A Fórmula

D/E = Dívida Total ÷ Capital Próprio (Equity)

Se a empresa tem 200 milhões de dívida e 400 milhões de capital próprio, o D/E é 0,5 — metade do capital vem de dívida.

Interpretação

D/E abaixo de 0,5: empresa conservadora, pouca dívida. Típico de empresas de tecnologia que geram muito cash flow e não precisam de se endividar.

D/E entre 0,5 e 1,5: zona «normal» para a maioria dos sectores industriais e de serviços.

D/E acima de 2: empresa muito endividada. Pode ser normal em sectores como utilities, telecomunicações e imobiliário (onde os activos são estáveis e servem de garantia). Pode ser perigoso em sectores cíclicos onde as receitas flutuam.

Quando a Dívida É Amiga e Quando É Inimiga

A dívida é «amiga» quando o retorno sobre os activos excede o custo da dívida — nesse caso, a alavancagem amplifica os retornos para os accionistas. A dívida é «inimiga» quando as receitas caem e os juros continuam a ter de ser pagos — forçando cortes, reestruturações, ou até a falência.

O BES e o BPN são exemplos extremos de empresas (bancos) com alavancagem excessiva que se revelou catastrófica quando as condições mudaram. A lição para o investidor: desconfie de empresas com D/E muito elevado, especialmente em sectores cíclicos. A dívida que parece «gerível» numa economia em crescimento pode tornar-se insustentável numa recessão. O D/E é o termómetro que detecta esta febre antes de ela se manifestar.

Na prática, o D/E deve ser lido em contexto: uma utility com D/E de 2 pode ser perfeitamente saudável (activos estáveis, receitas previsíveis). Uma empresa de construção com D/E de 2 num ciclo de baixa está a jogar roleta russa financeira. O mesmo número conta histórias radicalmente diferentes conforme o sector e o momento económico — e o investidor que ignora este contexto está a voar às cegas.