Como sabemos hoje, isso não aconteceu, muito pelo contrário, o que aconteceu foi isto:



A partir dos anos 90, precisamente em Janeiro de 90, a bolha especulativa japonesa estoirou, e na altura a grande maioria dos analistas julgou a coisa por temporária, pois o Japão era a 2ª maior Economia do Mundo, com técnicas de gestão, educação dos quadros, tecnologias, do melhor que havia em todo o Mundo. Por outro lado, em termos meramente financeiros, o Bank of Japan começou a descer as taxas de juro, foi descendo, até que já há algum tempo estão no nível zero, e não resultou. O governo introduziu grandes pacotes de investimento estatal, com o intuito de estimular a Economia, apenas conseguiu aumentar drasticamente o défice orçamental,a Economia não deixou a Depressão, que parece agudizar-se cada vez mais.

Em suma, apesar do Japão ser a 2ª maior Economia do Mundo, apesar do esforço em termos de política monetária e política orçamental, a Economia japonesa não recupera, antes pelo contrário, afunda-se cada vez mais, num sono profundo nas águas turbulentas da depressão económica.

Terá o Japão atingido o tecto do crescimento económico?

Sinceramente, não acredito, penso que o crescimento económico não tem limites. Agora, a «doença» do Japão é nova, não vamos lá com velhos remédios. É uma crise do sistema económico, das políticas económicas comummente adoptadas, quando virá um novo Keynes, quando irá alguém salvar o Japão e restaurar o crescimento económico, como fez Keynes após a Grande Depressão dos anos 30?

Não sei, mas enquanto não vem, o Nikkei está num mínimo de 17 anos, aos níveis de 1984. O Desemprego no Japão está nos 5%, a mais alta taxa desde a 2ª GM. E a Economia encolhe cada vez mais, de 1990 até 2000 o PIB per capita japonês diminuiu cerca de 6%.

O que este artigo procura abordar, é se a doença económica do Japão não se estará a espalhar aos EUA e à Europa, criando uma atmosfera globalizada de Depressão com precedente apenas nos anos 30. Repare-se que os mercados accionistas, nos EUA (principalmente) e na Europa, tiveram subidas fulgurantes na década de 90. Em Março-Abril de 2000 a bolha no Nasdaq estoirou, mas nos outros principais índices, devido à confiança na capacidade da política monetária, as descidas foram menos severas, pelo menos por enquanto.

O FED, à semelhança do BoJ, começou a descer freneticamente as taxas de juro, para precipitar rapidamente a recuperação. Não aconteceu, na realidade, desde que começaram os cortes de taxas (que já vão em 7 em 8 meses, com as taxas directoras a caírem dos 6.5 para os 3.5%), os mercados accionistas desceram e a Economia parece estar neste preciso momento a mergulhar na recessão.

Se estivéssemos num período normal, os mercados accionistas, nomeadamente o S&P 500, já deveriam ter atingido novos máximos, mas na realidade...

Gráfico S&P 500:


Gráfico FTSE 100:


Gráfico DAX:


Gráfico CAC:


Gráfico Nasdaq:


... na realidade, os mercados estão em Tendências marcadamente descendentes.

O Mundo parece ter tido uma bebedeira de investimento, e agora está a ressacar sob a forma do endividamento colectivo. Tal como no Japão, em que a poupança está a níveis recorde, é não só possível como provável que a psicologia das massas se vá obrigatoriamente alterando, do binómio Investimento + Consumo para o binómio Poupança + Entesouramento .

Já é assim no Japão, e os sinais indicam que todo o Mundo vai para lá, na realidade, se formos realmente racionais e fizermos as contas, vemos que todos os principais mercados accionistas internacionais ainda estão sobreavaliados, os níveis das cotações não reflectem o actual estado da Economia e das empresas, nem as suas perspectivas, na minha opinião.

Desta forma, sabendo que tudo é possível, há pelo menos que estar resguardado contra a possibilidade de uma Grande Depressão Global vir a ocorrer, mais vale estar prevenido e atento do que esperançoso e vulnerável.

Desta forma, premeditando que em termos de longo prazo (embora obviamente ocorram rebounds, que poderão atingir grandes amplitudes), os mercados irão cair, e que a luz verde para uma recuperação deverá ser mostrada primeiro no Japão (epicentro da crise, e mais preparado devido à poupança para uma eventual solução), irei apresentar no próximo post uma solução em termos de investimento de longo prazo, que para mim será não só viável como um excelente investimento.

Cumprimentos
César Borja