Clubeinvest.com — Arquivo Histórico (1997-2011)
Esta é uma cápsula do tempo da comunidade financeira portuguesa. Login activo para membros.
Clubeinvest.com
Home Privado Fórum Acções Índices Metastock Portfolio Managers Publicações Blogs Contacto
 

Editar as notícias:

Novo Sistema de Ratings instalado no Clubeinvest, saiba + aqui ou consulte os Últimos Ratings atribuidos em realtime.

Menu principal

SEC, proíbe Short Selling...

Iniciado por empirico1, Setembro 17, 2008, 17:16

Tópico anterior - Tópico seguinte

fig

Berrio não te canses mais não vale a pena alem de não perceberem também não querem perceber e para eles acções deviam subir até ao céu mas para semana ja virão todos pedir por amor deus que voltem a deixar funcionar o short selling.

Basta ver a porcaria da nossa bolsa onde não é possivel fazer short selling aquilo que acontece, uma autentica pasmaceira  ;D
Abraço.
fig


O triunfo não se mede pelo estatuto que se atingiu na vida, mas pelos obstáculos ultrapassados no caminho.

Beagle

Citação de: berrio em Setembro 19, 2008, 13:39
Ou que tal, só se poder comprar acções? Isso sim! Aí, isto nunca mais cai-a...era o fim das crises financeiras! Voto nessa...

Sem comentários...

A ética do short seller é penalizar as empresas pela sua má gestão!

Shortei LEH, shortei Bear Stearns, entre outros bancos e não tenho qualquer problema ético com isso! Foram mal geridas, mereceram ir à falência, e as ditas [falências] só pecam por tardias!

Boa noite berrio,

Não leve a mal o meu comentário, mas proibir short selling não o impede de vender acções: as suas (aquelas que tem e não as que não tem).

Quanto às questões éticas, é verdade que é um mecanismo que pode auxiliar a extinguir empresas que não merecem existir... mas penalizar a gestão? Então faz-se pagar a empresa pela gestão? A gestão da empresa é que deveria ser banida... na maior parte das vezes são os gestores que destroem as empresas, já para não falar naqueles que (indirectamente) através de amigos e hedge funds fazem short selling das empresas que gerem. Nessa linha, prejudica a empresa, os seus accionistas, mas a gestão safa-se sempre com os seus salários e bónus normalmente milionários. Por isso, a verdade nua e crua é que o short selling faz o jogo dos gestores danosos.

Para mim não faz sentido o que diz, que "empresa mal gerida, merece ir à falência". Se dissesse, má gestão merece ser banida, eu concordava a 200%, mas da maneira que coloca as coisas não concordo... a não ser que seja uma empresa de negócios ilícitos. É também por essa prática que o mercado chegou ao que chegou. E dizer que a ética do short seller é penalizar as empresas pela sua má gestão, além de ser um objectivo errado por estar a fazer pagar a empresa pela sua gestão muitas vezes danosa, é também uma maneira de defender uma prática que, na maioria das vezes, não se limita a essas empresas. Basta responder a si próprio quantas vezes e sobre que empresas "sólidas" (financeiramente e em termos de negócio e mercado) fez short selling. Portanto, não é apenas sobre empresas que mereçam desaparecer.

Há pois que assumir que é uma maneira de se poder ganhar dinheiro nos dois lados da transacção... mas já agora... se há e se permite a venda a descoberto, porque não se cria a compra a descoberto? Aí já havia igualdade...

Eu posso partilhar que estou nos mercados de capitais americano e nacional há quase 20 anos e nunca fiz short selling. Nem vou fazer, directa ou indirectamente. Mas uma coisa é certa: as minhas acções não as usam, porque estão locked para venda a preços bem altos, só desbloqueados temporariamente quando transacciono parte ou a totalidade das posições.

Saudações e votos de bom fim-de-semana.

Beagle

#17
Citação de: fig em Setembro 19, 2008, 17:15
Berrio não te canses mais não vale a pena alem de não perceberem também não querem perceber e para eles acções deviam subir até ao céu mas para semana ja virão todos pedir por amor deus que voltem a deixar funcionar o short selling.

Basta ver a porcaria da nossa bolsa onde não é possivel fazer short selling aquilo que acontece, uma autentica pasmaceira  ;D

Boa noite fig,

Claro que percebemos. Ou será que nos está a chamar "burros"? O que separa a nossa opinião é apenas uma questão de posicionamento de cada um perante esta actividade de short selling, cuja ética é questionada por esse mundo fora (basta ir ao Google e pesquisar as keywords "ethics" e "short-selling")... não somos nós aqui no ClubeInvest que estamos a questionar essa prática. Mas há que aceitar opiniões diferentes, não significando essa diversidade que uns sejam iluminados e outros sejam uns bazarocos.

