A Fórmula

P/S = Capitalização Bolsista ÷ Receitas Anuais

Ou, por acção: Preço da Acção ÷ Receitas por Acção.

Como Interpretar

P/S abaixo de 1: está a pagar menos de 1 euro por cada euro de receitas. Pode indicar uma empresa subavaliada — ou uma empresa com margens tão baixas que as receitas elevadas não se traduzem em lucro.

P/S entre 1 e 5: zona «normal» para a maioria dos sectores.

P/S acima de 10: o mercado está a pagar um prémio enorme pelas receitas — tipicamente porque espera crescimento muito rápido. Empresas de software como serviço (SaaS) com P/S de 15-30 são comuns no NASDAQ.

Vantagens e Limitações

Vantagem principal: as receitas são muito mais difíceis de manipular do que os lucros. Uma empresa pode «gerir» os lucros através de provisões, depreciações e itens extraordinários — mas as vendas são o que são. O P/S dá uma imagem menos distorcida do que o PER em muitos casos.

Limitação principal: ignora completamente a rentabilidade. Uma empresa com 100 milhões de receitas e 5 milhões de prejuízo tem o mesmo P/S que uma com 100 milhões de receitas e 20 milhões de lucro. Para o P/S funcionar como indicador de valor, é preciso que a empresa tenha potencial de atingir margens razoáveis no futuro.

O P/S é o rácio dos optimistas — funciona melhor quando se acredita que a empresa vai converter crescimento de receitas em lucros futuros. Para os cépticos, o PER e o P/B continuam a ser os indicadores de eleição. A sabedoria está em usar os três em conjunto — cada um ilumina um ângulo diferente do mesmo investimento.

O P/S é também útil para comparar empresas do mesmo sector em fases de desenvolvimento diferentes. Duas empresas de software — uma lucrativa e outra não — podem ser comparadas pelo P/S quando o PER da segunda é indefinido. É imperfeito, mas é melhor do que voar às cegas. E no mundo das empresas de crescimento, voar às cegas é a alternativa real ao P/S.