A Fórmula

PEG = PER ÷ Taxa de Crescimento Anual dos Lucros (%)

Se uma empresa tem PER de 20 e os lucros crescem 20% ao ano, o PEG é 1. Se o PER é 20 e o crescimento é 10%, o PEG é 2. Se o PER é 20 e o crescimento é 40%, o PEG é 0,5.

Como Interpretar

PEG abaixo de 1: o crescimento mais do que justifica o preço — potencialmente uma oportunidade. Lynch dizia que «um PEG abaixo de 0,5 é uma pechincha.»

PEG igual a 1: o preço é «justo» face ao crescimento. A empresa está a ser valorizada exactamente pelo que cresce.

PEG acima de 2: o preço está a incorporar expectativas de crescimento que podem não materializar-se. Cuidado.

As Limitações

O PEG depende da taxa de crescimento futura — que é, por definição, uma estimativa. Se o crescimento previsto não se concretizar, o PEG «real» é muito diferente do calculado. Além disso, o PEG funciona mal para empresas com crescimento negativo (o rácio torna-se negativo e perde significado) e para empresas muito maduras com crescimento de 1-2% (o PEG dispara para valores elevados que não são particularmente informativos).

Apesar das limitações, o PEG é a forma mais rápida de verificar se o preço de uma acção de crescimento é razoável. Não substitui uma análise completa — mas em 5 segundos dá uma indicação que o PER sozinho não consegue dar. Para o investidor que segue a filosofia de Lynch — comprar crescimento a preço razoável —, o PEG é indispensável.

Na bolsa portuguesa, o PEG é particularmente útil para avaliar empresas como a Jerónimo Martins (crescimento consistente da Biedronka) ou a Galp Energia (crescimento ligado à exploração em Angola e Brasil). Um PER que parece «alto» pode ser perfeitamente justificado quando o crescimento o sustenta — e o PEG é a ferramenta que o verifica em 5 segundos.

Como Lynch resumiu: o PEG é a bússola do growth investor. Sem ela, comprar acções de crescimento é navegar no escuro — pagando preços que podem ou não fazer sentido. Com ela, pelo menos sabe se o preço que paga é razoável face ao crescimento que espera receber.