A nossa CMVM não proibiu o short-selling... criou apenas uma "regra" nova que implica o reporte diário dessas transacções, o que significa que a nossa CMVM não tinha a mínima noção do que se passava... e vai continuar sem ter, porque não acredito que se reporte tudo o que se faz... e a CMVM não vai ter hipótese de fiscalizar tudo... aleatoriamente poderá descobrir algumas irregularidades que serão prontamente justificadas com um alegado engano, como aquele da casa de investimento que há cerca de 1 ou 2 meses se descobriu não andava a enviar informação correcta à CMVM.

Quanto à próxima segunda-feira, não acredito que os preços vão subir "muito". Pelo contrário, não me admirava que descessem, sob a desculpa de que subiram 8% na sexta-feira e os investidores estão a realizar mais valias.

Mas se fizermos um reality check, veríamos que não há razões para euforias: basta olhar para as cotações de fecho das cotadas do PSI-20 e ver onde estão comparativamente com os preços de há 2 ou 3 semanas (nem vou mais atrás). O mercado tem memória curta e Portugal é um pequeno paraíso para a manipulação. E com uma CMVM que se demite de exercer a fundo a sua função, as coisas não vão melhorar, antes pelo contrário.

Saudações.

berrio

A única resposta que tenho, Beagle, está no post "como retirar uma porca da engrenagem..." ... e honestamente não vou debater mais este assunto, para além do que escrevi lá.

Querem bater palmas? Façam-no à vontade...
Não me venham é dizer que isto chegou onde chegou por causa dos short sellers! Em '29 também se teve destas conversas, 80 anos mais tarde sabemos o que aconteceu, e que os short sellers não tiveram nada a ver com o "ajuste". Mas realmente, a memória é mesmo muito curta... ou pelo menos existe muita falta de "livros de história"...
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
LinkedIn Profile

berrio

#19
E já agora, para não me virem acusar de má vontade, ficam aqui 2 gráficos.

A linha azul é a cotação e a linha vermelha a "market cap on loan", o valor que estava do lado short na altura.

As empresas são a HBOS o banco britânico que os shorts "derrubaram",e a Metalife a seguradora que os "abutres" também iam deitando abaixo.

Ah, não ... esperem... há medida que o preço desceu o market cap on loan ou desceu ou manteve-se igual? Lá se vai a teoria de que foram os "pouco éticos shorts". E ainda mais curioso na HBOS: subiu a determinada altura, e o preço mantêm-se... estes malvados shorts, além de maus são incompetentes?

Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
LinkedIn Profile

Beagle

Caro berrio,

Ninguém está a bater palmas nem a banir os shorts... se a CMVM não o fez, porque haveríamos de ser nós a fazê-lo?

Não tenho dúvidas que, tal como referiu, o short selling tem vantagens... mas também tem inconvenientes (como tudo na vida). E o inconveniente maior é a sua utilização abusiva.

Ninguém terá dúvidas que a prática especulativa de short selling banalizou-se com estratégias de Short & Distort (utilizadas em bear markets) e Pump & Dump (utilizadas em bull markets) utilizadas pelos grandes Hedge Funds, os maiores praticantes deste tipo de transacção.

Mas a culpa não é dos que fazem esse short-selling abusivo: é daqueles que os deixam fazê-lo (as entidades reguladoras) e não o punem exemplarmente. Porque o short-selling se não for abusivo é apenas mais uma das possibilidades conferidas pelo mercado de capitais, a par de comprar e vender acções ou negociar com opções, futuros, etc. Já agora: porque não criar também um "short buying"?

Foi o excesso de abusos que levou onde estamos... foi o excesso de abusos que deitou abaixo empresas que eram supostamente inabaláveis mas que foram alvo de ataques especulativos de short-selling, muitas vezes vindas da concorrência (por via indirecta)... depois assistimos a falências e aos realinhamentos com compras de activos das empresas visadas a preços da chuva...

Isto não chegou onde chegou pelos short sellers mas sim pela especulação, em todos os sentidos e não apenas no da baixa de preços. Cá em Portugal, o exemplo mais recente é o da EDPR onde os investidores institucionais da empresa fizeram venda a descoberto até ao tutano. Não alinho da desculpa da crise lá de fora para esta empresa. A sua cotação foi destruída desde o princípio e com a cooperação da própria EDP que "emprestou" cerca de 150 milhões de acções para garantir a esses "investidores" a cobertura das suas posições de venda a descoberto. Não foram os longs, nem os pequenos investidores que trouxeram a cotação da EDPR para baixo de 6 EUR em 3 meses... nem foi a crise.

Agora, se eles o fizeram é porque podiam fazer... o que agora a CMVM devia investigar era porque razão o preço definido foi de 8 EUR, porque é que a EDP emprestou aqueles 150 milhões de acções com os retail investors a vê-las passar sem nada poderem fazer e porque é que o Presidente da EDP e EDPR disse, 2 meses depois da EDPR estar cotada, que 6,40 era um preço que avaliava bem os activos da empresa... se era, porque definiram o preço a 8? Foi para dar hipótese aos amigos de fazerem shorts-selling, aproveitando um bear market? Parece que sim.

