Os Três Gigantes — Nestlé, Novartis, Roche

A concentração do SMI nos seus três maiores constituintes é notável e, para alguns, desconfortável. A Nestlé, a maior empresa alimentar do mundo, representa cerca de 20-25% do índice. Nescafé, KitKat, Maggi, Purina, Perrier, S.Pellegrino — são marcas que vendem milhares de milhões de francos por ano em mais de 180 países. A Nestlé não cresce rapidamente, mas cresce consistentemente, e paga dividendos crescentes há mais de 60 anos consecutivos.

A Novartis e a Roche são duas das maiores empresas farmacêuticas do mundo. A Novartis é líder em medicamentos genéricos (através da Sandoz) e em medicamentos inovadores para oncologia, imunologia e neurologia. A Roche é o líder mundial em diagnósticos médicos e em medicamentos oncológicos. Juntas, representam mais de 30% do SMI. A saúde não é um sector cíclico: as pessoas precisam de medicamentos em recessões, em expansões e em pandemias. Esta resiliência é o que torna o SMI tão defensivo.

Muito Mais do que Chocolate e Relógios

Embora Nestlé, Novartis e Roche dominem o índice, o SMI inclui outras empresas de classe mundial que desmentem o estereótipo do chocolate e dos relógios de cuco. A ABB é líder global em automação industrial e robótica. O grupo Zurich Insurance é uma das maiores seguradoras do mundo. A UBS é o maior gestor de fortunas global (wealth management), administrando triliões de dólares de clientes ultra-ricos em todo o mundo. A Richemont (dona da Cartier, Montblanc e Piaget) é uma potência do luxo comparável às francesas LVMH e Hermès.

E depois há as empresas menos conhecidas mas igualmente impressionantes: a Sika (materiais de construção especializados), a Lonza (produção farmacêutica), a Givaudan (o maior fabricante de fragrâncias e aromas do mundo — quando cheira um perfume caro ou bebe um sumo com sabor artificial, há uma boa probabilidade de o aroma ter sido desenvolvido pela Givaudan). A economia suíça é pequena mas extraordinariamente sofisticada, e o SMI reflecte essa sofisticação.

O Franco Suíço — A Moeda-Refúgio

Investir no SMI significa investir em francos suíços, e esta exposição cambial é, por si só, uma forma de protecção. O franco suíço é historicamente uma das moedas mais fortes do mundo — tende a valorizar em períodos de crise, quando os investidores fogem para activos seguros. Durante a crise de 2008, durante a crise da dívida europeia de 2011, durante a pandemia de 2020 — em todos estes episódios, o franco suíço valorizou face ao euro.

Isto significa que para um investidor da zona euro, o SMI oferece uma dupla protecção: as acções defensivas que resistem a recessões E uma moeda que se valoriza durante crises. É como ter um colete à prova de bala debaixo de uma armadura. O reverso é que em períodos de optimismo e crescimento, o franco pode desvalorizar face ao euro, reduzindo os retornos. Mas para quem investe no SMI, a prioridade tipicamente não é maximizar o retorno — é minimizar o risco de perda permanente de capital.

O Carácter Defensivo — Dados Concretos

O perfil defensivo do SMI não é apenas uma narrativa — é mensurável. O beta do SMI em relação aos mercados europeus é consistentemente inferior a 1, tipicamente entre 0,7 e 0,8. Isto significa que quando o mercado europeu cai 10%, o SMI tende a cair apenas 7-8%. Em crashes severos, a diferença é ainda mais pronunciada. Em 2008, enquanto o Euro Stoxx 50 caiu mais de 44%, o SMI caiu «apenas» 34%. Dez pontos percentuais de diferença que, para uma carteira de dimensão razoável, representam uma diferença enorme em termos de capital preservado.

A contrapartida é que em mercados em alta, o SMI fica tipicamente atrás. Quando tudo sobe 25%, o SMI sobe 18%. É o preço da defensividade — menos risco implica menos retorno potencial nos bons tempos. Para investidores jovens com horizontes de 30 anos e tolerância a volatilidade, o SMI pode parecer «aborrecido». Para investidores mais velhos, mais ricos ou simplesmente mais cautelosos, esse aborrecimento é exactamente o que procuram.

A Tradição Bancária — UBS e Credit Suisse

A Suíça é sinónimo de banca desde o século XVIII. O sigilo bancário suíço (hoje significativamente reduzido por acordos internacionais de troca de informação) atraiu fortunas de todo o mundo para Zurique, Genebra e Lugano. O UBS é o maior banco privado do mundo, gerindo mais de 4 triliões de dólares em activos de clientes. A absorção do Credit Suisse em 2023, após o colapso deste último, criou um gigante financeiro ainda maior — mas também concentrou o risco bancário suíço numa única instituição.

Como Investir no SMI

Para investidores europeus, o iShares SMI ETF (CH) é a opção mais directa, mas é denominado em francos suíços. Quem prefere eliminar o risco cambial pode optar por um ETF hedged em euros. Alternativamente, comprar acções individuais das três grandes (Nestlé, Novartis, Roche) é perfeitamente viável na bolsa de Zurique, acessível através de corretoras como a Interactive Brokers.

A alocação ao SMI numa carteira europeia diversificada é tipicamente 5-10% — suficiente para adicionar defensividade e exposição ao franco suíço sem sacrificar demasiado potencial de crescimento. É o investimento que se agradece nos momentos difíceis e que se esquece nos momentos fáceis. Exactamente como deve ser.