A História do Petróleo

A história do petróleo inicia-se a meio do século XIX, com o invento da primeira perfuradora de rochas em 1849. Dois anos mais tarde é criada a primeira companhia petrolífera, a Pennsylvania Rock Oil, e ainda na década de 50 é descoberto o método de destilação do petróleo em gasolina e outros derivados e é realizada a primeira perfuração de petróleo em níveis comerciais.

Dez anos passaram e o petróleo foi pela primeira vez exportado para a Europa, para Londres, assistindo-se ao aparecimento do primeiro petroleiro e do primeiro pipeline. A primeira combustão a gasolina só foi no entanto, descoberta em 1870, e a primeira bomba de gasolina inventada quinze anos mais tarde.

O surgimento do petróleo e particularmente da gasolina, foi acompanhado pelo nascer dos primeiros automóveis pela mão de Karl Benz na Alemanha e Henry Ford nos Estados Unidos. O sector energético conhecia uma fase de grande desenvolvimento e, para além do petróleo, a electricidade e o gás natural surgiram e criaram condições para inovações técnicas profundas e que marcaram o mundo até aos dias de hoje.

No início do século XX, o mercado petrolífero começou a crescer. Surgiram as primeiras perfurações no mar e foi descoberto petróleo em grande quantidade nas arábias, um facto determinante na evolução do preço do petróleo e da vida política mundial nas décadas seguintes. Inicialmente no Irão, mais tarde, em 1927, no Iraque, e em 1938 na Arábia Saudita.

Reservas de Petróleo no ano 2000



No final da Segunda Guerra, em 1945, surgem os primeiros sinais da importância geo-estratégica do petróleo, com os países árabes a ameaçarem um embargo petrolífero, se os Estados Unidos ajudarem os zionistas e o futuro estado de Israel, país que nascerá em 1948, com o objectivo de ser a Nação dos Judeus.

Em 1960, é criada a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), formada pelo Irão, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Nos finais dessa década, a ameaça passa a realidade, e surge o primeiro embargo aos Estados Unidos e Grã-Bretanha, justificado pelo auxílio dado a Israel na Guerra dos Seis Dias. O embargo durou pouco tempo, assim como a guerra, mas o aviso estava dado para o futuro por parte dos países Árabes.

Entramos, entretanto, na década de 70. E se desde 1948, os preços do petróleo tinham sido controlados pelos norte-americanos e mantido-se estáveis entre 12 e 16 dólares (a preços de 1996), o futuro seria muito diferente, e a OPEP, reforçada com mais seis nações, tomava agora controlo da situação.

Os Estados Unidos, que tinham conhecido um período inigualável de crescimento e prosperidade durante dez anos, lideravam o mundo, mas viviam agora em terramoto económico porque o crescente défice da balança de pagamentos obrigara o sistema Bretton Woods a chegar ao fim. O período de 25 anos em que o dólar tinha estado equiparado ao ouro, a 35 dólares a onça, e as restantes moedas fixas ao dólar, acabava e uma situação financeira completamente nova surgia, com a livre taxa de câmbio. O mundo estava ainda a adaptar-se.

Em Outubro de 1973, dá-se o primeiro choque petrolífero, com o rebentar da guerra Israelo-Árabe e é declarado um embargo total por parte das nações árabes. A situação durou cinco meses e teve consequências nefastas na economia ocidental e nos mercados financeiros. Os Estados Unidos tentaram amenizar a situação controlando os preços do petróleo produzido internamente, mas os efeitos não foram os desejados e o preço disparou dos 11 para os 30 dólares (valores de 1996).

O crescimento económico diminuiu drasticamente e a inflação subiu em flecha, surgindo um problema económico até então desconhecido e que dá pelo nome de estagflação, inflação elevada em recessão económica.

O choque petrolífero obrigou os Estados Unidos a tomarem medidas, como o incentivo à criação de energias alternativas, e a criação de uma reserva estratégica de petróleo nacional no Louisiana. Mas os preços continuaram elevados e mais graves situações estavam para vir.

Em 1978, uma revolução no Irão levou à cessação das exportações deste país e o pânico provocou uma subida do preço do petróleo em 150%. Em 1979, a OPEP decidiu subir os preços, os quais passaram a registar um aumento de 50% face ao ano anterior. Ainda nesse ano, militantes iranianos tomaram a embaixada norte-americana em Teerão durante 444 dias, e como retaliação, o presidente Jimmy Carter decidiu embargar as importações iranianas.

Já no início de 1981, com o preço do petróleo em máximo histórico, a 53 dólares (valores de 1996), o Governo dos Estados Unidos decidiu remover os controlos de preço e alocação na indústria petrolífera e deixar os preços entregues às forças do mercado. Depois de uma década a subir os preços do petróleo iniciaram uma trajectória descendente até 1986.

Nos anos seguintes o preço manteve-se estável mas em 1990, a invasão do Kuwait por parte do Iraque, teve como consequência um aumento súbito, mas que durou pouco tempo. Actualmente, a ameaça de guerra com o Iraque fez disparar novamente os preços e o futuro mostra-se incerto. Será que um novo ciclo altista dos preços está em evolução?

Evolução do Preço do Petróleo (valores de 1996)




Os Fundamentos de uma Crise Energética

Actualmente existem cinco factores fundamentais que ameaçam uma crise energética, sinais muito semelhantes aos que haviam antes dos choques petrolíferos de 1973 e 79. Esses cinco factores referem-se à produção doméstica, à dependência nas importações, ao grau de concentração das importações por país, ao nível de stocks, e à capacidade de arranjar outras alternativas de fornecimento numa eventual interrupção por parte dos habituais fornecedores.

A produção de petróleo dos Estados Unidos tem vindo a cair desde 1986 e está actualmente no valor mais baixo de sempre. Assim, a dependência do país face a outros países produtores atingiu um máximo histórico há dois anos e caiu apenas ligeiramente após o ataque terrorista de 11 de Setembro. A dependência de importações cresceu de 35% em 1973 para 55% em 2001.

Os stocks de petróleo estão no mínimo de 26 anos e a capacidade de enfrentar uma interrupção nas importações estão a valores das duas crises energéticas da década de 70. Os cinco maiores fornecedores de petróleo para os Estados Unidos aumentaram o seu peso nas importações para 76% nos primeiros dez meses do ano passado, face a 64% e 53% nos dois choques petrolíferos.

Para além disso, o excesso de capacidade a nível mundial está no valor mais baixo dos últimos 30 anos, se excluirmos o período de guerra com o Iraque no início da década de 90.

Estes factores associados com a ameaça de guerra com o Iraque e as possíveis consequências do conflito tornam a situação no sector energético grave e obrigam a estarmos alerta.

-> Veja também o Tópico do Petróleo em Acompanhamento no Fórum.

João Henriques
www.clubeinvest.com

Fontes: Energy Information Administration e WTRG Economics