Não é o short selling em si que é mau... mais grave que isso são as estratégias de rumores e boatos utilizadas por muitos agentes do mercado, como por exemplo aquela notícia (com cerca de 6 anos) da United Airlines, que surgiu nas headlines levando a que a empresa visse as suas acções passar de cerca de 12 USD para 3 USD em espaço de minutos... esta queda não foi provocada só pela venda de acções por parte dos seus detentores, mas foi sobretudo provocada pelo tal short selling abusivo. E se o short selling serve para corrigir empresas ineficientes, o que é que esta empresa fez de mal para lhe acontecer isto agora? Agora diz-se que foi um engano... mas de engano, isto não teve nada.

Acho que o mercado deve permitir tudo: mas com regras passíveis de fiscalização e com punições bem exemplares que levem alguém a ponderar não duas mas 3 vezes antes de tentar enganar os outros.

Quando se levanta a questão da ética ela surge sobretudo pela comparação com o outro tipo de trades. Quando alguém compra um milhão de acções da Microsoft, pode estar a especular... mas desembolsou cash para adquirir acções que alguém estava disposto a vender e que agora são suas. Não há falta de ética aqui. Por outro lado, quando alguém se desfaz de 1 milhão de acções da Microsoft, pode estar a especular... mas está a vender algo que é seu. Agora quando se faz short selling, alguém está a especular vendendo acções que não tem (e que por isso está obrigado a exigências maiores por parte dos intermediários financeiros)... e que depois vai ter de utilizar acções "emprestadas" de alguém que provavelmente nem sabe que as suas acções estão a ser utilizadas para essa finalidade...

É tudo muito relativo e por isso é que o mercado de capitais é interessante. E porque se consegue ganhar dinheiro quando sobe ou quando desce... assim como se perde dinheiro quando se sobe ou se desce.

Mas uma coisa é certa: se nos EUA e Inglaterra decidiram restringir (ainda que temporiamente) o short selling, por alguma razão foi... não foi decerto pelo facto de os seus praticantes serem mais bonitos ou mais feios... decerto terá sido pelas práticas abusivas: e agora pagam todos. Mas eu não coloco toda a gente no mesmo "saco". Há shorts e shorts...

Saudações.

berrio

O problema do seu raciocinio mantêm-se:
excesso de abusos. Quais abusos?

[No que diz respeito ao mercado português, sinceramente, mas alguém acredita que o PSI-20 é um "mercado" não manipulado!? É pouco liquido, nas mãos de uns quantos fundos... não tem a minima comparação com os EUA/UK]

O short float nas maiores financeiras - e as que mais desciam - na semana passada não chegava aos 5% da market cap. Tanto nos EUA como o Reino Unido!

Onde é que está esse abuso que tantos falam? Onde é que estão as financeiras que foram à falencia por esses abusos?

A Bear Stearns? Essa foi ao fundo por má gestão, balanço alavancado nem qualquer margem de manobra e uma corrida ao banco. A Northern Rock? Idem idem, aspas aspas. A Lehman Brothers? Igual. AIG, HBOS, Countrywide,..., a lista dura e dura e dura. Foi tudo short selling abusivo?!?

Não! Foi má gestão (essa sim, abusiva, tal como os bonús que os CEOs receberam... que os deviam ir justificar... perante um juri dos seus pares!!).

Não foi o short selling que deitou abaixo as financeiras nesta já longa lista de mortos! Este ban não é mais que tentar fazer dos "short sellers" bodes expiatórios. Políticos em pânico em ano de eleições.

"Para inglês ver" é um bom ditado...

Quanto aos rumores, essa tem graça. Nenhuma, entenda-se: ninguém condena rumores positivos. Mas quando são negativos, vem tudo a correr... curioso: os "rumores" da Bear Stearns por exemplo também eram... verdadeiros. A Lehman Brothers também passou um ano a queixar-se dos short sellers, enquanto se passeava com um balanço alavancado a 1 para 60! 1 para 60!!! Qual de nós alavancaria a nossa conta de trading sem rebentar!?!? E agora ve-se... ela não caiu pelos "evil shorts", mas porque com 1 para 60 de alavancagem NINGUÉM sobrevive ao minimo variar nos activos (que nem estavam disponiveis aos "evil shorts", eram derivados OTC!)

O resto é para "eleitor" ver!
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
LinkedIn Profile

Pedro Miranda

#22
Bastante interessante esta discussão ;)

Pessoalmente sou obrigado a concordar com os argumentos do Bérrio, já que considero que o Short Selling é essencial ao funcionamento equilibrado dos mercados entre outras muitas outras razões, e dai a sua existência desde muito tempo atrás. Alterar as regras do jogo cria um desiquilibrio e um movimento de procura não real a ser cruzado com uma oferta igualmente não ajustada à realidade do momento, isso cria um determinado efeito de curto prazo simplesmente não sustentável no médio prazo.

Na prática, não é devido à existência de short selling que temos a crise actual, nem será devido ao seu banimento que deixaremos de estar em crise... Banir o short-selling apenas diminui a oferta no curto prazo e aumenta a procura (por efeito de short covering), o que numa simples análise é a definição de manipulação, neste caso institucionalizada.

