Conjecturando sobre crescimento, conjuntura e estrutura.
Considerando que a bolsa é um fenómeno económico que é condicionado pela economia, existindo uma correlação positiva entre variação bolsista e economia, poderemos afirmar sem receio de errar que estamos a assistir a uma correcção bolsista do caminho ascendente iniciado em Out. 2002 que antecipou o ciclo de crescimento a que assistimos.
A economia saiu da recessão. Assim o indica o claro crescimento dos EUA, Japão e União Europeia, principais blocos económicos do mundo. Na Ásia, a China continua a crescer a ritmo forte, na América do Sul o Brasil e a Argentina igualmente, bem como a Rússia.
Todo o mundo em crescimento que por sua vez gera bem estar, cria emprego e aumenta o consumo e o investimento, gerando um processo autosustentado e irreversível, como costuma acontecer em mudanças de ciclo.
Sendo, como se sabe, o PIB uma variável económica, que resulta do crescimento das exportações, do investimento público e privado e do consumo, é no mínimo duvidoso o que se afirma por aí, isto é, que possa haver um crescimento manipulado se não mesmo inventado por mãos maquiavélicas.
O Estado pode, de facto, recorrendo a políticas Keynesianas intervir em variáveis como:
a) Investimento público (aumentar o investimento do Estado)
b) Taxas de juro (manipular)
c) Alterar a política fiscal (baixar impostos)
d) Alterar a massa monetária.
Mas não pode mexer no investimento privado, no consumo e nas exportações, variáveis base do crescimento.
Então não podemos concluir que estamos a assistir a um pseudo-crescimento. Temos de concluir que estamos a assistir a uma inversão generalizada mundial do ciclo económico que se terá iniciado há aproximadamente 8 meses.
A conjuntura económica é um fenómeno flexível de curto prazo, correspondendo no cenário bolsista a trends de curta duração, incertos e flexíveis. São exemplos de fenómenos de conjuntura:
a) A deslocalização de empresas para Leste
b) A realização do Euro
c) A subida dos preços do petróleo
d) A guerra do Iraque
Diferentes destes, são fenómenos estruturais, ou seja, uma relação ou proporção entre as partes de um conjunto ou de uma unidade, pouco mutáveis ao longo do tempo. Em economia podemos encontrar estes fenómenos, por exemplo, na relação percentual entre o Consumo e o PIB e ainda outras. São fenómenos que, ao contrário dos conjunturais, se mantém a longo prazo e são difíceis de manipular. Correspondem no cenário bolsista a trends de mais de 10 a 15 anos.
Numa análise fundamental há todo o interesse em separar fenómenos conjunturais, breves e flexíveis, de fenómenos estruturais, longos e pouco mutáveis, e saber compreender quando um fenómeno conjuntural se transforma num fenómeno estrutural que por sua natureza é auto-sustentado "e navega em águas profundas, pouco mutáveis e serenas".
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