Os Canais de Contágio

Financeiro — os bancos e fundos estão interligados. Quando o banco A perde dinheiro, deixa de emprestar ao banco B, que deixa de emprestar ao banco C. O crédito congela em cadeia. Foi exactamente o que aconteceu na crise de 2008: a falência do Lehman congelou o mercado interbancário global em horas.

Psicológico — o medo é contagioso. Quando investidores vêem uma crise num país, reavaliam riscos semelhantes noutros países. A crise asiática espalhou-se em parte porque investidores assumiram que se a Tailândia estava em apuros, a Indonésia e a Coreia também estariam. Frequentemente, a assumpção revelou-se correcta — a profecia auto-realizou-se.

Comercial — quando a economia de um país grande contrai (China, EUA), os países que exportam para ele sofrem. O abrandamento propaga-se pela cadeia de comércio global.

A Correlação em Crise

Em tempos normais, activos diferentes movem-se de forma relativamente independente. Em crises, as correlações disparam para 1: quase tudo cai ao mesmo tempo. A diversificação que funciona em tempos normais falha parcialmente em momentos de pânico sistémico. É quando mais precisamos dela que menos funciona.

Protecção

A protecção contra o contágio não é evitar mercados globais — é aceitar que o risco sistémico existe e preparar-se para ele. Liquidez pessoal, obrigações de qualidade, ouro e diversificação entre classes de activos (não apenas entre acções) são as ferramentas mais eficazes. E a lição histórica: os mercados sempre recuperaram dos contágios — quem manteve posições e resistiu ao pânico foi invariavelmente recompensado.