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OS ESTRANGEIROS ATACAM OUTRA VEZ ....( no mercado de ações do Brasil)

Iniciado por zimermann, Agosto 09, 2009, 00:20

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zimermann



Os estrangeiros atacam outra vez... ;)
(por Jayme Ghitnik)

Depois de oito meses seguidos de vendas líquidas na Bovespa, os investidores estrangeiros (ultimamente, utilizando até mais as corretoras nacionais do que as internacionais,  para melhor disfarçar suas operações...) passaram à compra, em fevereiro deste ano, mês em que o Ibovespa até esteve em baixa, do início ao final.   Mas foi a partir daí (cerca de 36 mil pontos),  que o atual repique acelerou seu ritmo, atingindo um topo nesta semana (56 mil pontos).

Na ausência de novos lançamentos em quantidade expressiva,  como ocorreu no passado e mesmo mantida a suspeita prática de enormes giros de curtíssimo prazo nos principais papéis,  os recursos desse grande fluxo de compras foram canalizados em boa parcela aos papéis dos antigos lançamentos,  já muito controlados por estes investidores e provavelmente,  para valorizar os estoques que com certeza ficaram encalhados em suas prateleiras durante a desova do ano passado.

Isso foi feito através de "campanhas": relatórios começaram a ser produzidos elogiando este ou aquele setor (construção civil e outros segmentos ligados à economia interna foram os considerados mais óbvios para "vender a idéia" ao mercado,  já que a economia internacional permanecia bastante opaca em matéria de perspectivas...);    como os lançamentos da última bolha foram absorvidos em mais de 70% por carteiras de investidores estrangeiros,  todos os principais intermediários estavam envolvidos neste processo e não foi difícil de concatenar essa alta dos valores brasileiros que, em dólar, chegou em média quase a 90% até agora, sendo a segunda ou terceira maior valorização verificada neste ano em todo o mundo...

A lista de valorizações entre os papéis mencionados é impressionante,  ainda que alguns deles ainda estejam negativos se considerados os 12 últimos meses...
(na construção civil alguns alcançaram mais de 250% de valorização)

Curiosamente,  a movimentação das pessoas físicas continua a ser quase exatamente ao contrário do que é feito pelos investidores estrangeiros,  comprando quando eles vendem,  vendendo quando eles compram...

No mercado, a explicação para esse fenômeno é venenosa:  seriam insiders com conhecimento privilegiado do que será feito pelas carteiras estrangeiras,  que operam em antecipação,  para obter grandes lucros sem maiores riscos,  já que as cartas sempre estariam  praticamente marcadas...

É lembrada a eterna lenda da associação desses insiders com os controladores das companhias que emitiram bem caro os papéis dos lançamentos,  faturando alto na bolha por terem acesso a preços mais baixos que os fixados para o público.

SMALL CAP
Um dos destaques do ano até agora, vem sendo a valorização de papéis com participação menor no volume diário da Bovespa,  em muitos casos, em decorrência da ação dos estrangeiros,  comentada na matéria ACIMA;  em outros casos,  é justamente por ação semelhante feita por gestores de carteiras nacionais, procurando controlar alguns papéis e "puxá-los",  obtendo valorização estatística para as carteiras que operam e com isso podendo atrair novos clientes...

A Bovespa criou há alguns meses o índice Small Cap,  composto por 88 ações (ver carteira no site da Bovespa em Mercado/Índices/índice Small Cap), das quais cerca de 30% estão com valorização neste ano superior a 100%...

Concomitantemente,  forma lançados Fundos Mútuos cujas carteiras replicam as carteiras de vários índices da Bovespa,  inclusive o IShares SMAL (SMAL11);  são os chamados ETFs,  Fundos cujas quotas são negociadas em Bolsa (Exchange Traded Funds), de grande e crescente sucesso no exterior,  inclusive por permitir o estabelecimento de modernas estratégias de investimento,  em combinação com os mercados à vista, futuros, a termo e de opções.

Tais Fundos ainda não adquiriram uma liquidez satisfatória por aqui,  mas os negócios com suas quotas estão progredindo diariamente;  por representarem um conceito analítico genérico,  que é considerado mais popular e estável do que as análises individuais das companhias, a tendência é de que também por aqui estes Fundos ganhem prestígio.

A evolução do índice Small Cap neste ano é consideráve.   Entretanto,  são poucas as empresas dessa carteira cujos fundamentos possam justificar as cotações que seus papéis vão alcançando.

Merece referência,  inclusive lembrando o artigo sobre Elliott da Edição passada,  como a análise técnica tem aplicação muito relativa no mercado das Small Caps,  de menor liquidez e muitas vezes manipulado por poucos: tendo atingido uma condição de sobrecompra em maio pelo IFR, o índice Small Cap apenas passou a subir mais lentamente e agora novamente atinge valores altos na força relativa, mas não dá sinais ainda de que vai sofrer uma correção mais acentuada,  como seria de se esperar.