Os Tipos de Yield

Yield corrente (Current Yield): o cupão anual dividido pelo preço actual da obrigação. Se o cupão é 50 euros e a obrigação negoceia a 950 euros, o yield corrente é 5,26% (50/950). É simples mas incompleto — não considera o ganho ou perda de capital na maturidade.

Yield to Maturity (YTM): a medida mais completa. Considera o cupão, o preço actual, o valor facial (que recebe na maturidade), e o tempo restante. É a taxa de rendimento total que o investidor obtém se mantiver a obrigação até ao vencimento. É o yield que os profissionais usam — e o que deve procurar quando compara obrigações.

Yield e Preço — A Relação Inversa

A regra mais importante do mercado de obrigações: quando o yield sobe, o preço desce — e vice-versa. Se as taxas de juro do mercado sobem de 3% para 4%, uma obrigação que paga cupão de 3% torna-se menos atractiva — o seu preço cai até que o yield (calculado sobre o novo preço mais baixo) seja competitivo com os 4% do mercado.

Esta relação inversa é a fonte principal de risco (e de oportunidade) no mercado de obrigações. Quando o BCE sobe as taxas, os preços das obrigações existentes caem. Quando o BCE desce as taxas, os preços sobem. O investidor que compreende esta dinâmica pode posicionar-se de acordo — comprando obrigações quando espera descida de taxas, e evitando-as quando espera subida.

Para o investidor em ETFs de obrigações, a relação yield/preço é igualmente relevante: o valor do ETF sobe quando as taxas descem e desce quando as taxas sobem. É o risco de taxa de juro — incontornável para qualquer investidor em renda fixa.

O yield é a linguagem do mercado de obrigações — tão fundamental como o preço é para as acções. Um investidor que não compreende o yield está a operar no escuro no universo da renda fixa. E num mundo onde os bancos centrais manipulam as taxas de juro com a mesma frequência com que mudam de gravata, compreender como o yield responde a estas mudanças é mais relevante do que nunca.