A Fórmula

EPS = Lucro Líquido ÷ Número de Acções em Circulação

Existem duas versões: o EPS básico (usa o número actual de acções) e o EPS diluído (inclui acções potenciais — de stock options, warrants, obrigações convertíveis). O EPS diluído é mais conservador e mais usado pelos analistas, porque reflecte o cenário em que todas as potenciais acções são emitidas.

Como Usar o EPS

O EPS, sozinho, diz pouco. Uma empresa com EPS de 5 euros não é necessariamente «melhor» do que uma com EPS de 0,50 — depende do preço da acção. O EPS ganha significado quando combinado com o preço para calcular o PER (Price/Earnings Ratio): PER = Preço ÷ EPS. Se a acção custa 30 euros e o EPS é 2, o PER é 15 — está a pagar 15 vezes os lucros anuais.

O mais importante não é o EPS de um ano isolado — é a trajectória do EPS ao longo do tempo. Um EPS a crescer consistentemente (5%, 10%, 15% ao ano) indica uma empresa saudável e em crescimento. Um EPS a diminuir indica problemas. Peter Lynch dizia: «No final, o que importa são os lucros, lucros, lucros.»

Atenção às Armadilhas

Lucros extraordinários: a venda de um activo pode inflacionar o EPS de um ano sem reflectir a capacidade real de geração de lucros. Olhe para o EPS «recorrente» ou «ajustado» — que exclui eventos não-recorrentes.

Recompra de acções: se a empresa recompra acções (reduzindo o número em circulação), o EPS sobe mecanicamente — mesmo que o lucro total não tenha crescido. É uma forma legítima mas algo artificial de «crescer» o EPS.

Comparação entre sectores: compare o EPS de empresas do mesmo sector. O EPS de um banco e de uma tecnológica não são comparáveis directamente — os modelos de negócio são demasiado diferentes.

O EPS é o alicerce da análise fundamental — simples de calcular, universalmente disponível, e essencial para qualquer avaliação de uma empresa cotada. É o primeiro número que o investidor deve procurar quando analisa uma acção.