A Fórmula

P/B = Preço da Acção ÷ Valor Contabilístico por Acção

O valor contabilístico por acção = (Activos Totais ? Passivos Totais) ÷ Número de Acções.

Como Interpretar

P/B abaixo de 1: o mercado avalia a empresa por menos do que os seus activos líquidos. Pode ser uma oportunidade (o mercado está a subvalorizar) ou uma armadilha (os activos estão sobrevalorizados no balanço, ou a empresa está em declínio).

P/B entre 1 e 3: zona «normal» para a maioria das empresas industriais e financeiras.

P/B acima de 3: a empresa é avaliada muito acima do seu valor patrimonial — tipicamente porque tem activos intangíveis valiosos (marca, tecnologia, rede de clientes) que não aparecem no balanço. Empresas de tecnologia e serviços negoceiam frequentemente com P/B de 5-20.

Quando É Mais Útil

O P/B é especialmente útil para avaliar bancos e seguradoras — cuja actividade principal é gerir activos financeiros. Para estas empresas, o valor contabilístico é uma aproximação razoável do valor real. Um banco com P/B de 0,5 está a negociar a metade do valor dos seus activos — o que pode indicar que o mercado espera perdas futuras, ou que está a subvalorizar.

É menos útil para empresas de tecnologia, serviços e marcas de consumo — onde o valor real está em activos intangíveis (patentes, software, marca) que o balanço não reflecte adequadamente. O P/B da Apple é irrelevante — o valor da Apple está na marca e no ecossistema, não nos edifícios e computadores.

O P/B é uma ferramenta poderosa mas limitada. Usado no contexto certo (sector financeiro, empresas industriais pesadas), é um dos melhores indicadores de valor. Usado fora do contexto, pode ser enganador. Como todos os rácios, nunca deve ser usado sozinho — é um ingrediente da análise, não a receita completa.

Para o investidor português, o P/B é particularmente relevante na avaliação de acções bancárias do PSI-20. O BCP, por exemplo, negoceia frequentemente com P/B abaixo de 0,5 — reflectindo a desconfiança do mercado face à qualidade dos activos no balanço. Se os activos valem realmente o que o balanço diz, é uma pechincha. Se não valem — como aconteceu com o BES — é uma armadilha.