Interessante a tua questão. Pelo que me parece a subida do preço do petróleo é sempre uma preocupação, mas para já não tem sido mais do que isso. Nos últimos discursos de responsáveis do Fed, nomeadamente de Ben Bernanke, não é dado grande importância ao aumento de preço das matérias-primas, não tem tido uma influência pesada na evolução da inflação e nos lucros das empresas.
O que acontece é que o peso dos custos do trabalho nas empresas é actualmente muito elevado, talvez por as economias serem cada vez mais de serviço e não industriais, e deste modo os outros factores perdem relevância. Como a produtividade continua a crescer a níveis muito elevados, os custos do trabalho tiveram durante muito tempo a descer e actualmente encontram-se estabilizados, permitindo às empresas terem margens de lucro elevadas e que lhes permite sem preocupações aguentarem o aumento de preço das matérias-primas.
E existe um ponto interessante que é preciso focar. O mais importante não será o preço elevado ou não das matérias-primas, mas sim a sua evolução. Se a taxa de aumento do preço apesar de positiva abrandar nos próximos anos, o seu efeito na inflação e nos lucros é cada vez mais negligenciável.
Apesar de para já a procura das matérias primas continuar a ser muito forte, principalmente devido ao desenvolvimento da China, que em 2003, apesar de ter tido apenas um peso de 4% no PIB mundial, contou em 7% na procura de crude (para comparação Estados Unidos 25%), 31% em carvão, 30% em ferro, 27% em aço, 25% em alumínio, e 40% em cimento, os futuros sobre as matérias-primas apontam para que o preço não cresça tão fortemente com nos últimos anos. Mas isso só o futuro dirá..
Hoje será interessante ler o que Greenspan tem a dizer sobre o assunto, já que ele vai discursar as 17 horas portuguesas numa conferência sobre a Energia.
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