O problema reside no facto de aos olhos do grande publico, o short selling ser visto como uma espécie de «dark side», algo moralmente errado e diabólico feito por manipuladores... quando na verdade a lógica de investimento é simplesmente a mesma, vender a um preço maior do que se compra, com a diferença que em termos de manipulação o mercado está institucionalizado para manipulações de subida e não ao contrário.

Gostava apenas de deixar um pequeno comentário a uma das respostas do Beagle:

Citação de: Beagle em Setembro 20, 2008, 21:51
Há pois que assumir que é uma maneira de se poder ganhar dinheiro nos dois lados da transacção... mas já agora... se há e se permite a venda a descoberto, porque não se cria a compra a descoberto? Aí já havia igualdade...

Beagle, o que entendes por compra a descoberto?

Se vender a descoberto, seria vender algo que não se tem, comprar a descoberto deverá querer dizer comprar algo com dinheiro que não se tem. Pergunto, se isso não existe já e se não existirá em ENORME escala? (contas margem, credibolsas, alavancagens instantaneas de 3X o capital nos bancos, emprestimos para investir, etc)

Se ai já haveria igualdade, penso que facilmente se consegue ver que existem muitos mais investidores com investimentos bolsistas provenientes de capitais a crédito, do que propriamente posições short no mercado provenientes de empréstimos de acções... reforçando apenas a ideia que o short selling está a ser usado como «bode expiatório», quando na realidade servirá apenas para equilibrar (muito residualmente) todo um «setup» virado para as tais «compras a descoberto».

Reparemos: Em momentos de bolhas especulativas de alta, não se restringem os créditos para investir, muito pelo contrário é ai que eles proliferam, aumenta-se esse tipo de actividade, permite-se alavancar contas de titulos, oferecem-se créditos para investir a qualquer um, contribuindo-se para uma entrada desenfreada de novos capitais no lado da compra, etc, etc..
O que acontece agora com o «ban» nos short selling, é mais ao menos a mesma coisa do que num momento de bolha especulativa se proibir os investidores de comprarem (!!!), quando o que acontece é excatamente o contrário multiplicar-se o capital disponivel para se comprar a preços altos... Ou seja, se as coisas estivessem com «igualdade», neste momento de quedas teriamos créditos para shortar, etc algo impossivel sequer de imaginar ;)

Mas a base do raciocinio todo é que na verdade vender a descoberto não é vender algo que não se tem, porque supostamente a «coisa» funciona como um empréstimo de acções, acções essas que são depois vendidas, ou seja na prática está-se a vender algo que se tem (emprestado) da mesma forma que quando se compra «a descoberto» com dinheiro emprestado.

Penso que o controle sobre o short-selling, deveria apenas controlar situações descontroladas de naked shorts em escalas notoriamente abusivas, nada mais, dado que tudo o resto é apenas uma tentativa de manipulação da oferta... numa comparação provavelmente patética, será como que a meio de um jogo de futebol, impedir uma das equipas de marcar golos e deixar o jogo decorrer «normalmente»... neste caso o jogo é o funcionamento do mercado, e seria de esperar um resultado justo ;)

um abraço!
Pedro Miranda
www.clubeinvest.com

euro

Citação de: Beagle em Setembro 21, 2008, 00:12
Caro berrio,

Ninguém está a bater palmas nem a banir os shorts... se a CMVM não o fez, porque haveríamos de ser nós a fazê-lo?

Não tenho dúvidas que, tal como referiu, o short selling tem vantagens... mas também tem inconvenientes (como tudo na vida). E o inconveniente maior é a sua utilização abusiva.

Ninguém terá dúvidas que a prática especulativa de short selling banalizou-se com estratégias de Short & Distort (utilizadas em bear markets) e Pump & Dump (utilizadas em bull markets) utilizadas pelos grandes Hedge Funds, os maiores praticantes deste tipo de transacção.

Mas a culpa não é dos que fazem esse short-selling abusivo: é daqueles que os deixam fazê-lo (as entidades reguladoras) e não o punem exemplarmente. Porque o short-selling se não for abusivo é apenas mais uma das possibilidades conferidas pelo mercado de capitais, a par de comprar e vender acções ou negociar com opções, futuros, etc. Já agora: porque não criar também um "short buying"?

Foi o excesso de abusos que levou onde estamos... foi o excesso de abusos que deitou abaixo empresas que eram supostamente inabaláveis mas que foram alvo de ataques especulativos de short-selling, muitas vezes vindas da concorrência (por via indirecta)... depois assistimos a falências e aos realinhamentos com compras de activos das empresas visadas a preços da chuva...

