Autor: ana
Data: 18-05-2003 06:44
Pretendo com esta rubrica enquadrar as imagens da minha “assinatura” aqui no forum, dando a conhecer o alentejo e a identidade do seu povo, é um offtopic que aparecerá em fins de semana em que me dê nostalgia suficiente :)
Ou seja, vou apresentar a minha terra, que tem aspectos tão próprios e que tão poucos “estrangêros” conhecem... só assim se compreende algumas observações que por vezes se ouvem... (tomem lá que já almoçaram lol)
Vá... menos conversa e mais actos, vô começar!
Alma alentejana
Ter alma alentejana é estar em perfeita sintonia com a paisagem da vasta planicie, é ficar emocionado com a sua solidez e as sua cores. “O azul límpido do céu, o castanho da terra de barro, a cor de fogo do Sol e o verde seco da copa dos sobreirais, constituem uma paleta de cores, trespassada por uma claridade que quase nos cega e é companheira inseparável do calor que nos esmaga o peito, queima as entranhas e encortiça a boca”
É sentir o som do restolho seco que quebramos debaixo dos pés, a sonoridades das searas e dos montados, o som dos rebanhos que ao entardecer regressam aos redis, mas as sonoridades também da ausência de sons por não correr o mais leve sopro de aragem.
É rever-se nos odores das flores de esteva, de poejo e de ourégãos, mas também do barro húmido, do azeite com que temperamos divinamente a comida e do vinho espesso e aveludado, que mastigamos nos nossos rituais gastronómicos.
É vibrar até “mai não” :) com os retratos daqueles que por nascimento ou afinidade tão bem transmitem “essa alma”. Com as Telas de um Silva Porto, um D.Carlos de Bragança ou um dordio Gomes. Com os poemas de Florbela Espanca, do Conde de Monsaraz ou de Manuel da Fonseca. Com a prosa de Fialho de Almeida, de Antunes da Silva...
Paisagem
A paisagem alentejana é um dos principais factores que contribui prá essencia da nossa identidade.
“Plaino imenso, extensão sem fim a perder-se, lá, onde a vista mais não alcança, mar dourado ondulando de leve, num amarelo forte que se vai esbatendo pouco a pouco à medida que a extensão se esquece e acaba. Céu azul, baço, abóbada afogueada por sobre a seara madura, parecendo pousada mesmo sobre nós, Sol que não se pode olhar que o reflexo do seu disco brilhante cega e dói.
Não há uma sombra, não se vê viv'alma. O mundo parou, a vida parou, como que hipnotizados pela salva resplandecente do Sol a pino, bem na vertical”. Eduardo Teófilo em Alentejo
E são as paisagens que vou continuar a retratar na imagem da “assinatura”, coloco em seguida a foto que usei durante a semana passada, lindaaaaaaaaa, e a que irei usar esta semana, dois belos retratos da paisagem alentejana de Izhar Perlman
E pronto, não perca os próximos capitulos :)(caracter do povo alentejano, arquictetura, arte popular, gastronomia...), espero que gostem...


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