O estímulo das exportações unicamente pela depreciação contínua do dólar não é uma situação sustentável por muito mais tempo. Se o dólar continuasse a depreciar-se estariamos perante um enorme cancro que daria cabo, não só da economia dos EUA, como da economia mundial.
Por isso, penso que o dólar já depreciou o que tinha para depreciar .
De facto, o poder (soberania) económico dos EUA advém, em grande parte, da sua capacidade de manter o dólar como "a moeda forte".
Os detentores de moedas fortes podem comprar mais com menos. Todos tivémos as nossas experiências com o escudo sempre que nos deslocávamos a França ou à Alemanha, ou sempre que um amigo americano nos aparecia por cá. Olhe-se por exemplo para a evolução do escudo em comparação com o marco alemão durante umas dezenas de anos e tirem-se conclusões.
De facto, não podemos esquecer que, o enfraquecimento do dólar não é apenas sinónimo de embaratecimento das exportações (dizendo por outras palavras, trabalhar mais por menos dinheiro), mas também encarecimento das importações (que para os outros são exportações). A globalização também é isto.
Acredito num dólar fraco por mais algum tempo, mas também acredito que não se afundará mais do que já afundou até agora. Isso seria uma situação que não interessaria a ninguém - nem aos EUA, nem ao Japão, nem à Europa ... a ninguém.
Se o dólar durante os próximos meses passear entre os 1,14 e os 1,20 continuamos a ter um dólar fraco dentro de limites ainda razoáveis.
Quanto às taxas de juro, a minha opinião mantém-se relativamente àquela que exprimi aqui há uns dias atrás: o FED vai subir as taxas de juro muito em breve, e com certeza antes do BCE.
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