Isto não chegou onde chegou pelos short sellers mas sim pela especulação, em todos os sentidos e não apenas no da baixa de preços. Cá em Portugal, o exemplo mais recente é o da EDPR onde os investidores institucionais da empresa fizeram venda a descoberto até ao tutano. Não alinho da desculpa da crise lá de fora para esta empresa. A sua cotação foi destruída desde o princípio e com a cooperação da própria EDP que "emprestou" cerca de 150 milhões de acções para garantir a esses "investidores" a cobertura das suas posições de venda a descoberto. Não foram os longs, nem os pequenos investidores que trouxeram a cotação da EDPR para baixo de 6 EUR em 3 meses... nem foi a crise.

Agora, se eles o fizeram é porque podiam fazer... o que agora a CMVM devia investigar era porque razão o preço definido foi de 8 EUR, porque é que a EDP emprestou aqueles 150 milhões de acções com os retail investors a vê-las passar sem nada poderem fazer e porque é que o Presidente da EDP e EDPR disse, 2 meses depois da EDPR estar cotada, que 6,40 era um preço que avaliava bem os activos da empresa... se era, porque definiram o preço a 8? Foi para dar hipótese aos amigos de fazerem shorts-selling, aproveitando um bear market? Parece que sim.

Não é o short selling em si que é mau... mais grave que isso são as estratégias de rumores e boatos utilizadas por muitos agentes do mercado, como por exemplo aquela notícia (com cerca de 6 anos) da United Airlines, que surgiu nas headlines levando a que a empresa visse as suas acções passar de cerca de 12 USD para 3 USD em espaço de minutos... esta queda não foi provocada só pela venda de acções por parte dos seus detentores, mas foi sobretudo provocada pelo tal short selling abusivo. E se o short selling serve para corrigir empresas ineficientes, o que é que esta empresa fez de mal para lhe acontecer isto agora? Agora diz-se que foi um engano... mas de engano, isto não teve nada.

Acho que o mercado deve permitir tudo: mas com regras passíveis de fiscalização e com punições bem exemplares que levem alguém a ponderar não duas mas 3 vezes antes de tentar enganar os outros.

Quando se levanta a questão da ética ela surge sobretudo pela comparação com o outro tipo de trades. Quando alguém compra um milhão de acções da Microsoft, pode estar a especular... mas desembolsou cash para adquirir acções que alguém estava disposto a vender e que agora são suas. Não há falta de ética aqui. Por outro lado, quando alguém se desfaz de 1 milhão de acções da Microsoft, pode estar a especular... mas está a vender algo que é seu. Agora quando se faz short selling, alguém está a especular vendendo acções que não tem (e que por isso está obrigado a exigências maiores por parte dos intermediários financeiros)... e que depois vai ter de utilizar acções "emprestadas" de alguém que provavelmente nem sabe que as suas acções estão a ser utilizadas para essa finalidade...

É tudo muito relativo e por isso é que o mercado de capitais é interessante. E porque se consegue ganhar dinheiro quando sobe ou quando desce... assim como se perde dinheiro quando se sobe ou se desce.

Mas uma coisa é certa: se nos EUA e Inglaterra decidiram restringir (ainda que temporiamente) o short selling, por alguma razão foi... não foi decerto pelo facto de os seus praticantes serem mais bonitos ou mais feios... decerto terá sido pelas práticas abusivas: e agora pagam todos. Mas eu não coloco toda a gente no mesmo "saco". Há shorts e shorts...

Saudações.
por este e por outros aqui vai um ponto ,tem toda a razão ,E COM AS MINHAS ELES TAMBÉM NÃO VÃO SHORTAR MAIS

euro

Citação de: euro em Setembro 21, 2008, 09:17
Citação de: Beagle em Setembro 21, 2008, 00:12
Caro berrio,

Ninguém está a bater palmas nem a banir os shorts... se a CMVM não o fez, porque haveríamos de ser nós a fazê-lo?

Não tenho dúvidas que, tal como referiu, o short selling tem vantagens... mas também tem inconvenientes (como tudo na vida). E o inconveniente maior é a sua utilização abusiva.

Ninguém terá dúvidas que a prática especulativa de short selling banalizou-se com estratégias de Short & Distort (utilizadas em bear markets) e Pump & Dump (utilizadas em bull markets) utilizadas pelos grandes Hedge Funds, os maiores praticantes deste tipo de transacção.

Mas a culpa não é dos que fazem esse short-selling abusivo: é daqueles que os deixam fazê-lo (as entidades reguladoras) e não o punem exemplarmente. Porque o short-selling se não for abusivo é apenas mais uma das possibilidades conferidas pelo mercado de capitais, a par de comprar e vender acções ou negociar com opções, futuros, etc. Já agora: porque não criar também um "short buying"?

Foi o excesso de abusos que levou onde estamos... foi o excesso de abusos que deitou abaixo empresas que eram supostamente inabaláveis mas que foram alvo de ataques especulativos de short-selling, muitas vezes vindas da concorrência (por via indirecta)... depois assistimos a falências e aos realinhamentos com compras de activos das empresas visadas a preços da chuva...

