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Mercado de ações:- Não caia nas armadilhas da mente

Iniciado por zimermann, Março 27, 2009, 08:52

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zimermann


Mercado de ações:- Não caia nas armadilhas da mente


Erros comportamentais, motivados por questões emocionais e psicológicas, que os investidores cometem

Quando sobra dinheiro no final do mês, a maioria das pessoas  vai às compras nos shopping centers. Mas, para muitos outros, os gastos são feitos independente do saldo bancário. São compradores compulsivos que não resistem à uma vitrine atraente. No mundo dos investimentos, acontece a mesma coisa. Nos fóruns de discussão na internet, muitos investidores revelam que, muitas vezes, não conseguem manter saldo positivo na corretora.Ou seja, ao vender uma ação, os investidores compram logo em seguida outro papel, sem o cuidado de analisar aplicações que poderiam pagar retornos melhores.

"Existem muitas variações sobre o tema", afirmam  especialistas em psicologia financeira . "Pode ser uma compulsão em fazer dívidas, em comprar ações, em consultar a carteira de investimentos, mas todas têm o objetivo inconsciente dar a falsa ilusão de um problema resolvido, de acabar com uma inquietação do investidor, que pode nem ter origem econômica", explicam tais especialistas.

Nenhum investidor está livre de cair nessas armadilhas da mente. O investidor comete erros comportamentais que poderiam ser facilmente evitados com paciência e disciplina. É preciso ter, em mente, que nem sempre as decisões são tomadas de forma racional.
O importante é que o investidor reconheça suas próprias limitações psicológicas, sabendo que uma decisão pode ser influenciada por algo de fundo emocional

Veja alguns dos erros comportamentais mais comuns:

SÍNDROME DO COMPRADO

Mesmo sendo chamados de "consumistas"  ou de "Zé comprinha", alguns investidores que participam de fóruns de discussão sobre o mercado acionário na internet confessam: não conseguem ficar com saldo nas corretoras. "Não posso ver qualquer valor na minha conta que saio analisando gráficos até encontrar um que vale a pena", confessa um deles. Psicólogos explicam que esse sentimento é bem parecido com a compra compulsiva. "A pessoa se engana, ao pensar que a solução de algum problema que está passando está na compra", comparam aos psicólogos.

O principal problema decorrente desta atitude é financeiro. "O investidor pode fazer uma série de compras ruins e ter de arcar com o prejuízo". Um caso semelhante é o de acionistas que compram papéis com  perspectivas negativas e estabelecem um limite de queda (stop loss), que dispara uma ordem de venda, quando atingido. Num fórum de discussão, um investidor relata que acumulou prejuízos, porque comprava em excesso. Acabou com ações de má qualidade que acionaram diversas ordens de venda.


Equilibre as aplicações

A recomendação dos estrategistas é sobre o momento de decidir entre comprar ou vender uma ação. Sugire-se que o investidor defina um porcentual que ele deseja manter em ações e um porcentual para aplicações conservadoras, como fundos de renda fixa. "Conforme a ação se valorize e passe a representar um porcentual maior, o investidor faz o ajuste vendendo-as."

COMPULSÃO POR HOME BROKER

Quem perdeu o interesse pelas atividades diárias para ficar em frente ao computador, acompanhando minuto a minuto a oscilação da Bolsa, deve ter cuidado: pode estar viciado em home broker - ferramenta que, nos últimos anos, atrai milhares de investidores. É um relato muito comum.

Nesses casos, as consequências podem ir além da financeiras. Pode haver problemas familiares ou profissionais porque o investidor chega ao ponto de começar a ir mal no emprego ou mesmo largá-lo. Os especialistas dizem que não há um período indicado para o acompanhamento da carteira, mas uma sugestão é verificar o saldo mensalmente.


AUTO CONFIANÇA EXCESSIVA

Um dos motivos para os investidores ficarem viciados em acompanhar ou fechar negócios no mercado acionário é a autoconfiança excessiva.
Há um excesso de informações, de relatórios, o que gera uma falsa sensação de controle, de previsibilidade. Em teoria, quanto mais informações, maior é a chance de acerto, mas isso nem sempre é verdade.

"Em investimentos, deve haver a diversificação temporal, que faz com que o potencial de alta da ação se materialize", explicam os estrategistas. Apesar dos diversos prejuízos que o investidor pode ter, e quase sempre tem, somente o histórico de ganhos fica registrado em sua mente. Os prejuízos são sempre atribuídos a fatores diversos que nada têm a ver com a competência dele.



Fuja das armadilhas

A disciplina é o ponto-chave para o investidor tentar separar a emoção das decisões financeiras. Recomenda-se que seja feito um diário, em que o investidor anote não só o negócio que foi feito, mas a motivação, os anseios, entre outros sentimentos.
Dali a um tempo, ele deve voltar a ler as anotações para analisar se o negócio foi feito por motivos não racionais, como uma venda após uma briga com a esposa.


EFEITO MANADA


A tendência do ser humano de agir em grupo faz com que o investidor cometa um erro clássico nas aplicações: o de seguir o comportamento da bolsa do seu país, comprando ações quando o índice sobe e vendendo, quando cai. O acionista se assusta. Não aguenta ver seu patrimônio se desvalorizando. Na tendência contrária, se empolga demais e acredita na valorização do papel.

A principal conseqüência deste erro é comprar ações por preços altos e vendê-las a valores baixos.
Para especialistas  esse comportamento se relaciona com o sentimento de igualdade que o investidor tende a ter perante os outros membros do grupo. "Se a ação está subindo e o investidor vê seus conhecidos ganhando dinheiro, ficando mais 'ricos' que ele, compra os papéis para tentar se igualar", dizem. Em situações de queda, ao contrário, o investidor não quer ser o último a sair e arcar com o peso de ter um prejuízo maior do que outros.

Um fenômeno comportamental
, chamado de representatividade, também influencia a tomada de decisão. "Há a tendência de considerarmos que o que ocorre repetidamente no presente irá necessariamente continuar no futuro. Ou seja, repetidas altas serão seguidas de novas valorizações", explicam tais especialistas.


Além de muitas vezes superestimar a opinião do grupo, o investidor pode levar em consideração excessiva o julgamento de uma pessoa próxima. "Às vezes, o investidor pode dar ouvidos à opinião de uma pessoa, por ela ser próxima, ter uma relação de confiança ou histórico de ganhos".

Facilmente encontradas em fóruns de discussão de investidores, as dicas de investidores que conseguiram surpreendentes lucros são uma das armadilhas mais comuns. "O contrário também pode ocorrer", dizem os  psicólogos. "Se um parente dá uma informação, mas o investidor não gosta dessa pessoa, dificilmente seguirá o conselho que, muitas vezes, pode até ser bom".