O ex-líder do País juntar-se-ia assim, há grande maioria dos analistas e economistas, que desde meados do ano 2000, quando os mercados bolsistas iniciaram a sua trajectória descendente e o abrandamento económico se começou a fazer sentir, esperam uma retoma no segundo semestre do ano que corre. Assim foi em 2000, depois em 2001, posteriormente em 2002, e agora no decorrer deste ano.

Mas no desenrolar da entrevista, veio-se então a perceber que o ex-primeiro-ministro é um economista esclarecido quanto à debilitada e perigosa situação económica mundial, e que a sua afirmação se enquadrava numa possibilidade de um aumento da quota das exportações portuguesas, como factor revitalizante da situação de estagnação em que a economia nacional vive. E Cavaco fez questão de salientar o termo “aumento da quota das exportações” e não das exportações em geral, já que pela sua análise a economia europeia e mundial não deverão dar mostras de melhoria a curto prazo.

Apesar de breves, as suas palavras sobre os Estados Unidos foram fortes e de alerta, para quem as quis ouvir. Um país sobre-endividado, que precisa de 1.800 milhões de dólares por dia do estrangeiro para se financiar, e que está a hipotecar a sua política orçamental, com um forte aumento do défice numa política externa agressiva em termos militares, não parece ter solução económica saudável à vista.

Sendo este o país que liderou o crescimento económico do século XX, e vivendo nós numa economia global, como sair então da crise e qual o motor da economia mundial no futuro, foram as perguntas que ficaram por esclarecer, mas que infelizmente ninguém por agora sabe responder. A situação a europeia também é pouco animadora, com os sinais vindos da Alemanha a serem negativos, o Japão sem conseguir resolver a sua crise, e a China, sendo o único país em crescimento, tem apesar disso um peso insignificante e não parece ser solução para o problema económico mundial no curto/ médio prazo.

Sendo este um site financeiro, pensei ser indicado reflectir sobre as palavras de Cavaco Silva, sejamos a favor ou contra as suas directrizes políticas. Em minha opinião, no conteúdo geral concordei com a sua visão e análise económica.

João Henriques
www.clubeinvest.com