Isto não chegou onde chegou pelos short sellers mas sim pela especulação, em todos os sentidos e não apenas no da baixa de preços. Cá em Portugal, o exemplo mais recente é o da EDPR onde os investidores institucionais da empresa fizeram venda a descoberto até ao tutano. Não alinho da desculpa da crise lá de fora para esta empresa. A sua cotação foi destruída desde o princípio e com a cooperação da própria EDP que "emprestou" cerca de 150 milhões de acções para garantir a esses "investidores" a cobertura das suas posições de venda a descoberto. Não foram os longs, nem os pequenos investidores que trouxeram a cotação da EDPR para baixo de 6 EUR em 3 meses... nem foi a crise.

Agora, se eles o fizeram é porque podiam fazer... o que agora a CMVM devia investigar era porque razão o preço definido foi de 8 EUR, porque é que a EDP emprestou aqueles 150 milhões de acções com os retail investors a vê-las passar sem nada poderem fazer e porque é que o Presidente da EDP e EDPR disse, 2 meses depois da EDPR estar cotada, que 6,40 era um preço que avaliava bem os activos da empresa... se era, porque definiram o preço a 8? Foi para dar hipótese aos amigos de fazerem shorts-selling, aproveitando um bear market? Parece que sim.

Não é o short selling em si que é mau... mais grave que isso são as estratégias de rumores e boatos utilizadas por muitos agentes do mercado, como por exemplo aquela notícia (com cerca de 6 anos) da United Airlines, que surgiu nas headlines levando a que a empresa visse as suas acções passar de cerca de 12 USD para 3 USD em espaço de minutos... esta queda não foi provocada só pela venda de acções por parte dos seus detentores, mas foi sobretudo provocada pelo tal short selling abusivo. E se o short selling serve para corrigir empresas ineficientes, o que é que esta empresa fez de mal para lhe acontecer isto agora? Agora diz-se que foi um engano... mas de engano, isto não teve nada.

Acho que o mercado deve permitir tudo: mas com regras passíveis de fiscalização e com punições bem exemplares que levem alguém a ponderar não duas mas 3 vezes antes de tentar enganar os outros.

Quando se levanta a questão da ética ela surge sobretudo pela comparação com o outro tipo de trades. Quando alguém compra um milhão de acções da Microsoft, pode estar a especular... mas desembolsou cash para adquirir acções que alguém estava disposto a vender e que agora são suas. Não há falta de ética aqui. Por outro lado, quando alguém se desfaz de 1 milhão de acções da Microsoft, pode estar a especular... mas está a vender algo que é seu. Agora quando se faz short selling, alguém está a especular vendendo acções que não tem (e que por isso está obrigado a exigências maiores por parte dos intermediários financeiros)... e que depois vai ter de utilizar acções "emprestadas" de alguém que provavelmente nem sabe que as suas acções estão a ser utilizadas para essa finalidade...

É tudo muito relativo e por isso é que o mercado de capitais é interessante. E porque se consegue ganhar dinheiro quando sobe ou quando desce... assim como se perde dinheiro quando se sobe ou se desce.

Mas uma coisa é certa: se nos EUA e Inglaterra decidiram restringir (ainda que temporiamente) o short selling, por alguma razão foi... não foi decerto pelo facto de os seus praticantes serem mais bonitos ou mais feios... decerto terá sido pelas práticas abusivas: e agora pagam todos. Mas eu não coloco toda a gente no mesmo "saco". Há shorts e shorts...

Saudações.
por este e por outros aqui vai um ponto ,tem toda a razão ,E COM AS MINHAS ELES TAMBÉM NÃO VÃO SHORTAR MAIS
e peço desculpa a quem não é da mesma opinião

berrio

Como dizia Voltaire, "Posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres."  ;)
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
LinkedIn Profile

Paff

Boas tardes,

Concordo também que o short selling não é, e não foi,  a origem do problema. Contudo compreendo a reacção de banir, ainda que a prazo, com ele. Trata-se apenas de uma medida preventiva para momentos tão particulares como os que os mercados vivem.

A questão fundamental, aliás, a questão que estará a breve prazo na ordem do dia, passa pela regulação dos mercados. Parece-me que a desregulação continuada que se tem feito sentir ao longo das últimas décadas tinha inevitávelmente que desaguar em qualquer coisa como isto. A proliferação de mais e mais instrumentos financeiros exóticos, de derivados com características extremas e de uma alavancagem absurda, isso sim, está no cerne de toda esta tempestade. Se assim não fosse, porque razão um conjunto de entidades financeiras norte-americanas, daquelas que não aparecem nas primeiras páginas do WSJ, continuam a apresentar resultados positivos e, em alguns casos, recorde? Bem, talvez porque as boas notícias vendam menos e porque, pessoalmente, acho que o jornalismo financeiro é por vezes mediocre.

A atitude da administração Bush pode muito bem ajudar a estancar o problema, contudo, e para que não crie um problema ainda maior do que o actual, terá de ter como consequência, uma alteração do paradigma financeiro. Se assim não for, da próxima vez, quem intervirá será o FMI, directamente nas contas de uma paupérrima FED ;).

Paff

fernandex

Boa tarde!

