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Trades de alta frequência: controvérsias nos EUA e crescimento no Brasil

Iniciado por zimermann, Agosto 06, 2009, 22:20

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Trades de alta frequência: controvérsias nos EUA e crescimento no Brasil
InfoMoney

SÃO PAULO - Os trades de alta frequência estão novamente na mira dos reguladores internacionais. O que começou com uma investigação sobre flash orders agora está se transformando em uma série de críticas gerais sobre as estratégias com algoritmos, nos Estados Unidos e na Europa.

Segundo Roberto Lee, diretor de Marketing e Produtos da Alpes Corretora, a discussão sobre os impactos do modelo nos mercados é antiga. "O que acontece é que o ambiente se tornou um ambiente de trades de alta freqüência. Mas depende do tipo de operações em alta frequência que estamos falando. Algumas operações são desenhadas para fazer a distorção de mercado. Elas distorcem propositalmente o mercado, o que não chega a ser uma manipulação de preço", argumenta.

Lee afirma que um dos pontos que sempre foram colocados em discussão nos Estados Unidos e na Europa é a desvantagem de pequenos investidores, que não têm acesso à velocidade do trade de alta frequência.

Alta frequência no Brasil
O sentimento geral é de que as conversas sobre aumento de fiscalização em relação aos trades de alta frequência não modificarão as regras para este tipo de estratégia. E mesmo que levassem a qualquer alteração concreta, isso não mudaria os rumos do mercado brasileiro, que ainda está entrando no segmento.

"As discussões lá fora não estão afetando o mercado no Brasil porque estamos começando. Na nossa visão, nós estamos mais ou menos uns dois anos atrás dos Estados Unidos. Lá cerca de 85% dos trades são eletrônicos, e as informações que eu tenho daqui é de que mais ou menos 45% é eletrônico. Então nós estamos bem distantes ainda desse volume alto de transações", explica Luis Gustavo Penteado, responsável pela área de novos negócios da Progress, desenvolvedora da plataforma Apama.

De acordo com Penteado, atualmente não há limites para a alta frequência no Brasil, porém a BM&F Bovespa não tem estimulado muito esse tipo de operação, por não comportar um número muito grande de ordens por segundo. Ele explica que a Apama chega a fazer duas ordens por milissegundo, enquanto a Bovespa processa até 1.500 ordens por segundo. A BM&F Bovespa não disponibiliza os números por segundo, mas afirma que o MegaBolsa tem capacidade para 1,5 milhão de ordens por dia, enquanto a GTS tem capacidade de 200 mil ordens diárias.

Além dos níveis de automação dos mercados, há também a diferença das próprias características das bolsas nos Estados Unidos e no Brasil. Aqui não há a fragmentação do mercado, tendo apenas uma bolsa, enquanto lá há diversas opções de bolsas, além das dark pools e das ECMs (Equity Capital Markets). Isso ajuda não apenas no fato de que é mais difícil adotar estratégias de distorção de preços mas também facilita o controle e investigação de manipulações de mercado, reforçando a já forte regulamentação brasileira.

Demanda continua forte
Apesar das controvérsias sobre a alta frequência nos mercados desenvolvidos, no Brasil a situação é oposta: esse segmento deve continuar crescendo. Para Luis Gustavo Penteado, a migração para este modelo é irreversível. "A demanda para a nossa solução, que é o Apama, líder mundial de performance e de quantidade de clientes, está sendo muito grande", comenta, informando que atualmente possui 11 clientes no Brasil, entre corretoras, bancos e assets.

Uma das instituições que utilizam a plataforma Apama é a Alpes e, segundo Roberto Lee, a ideia é que as operações fiquem cerca de 100% eletrônicas, elevando o patamar atual, que tem 85% do número de negócios realizado por meio desses sistemas, algorítmicos ou não.

O cenário de crescimento e investimento também inclui a BM&F Bovespa. Segundo Penteado, "a Bovespa está se modernizando. Recentemente eles dobraram o volume e existe uma previsão agora de dobrar novamente".

Flash Orders
As flash orders consistem no envio de informações sobre ordens para clientes de certas bolsas em frações de segundo antes dessas ordens serem roteadas para as plataformas rivais. Na prática, os clientes ficam sabendo das ordens antes delas entrarem no sistema.

Esse tipo de operação de alta frequência é oferecido por algumas bolsas nos Estados Unidos, como Nasdaq e Direct Edge Holdings, e representou 2,4% do total de ações negociadas no país em junho, conforme dados da corretora norte-americana Rosenblatt.


Histórico das discussões nos EUA
Embora seja um assunto antigo, dessa vez a discussão em torno dos trades de alta frequência foi retomada após o senador democrata Charles Schumer enviar uma carta à SEC (Securities and Exchange Commission), no dia 24 de julho, pedindo a avaliação das chamadas flash orders.

No dia 30 de julho, a SEC informou que estava investigando as flash orders para assegurar que não há desvantagem para investidores a partir desse tipo de transação. Em menos de uma semana depois, o senador Schumer voltou às manchetes com declarações de que a SEC iria banir os flash trades, citando como prova uma conversa com a presidente da comissão, Mary Schapiro.

Críticas à alta frequência
Desde que as conversas sobre as flash orders voltaram, entretanto, o foco das críticas tem passado cada vez mais para as negociações em alta frequência de um modo geral, que correspondem a 85% do volume negociado nos Estados Unidos.

Em artigo publicado no jornal The New York Times, o ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, deu voz a essas críticas, afirmando que "os trades de alta frequência provavelmente degradam a função dos mercados de ações".

Já o Goldman Sachs enviou um comunicado aos seus clientes no início da semana explicando suas práticas de negociação de alta frequência, de forma a esclarecer que as transações realizadas não possuem as características de flash orders.

E não são apenas as instituições e comunidade econômica que estão voltando os olhos para o modelo. A FSA (Financial Services Authority) informou que está investigando o impacto das negociações de alta frequência nos mercados britânicos, sinalizando que os reguladores também estão apertando a fiscalização sobre esse tipo de operação.

Por: Giulia Santos Camillo
06/08/09 - 15h12
InfoMoney