2002. Assi, serão pelo menos cinco os anos consecutivos em que o desempenho da economia portuguesa será inferior ao da Zona Euro.

Isto depois de entre 1996 e 1999 o crescimento do PIB português ter sido cerca de um ponto percentual acima do verificado em média pelos países do Euro.

«O processo de convergência real deverá ser fortemente condicionado pelos desequilíbrios que se acumularam ao longo dos últimos anos, traduzidos na perda de competitividade que a economia portuguesa tem vindo a registar», refere o BdP.

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