Julgo que não vale a pena extremar posições. Provavelmente todos concordarão que não faz sentido acabar com o short selling e que não é esta a causa da crise actual, tal como todos concordarão que são necessárias regras mais transparentes e melhor definidas para restringir práticas abusivas (quer curtas quer longas). Passado o calor do momento, julgo que o que vai acontecer é uma clarificação das regras de short selling, e não banir a sua prática. Tal como haverá maior regulação dos chamados produtos financeiros exóticos.

Todavia, gostaria de acrescentar os seguintes pontos ao debate:

1. As bolsas foram criadas para facilitar o acesso das empresas ao capital, para, assim, financiarem mais facilmente e a menor custo os seus investimentos. Por isso, julgo que os reguladores dos mercados financeiros tenderão sempre a estabelecer regras que beneficiem os "longos" e não os "curtos".

2. Dizer que se "shorta" para punir uma má administração (e o inverso para as entradas longas) não me parece um argumento credível. O objectivo dos short sellers, tal como da generalidade dos que abrem posições longas, é vender a um preço superior ao de compra, isto é, especular.

3. Concordo com o argumento de que o short selling é importante para dar uma maior liquidez aos mercados. No entanto, há que estar atento a práticas que, a coberto deste argumento, possam configurar-se como manipulações do mercado.
(Tipo EDPR... Ora, amanhã a EDPR vai estrear-se em bolsa, mas só estarão em negociação as acções vendidas em OPS aos pequenos subscritores... Como eles são pouquinhos e pequeninos, a bem do mercado, vamos emprestar 150 milhões de acções a investidores institucionais para eles brincarem com os "meninos". Será que os institucionais vão aproveitar as 150 milhões de acções emprestadas para ganhar uns cobres? Nãaaa... eles só vão garantir a liquidez do mercado!)
Não teria sido melhor pôr todas as acções da EDPR a negociar desde o primeiro dia?

4. Não me parece aceitável que se possa "shortar" com acções cujo dono não deu permissão para tal (julgo que isto acontece, senão por favor corrijam-me). Se eu sou dono de alguma coisa, só a empresto se quiser! E se estiver disposto a isso, posso só emprestar se me pagarem. Então as correctoras emprestam as minhas acções sem o meu consentimento e ainda cobram comissões pelo empréstimo de acções que não são suas?! Acho que isto não faz sentido.

Cumprimentos, BN,

Fernandex.
"Natura non facit saltum" (máxima romana).

berrio

CitaçãoWith trade depression continuing in spite of recent assurances that it would surely end with arrival of Autumn, and with the stock market also falling below the prices reached in last Summer's drastic downward readjustment, it was not perhaps surprising that search for something peculiar and abnormal in the way of cause should have begun. The average man does not apply severe logic in his reasoning on such matters. It was at least a convenient supposition that business must be hesitating because of the bad stock market, and Wall Street itself had been reporting, every day, that "bear selling" had emphasized the market's  unsettlement. Hence the demand from irritated watchers of the situation that the evil influence of such stock market operations be ended by suspension or outright prohibition of "short sales."

Such action is undoubtedly possible. Mr. Untermeyer correctly states that the Stock Exchange itself "has it within its power to prevent or restrict short selling." Yet even so hostile a critic as he has heretofore been of Stock Exchange machinery is careful to add that whether such action would be advisable "is quite another thing." The stock Exchange authorities have given public warning that the speculative seller of stocks whose purposes were shown by deliberate circulation of disturbing rumors would be severely disciplined. But they too have declared  through their president that since "normal short selling is an essential part of a free market for securities," prohibition of such sales "might result in the destruction of the market," and would therefore, in any case "too high a price to pay for the elimination of the few who abuse this legitimate practice."President Hoover lately talked the matter over with the Stock Exchange authorities; but the White House version of the interview was careful to point out that the Government had no idea of interfering with policies of the Stock Exchange.

Why this unanimity of attitude against the prevention of "short selling"?  The answer of any one familiar with markets probably would be that, so long as stock market valuations can be influenced on the side of rising prices by speculative buying conducted with borrowed money, equilibrium is impossible except through permitting sales conducted through deliveries made with borrowed stock. Either practice is open to abuse, which it is the duty of the Exchange authorities to restrain.  The abuse of "bidding up the market" by speculation based on broker's loans is not often recognized by the public, though its evil results ought to be reasonably evident to any one who remembers 1929. Yet it is  plainly impossible to abolish "buying on margin" unless by reducing all transactions to a basis of cash purchases  -- which would preclude an immense part of legitimate investment business. This being true, it ought to be evident that prohibition of "short sales" would expose the market to the extreme and dangerous maladjustment which so one-side d a proviso would inevitably create. Our "rashes" would be vastly more ruinous; our recoveries with the necessary "bear repurchases" eliminated, far less emphatic.  The market would have become a trap for the unwary, with no automatic safeguard.

