O conceito

Pense na liquidez como a «fluidez» de um mercado. Um mercado líquido é como uma auto-estrada larga — o trânsito flui sem congestionamentos. Um mercado ilíquido é como uma estrada rural de faixa única — qualquer obstáculo provoca engarrafamento.

Na prática, liquidez significa que existem muitos compradores e vendedores activos, e que as ordens são executadas rapidamente a preços próximos do desejado.

Como medir

Volume de transacções — o número de acções (ou contratos) negociados num período. Mais volume = mais liquidez.

Spread bid-ask — a diferença entre o melhor preço de compra (bid) e o melhor preço de venda (ask). Spreads apertados indicam boa liquidez.

Profundidade de mercado — o volume de ordens nos vários níveis de preço. Um mercado «profundo» absorve ordens grandes sem mexer muito no preço.

Porque importa

A liquidez afecta directamente os custos de transacção. Num mercado ilíquido, o spread é maior, o que significa que paga mais ao comprar e recebe menos ao vender. Além disso, numa acção pouco líquida, uma ordem de venda grande pode fazer o preço cair significativamente — o chamado «slippage».

No mercado português, a liquidez é uma questão particularmente relevante. O PSI-20 tem volumes muito inferiores aos de mercados como o americano ou o alemão. Fora das blue chips (BCP, EDP, Galp, Jerónimo Martins), muitas acções portuguesas são bastante ilíquidas.

Liquidez e crise

Em momentos de pânico, a liquidez tende a desaparecer. Todos querem vender, poucos querem comprar, e os preços caem de forma abrupta. É uma das características mais traiçoeiras dos bear markets — precisamente quando mais precisa de vender, é quando é mais difícil fazê-lo a um preço justo.