Caros amigos:
Hoje apeteceu-me fazer umas projecções Elliott do nosso PSI-20.
Tem sido comum ouvir analistas e investidores um pouco desesperados a clamar pela reversão eminente do mercado “isto está tudo tão barato”, “já batemos no fundo”, ”a estes níveis as Empresas estão a preços de saldo, só pode subir”, “quem não aproveitar esta ocasião para comprar não sabe o que está a fazer”, “se isto não sobe já, é o descrédito da Bolsa”, “os especuladores tomaram conta da Economia real”, “a Bolsa já não reflecte o valor das Empresas”, “o Governo e a CMVM têm de pôr mão nisto”, ”acabem com os shortistas”, etc…
Só que estes comentários não apareceram recentemente, se virem bem desde inícios do ano que este cenário se repete, semana após semana.
Acontece simplesmente que o mercado real não lhes dá ouvidos, prosseguindo inexoravelmente no caminho traçado desde inícios de 2000 para cá, sempre para baixo, até onde?!
Uma resposta que todos gostaríamos de saber e conhecer.

Todos conhecem a minha aversão às razões fundamentais que possam explicar os movimentos dos mercados, continuo firmemente convencido que só com ferramentas técnicas adequadas é possível vencer e sobreviver. Isto é baseado no pressuposto que todos os motivos e critérios fundamentais dos mercados se reflectem de imediato nos indicadores técnicos que nos permitem calcular de que modo irão reagir estatisticamente os intervenientes do mercado ao desenrolar dos padrões que se vão desenvolvendo, criando motivações emocionais e psicológicas que propiciam maior ou menor vontade de passar a compradores ou vendedores.

Em grandes activos significativos uma das ferramentas de projecção de preços, muito em voga nos dias de hoje, é o emprego das ondas de Elliott. Com a continuação do bear market no maior mercado do mundo, os Estados Unidos da América, a venda crescente e exponencial de software baseado nas ondas de Elliott (ex: Advanced Get) e a sua introdução com enorme sucesso em gráficos intraday (ex: eSignal) tem sido uma verdadeira explosão. Provavelmente, pelo facto de gerar targets ou preços em zonas de inversão dos mercados, as pessoas gostarão mais de saber o que pode suceder se tiverem uma espécie de bola de cristal!
Eu não sou particularmente um adepto do uso destas ferramentas Elliottianas mas não deixo, quando posso, de deitar uma vista de olhos sobre as ondas de Elliott e respectivas projecções de ondas principais, as que influenciam o mercado.
Aqui fica então a minha visão resumida, baseada no gráfico semanal do PSI, pressupondo que as ondas principais 1, 2, 3 e 4 já foram atingidas, curiosamente coincidentes com o mesmo timing dos Elliottianos para o mercado líder mundial, o S&P 500, estando em desenvolvimento a famosa onda 5 terminal.



(Clique aqui para ver gráfico no tamanho original)

A onda 5 principal é obviamente descendente e é estimada no tempo e em extensão através das projecções dos ricochetes de Fibonacci para 3 cenários distintos: o primeiro a azul que procura projectar, do conjunto das ondas 1, 2, 3 e 4 a extensão da onda 5 em função do limite significativo do final da onda 3, o segundo e terceiro cenários, a vermelho e verde, são calculados a partir do final da onda 2 ou início da onda 3 com projecções estimadas a contar da extensão total da onda 3, tendo em conta os níveis de Fibonacci de 23,6% e 38,2%.
Obtivemos para cada um dos cenários as seguintes projecções centradas, que significam zonas prováveis de mínimos a atingir pelo nosso índice:
Cenário 1) 21 de Fevereiro de 2003, PSI = 3420
Cenário 2) 28 de Março de 2003, PSI = 4178
Cenário 3) 28 de Novembro de 2003, PSI = 2198

Valor médio, zona central de projecção: 4 de Junho de 2003, PSI = 3265 pontos.

Deverá registar-se o mínimo do mercado com toda a probabilidade na zona da elipse branca, com limites exteriores temporais situados entre Dezembro de 2002 a Fevereiro de 2004, devendo igualmente considerar-se como limites alargado de ocorrência do PSI um valor situado entre os 1500 aos 4840 pontos.

Tudo isto são obviamente cenários fictícios, ninguém consegue adivinhar o futuro, mas com o grau de fiabilidade que o método de Elliott tem vindo a mostrar nos grandes índices líderes, gerando cenários projectivos baseados em padrões de comportamento cíclico repetitivo, nada me admiraria que algo de semelhante se possa vir a desenvolver.
Antecipando provavelmente dias sombrios e dificuldades para todos os Portugueses em geral, infelizmente para todos nós.

Cem