This is not the first occasion on which "suppression of bear sales" has been vehemently urged. After the panic of 1907, under circumstances closely resembling those which now exist, demands for such action forced Governor HUGHES to appoint an impartial committee to investigate the question.  This committee contained not one member of the Stock exchange; it was made up of such eminent economists, journalists, and practical business men as Mr. Horace White, Judge Samuel H. Ordway, Mr. Edward D. Page and its professor John B. Clark of Columbia.

In its unanimous report of 1909 the committee found that the greatest evil of the stock market was "pyramiding" of speculation for the rise on the basis of previous paper profits, now used as "margin" for still larger ventures.

Of "bear operations" it had this to say:

We have been strongly urged to advise the prohibition or limitation of short sales, not only on the theory that it is wrong to agree to sell what one does not possess, but that such sales reduce the market price of the securities involved. We do not think that it is wrong to agree to sell something that one does not now possess but expects to obtain later. Contracts and agreements to sell, and deliver in the future, property which one does not possess at the time of the contract are common in all kinds of business. The man who has "sold short" must some day buy in order to return the stock which he has borrowed to make the short sales. Short sellers endeavor to select times when prices seem high in order to sell, and times when prices seem low in order to buy, their action in both cases serving to lessen advances and diminish declines of price.

Para quem possa pensar de onde vem:
New York Times on October 18, 1930

Hoje é consensual que o short selling nada teve a ver com o crash de '29 e com a depressão que veio a seguir, mas sim com a politica monetária dos anos '20 - que levou a uma bolha imobiliária, de crédito e no mercado de capitais, com a péssima resposta da Fed e com o padrão ouro que serviu de fio condutor - o padrão ouro coloca a pressão do ajustamento da crise no mais "fraco"...

No entanto, a história parece não servir de nada.

Quanto ao short selling e a moralidade ou não de emprestares, Fernandex. Se é possivel argumentar, na minha opinião, que quando usas uma corretora estás implicitamente a autorizar essa operação e és compensado por isso - o short seller paga juros, os dividendos que possa receber, entre outras coisas - [e note-se que eu condeno o naked short selling, aquele que é feito sem pedir as acções emprestadas, mas esse também é marginal ], em vez de proibir o short selling [mesmo que temporáriemente] porque não criar um "mercado" onde se possa negociar o direito a esse short? [Dado que cada um de nós tem uma visão diferente desse direito, então porque não, em mercado regulado, negociar esse direito? Assim quem não quer dar as acções para short, ou quer ser bem compensado pode dizer o seu preço, e quem quer shortar paga esse preço - além da taxa de juro. Seria transparente e eliminaria as dúvidas dos mais "incautos"... e retiraria espaço aos reguladores para estas medidas perfeitamente "draconianas" - sim, isto para mim é digno de Kafka, e é para "eleitor" ver]
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
LinkedIn Profile

fernandex

Citação de: berrio em Setembro 21, 2008, 17:56
Quanto ao short selling e a moralidade ou não de emprestares, Fernandex. Se é possivel argumentar, na minha opinião, que quando usas uma corretora estás implicitamente a autorizar essa operação e és compensado por isso - o short seller paga juros, os dividendos que possa receber, entre outras coisas - [e note-se que eu condeno o naked short selling, aquele que é feito sem pedir as acções emprestadas, mas esse também é marginal ], em vez de proibir o short selling [mesmo que temporáriemente] porque não criar um "mercado" onde se possa negociar o direito a esse short? [Dado que cada um de nós tem uma visão diferente desse direito, então porque não, em mercado regulado, negociar esse direito? Assim quem não quer dar as acções para short, ou quer ser bem compensado pode dizer o seu preço, e quem quer shortar paga esse preço - além da taxa de juro. Seria transparente e eliminaria as dúvidas dos mais "incautos"... e retiraria espaço aos reguladores para estas medidas perfeitamente "draconianas" - sim, isto para mim é digno de Kafka, e é para "eleitor" ver]

Caro Bérrio,
Julgo que isso de aceitar implicitamente a cedência para empréstimo das acções quando se contrata os serviços de uma corretora não é correcto, pois obriga a que quem não queira ceder as acções tenha de ficar fora do mercado. Seria como ir a um stand comprar um carro e, ao comprar, estar implicitamente a aceitar que se tiver o carro parado na garagem tenho de emprestá-lo a um terceiro. Ou compras o carro nestas condições ou andas de transportes públicos! Isso é uma limitação à liberdade das pessoas que não se pode aceitar!

Por isso, acho excelente a ideia que avançou, a de criar um mercado regulado para transacções dos direitos relativos ao short selling. Tudo seria muito mais claro e eficiente.

Quanto às intervenções estatais, também sou absolutamente contra medidas discricionárias. Nunca acreditei na boa vontade do "fine tunning" governamental. O Estado, nas modernas economias de mercado, deverá intervir promovendo a concorrência e, naqueles mercados que por si só não são eficientes ou tendem a ser desequilibrados, criar regras bem definidas e transparentes sobre o funcionamento desse mercado no sentido de o levar a ser mais eficiente.

Fernandex.
"Natura non facit saltum" (máxima romana).